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domingo, 5 de julho de 2020

A Ressonância Mórfica e a Presença do Passado - Os Hábitos da Natureza


A Ciência formal moderna se ancora em determinados pilares dentre os quais podemos citar dois: a verificação empírica e seu caráter reprodutível. Traduzindo... 1) a capacidade de se produzir dados relevantes (pesquisa empírica) acerca de algo, e 2) que essa produção de dados possa ser feita outras vezes por outras pessoas (reprodutibilidade) para se atestar sua veracidade. Mas e aqueles fenômenos para os quais a Ciência não tem explicação? Em geral, tais fenômenos são deixados de lado ou então tratados como pseudo-ciência ou simplesmente sugestionados como "fraudes" (não que elas realmente não existam). Mas um dos grande mistérios da vida relaciona-se à "Morfogênese". Por exemplo, em nosso DNA estão contidas as informações para que sejam produzidos os "tijolos" (proteínas) que nos formam. Mas o fato de termos os tijolos não quer dizer que já temos uma "Casa" pronta. É preciso que exista um plano, uma planta da casa, um "script" para que as proteínas saibam como se relacionar entre si para nos construir. Mas de onde vem, ou onde está esse "script"? Aí está uma coisa que Biologia tem dificuldades de explicar, pois esses "planos" que fazem tudo em nosso corpo se associar para verdadeiramente funcionar, não está contido em nossos "genes" como muitos pensam. O genes, ou nossa genética, apenas possuem as informações para se fabricar os "tijolos".


No início da década de 80 um Biólogo inglês chamado Rupert Sheldrake produziu uma elegante teoria a qual chamou de "Ressonância Mórfica". Por ser uma teoria difícil de ser verificada pela Ciência em seu princípio empírico, a teoria de Sheldrake simplesmente tem sido ignorada ou sido tratada como pseudo-ciência. Porém em seu livro  A Ressonância Mórfica e a Presença do Passado - Os Hábitos da Natureza, Sheldrake ancora sua teoria em bases extremamente científicas, permitindo que o leitor a compreenda de forma até mais viável do que as hoje aceitas teorias existentes acerca da morfogênese. Teorias estas que usam os genes como fonte única de nossa existência. Não precisamos ser experts para perceber uma ordenação incrível em tudo à nossa volta. Abelhas sabem exatamente como extrair o pólen, cupins sabem exatamente como construir suas casas, formigas sabem exatamente como se portar dentro de um formigueiro, grandes mamíferos possuem uma ordenação social e de hábitos que nos deixam boquiabertos. Mas como sabem isso? Em geral jogamos todas nossas fichas nos genes, ou nas moléculas de DNA que, sabidamente, não trazem esses planos morfológicos e comportamentais que tais animais apresentam.


É nesta lacuna incrível deixada pela ciência formal que Rupert Sheldrake estabelece sua elegante teoria. Conforme muito bem explanado em seu livro, Sheldrake chama atenção para os HÁBITOS. Quando um indivíduo, sociedade, povo ou nação desenvolve determinado hábito, é interessante perceber que tal hábito passa a fazer parte dos constituintes daquelas pessoas. Obviamente que há a transmissão cultural de pai para filho, mas evidências mostraram que tais hábitos apareceram em outros povos que não tinham nenhum contato com o povo responsável por primeiramente desenvolve-lo. Isso acontece, inclusive em animais. Na década de 70 foi observado que um grupo de pássaros aprendeu a abrir garrafas de leite deixadas às portas das casas inglesas. Incrivelmente, outros pássaros em regiões muito distantes daquela onde foram registrados os primeiros casos de abertura, também passaram a adotar o mesmo comportamento. O livro de Sheldrake traz inúmeros exemplos como esse. Mas como tal comportamento teria sido transmitido?  


A resposta seria: por ressonância mórfica. O hábito aprendido passaria a se organizar em campos de influência. Assim como existem campos magnéticos (que ninguém vê) mas sabemos que existem, os hábitos seriam alocados em campos de influência ao nosso redor que passariam a influenciar a vida dos integrantes daquela sociedade. Esta memória ou hábito intangível, alocado dentro destes campos de influência (campos morfogenéticos) seriam transmitidos à todos os indivíduos daquela espécie por meio da ressonância mórfica (um eco daquele comportamento). Agora pense em hábitos que foram consolidados por inúmeras sociedades animais e vegetais ao longo de milênios. Hábitos e memórias que se consolidaram em campos e, por conta disso fortaleceram cada vez mais a presença do hábito ou comportamento. Bem... Nesse caso teríamos verdadeiros "scripts" que nos rodeiam e que nos influenciariam a adotar comportamentos que hoje temos individualmente e como espécie. Isso estaria também presente, inclusive no comportamento de células. Por exemplo: como uma pequena célula formado de um óvulo e um espermatozoide sabe que tem que se dividir de determinada maneira para gerar um ser vivo complexo?! Como essa única célula sabe como se dividir e gerar as dobras necessárias para formar nossos órgãos internos (base para a ciência da embriologia)!? Segundo Sheldrake, as primeiras células de seres vivos adotaram determinados caminhos que, após serem trilhados centenas de bilhões de vezes, conduziram a formação de uma campo de influência, um campo mórfico, um "script" para aquelas células.

