quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Pílulas Fílmicas #1: Coringa (2019)


Olá amigos... Como parte das comemorações dos 10 anos do Blog Marcelo - Antologias, mais uma novidade! Inicia-se aqui uma nova série de "posts": o PÍLULAS FÍLMICAS. Assim como uma pílula que se ingere, esta série trará análises de ação rápida e certeira, o que proporcionará forte interação com você leitor. Bem vindo, portanto ao PÍLULAS FÍLMICAS!!

Coringa - 2019 (EUA - Dir. Todd Phillips)

Um grande golpe na ambiguidade dos dias atuais e na hipocrisia de muitos.

Coringa é uma viagem às profundezas da mente humana que aos poucos adoece. E o que mais me SURPREENDEU após assistir ao filme é que de todas as resenhas e mais resenhas e mais resenhas que li... De todas as opiniões chamando o filme de "tóxico" e "irresponsável", não vi nenhuma frase (de nenhum dos supostos críticos profissionais ou informais de Facebook e Youtube) acerca da PERGUNTA principal do filme: "Por que deixamos as pessoas mais frágeis próximas à nós sem assistência? Por que as pessoas que tem deficiência (no caso a mental) são muitas vezes deixadas de lado ao invés de serem acolhidas?" Será que ninguém percebeu que as pessoas falharam inúmeras vezes com Arthur Fleck durante o filme? (O que não justifica sua atitude mas as explicam com certeza). Que mais importante do que ficar discutindo se o filme pode influenciar alguém a se tornar parecido com o "Coringa"... Mais importante que isso seria olharmos para nós mesmos e nos fazermos a seguinte pergunta: "Tenho falhado com alguém perto de mim?" Percebo que todo esse mi-mi-mi esconde na verdade a incapacidade de olharmos para nós mesmos. Assistir foi viajar novamente ao Universo de Scorsese em toda sua força!!

domingo, 13 de outubro de 2019

Resenha: A Assombração da Casa da Colina


Publicado em 1959, A Maldição da Casa da Colina é um livro de uma autora que influenciou profundamente grandes mestres da literatura mundial, dentre eles Stephen King, Neil GaimanRichard Matheson. Shirley Jackson (1916 - 1965) foi uma autora norte-americana que criou em A Maldição da Casa da Colina (The Haunting of Hill House) um dos textos mais contundentes acerca da casas mal-assombradas. O livro de Jackson voltou a ser comentado há alguns meses por dois motivos, 1º em função de sua republicação pelo selo SUMA da Editora Companhia das Letras e, em 2º, em função da adaptação que o Canal de Streaming NetFlix fez em 2018 para a obra, a série intitulada A Maldição da Residência Hill (nome mais fiel ao título original em inglês). Shirley foi uma autora que, embora pouco ligada aos holofotes de sua época, foi aos poucos sendo reconhecida como uma das autoras com um conjunto literário de grande valor para o século XX. Interessei-me pelo livro A Maldição da Casa da Colina em função de uma resenha que li, e só depois fiquei sabendo da adaptação do NetFlix.


A edição brasileira da "Suma" é facilmente encontrada e possui uma sobrecapa com a imagem da série da NetFlix. A capa acima é a que vem logo abaixo da sobrecapa. A história gira em torno da vida da personagem principal Eleanor, uma jovem já na casa dos 30 anos que viveu a vida toda à sombra de sua mãe e irmã. Sua vontade de se libertar e viver uma vida própria ganha força quando ela recebe uma carta de um certo Dr. Montague. Um pesquisador que após rastrear pessoas que já haviam passado por experiências paranormais resolve convida-las a participarem de um experimento: passar uma temporada em uma casa (A Casa da Colina) em que fenômenos paranormais haviam sido relatados e permaneciam sem explicação. Montague quer catalogar estes fenômenos e buscar explicações racionais e científicas para as manifestações. Adicionalmente ele quer tentar enxergar tais fenômenos através dos olhos de outras pessoas, no caso, seus convidados. Por mais estranho que pareça o convite, Eleanor encontra na carta uma possibilidade de realizar algo só seu, uma aventura só sua.

