domingo, 21 de maio de 2017

Coleção Definitiva do Homem-Aranha - Salvat - Atualizada Maio/2017

01 ao 08
Nº 01 - Caído Entre os Mortos; Nº 02 - Percepções; Nº 03 - A Saga Original do Clone; Nº 04 - O Mal no Coração dos Homens.

Olá amigos... Mais uma vez a Editora Salvat atropela todas as expectativas e lança mais uma coleção de encadernados de 60 volumes agora dedicada à um único personagem. Para uma aposta assim tão ousada só mesmo a escolha óbvia de um super-herói que tem sido sinônimo de sucesso há décadas: o Homem-Aranha. Embora algumas pessoas a tenham recebido de forma fria, sobretudo em alguns canais no Youtube, para mim foi uma grata e comemorativa surpresa, mesmo alguns arcos de alguns volumes não serem tão brilhantes. Digo isto em comemoração à excelente época em que vivemos (mesmo apesar da crise) para colecionadores e amantes dos quadrinhos em nosso país. Quando pensaríamos em uma coleção como esta sobre o Cabeça de Teia? Entendo e apoio algumas manifestações sobre a questão dos lançamentos ocorrerem de forma muito simultânea, o que inviabiliza a aquisição de tudo. No entanto, entendo este lançamento como termômetro do vigor do mercado de quadrinhos no Brasil.

09 ao 16

A Coleção obedece ao modus operandi já usado pela pela Salvat e Eaglemoss em suas outras coleções do gênero (As Coleções de Graphic Novels da Salvat Capa Preta e Capa Vermelha e a Coleção DC de Graphic Novels da Eaglemoss), ou seja, 60 volumes iniciais com possibilidade de expansão e lombada que formará ao final uma ampla imagem decorativa. Cada volume trará alguns extras já comuns nestes tipos de encadernados, tais como: galeria de capas, esboços dos personagens e entrevistas com artistas. Infelizmente a robustez destes extras nem sempre é igual em todos os volumes, por isso é importante saber disto antes de esperar o mesmo padrão em todos os números. Outro ponto que, infelizmente, a Salvat ainda peca é na revisão dos textos. Temos visto encadernados nas demais coleções da editora que, volta e meia, aparecem com erros importantes. A última vítima disto foi o encadernado de Nº XX do segmento clássico da Coleção de Capa Preta, A Guerra Kree-Skrull. Primeiramente o volume veio com um erro na ordem da encadernação, bagunçando a sequencia da história. Ao corrigirem mais a frente este erro e disponibilizarem o volume novamente, vimos que ainda assim persistia um erro em um dos balões de "fala" em um determinado quadrinho. Outro erro também presente, é a troca de "falas" dos personagens. Ou seja, a fala destinada à um personagem aparece no "balão" do outro e vice-versa. Este erro eu pude presenciar quando li o encadernado de Nº III, Doutor Estranho: Uma Terra Sem Nome, Um Tempo Sem Fim, também do segmento clássico da Coleção de Capa Preta.

17 ao 24

A Coleção Definitiva do Homem-Aranha foi lançada primeiro em algumas cidades do país em forma de teste em 2016, sendo agora efetivada oficialmente. As capas dos primeiros 04 números da fase de testes eram diferentes das observadas agora neste lançamento oficial. Particularmente gostei mais destas capas atuais. As anteriores mostravam os personagens em um fundo branco, diminuindo o destaque e o vigor das imagens. Pelo menos é a minha opinião pessoal. Já a imagem a ser formada pela lombada dos 60 volumes é do desenhista da Marvel Marko Djurdjevic. Nela pode-se identificar a ampla e rica galeria de vilões e pessoas importantes na vida do Aracnídeo. Na imagem, no entanto não aparecem dois importantes vilões, o Duende Verde e o Dr. Octopus. Pelo que pude perceber esta imagem é apenas um "pedaço" de um painel bem maior desenhado por Marko, o que explicaria a ausência destes dois, que estariam em outro ponto do painel.

25 ao 32

Bem amigos... É isso aí... Coloque nos comentários abaixo suas impressões, elogios ou críticas construtivas à respeito desta nova coleção. 

Um grande abraço à todos!

domingo, 7 de maio de 2017

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

No início das histórias em quadrinhos, período também conhecido como A Era de Ouro dos Quadrinhos (1938 - 1956), praticamente todas as histórias traziam uma visão de Mundo muito simples, o "bem" de um lado e o "mal" de outro. Tal visão, também chamada de "maniqueísta", começou a mudar aqui e ali mesmo durante a Era de Ouro, com histórias que prenunciavam a inserção dos complexos elementos da vida real no mundo dos heróis. Tudo caminharia nesse sentido não fosse a promulgação do chamado Authority Code dos quadrinhos em 1954. Um Comitê de Regulação do Governo dos EUA que, para atender o clamor de diversos segmentos da sociedade, passou a nortear e censurar praticamente todo e qualquer material produzido para a mídia chamada "Quadrinhos", Comics em inglês. Esta censura só afrouxaria suas garras em meados dos anos 60/70, permitindo que a "ambiguidade" moral e a complexa personalidade dos personagens aflorassem de verdade. Diversos heróis e vilões explodiram em dramas pessoais, familiares e sociais, permitindo então que os quadrinhos ascendessem ao patamar que sempre lhe fora de direito. Podemos dizer que o Pinguim é apenas mais um destes exemplos.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Hoje, conheceremos sua história e as características de sua peça dentro da Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss. Oswald Chesterfield Cobblepot, o Pinguim, é retratado na coleção em sua concepção clássica e original, ou seja, como um aristocrata, diferentemente de outras concepções como a que vimos no filme Batman - O Retorno de 1992, em que Cobblepot foi retratado como um ser deformado, grotesco e subterrâneo por Denny DeVito. Aqui, o vilão aparece de casaca, calças e sapatos caros, colete dourado e gravata borboleta. Uma típica representação de um aristocrata dos anos 30. Não posso, inclusive, deixar de notar uma distante semelhança com Oliver Hardy, o "Gordo", da dupla O Gordo e o Magro. A peça é impecável em minha opinião. As pequena dobras e ondas do tecido do paletó e calcas aparecem muito bem. É possível ainda verificar o distensionamento do colete dourado na tentativa de conter a volumosa barriga. Detalhes como estes trazem credibilidade e verossimilhança à peça.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Outro aspecto da indumentária do personagem que nos arremete diretamente à aristocracia dos anos 20 e 30 é o uso do monóculo. Símbolo de homens ricos e poderosos o monóculo nos liga diretamente com uma época em que a moda era extremamente peculiar. Soma-se a isso a presença do sapato de duas cores e a indefectível cartola. Há detalhes menores, que pude perceber apenas ao fotografar de perto a peça. Caso, por exemplo, da posição do dedo mínimo da mão esquerda (a que se apóia no Guarda-Chuva) em extensão, vista na foto de número 06 desta matéria. O detalhe é mínimo, mas acentua a postura de orgulho e certa soberba. Menção também deve ser feita ao guarda-chuva muito bem modelado que, além de ser marca registrada do Pinguim, ajuda a compor seu visual.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