Creodo (caminho obrigatório)

A vida estaria, portanto, organizada e sendo influenciada a seguir caminhos obrigatórios (creodos) que se consolidaram a partir dos campos mórficos. Na imagem acima temos um exemplo do que seria um creodo. Percebe-se que há uma esfera (ou célula) que possui alguns caminho a seguir para se transformar em algo. Mas qual caminho trilhará? A célula ou esfera (no caso da figura) percorreria o caminho que foi trilhado mais vezes e se aprofundou ao longo do tempo. Como uma trilha em um campo que de tanto ser percorrida formou ali um vale. Na visão científica mecanicista as leis da natureza seriam eternas mas, segundo Sheldrake, não é que são eternas, mas é que determinados caminhos foram percorridos tantas vezes que foram estabilizados e, portanto, nos parecem imutáveis. Estes creodos, ou caminhos obrigatórios, estariam presentes em tudo à nossa volta, até mesmo nos fenômenos físicos e químicos, explicando porque determinados átomos se juntam de determinadas formas para formar determinada molécula. Por exemplo: quem ensinou o oxigênio a se associar à dois átomos de hidrogênio para formar a água? Segundo a teoria da Ressonância Mórfica ou Causalidade Formativa o oxigênio tem esse comportamento porque depois de ter se associado inúmeras vezes com dois  átomos de hidrogênio, consolidou-se ali um hábito, ou campo de influência forte, ou caminho obrigatório (creodo), facilitando o aparecimento subsequente da mesma reação.

Diagrama representativo do ordenamento proposto por Rupert Sheldrake

Este entendimento torna a vida à nossa volta muito mais rica, poderosa e interessante em contraponto à teoria mecanicista das leis eternas da natureza. Ao nosso redor há bilhões de campos que nos influenciariam em relação à nossos comportamentos e ações em âmbito social, cultural, químico e físico. No diagrama acima podemos ver que os Campos Morfogenéticos influenciariam os organismos vivos (ou seja, nós e tudo à nossa volta), mas também seriam influenciados por eles. O ambiente à nossa volta também seria fonte de influência e poderia, por exemplo, alterar os campos morfogenéticos. Quem nunca viu notícias de fenômenos da natureza que forçaram nações inteiras a mudarem seus hábitos? Por fim, o papel atribuído ao gene fica muito claro no diagrama, ou seja, ele se comporta como nosso "HD", ou seja, carregam as informações dos "blocos" ou "tijolos" que precisam ser fabricados, mas o plano de construção viria dos campos mórficos ou morfogenéticos. Desta forma, assim como um campo eletromagnético influencia a maneira como um elétron deve se comportar, assim também o campo mórfico influenciaria o comportamento daquela estrutura animal/vegetal, elemento químico ou processo físico. Nos libertaríamos, enfim, do determinismo imutável das leis físicas estanques. Expandindo esta reflexão, obviamente, isso em nada fere à crença pessoal das pessoas em um Ser Superior (como no meu caso que sou cristão). Mas pelo contrário, expande esta compreensão e a catapulta para um maior maravilhamento.

Incrível estrutura do lar de Cupins do Campo - Permite a ventilação e abastecimento rápidos

Extrapolando agora a teoria de Sheldrake, eu conseguiria finalmente responder, por exemplo à reflexão do androide Roy Batty, personagem do ator Rutger Hauer no final do filme Blade Runner - O Caçador de Androides de Ridley Scott de 1982. Em seus minutos finais de existência o poderoso androide conversa com o detetive Rick Deckard, personagem de Harrison Ford, e diz: 

"Eu vi coisas que vocês, humanos, nem iriam acreditar. Naves de ataque pegando fogo na constelação de Órion. Vi Raios-C resplandecendo no escuro perto do Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer...."

Existiria um contexto muito maior em nossa existência. Um contexto que reverberaria à nossa volta por meio da ressonância mórfica, organizado em campos nos quais, possivelmente nossa existência estaria atrelada. Os hábitos de comportamento e, possivelmente de pensamento, de toda a humanidade (e da vida como um todo) estariam contidos nos inúmeros campos mórficos que nos rodeiam. Talvez, quem sabe, as memórias tão caras ao androide Roy Batty.


Alguns autores tem se servido das ideias de Sheldrake e construído narrativas excepcionais, como é o caso de Alan Moore e sua passagem pelo personagem Monstro do Pântano na década de 80. Uma obra que entende a modelagem da vida à nossa volta a partir de uma estrutura intangível organizada. No caso, do Monstro do Pântano, a consciência "verde" ou, conforme Sheldrake diria, "os campos mórficos que estabilizam o mundo vegetal à nossa volta". Alan Moore trata o "verde" com um respeito sagrado, e personifica na figura do Monstro esta sacralidade eterna e viva. Uma obra que todos deveriam conhecer (para conhecer mais sobre ela clique aqui e aqui). Uma outra obra, esta sim científica, que recomendo e que dá suporte às teorias dos Campo Morfogenéticos, é o recente livro do Engenheiro Florestal alemão Peter Wohlleben, "A Vida Secreta das Árvores - O que elas sentem e Como se comunicam". Um livro maravilhoso que nos desperta para um respeito sagrado pela vida vegetal, nos mostrando evidências científicas acerca da milenar "vida", "sentimentos" e "comunicação" das árvores. Seres que vivem sob a perspectiva de uma outra passagem de tempo e que, por isso, sempre foram percebidas pela maioria das pessoas como mero ornamento. 

