domingo, 27 de novembro de 2016

Ordem de Lançamento no Brasil - Coleção Marvel Eaglemoss - 100 à 200

100 - Banshee; 101 - Ikaris; 102 - Doc Samson; 103 - Víbora; 104 - Em Breve; 105 - Homem-Máquina; 106 - Barão Zemo; 107 - Cavaleiro Negro; 108 - Union Jack; 109 - Madrox - O Homem-Múltiplo; 110 - Camaleão; 111 - Homem-Lobo.

Prezados... Muitos às vezes me questionavam acerca da mudança de ordem que a Eaglemoss optou em fazer no Brasil no que se refere ao lançamento das peças. O motivo real desta mudança não sabemos e acredito que possa ter a ver com a produção e disponibilidade de determinadas peças em relação à outras, bem como questões relacionadas à importação. De qualquer forma fica difícil saber o que já saiu, quais são as lacunas ainda na coleção e quais peças ainda precisamos esperar. Por isso resolvi organizar aqui no Blog uma postagem com a Ordem de Lançamento que vem sendo executada aqui no Brasil. As grandes mudanças estão acima do Nº 100, por isso esta matéria fixa-se na ordem a partir deste ponto. Pretendo fazer também uma outra matéria fixando a ordem Brasileira para a numeração de 01 à 100 desta coleção da Marvel Eaglemoss (que não apresentou praticamente nenhuma mudança em relação à ordem Europeia) e também uma matéria semelhante para a Coleção de DC.

112 - Tigresa; 114 - Treinador. 

Bem... Agora é acompanhar as atualizações desta matéria por aqui. Ok? Deixo um grande abraço à todos!!







171 - Valete de Copas.


172 - Gladiador; 173 - Garra Sônica; 174 - Batroc; 175 - Duende Macabro; 176 - Nômade; 177 - Drax - O Destruidor; 178 - Hellstorm - Filho de Satã; 179 - Dínamo Escarlate; 180 - Ceifador; 181 - Encantor; 182 - Wiccano; 183 - Sina.


184 - Danielle Moonstar; 185 - Pássaro da Neve; 186 - Gatuno; 187 - Homem-Radioativo; 188 - Rocha Lunar; 189 - Quasar; 190 - Triton; 191 - O Mestre dos Bonecos; 192 - Rapina; 193 - Solaris; 194 - Constritor; 195 - Serpente da Lua.


196 - Ardiloso; 197 - Titânia; 198 - Gorgon; 199 - Aniquilador; 200 - Besouro.

sábado, 19 de novembro de 2016

O Universo em Suas Mãos


Escrever sobre as últimas fronteiras da ciência no que se refere às nossas origens, à matéria da qual somos feitos, ao nosso destino dentro de um contexto maior e, principalmente, sobre o entendimento de "quem somos nós" é uma tarefa que exige, além de um talento didático incrível, uma capacidade de síntese maior ainda. Christophe Galfard, autor de O Universo em Suas Mãos (2016) foi aluno de Doutorado do grande físico e expoente de nossa era Stephen Hawking e, dentro desta perspectiva abraçou o desafio de escrever um livro assim.


Lançado em Abril de 2016 a obra traz, literalmente, as fronteiras de nosso conhecimento atual a respeito das questões acima. Acessível e lúdica, a escrita de Galfard abre mão de explicações complexas (que os acadêmicos adoram para mostrarem suas qualificações) e constrói uma dinâmica perfeita para auxiliar o leitor. Além disso, promete ao leitor, logo no início do livro, algo que achei que seria incapaz de cumprir: Promete não deixar ninguém para traz em sua narrativa.


O autor inicia o livro proporcionando ao leitor a clara e incontestável escala de grandeza que o nosso Universo possui para, logo em seguida trazer, um conceito que para o leigo torna-se incrível: Os Limites do Universo. Partindo-se do princípio de que estamos em um determinado ponto do Universo, caso conseguíssemos viajar uma distância de 13,8 bilhões de anos-luz chegaríamos no que a física conhece hoje como Muro de Última Difusão. Claro que para chegarmos lá teriam se passado 13,8 bilhões de anos-luz caso viajássemos à velocidade da Luz, e o que procuramos já não estaria lá mas, neste ponto (13,8 bilhões de anos-luz) a partir daqui em qualquer direção que fossemos, encontraríamos uma superfície para além da qual encontram-se os segredos do Big Bang. Este Muro nada mais é do que a primeira fronteira depois do Big Bang e define o ponto a partir do qual a luz tornou-se livre para viajar e permitiu que nosso Universo se tornasse visível. Este conceito de abertura já choca o leitor e o prepara para outros mistérios que virão que mais parecem "mágica" do que realmente constatações e teorias científicas.

Entre o Muito Grande e o Muito Pequeno Newton é Rei...