O Pinguim foi criado em 1941 por ninguém menos que Bill Finger e Bob Kane, a mesma dupla criadora do Batman. Pertencente à galeria de vilões do Homem-Morcego ainda em formação, o Pinguim teria sua origem contada apenas anos mais tarde. Oswald passou por diversos momentos difíceis em sua infância. Filho de um casal proprietário de uma loja de Aves Exóticas, Oswald perdeu o pai para uma pneumonia mal curada. Sua mãe, assombrada por este fato, exigiu que seu filho usasse constantemente um guarda-chuva, mesmo nos dias em que não havia nenhuma perspectiva de mal tempo. O uso constante do guarda-chuva, seu biotipo gorducho e um andar ligeiramente engraçado, fez com que o pequeno Oswald fosse vítima de constantes intimidações e chacotas. Sofrendo muito, seus únicos amigos eram as aves da loja de sua mãe, com as quais passou a desenvolver uma estranha ligação, pois parecia até que havia um entendimento mútuo entre ele e os pássaros. Isolado, sozinho e sem muito apoio de sua mãe, Oswald teve um vislumbre de seu futuro ao observar uma cena no ninho de um pássaro da loja certa vez. Ele percebeu que de uma ninhada de várias pequenas aves, o filhotinho menor e mais desajeitado era o que recebia constantemente bicadas dos maiores. Oswald percebeu então que se não fizesse alguma coisa, este seria seu destino: ser continuamente obliterado e violentado pelas outras pessoas.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

De todos os valentões da escola o que mais se destacava em maltratar Oswald era um garoto chamado Sharkey. Decidido a não mais ser tratado assim, Oswald passou a treinar seu corpo e sua mente para se movimentar mais rápido e agir mais rápido, com a sabedoria de um estrategista. Depois de um tempo, ele já tinha força a agilidade impressionantes para seu pequeno e volumoso corpo. Certo dia Oswald enfrentou o bullying de Sharkey e lhe deu uma surra, vencendo assim, pelo menos aparentemente, seu rival. Tudo parecia que seria diferente para Oswald. No entanto, o indignado e humilhado Sharkey tratou de perpetrar sua vingança matando todas as aves da loja da mãe de Oswald. Daquele ponto em diante Oswald decidiu que custasse o que custasse ele chegaria ao topo e jamais sofreria daquela forma. O primeiro ato criminoso do vilão foi roubar dois valiosos quadros que foram divididos com um chefão do crime de Gotham City. Oswald passaria a ser como que um "estrategista" deste chefão. Com o tempo, no entanto a influência da brilhante mente de Oswald passou a capitanear a admiração dos subalternos da gangue. Sentindo-se ameaçado a poderoso chefão do bando tentou matar Oswald, no entanto quem acabou morto foi ele mesmo. Com isso o agora poderoso Oswald, já sob a alcunha de Pinguim, passou de ajudante à líder de uma organização criminosa.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Os negócios criminosos do Pinguim sempre envolveram o alto escalão da sociedade. Especializado em extorsão, roubo e chantagem, rapidamente ele passou a chamar a atenção do Cruzado Encapuzado. Muitos foram os confrontos envolvendo Batman e o Pinguim. Todos baseados em estratégia, inteligência e às vezes senso de humor. De todas as encarnações do personagem talvez a mais famosa tenha sido a interpretação dada ao Pinguim pelo ator Burgess Meredith no seriado Batman de 1966. Apesar de muito cultuada, a série sofreu grande influência da época, que ainda se via às voltas com o Authority Code. O que impedia que os personagens alcançassem outros níveis de dramaticidade. Com isso, todos eles apareciam caricatos e espalhafatosos. Mesmo assim, a série foi responsável por influenciar toda uma geração.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Em 1989, o roteirista Alan Grant (responsável por importantes histórias do Homem-Morcego na década de 80) escreveu sobre as origens de alguns vilões do Batman, dentre eles o Pinguim. Reunidas em um encadernado chamado Origens Secretas - Os Maiores Vilões de Gotham, o volume traz um história muito boa que mostra o reencontro de Oswald com sua nêmese de infância, ninguém menos que Sharkey. Em um esquema de flashbacks, a narrativa nos mostra boa parte da infância difícil de Oswasld, enquanto Sharkey vai sendo torturado pelo Pinguim. Este volume foi recentemente relançado no Brasil pela editora Panini e vale a pena ser lido.