Nebulosa de Órion a cerca de 1500 e 1800 anos-luz do Sistema Solar

Concluindo, as ideias apresentadas por Sheldrake me explicam, particularmente, muitas coisas. Especificamente memórias, ou melhor, sensações que sempre me aparecem e que não exatamente parecem fazer parte da minha estrutura mental pessoal. Mas de onde viriam? Não seria estranho pensarmos que somos rodeados de uma vida pulsante, milenar e cheia de experiências passadas e consolidadas nos campos mórficos que nos rodeiam. Talvez precisássemos ter apenas o "radar" ou "instrumentos" corretos para captar estes ecos. Em seu onírico livro O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman traz uma maravilhosa estória onde a figura do oceano personificaria (em minha interpretação) esta vastidão de vida intangível à nossa volta. Talvez precisássemos apenas ser mais humildes para percebe-la.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Pílula Fílmica #9: Manson Family Vacation (2015)


Seria possível se utilizar de um evento tão grotesco, horrível e brutal como foi o assassinato da atriz (grávida à época do cineasta Roman Polanski) Sharon Tate, de seus amigos e da família LaBianca em 8 de agosto de 1969 pelos asseclas de Charles Manson, transformando os desdobramentos destes eventos em uma história sensível, profunda, lírica e cheia de significados? Se você for um cineasta cheio de talento, sensível e genial, sim... Seria possível. E é o que acontece no filme Manson Family Vacation. Se você nunca ouviu falar dos irmãos cineastas e produtores Jay e Mark Duplass já estaria na hora de conhecer seus filmes. Os irmãos são responsáveis por filmes geniais com roteiros que transformam o ordinário em extra-ordinário. Enquanto Mark Duplass em geral se envereda por temas simples que tocam o fantástico (destaco Sem Segurança Nenhuma de 2012), Jay Duplass se utiliza destes mesmos temas simples e se aprofunda em dramas pessoais mantendo o pé no chão e, em momento nenhum sede ao sentimetalismo. Jay consegue se manter ancorado à realidade de todos nós, e é isso que ele faz em Manson Family Vacation. O filme vai retirando camada por camada da relação conflituosa entre dois irmãos (um deles adotado), tendo como pano de fundo a obsessão de um deles por Charles Manson e seu legado confuso, violento, apocalíptico e messiânico. Se o espectador inicia o filme com uma mórbida curiosidade em conhecer os detalhes da psiquê de Manson e os detalhes da brutalidade dos assassinatos por ele determinados, terminará o filme colocando completamente esta realidade brutal de lado em favor de algo mais puro, belo e simples, como uma bela cena que se destaca do grotesco da nossa realidade...


 


Charles Manson à época de seu julgamento (início dos anos 70)

domingo, 14 de junho de 2020

A Saga do Monstro do Pântano - Vol. 02


A passagem de Alan Moore pelo título do Monstro do Pântano na década de 80 é conhecida de todos. Sua relevância e extensão têm sido alvo de inúmeras análises literárias dentro e fora do Universo da 9ª Arte. Passadas mais de 3 décadas desde seu lançamento as histórias continuam com frescor e relevância literárias ímpares. A obra contém tamanha sutileza que por mais que falemos dela, sempre há ainda o que falar, até porque nós mesmos mudamos e a encaramos através de prismas distintos. Lançada lá fora e no Brasil em sua integralidade em 6 volumes, hoje gostaria de comentar o volume 2. O volume 1 já foi alvo de matéria semelhante que você pode acessar clicando aqui.

 Swamp Thing Vol. 2 - #28 - Setembro de 1984

"Enterro" foi publicado em setembro de 1984 e abre o volume 2 em um clima de melancolia e profunda introspecção. Se no vol. 01 o Monstro do Pântano percebe que continha as memórias de Alec Holland mas era ele, em "Enterro" ele se vê assombrado pela presença de Alec, cujo esqueleto ainda repousa no fundo do Pântano. Há aqui uma clara sensação de despedida, de fechamento de um ciclo na vida do personagem, em que lembranças são repassadas e o Monstro percebe de forma genuína que contém dentro de si Alec Holland, mas na verdade não é ele e não sabe exatamente o que é. Mas não é assim com todos nós? Que possuímos uma ideia de quem somos, mas no final temos propósitos ainda a descobrir. Moore em nenhum momento pesa a mão na direção do sentimentalismo, pois apenas flerta com o melodrama, mas não se deixa levar por ele.

 Swamp Thing Vol. 2 - #29 - Outubro de 1984
Swamp Thing Vol. 2 - #30 - Novembro de 1984
Swamp Thing Vol. 2 - #31 - Dezembro de 1984

"Amor e Morte", "Auréola de Moscas" e "Balé de Enxofre" saíram no números 29, 30 e 31 da revista do Monstro do Pântano e retomam as pontas deixadas no vol. 1. A sequência de histórias expande, dimensiona e concretiza os planos de Anton Arcane, tio de Abigail Cable. Arcane, nêmese antiga do Monstro do Pântano, consegue com sua sagacidade ressurgir do inferno onde estava condenado. E o faz possuindo o corpo moribundo do marido de Abigail. Anton Arcane condena a alma de Abigail ao inferno e assim toca o Monstro do Pântano em um de seus pontos sensíveis, sua ligação com a humanidade através de seu sentimento por Abigail. O confronto do Monstro com o ressurreto Arcane dá uma pequena ideia da extensão dos poderes da criatura do Pântano. Moore consegue elaborar uma sequência que contempla um crescendo cheio de referências à situações que permeiam o horror da vida real.

Swamp Thing Annual - Vol. 2 - #2 - Janeiro de 1985

Mas é em "Descida entre os Mortos" que tudo aquilo para o qual fomos preparados ao longo dos números anteriores finalmente acontece. O Monstro do Pântano, entendendo a transcendência de sua existência, inicia uma jornada através dos Reinos imateriais para chegar ao inferno em busca da alma de Abigail. Conduzido por personagens místicos emblemáticos da DC Comics, o Monstro vai tendo acesso a camadas distintas da realidade, descortinando questionamentos que possivelmente sejam do próprio Moore. As respostas oferecidas por personagens como Desafiador, Vingador Fantasma e Etrigan são extremamente coerentes com o que se esperava deles. "Descida entre os Mortos" é talvez um dos grandes clímax da história das Histórias em Quadrinhos... Filosofia, Existencialismo, Tragédia, Drama e por que não Amor, vão decantando lentamente no interior de nossas mentes ao longo das páginas.