Sobrecapa da Edição Brasileira com a imagem da Série da NetFlix

Poucas pessoas respondem ao convite de Montague além de Eleanor, dentre eles Theodora, outra jovem mulher que, diferentemente de Eleanor, é superficial, ligeiramente fútil e um tanto quanto mimada. Além de Theodora aparecem também Luke, o herdeiro da Casa da Colina e posteriormente a própria esposa do Dr. Montague, a Sra. Montague. Um dos grandes méritos do livro e da narrativa de Shirley, é a capacidade de descrever de forma muito adequada e crível os ambientes e as sensações despertadas pela Casa em seus hóspedes. A autora a descreve como uma casa construída propositadamente com ângulos e medidas fora dos padrões, o que desperta uma sensação estranha de imediato na percepção das pessoas. Paredes que parecem tortas, torres que dão a impressão de estarem inclinadas. A sensação estranha que isso provoca nas pessoas logo de imediato viria da inadequação de nossos sentidos frente àquilo que não esperamos encontrar nos cômodos, ou seja, A) paredes que parecem fora do lugar, B) vistas de janelas que não correspondem exatamente ao esperado quando se olha de fora, C) portas dentro dos quartos que parecem levar a outros cômodos... entre outros. Tudo isso consegue proporcionar ao hóspede um incômodo contínuo e inexplicável.

Shirley Jackson

A história segue colocando Eleanor, Luke, Theodora e o Dr. Montague em situações sutilmente sobrenaturais. O fato da autora resolver não descrever de forma clara as manifestações dentro da casa, cria o ambiente correto para nascer uma das mais potentes ferramentas a serviço do "medo", a capacidade de sugestionar o leitor ou expectador. Este modelo de condução narrativa cresceu depois de Shirley, mas vale lembrar aqui que a autora escreveu o livro no final da década de 50, ou seja, Shirley foi notável em sua percepção e forma de construir seu livro. Nossa mente, se corretamente estimulada, fabricará sozinha todas as sensações necessárias para o sucesso de um livro como esse. A competência da escritora está em disparar os "gatilhos" corretos, o resto nossa mente completará.

Da esquerda para a direita, os irmãos Theodora, Steven, Eleanor, Luke e Shirley da adaptação para o Canal NetFlix

A série do NetFlix muda completamente a história principal, no entanto preserva muito bem a essência do que Shirley Jackson propôs em minha opinião. Montague, Luke, Theodora e Eleanor estão presentes na adaptação, mas tem papéis e relações completamente diferentes daquelas propostas na obra original. Dirigido pelo habilidoso Mike Flanagan (diretor de outros filmes de terror elogiados tais como "O Espelho" de 2013 e "Ouija - A Origem do Mal de 2016), a minissérie do NetFlix (A Maldição da Residência Hill) evolui e expande os pontos sugeridos por Jackson no livro. Elementos emblemáticos da obra original tais como "a xícara de estrelas", "pedras que caem do céu sobre telhados", a frase "... jornadas terminam no encontro de amantes" são citadas na série quase que como uma homenagem. Gostei muito da adaptação da NetFlix e recomendo!

Desafio do Além - 1ª Adaptação para o cinema em 1963 para o livro de Shirley Jackson

Mas A Assombração da Casa da Colina já havia sido adaptada outras duas vezes, só que para o cinema. A 1ª delas em 1963 no filme intitulado "Desafio do Além", que não assisti mas entrou totalmente para meu radar. A 2ª adaptação foi lançada em 1999 no filme "A Casa Amaldiçoada" com o elenco estelar de Catherine Zeta-Jones, Owen Wilson, Liam Neeson e Lili Taylor. Esta versão de 1999 eu assisti e confesso que o filme vai bem em boa parte, porém ao final há uma explicação mal construída para toda a paranormalidade do local, o que desarma boa parte da trama.

A Casa Amaldiçoada - 2ª Adaptação para o cinema em 1999 para o livro de Shirley Jackson 

Stephen King, um dos mestres do terror contemporâneo, viria a dizer o seguinte a respeito do livro de Shirley Jackson: "A história de Casa Mal-Assombrada mais próxima da perfeição que eu já li". A frase de King se justifica porque a forma como a autora apresenta a casa, torna-a crível enquanto personagem, passando a ocupar as páginas do livro com uma presença gigantesca. A forma abrupta como a história termina no livro, abre sugestões a respeito do que teria realmente acontecido e, nesse ponto, acredito que a autora poderia muito bem ter escrito uma continuação.