Miniatura DC Nº 25 - Pinguim

Conhecer a história por trás de vilões como o Pinguim nos coloca em "cheque" quanto a forma de atuar do super-heróis. Os métodos do Batman por exemplo, embora necessários, muitas vezes desconsideram o passado e as escolhas (talvez inevitáveis) que alguns vilões tomaram e que foram determinantes na formação de seu caráter. Isto faz com que, de certa forma, os ideais do Batman e de diversos outros heróis também devam ser colocados à prova. Já que muitas vezes são maniqueístas e simplistas.

Bom amigos... É isso! Um grande abraço à todos!!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Revista Mundos dos Super-heróis Acerta Mais Uma vez ao Lançar Coleção de Dossiês


Ainda é pequena em número e qualidade as publicações sérias acerca do mundo dos super-heróis em nosso páis. Com a popularização dos ícones superheróicos da 9ª Arte, sobretudo nos últimos 15 anos com a onda cinematográfica nerd, algumas publicações de origem duvidosa começaram a pipocar aqui e acolá. A Revista Mundo dos Super-heróis (RMSP) vem se mantendo firme desde 2006 como um "norte" ou "farol" a explicar, detalhar e acima de tudo entreter de forma séria tanto o aficionado por quadrinhos quanto estudiosos da área sobre o já imenso Universo Mitológico dos Super-heróis. Desde seus primórdios, a Revista produz matérias em formas de dossiês explicativos sobre os mais diversos personagens das duas grande editoras da área (Marvel e DC Comics). Em 2016, a Editora por trás da RMSP (Editora Europa), por meio do Editor Manoel de Sousa e equipe, decidiu por catalogar, atualizar e expandir alguns destes dossiês em uma coleção de 07 volumes, cada um trazendo uma excelente abordagem de dois icônicos personagens.

Por dentro do Volume 01

Iniciando a abordagem de cada personagem em seu nascedouro, cada dossiê acerta não apenas em trazer um resumo das principais aventuras do herói, mas também ao contextualizar tais aventuras com o espírito de seu tempo (o chamado Zeitgeist). Fazer uma releitura de qualquer tipo de personagem à luz de seu tempo é expandi-lo e ressignifica-lo sob a perspectiva dos conflitos e dramas de sua época. Para aqueles que acompanham a revista Mundo dos Super-heróis, ficará fácil de reconhecer os nomes por trás dos textos, escritores e colaboradores da RMSP com um olhar característico de fã, mas ao mesmo tempo com o afastamento necessário para se reconhecer fragilidades e abordagens equivocadas de roteiristas ao longo das décadas de existência do personagem.

Por dentro do Volume 01

A Coleção pode ser assinada com desconto pelo Site da Editora Europa ou adquirida em volumes avulsos em bancas ou livrarias especializadas. O material preenche, ainda que parcialmente, uma lacuna existente no Brasil acerca de material confiável sobre a Mitologia dos personagens dos dois grandes Universos, Marvel e DC. Lá fora, sobretudo nos EUA, temos farto material oficial na forma de Dicionários, Enciclopédias entre outros, ao alcance de fãs e estudiosos. Futuramente pretendo trazer uma matéria com algumas dicas de leitura de livros didáticos imprescindíveis sobre este tema já lançados em aqui em nosso país. Tais livros serão excelentes fontes de informação à todos aqueles que queiram entender um pouco mais acerca deste maravilhoso universos ficcional que espelha, às vezes até demais, nossa realidade.

Por dentro do Volume 02

É isso aí amigos... Um grande abraço à todos.

domingo, 16 de abril de 2017

Qual o Problema da Marvel: Diversidade ou Descaracterização?


Recentemente vimos acontecer uma grande reunião entre lojistas, distribuidoras e os executivos da Marvel. Algo que havia acontecido apenas no passado em um período de maior fragilidade da Editora e do Mercado de Quadrinhos nos EUA. O motivo da atual reunião? A redução sustentada das vendas em relação à sua grande rival DC Comics, que vem emplacando uma acertada estratégia de retorno às origens e DNAs de seu personagens mais emblemáticos. A reunião na Marvel tomou as manchetes porque um dos motivos debatidos para as baixas vendas teria sido a tentativa da editora em alterar seus principais personagens para versões diferentes, caracterizando-os a partir de indivíduos de outras etnias e gêneros, com personalidades muito diversas daquelas de suas contrapartes originais. Mas seria apenas este o motivo das baixas vendas? Na verdade a questão me parece não tão complicada de ser analisada ou resolvida...


Tirando uma parte (que acho que seja pequena) dos fãs de quadrinhos mais alinhados com o discurso repressor e segregacionista, eu diria que a maciça maioria dos Nerds e fãs de HQs sempre conviveu e aceitou extremamente bem a inclusão de etnias, gêneros e opções sexuais diferentes em suas fileiras. E isto sempre aconteceu por 01 único motivo: nós Nerds também sempre fomos segregados e sofremos do mesmo mal que estas populações acima citadas sofreram. Entendemos o sentimento ruim que advém da segregação e da chacota simplesmente porque já vivemos muito disto. Claro que a experiência de bullying que qualquer Nerd sofreu não se compara a odiosa segregação que fazem com as minorias étnicas ou de opções sexuais diferentes, que deixa marcas terríveis para o resto da vida. Não vejo que o problema seja a adoção de representantes de diversos segmentos sociais e étnicos como o precipitador das baixas vendas. Em minha opinião o problema é outro, mas passa sim pela "mal" feita inclusão destas minorias em seu Universo ficcional nos últimos anos. A Marvel sempre esteve à frente ao incluir personagens representantes de minorias, no entanto sempre fez isso muito bem no passado. Podemos até citar alguns destes exemplos: Shang-Chi, Luke Cage, Tigre Branco, Pantera Negra. Fóton (ou Capitã Marvel afro-descendente), Estrela Polar e muitos outros... Mas porque agora essa expertise inclusiva não está mais sendo efetiva? Simplesmente porque, em minha opinião, vem sendo feita às custas da descaracterização de personagens já bem estabelecidos e queridos dos fãs.