Swamp Thing Vol. 2 - #32 - Janeiro de 1985

"Descida entre os Mortos" saiu em janeiro de 1985 em Swamp Thing Annual - #2. A história "Pog" saiu no mesmo mês no Nº 32 da revista do Monstro do Pântano. Como que para arrefecer os nervos do leitor, tensionados por "Descida entre os Mortes", Moore constrói uma história delicada, melancólica, nostálgica e extremamente atual para nós em 2020. "Pog" é uma homenagem à uma tira de jornal do artista Walt Kelly que saiu nos EUA entre 1940 e 1970. Walt usava em suas tiras animais antropomorfizados que viviam em um pântano e passavam por situações que serviam para crítica social. Se você leitor, conseguir submergir no drama das pequenas criaturas alienígenas que adentram o pântano do Monstro do Pântano nesta história, tenho certeza que as questões ambientais passarão a ter uma prioridade muito mais urgente para você. "Pog" é uma pequena obra-prima das HQs.

Swamp Thing Vol. 02 - #33 - Fevereiro de 1985

O Monstro do Pântano já possuía uma mitologia relativamente consolidada antes de Alan Moore assumir. Uma mitologia que atrelava totalmente a psiquê da criatura ao homem Alec Holland, como já comentado acima. Embora Holland tenha sido extremamente importante para o aparecimento do Monstro, uma vez que foi a partir da psiquê de Holland que o Monstro foi gerado amalgamando homem e natureza, a verdade é que o Monstro do Pântano não é Holland. O Monstro tinha em sua constituição boa parte de Holland, mas não era ele. Alan Moore sabia que tinha que se distanciar um pouco da ideia do herói com uma identidade secreta para expandir a grandeza do Monstro para além dos tradicionais "clichês". A história "Abandonadas Casas", nos dá um pouco esta sensação de homenagem à mitologia anterior e ao mesmo tempo de despedida dela. Na história tomamos primeiro contato com a ideia de que talvez o Monstro do Pântano seja um Avatar do Verde que já existiu no passado, ou seja, teriam existido diversos Elementares do Verde na história da Terra quando ela precisou. A história também é uma homenagem às célebres histórias de terror que eram introduzidas por anfitriões macabros. Aqui, no caso os anfitriões são Caim e Abel vindos do onírico Reino do Sonhar.

Swamp Thing Vol. 02 - #34 - Março de 1985

O encadernado se encerra com uma história em que o conceito "amor" é levado à outro patamar. O ato sexual nas espécies animais, embora físico, sempre guardou a ideia de uma união que transcende completamente o conceito carnal. Seria uma união mais íntima de corpo, alma e quem sabe espírito. É baseado em uma ideia assim que (creio eu) Moore avança para o relacionamento entre o Monstro e Abigail. Os dois experimentam uma fusão física, mas que vai além, ou seja, permite a Abigail imergir na vida pulsante do Planeta por meio dos canais conectivos que o Monstro possui com o verde. Uma imersão e conexão com o "verde" que nós, seres humanos, conseguimos imaginar, mas que, por algum motivo de nosso passado perdemos. Bem... e se você quiser minha opinião, ninguém me tira da cabeça que antes da queda bíblica de Adão e Eva, vivíamos em uma conexão como a que Moore nos apresenta em "Rito de Primavera". Caso você leia a história sob a perspectiva de uma conexão com a natureza viva, você verá o quanto ela é verdadeiramente inovadora e excepcional. A arte de Stephen Bissette se liberta completamente dos planos, sentidos e orientações das páginas de um quadrinho convencional. O que acaba sendo outro efeito lisérgico que Alan Moore se utiliza para expandir e mente do leitor.


Não há como não ler A Saga do Monstro do Pântano de Alan Moore e não pensar nas ideias do Biólogo inglês Ruppert Sheldrake que, em seu livro "Os Hábitos da Natureza" nos brindou com um inovadora explicação acerca da estrutura organizativa da natureza por meio do que chamou de Campos Morfogenéticos no início da década de 80. Dentro em breve pretendo fazer uma matéria específica acerca deste livro de Sheldrake e que no qual o próprio Moore admitiu ter se baseado para construção de sua versão do Monstro do Pântano. Além de tudo isso, dentre as várias coisas inovadoras, interessantes e subentendidas no texto de Moore é percebermos que o próprio Monstro do Pântano não sabe bem o que ele é. A inocência do personagem frente à suas capacidades, e ao mesmo tempo a presença de um instinto que, quando provocado, vem a tona, mostra uma psiquê complexa e misteriosa. O próprio leitor permanece extremamente curioso acerca de quais serão as reações do personagem. Diferentemente de heróis e vilões já bem estabelecidos na mitologia das HQs acerca dos quais o leitor sabe muito bem o que esperar, o Monstro do Pântano é um grande ponto de interrogação. Ficamos intrigados acerca de como ele reagirá quando provocado e qual a extensão de seus poderes ainda a inertes.