A Assombração da Casa da Colina é um daqueles livros que nos permite entender que sensações, experiências e emoções vividas deixam ecos ao nosso redor, e esses ecos podem impregnar paredes, encanamentos, estantes e cômodos, que acabam por funcionar como câmaras de ecos para a posteridade. Monumentos vivos de nosso passado.

Um abraço à todos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Miniatura Marvel Série Especial Nº 16 - Colossus


Piotr (Peter) Nikolaievitch Rasputin teria sido apenas um fazendeiro em sua pacata vila siberiana na Rússia caso não tivesse nascido com um gene mutante. Sua vida foi marcada por tragédias, mas também por histórias que provaram que, apesar de seus incríveis poderes, o que o torna um mutante extremamente querido e conhecido é mesmo seu incrível coração e capacidade de colocar o bem estar dos outros acima do seu. Hoje conheceremos a incrível miniatura do Mutante Colossus dentro da Coleção de Miniaturas Marvel Eaglemoss, além de passearmos pela vida daquele que foi um dos integrantes mais emblemáticos dentro da 2ª formação da Equipe X-Men.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

A robusta miniatura do herói mutante aparece dentro da coleção em seu Segmento Especial (personagens de grande estatura ou em duplas). Colossus vem retratado em seu uniforme original que pouco mudou, aliás, ao longo das décadas. Um uniforme que deixa bem evidente seu poder, ou seja, a possibilidade de transformar seu corpo em aço orgânico. Literalmente o Homem de Aço da Marvel. A peça traz Colossus em uma postura de alerta, como se estivesse esperando a vinda de algum bólido ou ataque inimigo. Isso pode ser atestado pelo punho esquerdo fechado como se já preparado para liberar um potente cruzado de esquerda. A posição do personagem sobre a plataforma nos dá também uma sensação de movimento, já que o pé esquerdo não está tocando o chão totalmente, ou seja, uma postura na qual ele está claramente em movimento (sem um "pé de apoio" fixo).

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

Gostei muito da modelagem e pintura da blindagem. O cor prata está bem destacada e a linhas horizontais que compõem o corpo nos faz associar claramente a pele do personagem com o aço. A musculatura está muito bem definida e todo o conjunto muscular da região anterior e posterior da coxa, tórax, braços e antebraços salta aos olhos. Destaco também os pilares musculares da região do pescoço anterior e posterior, parecendo modeladas como se fossem verdadeiras colunas de aço. O rosto aparece também muito bem definido, podendo-se identificar claramente a expressão dura do personagem neste momento, confirmando seu envolvimento em alguma batalha. Braceletes, botas, shorts, armadura peitoral e dorsal estão bem pintadas, com o tom de vermelho e amarelo-alaranjado do uniforme original. A letra "X" na fivela do cinto destaca-se por ser feita em dourado. Colossus em sua forma humana tradicional possui cerca de 1,95 metro, contraponto os 2,26 metro em sua forma blindada. Esta estatura o posiciona de forma justa dentro do panteão de pesos pesados da Marvel.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

Colossus apareceu pela primeira vez em um dos momentos mágicos dos quadrinhos, aquele momento em que artistas se unem para criar algo espetacular e que consegue sintonizar exatamente a demanda do público. No início dos anos 70 a equipe mutante X-Men, criada por  Stan Lee e Jack Kirby, vinha dando sinais de desgaste (lê-se "baixas vendas"). A missão de reestruturar a equipe foi dada a dois grandes artistas do quadrinhos, Len Wein (sim, esse mesmo, o co-criador de Wolverine na Marvel e do Monstro do Pântano na DC) e Dave Cockrum, desenhista prolífico e grande nome da indústria. Colossus estreou ao lado dos outros personagens que compunham a nova Equipe de X-Men recrutada pelo Prof. Charles Xavier para salvar a 1ª Equipe, prisioneira na época de uma Ilha Viva (Krakoa). Em sua angústia o Prof. X usou o supercomputador Cérebro para localizar Novos Mutantes ao redor do Planeta para lhes oferecer a oportunidade de desenvolverem seus poderes, encontrar um lar e, comporem uma Nova Equipe que salvasse seus antigos pupilos prisioneiros.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