Parece incrível, mas até o início do Século 20 a Lei de Newton reinava soberana explicando praticamente todos os movimentos em nosso Planeta e fora dele. Tudo isso continuaria se não fosse... Mercúrio! Quando os cientistas estavam calculando as órbitas de todos os Planetas ao redor do sol uma coisa não bateu, a órbita de Mercúrio (o Planeta mais próximo do Sol). Foi aí que surgiu um homem chamado Albert Einstein e produziu um teoria que revolucionaria tudo. Einstein teorizou (e depois descobriu-se que ele tinha razão) que qualquer corpo do universo (inclusive você e eu) produz um efeito sobre o tecido do universo, tal qual uma bola pesada em cima de um lençol estendido. Após esta ideia a humanidade começou a entender o que era a gravidade. Só a partir disso é que percebeu-se que a órbita de Mercúrio não batia pelos cálculos da lei de Newton porque um grande corpo celeste perto dele (o Sol) produzia um deformação muito grande no tecido do Universo mudando a órbita do pequeno Planeta. Mas Einstein foi além e concebeu o que passamos a conhecer como Lei da Relatividade Geral. Esta lei passou a explicar tudo no Universo, até mesmo o que acontece nos lugares mais distantes, até que outra coisa passou também a não bater e "catapimba!!", precisávamos mais uma vez de outra lei para explicar o estranho Mundo do muito pequeno.


Quando muitos se voltaram para o mundo do muito pequeno, o Mundo Quântico, todos esperavam que as mesmas Leis que valiam fora dele se aplicavam a ele, só que não. Se pensamos que no mundo do dia a dia uma bola cairá sempre para baixo obedecendo a Lei de Newton isso se mostrou totalmente diferente no Mundo Quântico. Um mundo feito de partículas menores que os átomos, os chamados glúons, prótons, neutrôns, elétrons e muitos outros. E tinha mais coisas estranhas ainda... Uma partícula que estava aqui de repente aparecia inesperadamente em outro lugar (!?!?), fenômeno esse que os cientistas passaram a chamar de "Tunelamento Quântico". Para isso precisava-se de uma nova teoria, e eis que assim nasceu então a Teoria Quântica de Campos. Desta teoria obtivemos uma das leis mais absurdas que poderíamos conceber, a saber: se uma coisa tiver que acontecer no Mundo Quântico, ela vai acontecer! Estranho para você amigo leitor? Isso porque você não viu nada ainda e no livro você ficará de queixo caído com outras leis que regem o Mundo do muito pequeno.

O Mundo do Muito Pequeno 

Com a inauguração do Grande Colisor de Hádrons nos anos 2000, um equipamento localizado na fronteiro Franco-Suiça, todas estas teorias estapafúrdias sobre o Mundo Quântico vem se mostrando todas corretas. Mas se no Mundo do Muito Pequeno tudo que pode acontecer realmente acontece, porque que nossa realidade não fica mudando a cada segundo ao bel prazer das incertezas quânticas? Bem... Das duas, uma... Ou algo acontece entre o nosso Mundo e o Mundo Quântico que impede que esta aleatoriedade migre para nossa realidade, ou então realmente tudo acontece sim!!! Absurdo para você!? Pois é... Para muitos cientistas também, até aparecerem evidências de que isso é possível mesmo (!!). Ou seja, cada vez torna-se mais claro que os inúmeros caminhos a serem seguidos pelas partículas no Reino Quântico realmente são seguidos, gerando então o que é conhecido por muitos Nerds há muito tempo: As Realidade Paralelas. Algo aparentemente absurdo, mas que no final começa a se tornar cada vez mais plausível.


E o que dizer dos Monstros cósmicos espalhados pelo Universo... Os Buracos Negros. Por que ele é tão estudado atualmente? A importância destes gigantes comedores de tudo o que há ao seu redor se dá porque a deformação que promovem no tecido do Universo é tamanha que as duas teorias aceitas hoje (da Relatividade Geral e do Mundo Quântico) acabam por tornar-se apenas uma, à semelhança do que existiu no início do nosso Universo, onde tudo estava junto em um mesmo ponto. A isso chamamos de "singularidade", ou o Santo Graal da física moderna. Desta impossibilidade de se juntar em um mesmo ponto o que se parece irreconciliável, a física moderna busca então uma nova Teoria, uma teoria que consiga abarcar todas as 03 principais teorias que explicam nosso Universo (a de Newton, da Relatividade Geral e Quântica de Campos), ou seja, a TEORIA de TUDO. Daí então entra a chamada TEORIA - M, ou mais conhecida como Teoria das Cordas.


Em relação à Teoria das Cordas tudo fica mais incrível e mais mágico ainda! Se você ficou maravilhado com as primeiras partes do livro ao explorar o funcionamento do Universo pelas lentes das principais teorias que conhecemos isso não será nada comparado às possibilidade que a Teoria - M parece oferecer. Desde os primórdios da ciência sempre soubemos que nunca conseguiríamos observar nosso universo de um ponto de vista especial, ou seja, de "FORA DELE". Correto? Bem... parece que não. A Teoria das Cordas nos apresenta a possibilidade de que, para além do Mundo Quântico, numa escala incomensuravelmente pequena, exista determinadas estruturas (cordas) com características vibracionais distintas conectando universos parecidos com o nosso. Muita ficção cientifica para você? Bem... Para mim também. Esta última parte da Teoria das Cordas ainda carece de muita comprovação, mas a Teoria de Einstein e Quântica de Campos até bem pouco tempo também careciam, e hoje são plenamente aceitas e comprovadas. Isso quer dizer que, dentro em breve meus amigos, estaremos próximos das Portas da Percepção.


