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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Gibilândia e Status Comics - O que já saiu? Lista atualizada - Fevereiro 2021


A mídia dos quadrinhos é e precisa continuar sendo uma forma de produção cultural interessante, versátil e, principalmente, marginal. Sintetizada em seu nascedouro por homens como Harry Donenfeld (uma figura emblemática e extremamente importante para os quadrinhos em seu início) e Jack Liebowitz, esta mídia floresceu com força na década de 30 do século XX a partir de crianças e jovens que queriam se expressar e sonhar para além das amarras do "status quo". Livre dessas prisões, os quadrinhos sempre foram a mídia perfeita para a contracultura e para aquilo que se queria para além do "enlatado". Nas palavras de Gerard Jones em seu livro Homens do Amanhã... "Esse foi o berço das histórias em quadrinhos: contracultural, inculto, idealista, lascivo, pretensioso, mercenário, de olho no futuro e efêmero, tudo ao mesmo tempo". Enquanto os quadrinhos não se afastarem de sua origens ele sempre será essa mídia que tanto amamos. Nos tempos atuais, em que esse universo imaginativo tem sido abraçado pela cultura-padrão das grandes corporações essas duas publicações aqui destacadas nesta matéria são, não apenas necessárias, mas imprescindíveis, para se manter o DNA dos quadrinhos. Estou falando do Gibilândia e Status Comics de autoria do escritor, jornalista, roteirista, editor e tradutor Roberto Guedes.


Autor de célebres e icônicos livros sobre quadrinhos, dentre eles A Era de Bronze dos Super-heróis (HQM Editora), A Saga dos Super-heróis Brasileiros (Opera Gráfica Editora), Gedeone - O Guerreiro dos Quadrinhos - Uma Biografia Autorizada (Opera Gráfica Editora), seus trabalhos mais recentes trazem um olhar sobre personalidades como Stan Lee (Stan Lee: O Reinventor dos Super-heróis - Editora Kalaco), Jack Kirby (Jack Kirby: O Criador de Deuses - Editora Noir) e Steve Ditko (O Incrível Steve Ditko - Editora Noir). Apesar deste currículo, Guedes não se afastou do DNA sintetizado por Gerard Jones sobre os quadrinhos. Gibilândia e Status Comics são produções pessoais, que correm por fora e, justamente por isso, trazem a liberdade e o frescor da indústria original dos quadrinhos. Publicações livres de pressões e determinações burocráticas e mercadológicas. Nas palavras do próprio Roberto Guedes Gibilândia é "... um fanzine de tiragem limitada, com artigos e HQs raríssimas, voltado para colecionadores e estudiosos da Arte Sequencial". O caráter pessoal, raro e singular da publicação já faz com que ela se torne, de imediato, um item a ser disputado e garimpado por aqueles que descobrem a verdadeira verve dos quadrinhos.








Se por um lado o Gibilândia traz histórias raras e específicas sobre determinado personagem ou época, o Status Comics é outro fanzine sobre o qual Guedes tem se debruçado para trazer aos leitores perfis de personagens e autores. Dossiês indispensáveis para aqueles que cruzaram a 4ª parede e conseguiram fazer o caminho inverso, ou seja, conseguiram sair do mundo real e concreto e entraram dentro das histórias e do universo mental de cada autor e personagem. 

Produções assim mantém viva a ideia original das HQs, como elemento marginal e livre, capaz de espelhar de maneira lúdica a dura realidade dentro da qual estamos todos inseridos. Esta matéria buscará trazer, de forma sempre atualizada, os últimos lançamentos do Gibilândia e Status Quo.

Vida longa e próspera à eles!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Pílulas Séricas #3: Cidade Invisível (2021)