Foi neste contexto que Peter N. Rasputin entrou para a história das HQs ao aparecer pela primeira vez nas páginas de Giant-Size X-Men #1 de maio de 1975. Colossus foi contatado pelo Prof. X e, ainda jovem e com seus poderes recém descobertos, tomou a difícil decisão de ir para o Ocidente rumo a um destino ainda incerto. A equipe montada pelo Prof. era inspiradora e talvez tenha feito tanto sucesso por sintetizar um anseio da época, o de se romper a barreira do nacionalismo panfletário norte-americano que muitas vezes havia imperado em muitas HQs. Xavier recrutou um Russo (Colossus) Canadense (Wolverine), uma Queniana (Tempestade), um Alemão (Noturno), um Irlandês (Banshee), um Japonês (Solaris) e (pasmem) um Nativo Norte-Americano (Pássaro Trovejante). A equipe representava simplesmente toda representatividade e diversidade que se queria, e os poderes de cada personagem não eram a principal atração, mas sim as dificuldades inerentes à transculturalidade ali encontrada. Foi realmente um deleite poder ver os heróis terem que transcender barreiras culturais e étnicas para ficarem juntos. Cada um com costumes e formas diferentes de ver a vida e o mundo. Colossus trazia para o grupo a estranheza de uma cultura vista por muitos ocidentais como diferente e repulsiva, já que os anos 70 vivia (como nunca) a polaridade entre Ocidente (EUA) e Oriente (URSS).

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

A escolha de dar à Colossus uma personalidade amável, ordeira e sensível foi uma opção corajosa e extremamente contraventora se pensarmos que em 1975 ainda reinava a estranheza pela cultura Russa e o belicismo entre EUA e URSS, ou seja, artistas americanos estavam de forma sútil dizendo que os Russos não eram os inimigos maus e sem coração que por décadas muitos americanos haviam pré-concebido. Peter Rasputin era filho de Nikolai e Alexandra e tinha como irmãos Mikhail e a Ilyana Nikolievna. Ilyana era talvez a luz dos olhos de Peter, e foi justamente a pequenina irmã que iria despertar o gene mutante de Colossus. Em uma das cenas mais emblemáticas dos quadrinhos para mim, o momento exato em que Peter se descobre como um mutante ocorreu em um belo dia em uma época em que o mundo, para Peter, se restringia à fazenda. Ilyana estava brincando com sua boneca na região mais baixa de um vale, e um imenso trator estava no alto do monte. Por alguma armadilha do destino, alguém não havia deixado a máquina engatada o que fez com que, gradativamente a imensa massa de ferro começasse a descer o vale ganhando força e velocidade em direção à pequenina Ilyana. Peter conseguiu ver a tragédia que iria acontecer, sua irmã seria esmagada pelo trator.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

O leitor logo percebe que Peter não conseguirá chegar a tempo e, durante sua corrida, a descrição dos autores é fenomenal: "... e, sem hesitação, Peter Rasputin está correndo, as pernas latejando, o coração acelerado... ...o próprio ar ao redor crepitando com a energia de seu esforço... energia liberada de maneira espetacular". No momento final, quando o trator está sobre Ilyana, Peter literalmente já não é mais um simples humano, simplesmente o trator é reduzido à uma sucata ao encontrar um colosso em seu caminho, um colosso de puro aço. Foi algum tempo depois desta cena que o jovem recebe a visita do Prof. X. A vida de Peter ao lado dos X-Men foi de muito aprendizado e laços de amizade. O jovem Russo aproximou-se muito de 3 outros mutantes que, por compartilharem nacionalidades estranhas à norte-americana tinham muito o que dividir, eram eles: Tempestade, Noturno e Wolverine. Mas talvez a relação mais profunda que Peter gerou, foi com a jovem Kitty Pride, a mutante Lince Negra. Kitty entrou para os X-Men durante uma das fases de ouro do grupo, época em que a equipe mutante era desenhada pelo lendário John Byrne. Kitty era o protótipo da adolescente que todo cara iria querer ter como namorada. Ousada e ao mesmo tímida, com uma beleza prestes a florescer, engenhosa e inteligente. Kitty logo de cara se apaixonou por Colossus, o gigante russo sensível e com um enorme coração.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