Bem amigos... Embora muito já tenha se falado sobre a abordagem de Alan Moore para o Monstro do Pântano, há muitas camadas sempre a serem descobertas, avaliadas e reposicionadas dentro da obra, e este é o caráter atemporal d Saga do Monstro do Pântano de Alan Moore.  É isso aí! Um grande abraço à todos!!!

domingo, 17 de maio de 2020

Pílulas Fílmicas #8: Fúria Selvagem (1971)


Muito antes de Leonardo DiCaprio interpretar Hugh Bass em O Regresso (2015), homem atacado e praticamente morto por um Urso em 1820 durante uma expedição à remotos territórios indígenas norte-americanos, outro ator enfrentou esse desafio, o veterano e já saudoso Richard Harris. Fúria Selvagem (Man in the Wilderness) de 1971 apresenta a epopeia de sobrevivência de um homem que se negava a morrer. Diferente da versão de DiCaprio, Fúria Selvagem traz outras camadas ao homem que, mesmo estraçalhado pelo Urso e deixado para morrer, apega-se à vida. Uma destas camadas é sua dificuldade em entender o papel da fé em Deus frente à realidade de guerra e morte à sua volta. A partir disso, o expectador assiste a uma mudança silenciosa no personagem que Richard Harris interpreta. O diretor Richard C. Sarafian não cede a sentimentalismos ou melodramas e, com isso, mantem um filme duro e selvagem do início ao fim, apesar das questões filosófico-existenciais presentes no sub-texto. Em seu minimalismo o filme cresce e se expande para dentro da alma do expectador ao captar as descobertas existenciais do personagem central. O grande Diretor John Huston atua no filme interpretando o Capitão Andrew Henry à frente da estranha expedição à qual Hugh Bass fazia parte. A natureza selvagem que rodeia Bass é outro personagem no filme, e atinge seu clímax em uma cena que, em sua simplicidade, se torna antológica: o parto de uma criança indígena em meio aos silêncios da floresta. A cena recria a solidão da mulher que dá à luz mesmo rodeada por alguns chefes indígenas, a relação do recém-nascido com seu pai e o impacto que isso gera em Bass. À semelhança de filmes e livros que buscaram o retorno do homem à sua origem e simbiose com a natureza em seu estado bruto, Fúria Selvagem deveria, com certeza, fazer parte deste panteão.





John Huston como o Capitão Andrew Henry

sábado, 16 de maio de 2020

Guia de Cards: Revista Mundo dos Super-heróis - 2ª Série - Atualizado Maio 2020

Minicards: Evolução visual do Batman  - 1939 à 2018. Supercards: 89 - Quadrinhos: Batman contra o Monge Louco - Parte 1 (Detective Comics #31 - Setembro de 1939); 90 - Filme: Batman - O Retorno (1992).

A Revista Mundo dos Super-heróis é a publicação jornalística acerca do mundo dos gibis, super-heróis e afins mais longeva da história do Brasil. Em 2018 alcançou a marca de inimagináveis 100 edições. Um feito para qualquer nerd, em especial o aficionado por quadrinhos, comemorar. A partir da edição 101, o time editorial resolveu presentear os fãs com uma coleção de Supercards. Estes Supercards foram alvo de uma matéria aqui no Blog na qual comentei acerca da riqueza do material. Não apenas por trazer momentos emblemáticos da 9ª Arte nos quadrinhos, filmes e séries, mas por inserir no verso de cada supercard um texto que contextualiza aquele momento. Das edições 101 à 111 foram lançados 88 Supercards que podem ser apreciados na minha matéria anterior. Quando chegou à edição de Nº 112 percebi que a coleção havia se modificado um pouco. Agora, além de dois Supercards por edição o fã passou a receber 27 minicards com a evolução visual de determinado personagem ao longo de sua existência.

Minicards: Evolução visual da Mulher-Maravilha - 1941 à 2016. Supercards: 91 - Animações: Batman Ninja (2018); 92 - Animações: Batman: O Mistério da Mulher-Morcego (2003).

A mudança veio presentear o fã não apenas com o aspecto artístico evolutivo do super-herói/super-heroína, mas no verso de cada minicard o leitor tem um pequeno texto que contextualiza o uniforme e acessórios ali apresentados. Quando lidos na sequencia, cada série de minicards se torna quase que uma pequena enciclopédia com informações extremamente interessantes acerca da evolução do personagem. Além das óbvias curiosidades que se pode encontrar nos textos, o fã consegue muito bem situar a evolução artística do personagem em paralelo ao espírito do tempo vigente em sua época. Há, portanto, uma insinuação muito bem feita entre imagem, concepção artística e o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo da época (Zeitgeist). Assim, o que à princípio pode parecer apenas um elemento atrativo na hora da compra da revista, se torna na verdade um rica fonte de consulta e análise.

Minicards: Evolução visual do Coringa - 1940 à 2018. Supercards: 93 - Filme: Capitão América: O Filme (1991); 94 - Animações: Liga da Justiça - A Nova Fronteira (2008).

Os textos no verso de cada minicard são de Clayton Godinho, o mesmo que já assinava e continua assinando os textos no verso dos Supercards. São textos curtos, objetivos e bem escritos. As ilustrações dos personagens em cada fase é de Débora Caritá. Nesta matéria apresento à vocês esta segunda série desta que é uma grande iniciativa dos Editores da Revista. Como o lançamento desta série ainda está em curso, teremos atualizações sempre que um novo número da revista chegar às bancas. Assim, você poderá acompanhar o que está saindo.

Minicards: Evolução visual da Viúva Negra - 1964 à 2018. Supercards: 95 - Quadrinhos: E Agora, Tudo Começa (Nick Fury, Agents of Shield #4 - Setembro de 1968); 96 - Quadrinhos: Superman Liberto (Superman #233 - Janeiro de 1971).