Embora algumas destas caracterizações até tenham alcançado sucesso de crítica atualmente, caso da Thor (Jane Foster), do Capitão América (Sam Wilson) e do Homem-Aranha (Miles Morales), o fato é que grande parte dos leitores ainda são de uma geração que cresceu lendo histórias em que Thor Odinson, Steve Rogers e Peter Parker são as respectivas identidades do heróis acima. Personagens com histórias de vida longas, cheias de brilho e tragédias. Romper com isso é impor um luto ao leitor. Acho que a Marvel precisa continuar sendo vanguardista em abrir seu Universo para personagens de outras etnias, preferências sexuais e gêneros, mas que sejam personagens novos, com sua luz própria, com sua trajetória própria. A DC Comics também cometeu erro semelhante há alguns anos ao transformar o Lanterna Verde Alan Scott em homossexual. Um herói que tinha mitologia própria, era casado e tinha filhos que se tornaram heróis também. Opções sexuais diferentes podem e devem estar presentes no Mundo dos Quadrinhos simplesmente porque ele é um espelho de nosso Mundo Real, só que isto não pode ser feito às custas da desfiguração de um outro personagem já estabelecido, pois isto agride o leitor que lhe acompanhou pela vida inteira. Aliás, isto pode até desfavorecer a causa inclusiva!!


Mas há mais coisas que explicam as baixas vendas na Marvel. Desde 2006 quando foi lançada a super bem sucedida Mega-Saga Guerra Civil, a Marvel não parou mais de lançar os tais mega-eventos. Arcos que simplesmente envolvem quase todos os heróis da Editora em desafios gigantescos. A fórmula é boa, porém ao ser levada à exaustão nestes últimos 11 anos impossibilitou o desenvolvimento dos personagens em suas vidas e carreiras pessoais. Excetuando o Demolidor de Mark Waid, não tivemos mais arcos que examinassem de forma lenta, progressiva e íntima a vida pessoal, heroica e dramática deste ou daquele herói. Tudo ficou grandioso demais e o pequeno, o cotidiano deixou de ser trabalhado. Isto explica, por exemplo o sucesso de Sagas como as do Gavião Arqueiro atualmente, que focam o homem e seu cotidiano por trás da máscara. Ou mesmo a nova Miss Marvel Kamala Khan, que faz sucesso muito mais pelas suas dificuldades de adolescente do que pelos grandes males que combate. Resumindo: A Marvel bebeu demais da fonte das Mega-Mega-Sagas, e sua ressaca começa a ser vivida agora.


Não à toa que as maiores obras-primas dos quadrinhos são aquelas que se afundaram dentro do universo pessoal do personagem e daqueles que os cercam (Batman: Ano Um; Demolidor: A Queda de Murdock; Batman: O Cavaleiro das Trevas; Marvels). Temos que nos lembrar que a ficção é, de certa forma, "escapismo", porém para funcionar precisa estar ancorada na realidade e em problemas reais que cada um de nós conhece. Esta foi a fórmula de sucesso de sagas que aparentemente tinham tudo para naufragarem na desconexão com a realidade. Posso citar como exemplo disto a Série Clássica Star Trek, que só alcançou o sucesso que alcançou porque trazia embates e questões que faziam parte do cotidiano racial e social das pessoas. Tudo recheado de uma boa aventura e escapismo ficcional. Todas as vezes que a Marvel se fixou em apenas um expediente editorial (como é o caso de sua fixação atual por Mega-Sagas) ela afundou. Vimos isto acontecer no passado (anos 90) com o tema "Militância Mutante", que foi sugado até o "osso" e nos deixou à todos com uma ressaca e uma mitologia que de tão complexa passou a ser incompreensível e totalmente dissociada da vida comum.


A Marvel precisa rever seus objetivos quanto à forma de abordar seus personagens clássicos e seus expedientes editoriais. O Portal OMELETE recentemente em um vídeo no Youtube comentou, por meio de sua editora Natália Bridi, que o simples fato de converterem um herói clássico em uma outra versão etnicamente ou sexualmente diferente já é um tipo de discriminação porque parece quererem sanar o problema do preconceito tratando estas pessoas de forma diferente, ou seja, oferecendo-lhes um cargo de destaque, sendo que poderiam muito bem desenvolverem suas carreiras de forma como todo super-herói fez no passado, ou seja, de forma lenta e progressiva. Embora concorde com a Natália, achei apenas um pouco incoerente dizerem no final do vídeo que o problema da Marvel não é a "diversidade". Na verdade, penso que parte do problema é sim a "diversidade" feita da maneira atual, pois ao ser implementada desta forma forçada, descaracterizadora e que agride o fã de determinado herói, acaba não ajudando muito a necessária bandeira da "inclusão". Temos que evoluir para uma cultura de tolerância entre pessoas, mesmo dentro dos quadrinhos, mas não às custas da desconstrução do passado.