O relacionamento entre Peter e Kitty sofreria trágicas idas e vindas, e eu como leitor adolescente nos anos 80 sempre quis vê-los juntos, como se fosse a projeção de meus romances adolescentes na época. Infelizmente tive que esperar cerca de 30 anos para ver Colossus e Kitty Pride/Lince Negra estarem diante de um altar para se casarem, mas infelizmente acho que vou ter que esperar outros 30 pelo que pude entender da história, ou seja, os dois acabaram não se casando. Aqui está uma dupla de heróis que eu realmente gostaria de ver juntos, não só pelo fato ser legal em si e guardar incríveis possibilidades dramáticas (o dia a dia de um casal mutante marido-e-mulher), mas porque este enlace traz consigo lembranças de minha adolescência. Particularmente eu sempre quis ver Colossus melhor desenvolvido dentro do Universo Marvel. Quando percebi que ele poderia estar presente nos filmes dos X-Men da Fox, ele era um dos personagens que gostaria muito de ver crescer na franquia. Mas infelizmente isso não aconteceu. As poucas aparições de Peter Rasputin na franquia dos X-Men foram pífias, e sua contribuição nos filmes do Deapool foram mais como alívio cômico do que como possibilidade dramática.

Miniatura Marvel Especial Nº 16 - Colossus

Uma das melhores caracterizações do personagem em minha opinião foi o Colossus retratado na HQ Terra X.  A história narra um futuro totalmente distopico do Universo Marvel sob a perspectiva do Vigia e Homem-Máquina. Um futuro que abriga os heróis Marvel bem mais velhos, onde a anarquia tomou conta sem qualquer possibilidade de intervenção dos heróis. Um mundo onde a sociedade saiu dos trilhos. Nesse Universo (conhecido como Universo X) Colossus se refugia na Rússia e torna-se seu governante, um verdadeiro Czar que tenta proteger seu povo da hostilidade que agora reina no mundo. Adicionalmente a isto, neste Universo, a Rússia e seus férteis territórios se torna o celeiro alimentar do mundo. Assim, Colossus possui uma posição de destaque como líder mundial. Vale a pena conferir sua caracterização e história. Terra X está entre minhas HQs favoritas.

Bem amigos... Este é Colossus, um personagem que, tenho certeza, é considerado por muitos como um membro eterno dos X-Men e com um grande potencial. Um grande abraço à todos!!

sábado, 21 de setembro de 2019

LIVRO: Interestelar - Editora Gryphus


A profundidade com que cada obra toca individualmente uma pessoa é uma experiência extremamente única e intransferível. Embora existam consensos estatísticos a respeito da bilheteria de um filme ou índices de venda de um livro, cada obra sempre encontrará terrenos diferentes para crescer dentro de cada mente. Quando assisti ao filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço a obra já levava a alcunha de "clássico", portanto não foi difícil encontrar opiniões semelhantes à minha de que o filme era uma obra prima. Desde que vi ao filme de Stanley Kubrick sobre o monólito de Arthur C. Clarke, no entanto, nenhuma outra obra havia me tocado da mesma forma, ou seja, me feito imergir no ambiente eterno dos espaços vazios do Universo, até eu assistir Interestelar. O filme é complexo e talvez até inverossímil com suas dilatações temporais, mas é assim porque o Universo é complexo e cheio de armadilhas temporais. E quando saí da sala de cinema fiquei maravilhado com o respeito com que o Diretor Christopher Nolan tratou os segredos do Universo e como teve a coragem de nos situar na posição real que ocupamos nisso tudo, ou seja, como pequenos seres diante de forças colossais. Tudo isso me fez comprar e ler o livro Interestelar do Selo Geek da Editora Gryphus. Na verdade um romance que adapta ipsis litteris o filme e, não por isso, menos interessante.


Ler um livro como esse, que adapta ao pé da letra o filme pode parecer, à princípio, uma experiência redundante, mas não é e não foi para mim. Pelo contrário, pude expandir em minha mente as nuances científicas do filme, compreender como o roteiro é interessante e entender as motivações e dramas de cada personagem. O responsável pela adaptação, o escritor Greg Keyes, acrescentou muito pouco à narrativa já expressa no filme. Mas o que acrescentou dimensionou o universo pessoal dos principais personagens, o astronauta Cooper e sua filha Murphy, o Dr. e Dra. Brand, os doutores Doyle, Romily e os maravilhosos, críveis e interessantes androides militares Case e Tars. A história torna-se ainda mais crível através da lente do livro, ao nos fazer enxergar como o futuro da Terra imaginado pelos irmãos Nolan é totalmente plausível para os próximos séculos. Desertificações, tempestades de poeira, escassez de alimentos... uma visão de um Planeta que não nos quer mais aqui, que se cansou de nos abrigar, que se cansou de nossa irresponsabilidade. Em um mundo como o nosso, só isso já um alerta a ser revisitado várias e várias vezes.