Eu penso que iniciativas como esta não podem deixar de ser noticiadas e acompanhadas. Digo isto porque vivi uma época (anos 80 e 90) em que pouco, ou nada se tinha aqui no Brasil que pudesse auxiliar o fã a conhecer melhor seus personagens e artistas preferidos, e muito menos conseguir entender de forma mais precisa a evolução cronológica de heróis e vilões da 9ª Arte. É por isso que abro espaço aqui no Blog para noticiar a apresentar esse tipo de iniciativa, além de tentar auxiliar a todos aqueles que estão fazendo a coleção ou simplesmente não a conheciam.

Minicards: Evolução visual do Arqueiro Verde - 1941 à 2018. Supercards: 97 - Nostalgia (Série): O Arqueiro Verde (1940); 98 - Séries: Arrow 5ª Temporada (2016).

Não deixem de acompanhar esta grande e histórica coleção que, à semelhança da incrível Coleção de Cards do Festival Guia dos Quadrinhos (lançada nas edições do festival de mesmo nome aqui em São Paulo nos últimos anos) veio para satisfazer até mesmo o leitor mais exigente.

Minicards: Evolução visual da Arlequina (1993 à 2016), Canário Negro (1947 à 2016) e Caçadora (1977 à 2016). Supercards: 99 - Quadrinhos: Batman: O Cavaleiro das Trevas #4 (Batman: The Dark Knight Returns #4 - Junho de 1986); 100 - Quadrinhos: The Dark Knights Returns: The Golden Childs #1 - Dezembro de 2019.

Minicards: Evolução visual do Thor - 1962 à 2020. Supercards: 101 - Animações: Thor - O Filho de Asgard (2011); 102 - Quadrinhos: O Bom, O Mau e O Misterioso (The Silver Surfer #4 - Fevereiro de 1969).

Minicards: Evolução visual do Superman - 1933 à 1990. Supercards: 103 - Quadrinhos: Superman (Action Comics #1 - Junho de 1938; 104 - Nostalgia (Série): Superman (1948); 105 - Animações: Superman Contra a Elite (2012); 106 - Quadrinhos: Apocalypse!! (Superman #75 - Janeiro de 1993).

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Face Oculta - Um Épico a ser Descoberto


Dizer que há uma fórmula para se fazer uma boa obra é, sem dúvida nenhuma, uma grande bobagem. Mas talvez pudéssemos teorizar a respeito de elementos que possivelmente contribuem. Por exemplo: 1) personagens críveis que nos trazem (aos poucos) uma identificação profunda com eles; 2) um pano de fundo, seja ele épico ou não, que respeite o "espírito do tempo" (contexto) da época ali retratada; 3) um enredo dentro do qual os dramas humanos crescem a transbordam, deixando apenas a violência e outras "pirotecnias" narrativas como moldura para as pessoas de carne e osso... entre outras. FACE OCULTA é um quadrinho da Editora Italiana Sergio Bonelli lançado pela Panini aqui no Brasil entre setembro de 2016 e maio de 2018 em 3 volumes. Posso antecipar que a obra já figura entre minhas melhores leituras de 2020 e, possivelmente, passe a integrar meu panteão de HQs favoritas. Escrita pelo roteirista, cantor e compositor italiano Gianfranco Manfredi, FACE OCULTA narra a vida de Ugo Pastore, um jovem pacifista que se vê lançado dentro de uma Guerra já esquecida empreendida pela Itália no final do século 19. Na época o país europeu voltou sua atenção colonialista para a África, mais especificamente para Etiópia, um importante local que serviria de base para as intenções comerciais e territoriais Italianas. A isso se sucedeu a 1ª Guerra Ítalo-Etíope 1895-1896.


Mas o que parece ser um episódio longínquo e obscuro da história Italiana ganha proporções gigantescas dentro de FACE OCULTA. Percebe-se o quão sofrido, violento e marcante pode ser um conflito. Além de como determinados momentos da história de um país podem rapidamente serem esquecidos ainda que tenha custado milhares de vidas. A Etiópia é apresentada como um país que, apesar de pobre, possui um povo incrível, sofrido e apto a lutar. A Itália em sua arrogância experimenta uma das suas mais estrondosas derrotas (e isso não é "spoiler" já que está nos livros de história).


Lançado no Brasil em 3 volumes, FACE OCULTA tem como outra figura central o guerreiro Etíope conhecido como Face Oculta, que dá nome à obra. Um homem que nunca mostrou seu rosto a ninguém e é dono de uma coragem e virtude sem igual, o que passa a lhe render a fama de um homem quase santo. Apesar de fictício, Face Oculta se baseia em vários personagens da época. Junta-se ao núcleo central de personagens o Tenente Vitorio de Cesari e a jovem dama Matilde Sereni. Apesar deste núcleo (Ugo, Face Oculta, Vitorio e Matilde serem fictícios), os demais personagens da série não o são. Por exemplo o Monarca da Etiópia o Rei Menelik II, sua Rainha extremamente influente e estrategista Taitú, além dos vários militares Italianos que aparecem ao longo do combate.


Se você está esperando uma aventura romanesca posso dizer que você até a encontrará, no entanto o diferencial da obra é apresentar a vida "nua e crua" próximo à virada do século. A maioria das obras, filmes e relatos históricos a que fomos apresentados sobre a época, nos passaram uma violência e uma crueza já filtradas, o que nos distancia do drama e do pouco valor que se dava a vida humana. Isso até parece destoar da pompa e circunstância do período, mas é o que acontecia abaixo dos salões dos palácios. O autor conseguiu criar personagens que são realmente humanos. Mesmo o herói de guerra, o jovem Tenente Vitorio de Cesari, encarna uma pessoa que se torna viciado na violência, na guerrilha e, portanto, nada parece com um herói.