Valeu amigos!

domingo, 2 de abril de 2017

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Doce, aparentemente frágil, linda, mas extremamente poderosa, a Feiticeira Escarlate é talvez uma das personagens mais poderosas do Universo Marvel justamente por ostentar um poder incomum e muito interessante: alterar as probabilidades (!!). Suas esferas místicas conseguem o impossível, gerar campos de incertezas fazendo com que qualquer situação conspire para o improvável acontecer. Tão incomum quanto seu poder, no entanto é também sua vida cheia de surpresas, traumas, decepções, "insanidade", amor, tragédia e busca por algo aparentemente simples, mas inatingível para ela... Um LAR. Nesta matéria andaremos pelos corredores da vida de Wanda Maximoff e entenderemos porque ela "foi" ou ainda "é" uma das mutantes mais odiadas pelos seus parceiros mutantes.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Wanda Maximoff aparece na Coleção de Miniaturas Marvel em seu traje clássico. Como deve ser, já que o nome da coleção é "The Classic Marvel Figurine Collection". O que infelizmente não aconteceu com determinados personagens (Ex.: Homem de Ferro, Nova, Namor, Ciclope entre outros) que acabaram por serem retratados com um visual mais moderno. Aqui, a Vingadora aparece com sua reconhecida tiara em forma de "M", uma alusão ao seu passado intrinsecamente ligado à Magneto. Em outras matérias aqui do Blog eu mencionei o quanto faltam alguns acabamentos nas peças da Coleção Marvel em relação à sua contraparte da DC. Apesar disso a peça da Feiticeira Escarlate agrada bastante, apesar da necessidade de alguns ajustes nas delimitações da pintura.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Para mim alguns pontos funcionam muito bem nesta peça: 1º) A modelagem da capa que coloca a personagem em um contexto de ação, sob a influência de um forte vento lateral, que contextualiza bem seus poderes. A modelagem de sua capa está ótima, e realmente nos passa a sensação de um tecido mais espesso em movimento, agitado pelo vento; 2º) O penteado de Wanda a situa em sua versão clássica, coerente com a proposta da coleção; 3º) O maiô vermelho clássico, sobre o qual muitos fãs (inclusive eu) viajaram em suas mentes; 4º) A tiara em forma de "M" que já mencionei acima e, por fim, 5º) Um detalhe simples, que talvez tenha passado despercebido por muitos (inclusive eu, até que fotografei de perto a peça), a diferença de cor entre a pele do rosto em relação aos braços e pernas desnudos. Este detalhe indica o uso de uma sobre-pele pela heroína, algo muito coerente para quem se envolve em batalhas corporais e se exporia, caso ficasse com sua pele totalmente desnuda nas regiões não cobertas pelo maiô. Vale a pena ainda ressaltarmos a posição das mãos de Wanda, como que se invocasse seu poder.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Trazer a trajetória de Wanda Maximoff em apenas uma matéria seria algo quase impossível, por isso tentarei aqui me ater a eventos importantes e que realmente influenciaram diretamente a mitologia da personagem. A Feiticeira Escarlate foi criada por Stan Lee e Jack Kirby e apareceu pela primeira vez em X-Men (Vol. 1) Nº 04 de Março de 1964. A origem da personagem demorou décadas para ser efetivamente desvendada. Via de regra Wanda e seu irmão gêmeo Pietro (o herói velocista Mercúrio), seriam filhos de Magneto (Eric Lehnsherr) com uma cigana chamada Magda. Wanda e Pietro cresceram praticamente órfãos e teriam sido mortos ainda jovens por uma turba de aldeões enraivecidos nas montanhas da Romênia se não fosse pela intervenção de Magneto, que os salvaria e os recrutaria como soldados em sua Irmandade de Mutantes, um equipe criada para superar a humanidade e governar o Mundo ao lado da raça mutante. Logo a delicada Wanda e o rebelde Pietro perceberiam que a Irmandade era mais uma equipe de soldados do que uma família, e assim seus caminhos se afastariam da equipe para se aproximarem de outra, Os Vingadores. Wanda e Pietro passariam a compor a 2ª formação dos Vingadores liderada pelo Capitão América (o que aconteceu em The Avengers Nº 16 de Maio de 1965).

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Por esta época Wanda e Pietro se deparariam com dois homens diferentes declarando serem seus pais, um era o herói chamado Ciclone da Era de Ouro (Bob Frrank) e o outro, o cigano Django Maximoff. Demoraria muito para toda esta história ser desvendada, mas a verdade era a seguinte... Magda realmente era a mãe dos gêmeos, porém quando estava para dar a luz fugiu de seu marido (Magneto), que tinha sonhos megalomaníacos de dominar o Mundo. Magda buscou refúgio no Monte Wundagore (base de operações do Alto Evolucionário), e lá pediu proteção e ajuda para parir seus filhos. Infelizmente Magda morreria no parto e o Alto Evolucionário trocaria o filho natimorto de Bob Frank (Ciclone) e de sua esposa Madeline Joyce (a também Heroína da Era de Ouro Miss América) pelos gêmeos. Bob e Madeline, haviam chegado ao Monte Wundagore logo após o nascimento de Wanda e Pietro, e Madeline teve seu filho já morto, também morrendo logo em seguida de complicações pós-parto. Bob Frank renegou os gêmeos (acreditando serem seus filhos verdadeiros e responsáveis pela morte de sua esposa). Por isso, o Alto Evolucionário confiou os bebês à Django Maximoff que os criaria sem muito afeto em um Campo de Ciganos na Romênia. Por isso os dois homens (Bob e Django) reclamavam a paternidade, embora Magneto realmente fosse o verdadeiro pai.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Wanda permaneceu nos Vingadores por muito tempo, e foi na equipe que protagonizou uma história de amor envolvendo o sintozóide Visão. Deste relacionamento nasceram (inacreditavelmente) dois garotos. Esta impossibilidade (a concepção de duas crianças a partir do relacionamento de uma humana com um andróide), no entanto seria explicada mais tarde. Wanda e Visão tentariam viver felizes, porém seriam constantemente tragados pelo ódio de pessoas e vilões ao seu redor. Wanda teria que lidar até mesmo com uma possessão maligna sobre sua mente e corpo. O demônio Chthon tentaria domina-la para utilizar-se de seu incrível poder. Apesar de tudo, o que realmente fez com que Wanda desabasse foi a descoberta que seus filhos eram, na verdade, uma criação inconsciente sua. Seu subconsciente em associação à sua grande vontade de ser uma simples mãe ao lado de Visão havia manipulado a realidade trazendo à luz seu sonho. Nesta mesma época sucedeu-se a destruição de seu marido (Visão) pelo governo americano que, temendo a existência de um androide de tamanho poder, ordenou seu desmonte. O Visão até seria remontado posteriormente, porém seus sentimentos por Wanda haviam desaparecido totalmente em sua nova programação.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