O livro nos ajuda a entender situações cruciais para a história, e que no filme (em função da narrativa rápida) fica difícil de se acompanhar: 1º o papel do "Buraco de Minhoca" plantando próximo à Saturno; 2º o efeito temporal absurdo que o Buraco Negro Gargântua causou na história quando Cooper, Brand e Doyle descem no Planeta da Dra. Miller que orbitava o Buraco (uma parte da história em que 45 minutos na superfície do planeta correspondeu à 23 anos no tempo da Terra); 3º a abjeta traição do Dr. Mann (papel de Matt Damon no filme) que tenta matar Cooper no segundo planeta explorado; 4º a experiência quase mística de Cooper e Tars no Hipercubo dentro do Buraco Negro, momento em que Cooper percebe-se como o "fantasma" que tentava se comunicar com a filha Murphy ainda criança.


Mas em que medida uma história como essa relaciona-se com o nosso universo pessoal terrestre real? Na verdade são as respostas para esta pergunta que me fizeram gostar tanto do filme. Em 1º lugar o filme nos permite visualizar um aspecto da existência muitas vezes sublimado dentro de nosso dia a dia. Ao vivermos nossa vida dentro de uma rotina tão acirrada, em que problemas e afazeres terrenos nos inundam, fica difícil de enxergar a natureza das coisas ao nosso redor sob uma perspectiva infinita e eterna. Quando conseguimos escapar da força da rotina conseguimos ter vislumbres de uma realidade muito maior e infinitamente assustadora e bela. O filme pode servir de veículo para atingirmos esta "velocidade de escape" das coisas ao nosso redor para, por algum tempo, as transcendermos. Em 2º lugar o "tempo" é algo que não conseguimos entender. O filme lança luz sobre a possibilidade do tempo ser mesmo uma dimensão e, como tal, passível de ser observada. Desde criança me pergunto para onde vão todos os momentos felizes e infelizes que vivemos e que são, com certeza, nossos constituintes. O filme nos faz vislumbrar a possibilidade de existência de uma dimensão onde tudo isso é guardado. O hipercubo no qual Cooper é jogado dentro do Buraco Negro é um receptáculo para as memórias e vivências de sua filha. Um local sagrado onde algo e alguém está preservado no infinito. Em 3º lugar sempre me perguntei se algo poderia viajar através do tempo, e o filme traz duas especulações muito críveis de que a gravidade (algo que ainda não entendemos direito o que é até hoje) e o "amor" não seriam na verdade uma propriedade física e um sentimento, respecivamente. Mas sim uma linguagem.  Uma linguagem que, tal qual um código Morse, nos permitiria conversar através das dimensões.


Em 4º lugar, a obra nos permite enxergar o grandioso e ameaçador impacto do universo em nós. Em uma das passagens finais do livro (cenas finais do filme) Cooper encontra com a filha (Murphy) que havia deixado para trás há apenas alguns meses. Mas agora ela está com 83 anos. Este antinatural e esmagador encontro teve um profundo efeito sobre mim. Pude perceber que não estamos preparados (ou não fomos feitos) para lidar com a grandeza do Universo em sua estrutura de espaço-tempo. Nossas frágeis mentes e corações não foram dotados de instrumentos capazes de nos proteger destas imensas variações que, para o Universo, são fenômenos comuns e corriqueiros. Em 5º lugar, penso que as licenças poéticas do filme funcionam muito bem. Estantes de livros sempre me fascinaram desde criança. Um dos meus sonhos aliás era, quando adulto, ter um quarto repleto de livros do chão ao teto. E por que sempre fui fascinado por isso? Sempre que olhava para uma estante cheia de livros ficava imaginando que cada livro era uma caixinha mágica, ou um portal para Universos ou dimensões desconhecidas. Quando a estante de livros é usada na quarto de Murphy como veículo de comunicação entre as dimensões, isso fez muito sentido para mim, ou seja, as coisas que vemos esconderiam mesmo um sentido maior do que pensamos, mesmo coisas inanimadas e aparentemente inertes como uma estante. Poderiam, quem sabe, ser realmente portais de comunicação? Hoje, adulto, tenho minha estante em um dos cômodos da casa, e podem ter certeza que quando olho para ela quase que posso sentir algo além.