Já a dama Matilde personifica a mulher da alta sociedade na virada do século 19 para o 20. Insegura, apaixonada, rica e com forte inclinação para a loucura, Matilde lembra muito o papel de Ingrid Bergman no famoso filme de 1944 Gaslight (À Meia Luz), no qual interpreta uma jovem herdeira que sofre abusos psíco-emocionais. Mas a grande promessa é Ugo Pastore. Exímio atirador, Ugo tem um problema na visão esquerda que em nada o impede de ter uma pontaria incrível. Apesar disso nega-se a matar. Não quero dar "spoiler", mas só posso dizer que Manfredi conseguiu construir um herói sombrio, íntegro, amável, mas ao mesmo tempo seguro e firme, e que ao final de FACE OCULTA terá sido provado e se transformado em alguém digno de ser um verdadeiro e sombrio herói. Qualquer semelhança de personalidade com um certo Bruce Wayne acredito não ser mera coincidência, só que no caso de Ugo é melhor, porque o leitor consegue submergir no drama pessoal do personagem e assim realmente se torna próximo dele. Algo que, em relação à Bruce Wayne nunca tivemos muita chance de fazer, já que sua história sempre nos foi narrada em flashes.


FACE OCULTA entrega uma história épica como há muito tempo não via. Não é exagero compara-la a outras obras épicas que tiveram como pano de fundo Guerras e sofirmento como é o caso de "...E O Vento Levou" de Margaret Mitchell e "Dr. Jivago" de Boris Pasternak. No início de cada capítulo de FACE OCULTA, Gianfranco Manfredi escreve excelentes textos introdutórios que contextualizam e dimensionam muito bem o desenrolar da trama. Uma novidade (para minha alegria) que fiquei sabendo assim que terminei de ler FACE OCULTA, é que a história tem continuação com Ugo Pastore à frente, e já está em financiamento coletivo na Plataforma Catarse. Intitulada Shangai Devil, o leitor continuará acompanhando a trama tendo agora um outro pano de fundo histórico, A Rebelião dos Boxers na China entre 1899 e 1901. Minha sugestão à você seria ler FACE OCULTA e apoiar o projeto de Shangai Devil. Valerá a pena!




O Rei Menelik II e sua poderosa consorte, a Rainha Taitú.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Guia de Leitura: Liga da Justiça no Brasil


A relevância de uma obra aumenta significativamente quando dimensionada nos contextos dentro dos quais foi concebida. Sua dimensão social, histórica e filosófica passa a transcender o simples entretenimento, enchendo de significados sua mitologia. Tenho me esforçado em dimensionar minha coleção dentro desta ótica e não apenas isso, tenho me esforçado em compartilhar aqui no Blog este estudo que tenho feito. Nesta perspectiva, trago mais uma matéria localizando, cronologicamente, os lançamentos da Liga da Justiça (LJ) aqui no Brasil. Pode ser que você sinta falta de determinada história da LJ, mas isso ocorre por dois motivos: 1) cataloguei apenas o que tenho em minha coleção ou 2) não interpretei determinada história como sendo focada na Liga, portanto não julguei que fazia parte de sua cronologia. Tais critérios podem não ser consenso entre os leitores aqui do Blog, mas eu precisava nortear a matéria dentro de determinados parâmetros. Decidi também excluir histórias da Sociedade da Justiça da América, um grupo com importante relação com LJ mas que, de certa forma, tem brilho próprio e merecerá um post semelhante no futuro. Assim, sem mais delongas convido a todos a mergulhar nesse Universo da LJA no Brasil!


1955 - Novembro - Detective Comics Vol. 01 - #225.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #10.

1960 - Março - The Brave and The Bold Vol. 01 - #28.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #04.

1960 - Julho - The Brave and the Bold Vol. 1 - #30.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #62.

1960 - Novembro - Justice League of America Vol. 1 - #1.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #40.

1962 - Fevereiro - Justice League of America Vol. 01 - #9.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #09.

1963 - Maio - Justice League of America Vol.1 - #19.
Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justica (Editora Panini).

1963 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #21.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #64, em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini) e em Coleção DC 75 Anos #2 - A Era de Prata (Editora Panini).

1963 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #22.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #97, e em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).
    1964 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #29.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).


    1964 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #30.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1965 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #37.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1965 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #38.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1966 - Fevereiro - Justice League of America Vol.1 - #42.

    1966 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #46.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1966 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #47.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1969 - Novembro - Justice League of America Vol. 01 - #75.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #109.

    1969 - Dezembro - Justice League of America Vol.1 - #77.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 -  As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1975 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #122.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini) .

    1979 - Maio - Justice League of America Vol.1 - #166.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1979 - Junho - Justice League of America Vol.1 - #167.
    Presente em Coleção DC 70 Anos 5# - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).


    1982 - Março - Justice League of America Vol.1 - #200.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1987 - Maio - Justice League - Vol. 1 - #1.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini), em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #72 e em Lendas do Universo DC - Liga da Justiça Vol.01.

    1987 - Junho - Justice League - Vol. 1 - #2; Julho - Justice League - Vol. 1 - #3; Agosto - Justice League - Vol. 1 - #4; Setembro - Justice League - Vol. 1 - #5; Outubro - Justice League - Vol. 1 - #6; Novembro - Justice League International - Vol. 1 - #7.



    1987 -  Dezembro - Justice League International - Vol. 1 - #8; 1988 - Janeiro - Justice League International - Vol. 1 - #9; Fevereiro - Justice League International - Vol. 1 - #10; Março - Justice League International - Vol. 1 - #11; Abril - Justice League International - Vol. 1 - #12. 

    1987 - Setembro - Justice League International Annual - Vol. 1 - #1.