Frente a tudo isso, a Feiticeira Escarlate teve um colapso emocional, liberando seu poder de distorcer a realidade. Neste processo ela destrói a Mansão dos Vingadores, assassina os heróis Gavião Arqueiro e Valente de Copas, e instiga mentalmente a Mulher-Hulk à destroçar o novo Visão, que nada tinha a ver com seu antigo marido. Este foi o pior e mais sombrio dia na história dos Vingadores. A consequência destes eventos foi uma reunião entre X-Men e Vingadores para decidirem qual seria a solução para tamanho poder em alguém tão instável. A reunião resultou na cogitação de matarem Wanda, o que motivou seu irmão Pietro a procura-la para alerta-la e sugerir-lhe consertar as coisas. Wanda então cria um bolsão de realidade onde todas as criaturas vivas de nosso planeta passam a viver a realidade idealizada por ela, o que ficou conhecido como Dinastia M. Este arco culminou com o retorno à nossa realidade e Wanda culpando toda raça mutante pelos infortúnios a que fora submetida. Assim ela diz a célebre frase: No more Mutants (Chega de Mutantes), o que faz com que quase todos os mutantes da Terra tenham seu gene mutante desativado. Wanda então desaparece nas montanhas da Europa e passa a viver desmemoriada em aldeias Europeias.

Miniatura Marvel Nº 55 - Feiticeira Escarlate

A Feiticeira Escarlate só é redescoberta durante os eventos da saga A Cruzada das Crianças, em que tem sua memória devolvida e tenta retomar sua vida junto àqueles que sempre entendeu como sua família, Os Vingadores, tendo, no entanto sob sua costas o ódio de toda uma raça, os Mutantes. Apenas recentemente, no arco Os Gêmeos do Apocalipse (Nova Marvel) é que Wanda inicia um longo caminho em direção ao perdão dos mutantes.

A Feiticeira Escarlate é uma das heroínas que galgou o respeito e o afeto dos fãs ao longo dos anos merecidamente. Sua trajetória foi construída com sangue, dor e amor. Sua trajetória é a de alguém que sempre foi tragada pelos acontecimentos à sua volta e sempre desejou apenas viver uma vida simples ao lado daqueles que ama.

domingo, 12 de março de 2017

Miniatura Marvel Série Especial Nº 10 - GALACTUS

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

"O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora. Quantos reinos nos ignoram!"
Blaise Pascal - 1623 - 1662

Desde a aurora dos tempos a humanidade pautou seu comportamento a partir de uma emoção que odeia sentir, o "Medo". A ideia de tribos, aldeias, povoados, cidades existe apenas porque o homem deseja estar junto com seu semelhante, e assim, diminuir seu "Medo". Refiro-me ao Medo primal, irracional e profundo que se origina a partir do desconhecimento do que está acima de sua compreensão. Em nossa sociedade atual a vontade de banir este "Medo" chegou a tal ponto, que vivemos hoje cada vez mais em uma "bolha" tecnológica que nos afasta de qualquer pensamento ruim. Mas a verdade é que nunca teremos sucesso total nesta empreitada, pois este Medo sempre existirá, e por uma única razão: "Somos Pequenos". Nos quadrinhos este Medo é palpável e foi personificado em um ser que atende simplesmente pelo nome de... GALACTUS. Mas quem é, ou como surgir este ser que também carrega a alcunha de "DEVORADOR DE MUNDOS"? Acompanhe-me em uma viagem através das linhas abaixo, por um tempo antes do tempo, por uma eternidade antes da eternidade.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

Manipulador de energias cósmicas e poderoso o suficiente para arrasar com Mundos inteiros, GALACTUS surgiu pelas férteis mentes de Stan Lee e Jack Kirby e apareceu pela 1ª vez em 1966 em Fantastic Four Nº 46. Lee e Kirby provavelmente (penso eu) tentavam criar algo que sintetizasse à perfeição o "Medo Primal" que descrevi acima, e assim surgiu o ser mais temido do Cosmo. Nem vilão, nem herói, GALACTUS deve ser descrito mais como uma força da natureza, envolvido no intrincado equilíbrio de nosso Universo. Veremos alguns detalhes da peça que o representa dentro da Coleção de Miniaturas Marvel da Eaglemoss, e depois descobriremos juntos quem é GALACTUS.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

A Coleção apresenta o personagem em sua indumentária mais recente, que guarda muitas semelhanças com aquela usada quando de sua 1ª aparição. O inconfundível capacete aparece em destaque e não deixa dúvida acerca de seu dono. O corpo traz uma musculatura bem definida que só não está mais evidente em função dos adereços da armadura. Se pensarmos do ponto de vista conceitual, perceberemos que esta armadura guarda alguma semelhança com os trajes usados no Antigo Egito. Principalmente a "saia" ajustada acima dos joelhos com linhas que evocam o cerimonialismo Egípcio. Do Egito Antigo também parece vir o conceito da placa peitoral azul que se comunica com os braços e região anterior do tórax. Penso que Lee e Kirby queriam trazer ao personagem uma mistura de antiguidade (algo quase arqueológico) e futurista. As botas, luvas e capacete cumprem, em minha opinião, este papel futurista.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

O balanço entre estes conceitos (antigo e futurista) fica equilibrado no personagem em minha opinião, o que mostra o quanto Jack Kirby tinha domínio sobre esta mistura, algo que ele viria a provar um pouco mais à frente nos anos 70 em sua passagem pela DC com a criação da Saga do Quarto Mundo. Um aspecto que sempre me chamou atenção no visual de GALACTUS foi o fato de seus criadores não quererem esconder que embaixo de todo este poder e visual havia na verdade 01 homem. E isto fica claro ao contemplarmos o rosto muito bem definido de alguém por detrás do capacete. A ideia de que este Ser já tenha sido 01 homem, deixa o personagem ainda mais enigmático, ao melhor estilo de Erich Von Daniken em seu clássico "Eram os Deuses Astronautas?". Com isto Lee e Kirby situam GALACTUS dentro da ideia de que seres que já foram um dia homens como nós, teriam se desenvolvido a níveis divinos no Universo, e GALACTUS poderia ser um desses. Bem... ao analisarmos a origem de GALACTUS veremos que ele veio de uma história parecida com esta, mas muito, muito mais profunda...