Um grande abraço à todos...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

Polaris é para mim uma das personagens do Universo Marvel que traz consigo a essência de uma verdadeira Deusa! Sei que causarei polêmicas aqui, mas para mim ela é uma das personagens femininas mais sensuais e que estaria no meu Top Five das mais belas e emblemáticas heroínas da 9ª Arte! rs rs rs... Polêmicas à parte, Polaris é uma grande representante da fase de ouro (para mim) dos X-Men (a 1ª e 2ª formações da equipe). Dona de um poder sobre o qual ainda não se conhece o limite, Polaris é na verdade Lorna Dane, uma linda jovem que nasceu com os cabelos verdes e que durante muito tempo viveu sem saber que era filha de ninguém menos que Magneto... Um dos mutantes mais poderosos e enigmáticos do Universo Mutante. Hoje trataremos de sua origem, seu passado sofrido e cheio de percalços e, obviamente, das características de sua peça dentro da Coleção de Miniaturas Marvel da Eaglemoss.

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

A peça é robusta e traz uma Polaris de grandes medidas, estatura e sensualidade, com um corpo que lembra até o de uma halterofilista. O que na verdade contrasta com a Lorna Dane que conhecemos dos quadrinhos, que em geral foi desenhada em grande parte de sua carreira como sendo uma mulher bonita, esguia e delicada. Aqui perdemos um pouco desta delicadeza feminina e entramos no campo de uma feminilidade guerreira e cheia de poder. Particularmente eu a preferiria um pouco mais parecida com o traço de gigantes como Don Heck, Jim Steranko, Dave Cockrum e Neal Adams. A peça não deixa de ser bonita por causa disto. Pelo contrário, traz um lado da personalidade de Polaris que realmente existe, o lado poderoso e cheio de uma energia contida, tal como no caso de Jean Grey (A Fênix).

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

Os atributos da peça são muitos, começando pela modelagem da musculatura dos braços, abdômen, pernas e joelhos com patelas salientes e perfeitas. A pose demonstra segurança e confiança. A isto se soma a posição da mão esquerda como que em um sinal de espera para atacar, bem como um olhar ligeiramente fixo para um determinado ponto à sua frente à busca de algo. A cabeleira verde é farta e presa por uma tiara que faz alusão (proposital penso eu) à Magneto. Aliás, uma cabeleira bem modelada e que nos lembra (simbolicamente) uma leoa selvagem. Outro ponto que não dá para deixar para trás é a capa que confere à personagem uma perspectiva de realeza e, no caso desta peça, está muito bem modelada simulando as dobras de um tecido mais grosso e longo. A roupa em si (o "body" e uma calça "legging") não poderiam ser mais chamativos. O que nos faz perguntar se no mundo real tal uniforme seria realmente factível. Botas e braceletes arrematam o conceito de poder.

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

Mas quem é Polaris? A jovem e frágil Lorna Dane apareceu pela primeira vez em X-Men (vol. 01) Nº 49 em Outubro de 1968 como criação direta de Don Heck, Jim Steranko e Arnold Drake. Mas sua história trazia conexões misteriosas com o passado de outros mutantes. Ainda bebê, Lorna perdeu os supostos pais em um acidente aéreo, sendo logo em seguida adotada pela irmã de sua mãe. Um detalhe estranho da pequena Lorna é que ela tinha cabelos verdes. Sua tia pediu a ela que os tingisse de castanho para evitar constrangimentos na escola e faculdade, e assim foi. Tudo caminharia bem para Lorna (com seus poderes mutantes ainda latentes) caso um outro mutante, Mesmero, não se interessasse pelo seu poder adormecido. Atraída por Mesmero, por meio de uma indução psíquica à distância, Lorna vagava pelas ruas de forma entorpecida, o que quase a levou a um atropelamento. Quem a salva, por acaso, seria Bob Drake (o Homem de Gelo dos X-men). Levando Lorna para o QG dos X-Men, logo todos descobririam que ela possuía poderes mutantes latentes através de Cérebro (o poderoso computador de Charles Xavier).