Todas essas sensações e percepções que me sobrevieram, talvez não tivessem me alcançado se não fosse outro detalhe da obra (aqui, falando especificamente do filme), a saber: A Trilha Sonora de Hans Zimmer. Adquiri o CD porque são poucas as vezes em que um compositor consegue amalgamar de forma tão perfeita o sentimento na tela com o som. Ennio Morricone foi Mestre nisso, e Hans Zimmer conseguiu transmutar o assombro e a solidão do Cosmo em contraponto com o universo contido e frágil do coração humano nesta trilha. Recomendo fortemente que o filme, ou o livro sejam apreciados tendo como pano de fundo a trilha de Zimmer.


Há muito ainda sobre o que discorrer a respeito da história. Sensações e nuances que me inundaram enquanto lia e assistia as adaptações da obra. Não há como não admitir, no entanto, que tudo isso que escrevi tem a ver com toda uma experiência pessoal. E isso mostra que cada um de nós, no final, sejamos também pequenos portais para Universos interiores grandiosos e majestosos.

Um grande abraço à todos!

sábado, 14 de setembro de 2019

Guia Completo: Supercards Revista Mundo dos Super-heróis - 1ª Série


Como noticiado aqui no Blog antes, a Revista Mundo dos Super-heróis (MSH) alcançou em 2018 a marca hercúlea de 100 edições. Um feito para poucas revistas no Brasil. Para comemorar esta marca e fomentar um olhar para o futuro, sem perder o respeito pelo passado, os editores começaram a lançar a partir da MSH Nº 101 um conjunto de grandes cards em cada edição, com momentos históricos para os super-heróis, sejam eles em mídia impressa (quadrinhos) ou em mídia áudio-visual (cinema, animações, games e streaming). Recentemente a 1ª Série desta iniciativa chegou ao fim totalizando um conjunto de 88 Supercards distribuídos ao longo de 10 números da MSH (101 à 111). O registro abaixo refere-se a esses memoráveis 88 Supercards, e busca oferecer um controle à todos que queiram ter em mãos não apenas as imagens destes importantes momentos dos super-heróis, mas informações acerca de cada momento, já que no verso de cada cartão o colecionador encontra uma excelente explanação situando a importância da imagem do card. Espero que esta matéria auxilie a muitos.

1 - Filme: Homem de Ferro (2008); 2 - Filme: Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008); 3 - Série: Os Últimos Filhos de Krypton - Supergirl - Temporada 2 - Episódio 2 (2016); 4 - Filme: Logan (2017); 5 - Série: Demolidor - Temporada 1 (2015); 6 - Nostalgia (Série): As Aventuras do Capitão Marvel (1941); 7 - Filme: Superman II - A Aventura Continua (1981); 8 - Quadrinhos: Homem-Aranha Nunca Mais (The Amazing Spider-Man #50) (1967).

9 - Filme: Pantera Negra (2017); 10 - Animações: Batman - A Série Animada (1992); 11 - Filmes: Deadpool 2 (2018); 12 - Filmes: Liga da Justiça (2017); 13 - Série: Loucura, Loucura - Jéssica Jones - Temporada 2 - Episódio 7 (2018); 14 - Série: Lendas do Amanhã Temporada 2 (2016); 15 - Série: Legion - Temporada 1 (2017); 16 - Quadrinhos: Surge... O Wolverine! (The Incredible Hulk #181) (1980).

17 - Filme: Mulher-Maravilha (2017); 18 - Filme: Vingadores; Guerra Infinita (2018); 19 - Filme: Flash Gordon (1980); 20 - Série: Os Melhores do Mundo - Supergirl - Temporada 1 - Episódio 18 - (2016); 21- Filme: X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido (2014); 22 - Filmes: Batman - O Homem-Morcego (1966)23 - Filme: Curta Marvel: Agente Carter (201); 24 - Quadrinhos: Flash de Dois Mundos (The Flash #123) (1961).