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

GALACTUS já foi sim um homem, mas não deste Universo, não desta Eternidade. A física moderna aceita muito bem o fato de nosso Universo atual estar em expansão, em um movimento que chegaria a um limite e seria seguido de uma resposta contrária, ou seja, uma retração com posterior colapso sobre si mesmo. Este colapso geraria o que é aceito como um "Ovo Cósmico", ou universo Ovósmico. Um ponto em que toda a matéria estaria concentrada e, depois de um tempo de gestação, voltaria a se expandir a partir de um novo Big-Bang. Este entendimento nos faz crer que antes da existência de nosso Universo, outros existiram e outros existirão quando o nosso for obliterado. GALACTUS na verdade foi um homem chamado Galan que pertencia ao Universo anterior ao nosso. Ele era habitante de um Planeta altamente evoluído chamado Taa e sabia do iminente colapso de seu Universo. Embora desacreditado pelos seus pares, Galan sabia do iminente fim e, imbuído do orgulho que caracterizava sua raça voou em uma espaçonave para o centro do colapso cósmico para exercer seu direito de uma morte digna ao encarar de frente o fim de tudo.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

Para surpresa de Galan, no entanto quando se percebeu em seus minutos finais de vida, ouviu uma voz em sua mente que era ninguém menos que a senciência do Universo que naquele momento se findava. Galan então experimentou uma fusão de sua essência à do moribundo Universo, sendo então enclausurado dentro do que seria o "Ovo Cósmico" de nosso atual Universo. Ali então, esta estranha entidade permaneceria em hibernação até o cataclísmico evento que conhecemos como Big-Bang acontecer, dando início então ao Universo como conhecemos hoje. Galan, agora totalmente transformado, vagaria pelo recém criado Universo por bilhões de anos em estado de dormência até despertar diferente, com uma consciência que transcendia à tudo dentro de nosso Universo. Ele continuava dentro de sua espaçonave, totalmente transformada também, e ali forjaria para si uma armadura que lhe daria possibilidade de conter a incomensurável energia cósmica que varria seu corpo constantemente. Mas o propósito de GALACTUS ainda seria posteriormente evidenciado, como sendo algo muito maior do que um simples acidente que fundiu um homem à um Universo.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

Logo nos primeiros instantes de seu despertar, GALACTUS percebeu-se com uma fome terrível, aplacada somente a partir do consumo de uma grande quantidade de energia. Foi esta fome que fez com que ele, de imediato, consumisse o Planeta que pairava abaixo de sua nave no momento de seu despertar, o Planeta Arqueopia. Ele vagaria pelo Universo a fim de manter-se vivo consumindo Planetas inteiros ao drenar sua energia vital. Foi esta necessidade que fez com que GALACTUS precisasse de um Arauto, alguém que, revestido de parte de seu poder cósmico, pudesse rastrear Planetas a serem consumidos. O 1º Arauto de GALACTUS foi um ser conhecido apenas como Caído. Alguém sobre o qual temos poucas informações. Caído foi substituído pelo maior e mais famoso Arauto de todos os tempos no Universo Marvel, o Surfista Prateado. A origem do Surfista é bem conhecida de todos, mas resume-se ao fato de que GALACTUS encontrara o Planeta Zenn-La e iria consumi-lo. Para que isso não acontecesse o sensível e corajoso jovem habitante de Zenn-La, Norrin Rad, se oferece para ser o novo Arauto de GALACTUS e assim procurar Planetas desabitados para serem consumidos pelo GIGANTE Cósmico. Em troca GALACTUS pouparia Zenn-La, e assim se deu.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

Foi durante esta fase que GALACTUS se deparou com nosso Planeta, a Terra. Nesta época o Surfista estava totalmente frustrado e descrente da humanidade que um dia partilhou, e nesta perspectiva encontrou a Terra para satisfazer seu Mestre. A chegada de GALACTUS à Terra pelas mãos do Surfista é narrada em uma das mais brilhantes Sagas do Universo Marvel: A Vinda de Galactuspublicada originalmente em 1966, mas recentemente republicada dentro da expansão da Coleção de Graphic Novels da Editora Salvat. Esta Saga abriria as portas para a exponencial expansão do Universo ficcional da Marvel e consolidaria o Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado como personagens de vanguarda. Embora apresentado inicialmente como um ser que iria consumir a Terra, e portanto um vilão (?), posteriormente GALACTUS se mostraria acima do certo e do errado, na medida em que seu papel dentro do equilíbrio cósmico seria a destruição de mundos, à semelhança de um agente do caos e da ordem, que é necessário para manter o equilíbrio entre os conceitos de Morte e Eternidade.

Miniatura Marvel Especial Nº 10 - GALACTUS

GALACTUS provou-se ser uma das mais violentas e poderosas forças dentro do Universo Marvel, e seu papel atualmente está além de conceitos como os do certo e errado. Suas batalhas em geral envolvem seres descomunais e poderosos, tais como Ego - O Planeta Vivo e Thanos, respectivamente. Para todo fã de quadrinhos, GALACTUS sempre representou o Juízo Final e seu nome é tão temido, ou talvez mais temido, que qualquer outro nome já pronunciado dentro da Redação da Marvel.