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

Dando prosseguimento ao seu plano, Mesmero raptaria Lorna e a colocaria em uma máquina que a submeteria à um estresse importante, ativando seus genes mutantes e trazendo à tona seus poderes ligados ao controle do espectro eletro-magnético. Um controle sobre nada menos que duas das quatro principais forças que regem nosso Universo. Mesmero na verdade não pararia por aí, mas contaria que Lorna era filha de Magneto, fato que foi desmentido mas finalmente confirmado anos depois. A partir desta descoberta a vida de Lorna Dane nunca mais foi a mesma e, após a derrota de Mesmero, Polaris se fixaria junto aos X-Men. Na equipe a pessoa mais próxima à ela era, é claro, o Homem de Gelo, que nutria grande paixão pela adorável garota de cabelos verdes. No entanto, tudo logo mudaria novamente, já que Lorna seria raptada mais uma vez, só que agora pelos Sentinelas e, em seu cativeiro conheceria outro mutante, Alex Summers (o Destrutor), irmão de Scott Summers, o Ciclope. Ali começaria uma grande história de amor entre ela e Alex.

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

De volta aos X-Men, as tensões entre Bob Drake e Alex Summers pelo coração de Lorna logo se provariam um obstáculo difícil a ser transposto e geraria a saída de Lorna e Alex da equipe, deixando Bob desconsolado. Tudo seria muito difícil na vida da mutante de cabelos verdes, isso porque ela seria raptada diversas vezes e por diferentes vilões e entidades (Sauron, Mutantes congelados, O Império Secreto, Alienígenas, a Feiticeira Zaladane...). Além disso, já foi controlada mentalmente até por uma vilã chamada Maligna. Tudo isso sempre impossibilitou a bela mutante de desenvolver uma vida normal e seu amor por Destrutor. Apesar disso, sua passagem foi marcante em outra equipe de Mutantes, o X-Factor.

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris

É difícil para qualquer um construir uma linha do tempo da vida de Polaris. Mas isso não se aplica só a ela, mas à qualquer mutante. Isto porque a partir do fim dos anos 80 e ao longo dos anos 90 os mutantes tornaram-se a fórmula mais rentável da Marvel em vendas. Nesta época, com a ascensão de desenhistas e roteiristas que passaram a privilegiar uma arte cada vez mais esdruxula e roteiros extremamente sofríveis, a mitologia mutante literalmente virou do avesso. Histórias complexas e cada vez mais estapafúrdias, recheadas de distorções temporais e explicações inverossímeis, até fizeram sucesso na época, mas acabaram por minar a mitologia de personagens incríveis como Polaris e muitos outros. Por isso, em minha concepção é possível acompanhar a trajetória da mutante até um certo ponto, depois deste ponto tudo contribui muito pouco para a linha de vida dramática da jovem. Sendo mais coerente para mim nesta matéria tratar dos elementos verdadeiramente seminais e importantes de sua trajetória inicial, como fiz acima.

Miniatura Marvel Nº 53 - Polaris
Bem amigos... Charmosa, poderosa e com uma história marcante junto aos Mutantes da Marvel, Polaris merece, sem dúvida nenhuma um lugar entre as Divas do Universo Marvel.

Grande Abraço!

domingo, 30 de outubro de 2016

Miniatura DC Série Especial Nº 09 - Etrigan

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Usar as forças das Trevas numa estranha simbiose com as forças do bem é um expediente que foi utilizado no passado e que nos choca (pelo seu contrassenso) até os dias de hoje. Nessa estranha esteira nasceram dois personagens criados na mesma época, o Motoqueiro Fantasma da Marvel e Etrigan, o demônio. Gerado pela Lenda Jack Kirby em 1972 durante sua profícua passagem pela DC, Etrigan nasceu logo após o encerramento das revistas de Kirby ligadas ao 4º Mundo. Nascido no inferno e condenado a viver atrelado à uma prisão de carne, Etrigan é um enigma ainda em nossos dias. Diferentemente do Motoqueiro Fantasma que possui uma missão definida de punir o mal no coração dos homens, Etrigan parece jogar dos dois lados (do mal e do bem) sempre a serviço de ninguém menos que a si próprio. Seu poder assusta mesmo seu pai infernal e por isso suas ações sempre foram cerceadas pela sua família como veremos abaixo. Conheçamos então o bestial ETRIGAN!!