    1988 - Maio - Justice League International - Vol. 1 - #13; Maio - Suicide Squad - Vol. 1 - #13; Junho - Justice League International - Vol. 1 - #14; Julho - Justice League International Annual - Vol. 1- #2; Julho - Justice League International - Vol. 1 - #15; Agosto - Justice League International - Vol. 1 - #16.

    1988 - Setembro - Justice League International - Vol. 01 - #17; Outubro - Justice League International - Vol. 01 - #18; Novembro - Justice League International - Vol. 01 - #19; Dezembro - Justice League International - Vol. 01 - #20 e #21; 1989 - Janeiro - Justice League International - Vol. 01 - #22 e #23.
    Presentes em Lendas do Universo DC Comics - Liga da Justiça Vol. 04.


    1996 - Maio - Kindom Come - Vol. 1 - #1; Junho - Kindom Come - Vol. 1 - #2.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #88 e em Reino do Amanhã - (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva - Editora Panini.

    1996 - Julho - Kindom Come - Vol. 1 - #3; Agosto - Kindom Come - Vol. 1 - #4.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #89 e em Reino do Amanhã - (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva - Editora Panini.

    1997 - Maio - Kingdom Come Trade Paperback - Um Ano Depois.
    Presente em Reino do Amanhã (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva (Editora Panini).

    1997 - Janeiro - JLA - Vol. 1 - #1; Fevereiro - JLA - Vol. 1 - #2; Março - JLA - Vol. 1 - #3; Abril - JLA - Vol. 1 - #4.

    1997 - 9 - Justice League of America - Secret Files and Origins- Vol. 1 - #1.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini) e em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemos #55.


    1998 - Janeiro - JLA Year One - Vol. 1 - #1; Fevereiro - JLA Year One - Vol. 1 - #2; Março - JLA Year One - Vol. 1 - #3; Abril - JLA Year One - Vol. 1 - #4; Maio - JLA Year One - Vol. 1 - #5; Junho - JLA Year One - Vol. 1 - #6.

    1998 - Julho - JLA Year One - Vol. 1 - #7; Agosto - JLA Year One - Vol. 1 - #8; Setembro - JLA Year One - Vol. 1 - #9; Outubro - JLA Year One - Vol. 1 - #10; Novembro - JLA Year One - Vol. 1 - #11; Dezembro - JLA Year One - Vol. 1 - #12.

    1998 - Agosto - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #1; Setembro - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #2; Outubro - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #3.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #19 e em Liga da Justiça - The Nail (Ediora Mythos).


    2000 - Janeiro - JLA - Earth 2. 

    2000 - Julho - JLA - Vol. 1 - #43; Agosto - JLA - Vol. 1 - #44; Setembro - JLA - Vol. 1 - #45; Outubro - JLA - Vol. 1 - #46; Dezembro - JLA Secret Files and Origins - Vol. 01 - #3.

    2000 - Novembro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #1; Dezembro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #2; 2001 - Janeiro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #3.


    2002 - Fevereiro - JLA- Vol. 1 - #61.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    2003 - Fevereiro - JLA-JSA - Virtue and Vice - Vol.1 -  #1.

    2003 - Maio -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #1; Junho -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #2; Julho -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #3; Agosto -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #4; Setembro -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #5; Outubro -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #6.

    2004 - Março - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #1; Abril - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #2; Maio - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #3.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #35, em DC: A Nova Fronteira - Volume Um (Capa Cartonada - Editora Panini) e em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini).

    2004 - Julho - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #4; Setembro - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #5; Novembro - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #6.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #36, em DC: A Nova Fronteira - Volume Dois (Capa Cartonada - Editora Panini) e em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini). 

    2008 - Maio - Justice League New Frontier Special - Vol. 01 - #1.
    Presente em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini).


    2004 - Maio - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #1; Agosto - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #2; Setembro - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #3.
    Presente em Liga da Justiça - Outro Prego (Capa Cartonada - Editora Panini).

    2004 - Agosto - Identity Crisis - Vol. 1 - #1; Setembro - Identity Crisis - Vol. 1 - #2; Novembro - Identity Crisis - Vol. 1 - #4; 2005 - Janeiro - Identity Crisis - Vol. 1 - #6; Fevereiro - Identity Crisis - Vol. 1 - #7.
    Presente em Crise de Identidade (Editora Panini) e em Coleção de Graphic Novels - Sagas Definitivas Eaglemoss #4.


    2005 - Outubro - Justice - Vol. 1 - #1; Dezembro - Justice - Vol. 1 - #2; 2006 - Fevereiro - Justice - Vol. 1 - #3; Abril - Justice - Vol. 1 - #4; Junho - Justice - Vol. 1 - #5; Agosto - Justice - Vol. 1 - #6.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #27 e em Justice - Edição Definitiva (Editora Panini).

    2006 - Outubro - Justice - Vol. 1 - #7; Dezembro - Justice - Vol. 1 - #8; 2007 - Fevereiro - Justice - Vol. 1 - #9; Abril - Justice - Vol. 1 - #10; Junho - Justice - Vol. 1 - #11; Agosto - Justice - Vol. 1 - #12.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #28 e em Justice - Edição Definitiva (Editora Panini).


    2010 - Maio - Green Arrow and Black Canary - Vol. 1 - #31; Maio - Justice League - Rise and Fall Special - Vol. 01 - #1; Maio - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #1; Junho - Green Arrow and Black Canary - Vol. 1 - #32; Junho - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #2; Julho - Justice League - 7a - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #3; Agosto - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #4.

    Muito bem amigos... Espero que este post auxilie muitos colecionadores que, como eu, querem dimensionar sua coleção dentro do escopo cronológico e, com isso, contextualiza-la melhor em termos pessoais, culturais e  sociais. Abcs à todos!
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