Um abraço à todos!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Coleções Automotivas Planeta DeAgostini: Uma Reflexão é Necessária!


Olá amigos... Muitos leitores que acompanham a linha editorial aqui do Blog já há algum tempo sabem que sempre imprimi a ideia de conversarmos sobre determinados Hobbies na tentativa de trocarmos experiências, dicas e sobretudo tentarmos construir um novo modelo de colecionismo no Brasil. Um Colecionismo maduro que pouco tenha a ver com a proposta dos chamados "acumuladores" ou, na outra ponta, "scalpers". No entanto, sempre que é preciso chamar a atenção para determinados pontos negativos, acho importante fazê-lo na perspectiva de crescimento e amadurecimento de todos nós e, sobretudo das empresas do ramo. A Planeta DeAgostini é uma destas empresas que conheci há alguns anos e que possui "know-how" e um portfólio digno das coleções que saem lá fora. Em 2012 vimos surgir seu 1º lançamento ligado à miniaturas de automóveis históricos do Brasil, a Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil. Para mim foi uma incrível surpresa, uma vez que o colecionismo deste tipo de miniatura traz consigo uma nostalgia voltada especificamente para modelos que rodaram em nosso país e emolduraram nossas infâncias.


Na esteira do sucesso desta 1ª Coleção, que durou vários anos e teve 100 peças, vieram outras na mesma linha, a Coleção Veículos de Serviço do Brasil, a Coleção Caminhões Brasileiros de Outros Tempos e Táxis do Mundo. Todas muito interessantes e, à exceção de Táxis do Mundo, todas voltadas para modelos históricos de nosso país. Sou cliente da Planeta DeAgostini e deixo aqui meu testemunho de um atendimento sempre cortês e que sempre resolveu meus problemas com peças que não chegaram devidamente corretas. O que gostaria de discutir aqui são alguns pontos que diversos leitores deste Blog tem apontado como sendo incorretos dentro da proposta destas coleções, especificamente a Coleção de Carros Inesquecíveis do Brasil e Veículos de Serviço do Brasil


Com o início de 2017 a Editora revelou a expansão da coleção Carros Inesquecíveis do Brasil de 100 para 125 peças (ou seja, um acréscimo de 25 peças). A ideia em si não é problemática, pelo contrário, no entanto esta estratégia tem despertado a vontade de trazer a tona algumas coisas que já estavam no coração de vários colecionadores, por exemplo a presença de uma repetição muito grande de determinados modelos. Por exemplo, há uma quantidade excessiva de Kombis, enquanto outros modelos passaram despercebidos. Outro ponto que tem gerado discussão é a presença de modelos recentes da indústria automobilística, que não chegaram a marcar necessariamente nossa história a ponto de figurar dentro de uma coleção cuja proposta é trazer o chamado "inesquecível", caso por exemplo da Tucson que está presente na expansão.


Outro ponto que, particularmente, me incomoda é a forma que as peças são acondicionadas dentro das caixas. Alguns modelos vem separados de seus fascículos e estes, por sua vez vem muito amassados. Como o ramo é "Colecionismo" temos que entender que detalhes fazem a diferença para este público. Assim, este tipo de erro poderia ser facilmente resolvido a partir de um acondicionamento melhor das peças e fascículos nas caixas, gerando grande satisfação no cliente que possui sua atenção voltadas para estes aspectos. Este problema de acondicionamento eu verifiquei nas 04 coleções citadas no início da matéria.


Por fim, muitos tem questionado acerca da escala das peças. Temos notado que alguns veículos, originalmente menores que outros, acabam aparecendo maiores ou do mesmo tamanho dentro da coleção. Em conversas com amigos (aqui do Blog) comentamos que esta diferença poderia estar ligada ao processo de escaneamento em 3 dimensões a partir do modelo real, um processo que teria pequenas imperfeições e que, por sua vez, poderiam impactar na escala final da peça em comparação com sua contraparte de tamanho real. No entanto, alguns diferenças são realmente gritantes. De qualquer forma este tem sido um ponto importante, sobretudo quando expomos as peças uma ao lado da outra em uma estante e acabamos por ver algumas errada quanto a proporção entre uma carro e outro.


Quanto à decisão de quais modelos poderiam figurar dentro da coleção, uma estratégia bem interessante adotada lá fora foi a votação, a partir de Redes Sociais, envolvendo fãs. Isto aconteceu por exemplo na Coleção The Classical Marvel Figurine, atualmente sendo lançada no Brasil pela Editora Eaglemoss. Muitos fãs votavam em determinados personagens da Marvel que queriam ver dentro da coleção e tudo acontecia a partir de uma votação simples. Outra opção, talvez bem menos especulativa e trabalhosa, seria a consulta prévia à pessoas importantes ligadas à indústria automobilística nacional. Há muitos Gerentes e Engenheiros Mecânicos que participaram daquela época que, acredito eu, poderiam sugerir modelos que efetivamente foram inesquecíveis em nosso país.


Bom amigos, meu desejo é que a Planeta DeAgostini e outras empresas deste tipo tenham vida longa, sobrevivam às crises, diversifiquem seus catálogos e superem críticas que nem sempre são construtivas por parte de muitos fãs. Aqui, no entanto queremos que haja espaço para esta troca de ideias e uma discussão que transcenda gostos e visões pessoais.

Gde. Abc. à todos.

P.S.: Agradeço especialmente à todos os leitores aqui do Blog (como o Marcelo Pimentel e André Moraes por exemplo)  que estão sempre trazendo suas ideias nos comentários das matérias de forma construtiva e participativa sobre as coleções!