Podemos  falar de folclore a partir de diversas abordagens, mas talvez as duas principais sejam: 1) a acadêmica e 2) aquela fruto de experiências pessoais. Esta segunda está ligada àqueles que de alguma forma já experimentaram algum tipo de interação com o místico dentro da natureza. Quando garoto morei por anos em uma fazenda do interior do Mato Groso do Sul. Cresci ouvindo histórias de sací. Ouvia sons distantes e curiosos na mata, e até mesmo as tranças nas crinas dos cavalos logo cedo na "Mangueira" na hora de tirar o leite. Nesse ambiente, o que mais me marcou foi a sensação contínua de que a mata possuía uma presença. Coisas desse tipo se desvanecem quando tentamos descreve-las. Elas estão na dimensão de uma outra comunicação, uma outra linguagem. Quando concluí a 1ª Temporada de Cidade Invisível percebi que os autores tentaram e conseguiram, em certa medida, retratar a dimensão escondida que se forma em torno de nossa credulidade. Infelizmente não posso opinar acerca da assertividade acadêmica da série, até porque não sou da área, no entanto, percebo que no computo geral a obra soube lidar com respeito e reverência ao abordar os ícones folclóricos brasileiros (pelo menos sob a perspectiva de um leigo e não acadêmico literato). Infelizmente, atualmente uma obra para ser celebrada precisa ser absolutamente o "máximo", absolutamente "incrível". Há pouco espaço hoje em dia para se deixar levar simplesmente. O entretenimento foi sendo solapado pela tentativa de se analisar as obras em suas minúcias. Mas se nos permitíssemos relaxar e deixar-nos levar pela narrativa, veríamos que as obras podem ser muito maiores do que as opiniões e resenhas infinitas e imediatas existentes no universo virtual. Não se permite o tempo necessário para decantação das ideias... Vale a opinião o mais imediata e instantânea possível. E dentro desta máquina de moer e criticar ideias vai-se perdendo a calma necessária para se descobrir uma obra. Não à toa, muitas gigantes do streaming passaram a liberar episódios semanais. Cidade Invisível pode ter erros aqui e acolá como já está sendo apontado por miríades de Blogs e canais no YouTube, mas a ideia central é muito bem trabalhada. Posso dizer que, como alguém que já sentiu os olhares esquivos dentro do verde, vale muito a pena!!






segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Pílula Gráfica #4: Sangue no Colorado (2017)

Como comentado aqui no Blog outras vezes, ler Tex é entrar em um universo crível e com menos expedientes narrativos polêmicos. Expedientes estes muitas vezes usados apenas para satisfazer determinadas tendências do mercado editorial. Como novo leitor de Tex, tenho me encontrado cada vez mais dentro do universo do Ranger. Sangue no Colorado é uma HQ publicada dentro da Coleção Tex Gold da Editora Salvat e traz a arte de Ivo Milazzo, ninguém menos que a do desenhista de outro emblemático e simbólico personagem italiano, Ken Parker. Uma arte fugidia, volátil, com pessoas de perfil aquilino e paisagens realmente críveis. Mas mais que a arte, Sangue no Colorado traz um roteiro muito bom de Claudio Nizzi. Uma história contida dentro de um microcosmo muito específico, a luta de mineiros simples e trabalhadores pela manutenção de suas terras contra uma família que se sente dona do lugar. Este é um roteiros típico dos Westerns, e até aí não teríamos muita novidade. No entanto, nas mãos de Nizzi a história ganha camadas e se expande a partir de segredos guardados, o que passa a dar alma e credibilidade aos personagens. Amores perdidos, injustiça, rompantes de ira são elementos que aparecem muito bem colocados na história, sem deixar a violência gratuita como elemento principal. Novamente Tex cresce para mim como grande personagem que guarda a sabedoria dos antigos povos. O típico herói que se constrói em cima de qualidades e não necessariamente em cima apenas de uma boa pontaria. Excelente história!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Dossiês GRANDES REVISTAS - Editora Heroica

A Editora Heroica chegou com o "pé na porta", ou seja, "chegou chegando". E por que? O primeiro lançamento da editora em 2020 foi o livro O Império dos Gibis - A Incrível História dos Quadrinhos da Editora Abril. Além da óbvia importância desta obra para estudiosos e interessados, O Império dos Gibis lança luz sobre a Editora Abril, uma editora que, embora não tenha sido a única a abrigar o licenciamento editorial de diversos personagens dos quadrinhos no Brasil, foi a que talvez melhor apresentou tais personagens aos fãs, permitindo ao público uma experiência mais coesa e cronológica da vida destes grande ícones. Editoras como Bloch, Ebal, RGE e Globo também tiveram grande importância, porém a Abril elevou a experiência de leitura de uma legião fãs à outro nível. A qualidade e periodicidade de 5 grandes revistas da editora publicadas a partir dos anos 80 foram os responsáveis por essa marca indelével em nossas mentes hoje adultas. Fui testemunha ocular de um rito mensal que ocorria nas bancas todos os meses, mesmo em rincões distante de nosso país, já que na primeira metade dos anos 80 eu morava em uma pequena cidadezinha do Mato Grosso do Sul.