25 - Filme: O Homem de Aço (2013); 26 - Filme: Capitão América - Guerra Civil (2016); 27 - Série: Crise na Terra X - Supergirl - Temporada 3 - Episódio 8Arrow Temporada 6 - Episódio 8 / Flash Temporada 4 - Episódio 8 / Lendas do Amanhã Temporada 3 - Episódio 8 (2018); 28 - Game: Batman - Arkham Asylum (2009); 29 - Nostalgia (Série): O Fantasma Voador (1943); 30 - Filme: Watchmen: O Filme (2009); 31 - Série: Agents of Shield - Temporada 4 (2017); 32 - Quadrinhos: O Justiceiro Ataca Duas Vezes (The Amazing Spider-Man #129) (1974).

33 - Filme: Guardiões da Galáxia (2014); 34 - Série: Arrow - Temporada 1 (2012); 35 - Série: Luke Cage - Temporada 1 (2016); 36 - Filme: X-Men - Primeira Classe (2011); 37 - Filme: Superman - O Filme (1978); 38 - Filme: Hellboy II - O Exército Dourado (2008); 39 - Filme: Lego Batman - O Filme (2017); 40 - Quadrinhos: Stan Lee Encontra o Espetacular Homem-Aranha (Stan Lee Meets Spider Man #1) (2006). 

41 - Filme: Thor - Ragnarok (2017); 42 - Série: Smallville - As Aventuras do Superboy - Temporada 1 (2001); 43 - Filme: O Homem-Aranha Volta a Atacar (1979); 44 - Animações: Batman - A Piada Mortal (2016); 45 - Filme: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007); 46 - Filme: Monstro do Pântano (1982); 47 - Série: Manto e Adaga - Temporada 1 (2018); 48 - Quadrinhos: Starro, O Conquistador! (The Brave and The Bold #28) (1960).

49 - Filme: Capitão América - O Primeiro Vingador (2011); 50 - Filme: Esquadrão Suicida -  (2016); 51 - Série: Os Defensores (2017); 52 - Animações: Planeta Hulk (2010); 53 - Série: Krypton - Temporada 1 (2018); 54 - Filme: Homem-Aranha (2002); 55 - Filme: Batman - Máscara do Fantasma (1993); 56 - Quadrinhos: Miss América, a Mulher-Maravilha (Wonder Woman #1) (1942).

57 - Filme: Batman vs. Superman - A Origem da Justiça (2016); 58 - Filme: Homem de Ferro 3 (2013); 59 - Série: Linha de Chegada - Flash - Temporada 3 - Episódio 23 (2017); 60 - Game: Ultimate Marvel vs. Capcom 3 (2011); 61 - Filme: Blade - O Caçador de Vampiros (1998); 62 - Série: Demolidor - Temporada 2 (2016); 63 - Nostalgia (Série): O Homem Atômico Contra o Super-Homem (1950); 64 - Quadrinhos: Se Este For o Juízo Final (Fantastic Four #49) (1966).

65 - Filme: Doutor Estranho (2016); 66 - Filme: Batman Begins (2005); 67 - Série: Fugitivos - Temporada 1 (2017); 68 - Animações: Grandes Astros - Superman (2011); 69 - Filme: Homem-Aranha 2 (2004); 70 - Filme: O Doutrinador (2018); 71 - Nostalgia (Série): Capitão América, O Vencedor (1944); 72 - Quadrinhos: Os Novos Titãs (The New Teen Titans #1) (1980).

73 - Filme: Aquaman (2018); 74 - Filme: Guardiões da Galáxia - Vol. 02 (2017); 75 - Filme: Superman - O Retorno (2006); 76 - Série: Punho de Ferro - Temporada 1 (2017); 77 - Animações: Superman / Shazam! - O Retorno de Black Adam (2010); 78 - Filme: Mestres do Universo (1987); 79 - Filme: V de Vingança (2006); 72 - Quadrinhos: Caso 1 - Conheça o Capitão América (Captain America Comics #1) (1941).

81 - Filme: Capitã Marvel (2019); 82 - Filme: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); 83 - Série: Inumanos (2017); 84 - Filme: Supergirl (1984); 85 - Filme: Hulk (2003); 86 - Série: Titãs - Temporada 1 (2018); 87 - Filme: O Fantasma (1996); 88 - Quadrinhos: Detective Comics #1000 (2019).

É isso aí amigos. Grande abraço!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...