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Falando primeiramente de sua peça dentro da Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss, Etrigan foi lançado dentro do Segmento Especial desta coleção. Sua peça é confeccionada em resina e, de minha parte, acabei por ceder à esta mudança de material proposta pela Eaglemoss à mando (segundo ela mesma) da DC. De qualquer forma a peça é bem interessante apesar do material. Embora leve, a peça tem consistência ao olhar, provavelmente por determinados detalhes como "veias" e "artérias" aparecendo ao longo das pernas e mãos desnudas do personagem. Além disso, o tronco traz anatomia evidente com abdominais, peitorais e costelas bem definidos, o que ajuda em uma percepção de robustez. Ainda que essa robustez se desfaça um pouco quando examinamos a peça em nossas mãos, pois seu peso denuncia seu material.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Outros destaques ficam por conta da musculatura dos braços da fera, dois potentes "troncos" musculares bem definidos que demonstram a força motriz e potencia de um golpe da esperta e bestial criatura. Gostei muito do aspecto da capa também. Rasgada e cheia de furos ela aparece como que em um movimento para trás, insuflada por um vento infernal imaginário, com o personagem em uma posição de ira dirigida para cima, como que a gritar uma insolência ou ódio para alguém. Outra leitura da posição de Etrigan nesta figura é a de um delírio de êxtase durante uma batalha, em que o personagem se detém apenas alguns segundos para dirigir para cima sua satisfação diante de sua obra. Ou seja, duas possíveis interpretações para sua postura nesta peça. Gostei disso. Por fim, queria fazer menção à dois últimos detalhes, primeiro o "rasgo" em sua roupa no peitoral e braço direito, evidenciando o recrudecimento de alguma batalha, e em segundo as estranhas e aparentemente dissonantes "botinas" que Etrigan veste. No final este é um detalhe de mestre, já que em nosso inconsciente esse tipo de acessório nos arremete à contos de fadas o que, de certa forma, é também o reino de demônios e anjos. Incrível como que visual e conceito estão totalmente atrelados no sucesso de um personagem.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Mas quem é Etrigan? De que poço infernal ele nasceu? Viajemos então há 2.000 anos atrás e conheçamos a gênese da enigmática criatura. Há cerca de dois milênios atrás, Belial (um grande demônio do inferno) tentou conquistar regiões infernais além de sua jurisdição. Nesta campanha enfrentou diversas resistências, dentre elas uma das piores foi a da Rainha Serpente Ran Va Daath. No entanto, a sangrenta resistência imposta por Va Daath acabou por gerar em Belial um sentimento de admiração e desejo. Assim, pela união impensável dos dois nasceu Etrigan. Após seu nascimento, Belial condenou sua amante à uma prisão para mante-la afastada de seus planos. Para se proteger da inominável fome pelo caos e destruição de Etrigan, Belial conferiu a seus dois outros filhos, Merlin e Scapegoat, imunidade a quaisquer ações de Etrigan. Por hora tudo estaria controlado. O tempo passaria e avançaria até o ano de 560 d.C. na corte do lendário e mítico Rei Artur da Bretanha.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Já no fim da vida de Artur, o grande Merlin havia se convencido da integridade e clareza do sonho do Rei de uma Bretanha unida e próspera. Apesar de seu apoio à Artur, Merlin não percebeu a real ameaça que estava por perto, a Feiticeira Morgana Le Fey e seu ajudante Mordred. Com o fim da vida de Artur, Le Fey avançou em uma batalha épica sobre Camelot, para destruir e dominar tudo que Artur havia construído. No final da batalha , quando restava apenas a fortaleza de Artur, onde Merlin escondera-se, o Mago conjurou a única criatura que conhecia capaz de enfrentar as hordas selvagens de Mordred: Etrigan!! Para resguardar o resto da humanidade da fúria de Etrigan, no entanto Merlin engendrou um estratagema, durante a batalha o Mago submergiu Etrigan para dentro de um mortal, Jason Blood. A arrasada Camelot e Merlin caíram no esquecimento e o vento do tempo os levaram para os livros de história. Etrigan, no entanto vivia dentro do mortal Blood, um homem que passou a ser imortal, porém desnorteado e sem entender o porque isso acontecia com ele. Assim, Blood viveu durante séculos, passando a buscar o bem da humanidade, porém sempre assolado por sonhos horríveis e tendo sua psiquê sempre invadida pelo demônio em seu interior.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Durante esse tempo Etrigan submergia para esmagar ameaças à humanidade que a mente de Blood julgassem grandes demais para ele, ou quando seus dons sobrenaturais considerassem necessário a presença do demônio. Durante o Século 20 Blood estabeleceu-se em Gotham City como parapsicólogo, tendo como amigos apenas Glenda Mark e Harry Matthews. Nesta época, Le Fey que ainda vivia por meio de feitiços de imortalidade tentou recuperar seu poder, desencadeando a necessidade de Etrigan submergir com toda sua força, novamente guiado por Merlin que sempre estivera nos bastidores. Embora Le Fey novamente tenha sido frustrada em seus planos em pleno Século 20, o delicado equilíbrio entre Blood e Etrigan tornou-se mais frágil ainda. Esta foi uma fase de parceria entre Blood e Batman, e até mesmo algumas ações conjuntas com Superman e Mulher-Maravilha. Foi nessa época também que o poder de Etrigan começou a crescer e no inferno ele foi promovido a Demônio Rimador, passando a falar em rimas. Uma importante honraria dentro da hierarquia infernal.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Jason Blood e Etrigan chegaram até mesmo a se separ durante o ápice de um intrincado plano de Etrigan para se ver livre de Jason. Durante este arco Jason precisou ir até o inferno para salvar sua amiga Glenda, o que fez com que a prisão de carne de Etrigan se afrouxasse libertando-o definitivamente de Blood. Tudo poderia então finalmente acabar para Jason, que passara a compreender cada vez mais seu destino maldito ao lado de Etrigan. No entanto, o já envelhecido Jason teria que se unir mais uma vez à seu calvário (Etrigan) durante a Saga Odisséia Cósmica. Passados os eventos de Odisseia Cósmica a convivência entre Blood e Etrigan em uma mesmo corpo era um calvário para ambos, o que fez com que Etrigan conseguisse infringir mais dor à Blood ao fazê-lo perder sua amada Glenda. No entanto, Jason não deixou barato e roubou o coração de Etrigan, sua fonte de poder. Assim, Jason voltou a lutar contra o mal tendo ajudado até a Liga da Justiça.