Descrevi esta experiência quase espiritual (rs rs) com os quadrinhos em uma outra matéria aqui no Blog chamada a Loja Mágica. A experiência tinha início do dia 1º ao dia 7 de cada mês, quando eu esperava o título Heróis da TV. Do dia 7 ao dia 14 se dava a angustiante espera por Super Aventuras Marvel. No meio do mês (de 14 a 21) era a vez de esperar pelo Almanaque do Capitão América. Por fim, entre os dias 21 e 30 chegava O Incrível Hulk. Depois veio a fazer parte do elenco a revista Homem-Aranha. O resgate que a Editora Heroica faz destas 5 revistas por meio da coleção Dossiês GRANDES REVISTAS vai, para mim, muito além da ideia de mais um lançamento didático dentro do Universo Editorial Brasileiro. É na verdade o resgate de um quinteto de revistas que se mantém vivo no coração de vários fãs. É uma coleção que foi projetada, acredito eu, por alguém que viveu, provavelmente, a mesma epifânica experiência que eu nos idos dos anos 80, pois trouxe exatamente estas 5 revistas para representar o início desta coleção.













O leitor perceberá que os dossiês não se restringem a fazer uma mapeamento editorial apenas, mas buscam resgatar as experiências que tais revistas proporcionaram. E é nesse sentido que tais dossiês crescem como obras necessárias. No mundo atual, em que tantos títulos são apresentados aos leitores, é difícil acreditar que determinadas publicações se tornaram lendas. Debruçar-se sobre esse fenômeno é também fazer o caminho de volta à simplicidade e ao entendimento que não há a necessidade de muita pirotecnia literária para que determinada obra se torne relevante. Precisamos desenvolver a humildade de aprendermos com o passado. Portanto, mesmo que você seja um leitor novo, e não tenha vivido na época destas 5 revistas, estes dossiês lhe ajudarão a descobrir a mágica por detrás de cada uma delas. Um grande abraço à todos!














sábado, 30 de janeiro de 2021

Pílula Fílmica #13: O Planeta dos Vampiros (1965)


O diretor italiano Mario Bava tem uma legião de seguidores que só cresceu ao longo das últimas décadas. Conhecido especialmente dentro do gênero terror, Bava se destacou por fazer da fotografia, ambientação e cenografia elementos tão envolventes que seus filmes se distinguem pela atmosfera hipnótica e onírica. Em O Planeta dos Vampiros de 1965 (Terrore nello Spazio) o diretor avança para além da excelência cenográfica com suas cores, ambientações e atmosferas ao trazer um história seminal que não apenas inspirou diversas outras obras subsequentes, mas também possui um final surpreendente. Filmes como Alien - O Oitavo Passageiro (1979) de Ridley Scott tiveram sua clara e inequívoca inspiração neste filme de Bava. Elementos como solidão e melancolia crescem à medida em que se percebe que o Planeta do título agoniza ao lado de uma raça que busca sobreviver, mas não sem um custo moral. As metáforas do filme são várias e espelham o subconsciente humano. Destaque para a atriz Brasileira Norma Bengell (no cartaz acima e à época com 30 anos no auge de sua beleza) que possui papel de destaque ao interpretar a oficial Sanya. O Planeta dos Vampiros, além de um clássico Sci-fi, mostra a versatilidade de Mario Bava e o potencial narrativo da ficção enquanto metáfora para nossas contradições.










sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Pílula Fílmica #12: Tepepa (1969)