Miniatura DC Especial Nº 09 - Etrigan

Todos estes acontecimentos, mais a estranha história original elaborada por Kirby, fazem de Etrigan e Jason Blood personagens complexos e até difíceis de serem trabalhados. Porém, quando na mão de bons escritores, somos presenteados com histórias fantásticas. 

Etrigan e Blood parecem ligados em seus destinos, criando uma estranha dualidade: Um Homem com uma besta ligada à sua alma e psiquê e um Demônio incapaz de se ver livre de uma consciência humana que é incapaz de vencer. Deste binômio surge uma simbiose destinada a derrotar males maiores do que eles próprios representam.

Um grande abraço à todos!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Quadrinhos Antigos da Editora Media Pixel

Nº 01 - O Fantasma - "Piratas do Céus: A Saga Completa"Nº 02 - O Fantasma - "O Fantasma vai à Guerra" e "Os Japoneses Invadem Bengala"; Nº 03 - O Fantasma - "O Tesouro do Fantasma"Nº 04 - O Fantasma - "Suzie".

Olá amigos... Passando despercebida por muitos, a Editora Media Pixel vem lançando desde 2013 encadernados de uma época longínqua das Histórias em Quadrinhos. Uma época em que a 9ª Arte construía sua identidade e dava seus primeiros passos. Os encadernados trazem histórias do Lendário Espírito que Anda (O Fantasma) e do elegante Mandrake. Cobrindo principalmente as décadas de 30 e 40, as HQs são verdadeiros baús de segredos em que podemos desde nos divertir até captar vestígios contundentes do "espírito" daquele tempo (o Zietgeist da época), além é claro de serem um registro de valor histórico incrível. Os encadernados trazem prefácios riquíssimos escritos por pessoas que amam de verdade o Universo de Lee Falk: Rodrigo Fonseca (crítico de cinema, escritor e fã do Espírito que Anda e dos Feitiços do Mandrake), Daniel Stycer (editor) e Otacílio d´Assumção (Cartunista). Estes extras iniciais de cada volume introduzem de forma perfeita o leitor ao mundo da época e vão além, ao dimensionar os personagens dentro deste universo. 

 Nº 01 - Mandrake - O Mágico - "O Mundo do Espelho" e "Outras Histórias";  Nº 02 - Mandrake - "O Barão Kord" e "A Ilha dos Mortos-Vivos"Nº 03 - Mandrake - "Mandrake entre as Múmias".

Além de tudo, não posso deixar de mencionar os desenhos emblemáticos de Ray Moore, Wilson McCoy e Phil Davis. O traço destes mestres são registros vivos de um estilo característico da Era de Ouro dos Quadrinhos, outro aspecto que torna este material inestimável. Por fim, gostaria apenas de mencionar um aspecto ligado às datas de lançamento destes encadernados. Algum tempo após a chegada destes volumes às bancas, a Media Pixel lançou novamente estes mesmos títulos, só que em capa-dura. Os anos de lançamento aqui registrados dizem respeito ao lançamento que ocorreu primeiro, ou seja, em capa cartonada. 

Bem... Aqui estão verdadeiros tesouros que discretamente podem ser encontrados em simples e empoeiradas bancas das cidades. Relicários e Máquinas do Tempo ao nosso alcance...

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Insano, instável e até um pouco assustador, o Rastejante é um dos personagens mais estranhos do panteão da DC. Criado em 1968 por ninguém menos que Steve Ditko (!!!), o Rastejante é a expressão máxima da cisão de uma personalidade. Seu alter Jack Ryder, traz em seu passado uma infância influenciada pela esquizofrenia paranoide da mãe e o brilhantismo jornalístico do pai. Ao crescer, um violento evento liberaria algo de dentro de Rayder, algo semelhante à uma força anárquica da natureza, algo violento, imprevisível e com um senso profundo de justiça, herança da personalidade de Jack. Hoje investigaremos sua peça dentro da Coleção de Miniaturas da DC Eaglemoss, e alguns fatos que culminaram com a criação do bipolar Rastejante.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

O visual do Rastejante, e a miniatura que o representa na coleção, são tão estranhos e até "carnavalescos" quanto alguém poderia pensar. Parecendo uma "mariposa colorida" em rota de colisão suicida com uma lâmpada, o personagem oscila entre uma aparência cômica e até demoníaca. Talvez o destaque maior da peça seja uma estrutura parecendo uma "juba" que inicia-se ao redor do pescoço e cresce ao descer ao longo das costas. A peça apresenta esta "juba" de forma bem interessante e imponente. Os demais adereços estão presentes, luvas e botas vermelhas que terminam em um conjunto de franjas escuras que tentam passar (na minha concepção) um aspecto felino ao visual.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Os cabelos verdes contrastam com a malha amarela que envolve o corpo do personagem. Um cabelo verde que, aliás tem uma surpreendente herança conhecida dos fãs da DC e que mais abaixo comentarei. Os limites da pintura da peça poderiam ter sido melhor respeitados. Podemos ver que, principalmente nos sapatos do Rastejante, há interferências de uma tinta escura provavelmente usada na base da peça. A postura adotada pelo herói (ou anti-herói) é de uma semi-flexão de joelhos e quadril. Uma posição extremamente difícil de ser mantida por muito tempo por qualquer ser humano normal. Essa posição impões um gasto energético muito grande na musculatura dos membros inferiores e quadril. No entanto, essa é a posição (de semi-agachamento) em geral adotada pelo Rastejante nos quadrinhos. Um postura quase simiesca. Um detalhe que traz uma atmosfera animalesca para o Rastejante (quem sabe daí seu nome).

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Mas qual a história por trás deste insano personagem que, apesar de aparência e instabilidade, é que conhecido como "herói" na DC? Jack Ryder (o homem por trás do Rastejante) seguiu os passos de seu pai e se tornou um eminente jornalista que possuía como grandes características sua implacável força de descobrir a verdade, sua vontade de expor a hipocrisia de personalidades, sua vaidade e arrogância. Ou seja, podemos perceber que Steve Ditko criou um personagem cheio de ambiguidades. A carreira de Jack deslanchou quando ele mudou-se para Gotham City e passou a ser âncora de um programa sensacionalista de TV chamado Você Está Errado. Ao perseguir reportagens cada vez mais ousadas, Jack invade as instalações onde um pesquisador (Vincent Yatz) financiado pela máfia desenvolvia pesquisas genéticas. Durante esta invasão Jack se depara com um tiroteio, possivelmente uma queima de arquivo à mando da própria máfia. No calor da confusão Jack usa Yatz como escudo humano e este, por sua vez, injeta em Jack sua fórmula de terapia experimental de nanocélulas na tentativa de salva-la dos invasores.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Jack consegue escapar do tumulto mas é caçado, alvejado e jogado em um precipício pelos mafiosos. Minutos depois os criminosos ouviriam uma gargalhada de gelar o sangue, nascia o RASTEJANTE. Uma criatura de roupa extravagante, de olhos insanos, com super força e uma capacidade impressionante de se regenerar, algo como um fator de cura turbinado. Apesar da instabilidade aparente, o personagem mostraria com o passar do tempo uma inclinação para atuar contra a hipocrisia e sujeira que reina no submundo de Gotham. Isso, você já deve estar se perguntando, fez com que em algum momento ele e Batman cruzassem caminhos. A relação entre Batman e o Rastejante sempre foi interessante e cheia de desconfianças por parte do Cruzado Encapuzado, no entanto com o tempo o Guardião de Gotham aprendeu a confiar na inclinação para o bem do Rastejante. Isso lhe rendeu até uma indicação para integrar a Liga da Justiça, algo que proporcionou um cargo de suplente ao Rastejante.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Mas e Jack Rayder? Apesar do comportamento maníaco e instável do Rastejante, Jack conseguia retornar à sua forma normal após seu período de atuação como herói na pele do Rastejante. No entanto, sua vida se transformaria numa bagunça em função de um temperamento errático que Jack passou a adotar. Isso acentuou-se quando o Rastejante re-encontrou Vincent Yatz e ficou sabendo que o pesquisador havia usado elementos da fórmula do gás do riso do Coringa para compor sua fórmula que agora residia no corpo de Jack. Isso poderia explicar os cabelos verdes ou mesmo seu comportamento? Na verdade não sabemos. Ao que tudo indica o Rastejante é produto de um metabolismo e de uma herança genética já assolada pela doença mental que ao entrar em contato com a fórmula de Yatz liberou o maníaco herói das entranhas de Jack.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Particularmente para mim, o Rastejante é um personagem pouco conhecido. Nunca li uma história dele ou que o contenha, o que me fez ter grande prazer em estudar sua história para compor essa matéria. De qualquer forma, acredito que sua ambiguidade e personalidade maníaca tem muito a ver com nosso tempo. Um tempo em que heróis ou anti-heróis como Deadpool parecem cair no gosto do público justamente por serem politicamente incorretos e assim desafiar legalismos e comportamentos hipócritas. Por isso acredito que o Rastejante teria um lugar muito fácil no atual universo cimatográfico da DC.