Como um cineasta poderia refletir a desilusão e ao mesmo tempo paixão de se lutar por um  ideal revolucionário? Talvez mostrando de forma clara as inconsistências de ambos os lados de uma revolução. O diretor Giulio Petroni conseguiu construir em Tepepa (1969) uma pérola que transcende o gênero Western tradicional e o Western Spaguetti. Ao escalar o ator cubano Thomas Milian para interpretar o revolucionário mexicano Tepepa, Petroni ofertou um papel à um ator que, no auge de sua carreira, entendeu como ninguém a complexa personalidade de um revolucionário típico. Inteligente, porém simplório e violento, Tepepa se levanta contra a dura mão dos latifundiários e luta uma revolução que é vencida pelo povo, porém esse mesmo povo vê tudo voltar rapidamente ao que era, ou seja, mudou-se muito para que tudo continuasse a mesma coisa. Um filme com um ritmo próprio e que mantém o espectador preso justamente em função do que não é dito, mas sentido e transferido pelos olhares dos personagens. Ninguém menos que Orson Welles aparece como o vilão Coronel Cascorro, um oficial que vem reestabelecer o domínio dos latifúndios. Mas é um erro tratarmos aqui, de forma maniqueísta, a respeito de quem é vilão e quem é herói. Petroni faz questão de desmistificar o mito do revolucionário bondoso que nunca faz escolhas erradas. Pelo contrário, por vezes ficamos a favor e até contra Tepepa. Um filme incrível em seu universo contido, com uma fotografia que destaca e abraça a poeira e aridez dos cenários tornando os ambientes uma complementação poética às importantes questões presentes ao longo de todo filme: Terra, Liberdade, Dignidade Humana, Hipocrisia, Violência... Não consigo deixar de lembrar as palavras de Martin Luther King que temia que, no processo de luta contra seus algozes, ele se transformasse em alguém igual àqueles contra os quais lutava. Tepepa precisa ser redescoberto e assistido na perspectiva de nosso tempo, que não entende bem o significado do que é uma luta armada e o quanto ela pode destroçar o ser humano.







domingo, 3 de janeiro de 2021

Guia de Leitura: Quarteto Fantástico


Com o recente lançamento do Omnibus - Quarteto Fantástico por Jonh Byrne no Brasil, a família mais importante da Marvel voltou merecidamente aos holofotes. Lançamentos como esse resgatam a importância da Família Fantástica. Mas como dimensionar este Omnibus e revelar sua importância?? Bem... Uma forma é contextualiza-lo dentro da mitologia do grupo, o que nos auxiliará a entender o quão rica esta mitologia é. Nesse sentido, o Guia abaixo tem como objetivo apresentar ao leitor boa parte do que saiu do Quarteto Fantástico no Brasil. Claro que não tenho a pretensão de apresentar absolutamente tudo que saiu em nosso país, ate porque fiz este Guia baseando-me na minha própria coleção. Mas acredito que nos ajudará e entender de forma cronológica o desenvolvimento da equipe nas últimas seis décadas. Espero que a linha cronológica abaixo ajude a todos a entender melhor a fantástica história de Reed, Sue, Johnny e Ben. Um grande abraço à todos!

Edições brasileiras apresentadas acima:

Coleção Salvat - Os Heróis Mais Poderosos da Marvel #57 - Senhor Fantástico.

Coleção Salvat - Os Vilões Mais Poderosos da Marvel #2 - Dr. Destino.

Coleção Histórica Marvel - Quarteto Fantástico #1.

Biblioteca Histórica Marvel - Quarteto Fantástico - Volume 1.

Vingadores vs X-Men vs Quarteto Fantástico.



Edições brasileiras apresentadas acima:







Edições brasileiras apresentadas acima:





Edições brasileiras apresentadas acima:





Edições brasileiras apresentadas acima:


Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.



Edições brasileiras apresentadas acima:


Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:



Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:

Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico - John Byrne #1.

Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:

Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico - John  Byrne #2.

Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:

Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico - John Byrne #3.

Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:

Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico - John Byrne #4.

Omnibus - Quarteto Fantástico por John Byrne.


Edições brasileiras apresentadas acima:




Edição brasileira apresentada acima:



Edições brasileiras apresentadas acima:


Quarteto Fantástico - Imaginautas.


Edições brasileiras apresentadas acima:




Edições brasileiras apresentadas acima:

Marvel Knights - 4 - Jogados aos Lobos.

Marvel Knights - 4 - A Matéria-Prima dos Pesadelos.


Edições brasileiras apresentadas acima:


Mitos Marvel.

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