Miniatura DC Nº 23 - Rastejante

Bem amigos... Essa é a história do surpreendente, urbano, maníaco e ambíguo Rastejante. É isso aí. Deixo um forte abraço à todos!!!

domingo, 9 de outubro de 2016

A Tragédia de Jean Grey


Em agosto de 1983 chegava às bancas da pequena cidade em que eu morava do Mato Grosso do Sul a edição Nº 14 de Superaventuras Marvel (SAM). A capa tinha um tom marrom claro que destacava lindamente figuras exóticas, heroicas, jovens e acima de tudo poderosas! Cheias de talento. Na época, com 12 anos de idade eu já era um ávido consumidor dos quadrinhos de super-heróis da Ed. Abril. Todos que viveram aquela época sabem do que estou falando... Uma época em que as revistas eram esperadas com uma angústia que era satisfeita de forma completa quando víamos exposta uma nova edição das revistas Heróis da TV, Superaventuras Marvel, Capitão América e Hulk nas bancas. Logo, não tardaria para chegar também a revista do Homem-Aranha e por fim a turma da DC.

Superaventuras Marvel Nº 14 - Agosto de 1983

Nesta edição de SAM fiquei maravilhado com a equipe de Mutantes chamada X-Men. Na época nem sabia que esta já era a 2ª formação da equipe. Impressionei-me mais ainda com o fato de cada personagem vir de um país diferente, trazendo suas experiências culturais, dramas, dores e alegrias. Tudo ao comando do líder Ciclope. A história dos X-Men que havia dentro de SAM Nº 14 mostrava os Mutantes sendo capturados por Arcade (um assassino que usava sua fortuna para satisfazer seus prazeres homicidas). A aventura era fantástica em todos os sentidos!! Arcade sabia a fraqueza de cada X-Man e tudo era perfeito ao traço do lendário John Byrne (um nome que eu também nem sabia o peso que tinha na época). A história acabava com um gosto de quero mais. Infelizmente, na edição seguinte de SAM (Nº 15 - Setembro de 1983) a revista já trazia aventuras de outros personagens... e com isso levei comigo as indagações: "O que acontecia depois desta história!!!???", "O que havia acontecido antes!!!???". Pois eu esperaria 33 anos para saber isso...


Em 2016 vimos chegar ao Brasil dois encadernados que juntos formam (literalmente) uma das fases mais áureas dos X-Men em minha opinião, são eles: Magneto Triunfa e A Saga da Fênix Negra. Embora lançados de forma invertida (primeiro saiu A Saga da Fênix Negra em Janeiro de 2016 e depois, em Junho de 2016, Magneto Triunfa), a leitura correta deve ser 1º Magneto Triunfa e só depois A Saga da Fênix Negra. Quando adquiri esses dois encadernado minha primeira pergunta era "Será que conseguirei ler novamente aquela história do Arcade, agora contextualizada no que veio antes e depois!?". Pois para minha surpresa a resposta foi SIM! Estes dois encadernados trazem uma das fases mais trágicas, profundas e emblemáticas dos X-Men. Uma fase cujos acontecimentos reverberam até hoje na vida dos Mutantes.


Magneto Triunfa é simplesmente o material que consegue descortinar todos os acontecimentos que levariam Jean Grey a perder a batalha para a força da natureza cósmica que habitava dentro de si, A Fênix. A leitura deste encadernado mostra a insidiosa figura que se insinuou sorrateiramente pela mente de Jean e aos poucos fez com que todas as barreiras psíquicas que o Prof. Xavier havia instalado na mente da linda mutante fossem, aos poucos, destroçadas. A importância deste arco é imensa ao apresentar um entendimento mais profundo sobre a interação da ainda jovem equipe mutante. Ao final de Magneto Triunfa é possível sentir a incrível tragédia que culmina em A Saga da Fênix Negra. É também ao final de Magneto Triunfa que pude rever minha preciosa história publicada em SAM Nº 14 em 1983, trazendo o Arcade e sua tentativa de destruição de todos os X-Men. Ali, pude entender como e onde esta história se encaixava e atribuir-lhe importância maior ainda!!


Os encadernados trazem também Extras que nos permitem entender a importância desta saga para todos os fãs da Marvel no final dos anos 70 (época em que saiu originalmente nos EUA). Seria impensável imaginar naquela época a possibilidade de uma X-Man tão importante como Jean Grey morrer. Mesmo hoje quando você lê essas páginas, temos a crença que tudo, no final, acabará bem. Que os autores não terão coragem de deixar Jean morrer vítima da própria sina. Só que não... A tragédia acontece e é potencializada pela forma que ocorre, ou seja, com a anuência de muitos dos amigos da moça, ao verem o potencial genocida que ali se esconde.


Outro Extra extremamente precioso dentro do encadernado A Saga da Fênix Negra é a história alternativa que foi pensada originalmente por Chris Claremont e John Byrne na qual Jean Grey sobrevivia (!!!).  Uma história que Jim Shooter, editor-chefe da Marvel na época, não permitiu que ganhasse a luz do dia, uma vez que entendia como imperdoáveis os atos cometidos pela Fênix Negra. Assim, uma das mais densas e fantásticas epopeias foi concluída de forma trágica e poderosa.

Ler esses dois encadernados nesta ordem, primeiro Magneto Triunfa seguido de A Saga da Fênix Negra, permitirá à todos, um mergulho profundo no coração do que a 9ª Arte produziu de melhor no Século XX.