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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os Livros Mágicos

No fim dos anos 70 eu estava entrando para a escola. Aos 6 anos entrei no pré e aos 7 estava ingressando com muito orgulho na 1a série.

Minha mãe e professora, tal qual milhares de educadoras no Brasil, adotava a querida, ensolarada, simples e limpa cartilha "Caminho Suave", concebida pela educadora brasileira Branca Alves de Lima.

Essa cartilha era para mim como uma tarde ensolarada. À começar pela capa que evocava em mim uniformes limpos, engomados, cheirosos, nuvens brancas e algodonosas no céu azul de início da tarde.











Cada lição era dedicada à uma letra do alfabeto e era relacionada à um substantivo.

O aprender vinha através de saberes e sabores na Escola Rural Mista Municipal Oswaldo Cruz.

A "Caminho Suave" teve uma linda trajetória de sucesso ao longo do século 20 até ser retirada do Catálogo de Alfabetização do Ministério da Educação em 1995 em favor de um outro método de alfabetização: o Construtivismo.

Mas existia também uma outra história acontecendo em minha vida de pequeno alfabetizante naquele ano de 1978... Havia uma outra cartilha na escola. Uma cartilha que não era adotada pela minha mãe e que, por isso mesmo aguçava minha curiosidade: A Cartilha "Brinquedos da Noite" de Iêda Dias.


Em minha micro-mente em formação havia um grande mistério ao redor dela. Enquanto "Caminho Suave" era o dia ensolarado, "Brinquedos da Noite" era uma noite cheia de mistérios na qual três crianças saiam a conhecer o universo alfabético.

Isso bastava para eu entender essa outra cartilha como uma linda noite de lua cheia na qual as pequenas crianças é que eram os brinquedos da noite.

A vaidosa noite tinha seus caprichos, e eram três crianças, e uma delas bem que poderia ser "eu".

Cheguei a pensar naquela época que essa cartilha talvez fosse adotada para garotos de sete anos mais adultos...

"Brinquedos da Noite" simplesmente desapareceu. Nunca consegui re-encontrá-la ou folhea-la novamente depois de adulto.


Não brinquei nesta Cartilha como brinquei na Caminho Suave. Por isso ela ainda é para mim uma brincadeira que eu gostaria de um dia brincar... Uma brincadeira numa linda noite cheia de estrelas...


sábado, 6 de novembro de 2010

Cantigas

Escola Rural Mista Municipal Osvaldo Cruz
Minha infância foi feita de jograis, poesia, comemorações e cantigas. A responsável por isso foi minha querida mãe e professora que me alfabetizou e me deu aulas da 1a a 4a série do primário. Na isolada, antiga, mágica e cheia de histórias escola rural.

Dificil dizer se alguém ainda lembra das cantigas que cantávamos. Várias ainda estão comigo. Duas delas por vezes me vem ao coração, vindas do fundo de minhas memórias. Sempre tento cantá-las inteiras, mas não consigo, pois algumas partes se perderam em minha mente. De todas as pessoas, a única que talvez se lembre delas seja minha mãe!

O MAR

 
"Eu gosto do mar e das praias tranquilas... 
Eu gosto dos barcos que saem à pescar...
Na praia levanto uma tenda e o mar feito renda me vem abraçar... 
É lindo sentar para ver e correr para ver cada onda quebrar..."


AS FLORES


"Era uma vez um vento suave e constante, trazendo lembranças distantes de lindas manhãs...
Passou pelas flores em mil carícias dizendo, que vinha cantigas trazendo das flores irmãs...

As flores se uniram então, e todas se deram as mãos, e o vento suave passando viu todas as flores se amando, num leve sussuro falou: 
´As flores são como as crinaças guardando esperanças no seu coração... As flores são como as crianças guardando esperanças no seu coração....`

Todos os dias quando era bem de tardinha, e as flores estavam sozinhas, à espera do vento voltar.
E com saudades daquele vento calmo e constante que trazia lembranças distantes das flores irmãs...

As flores se uniram então, e todas se deram as mãos, e o vento suave passando viu todas as flores se amando, num leve sussuro falou:
´As flores são como as crinaças guardando esperanças no seu coração... As flores são como as crianças guardando esperanças no seu coração....`"

sábado, 21 de agosto de 2010

A Loja Mágica...

Quando se é garoto, dos 8 aos 12 anos, vivemos a melhor fase. Nessa época não precisamos nos preocupar com coisas muito difíceis e complexas como por exemplo... garotas. Na verdade nossa mente se ocupa com coisas diferentes, mas não menos importantes. Embora fosse difícil de acreditar eu era um garoto absolutamente normal nessa fase. Um pouco mais tímido e um tanto complexado em relação aos demais. Mas posso garantir... totalmente normal! Meu mundo era preenchido basicamente por três assuntos que necessitavam da minha diligente coordenação. Eram eles: TV, livros e .... histórias em quadrinhos. No primeiro tópico (TV) eu tinha uma agenda que necessitava, mensalmente, ser cumprida. Faziam parte desse universo determinados desenhos, os filmes de sábado à noite da "Primeira Exibição" (que posteriormente foi substituido por "Super-Cine") e o  Sìtio do Pica-pau Amarelo. No tópico dois (livros) eu começava a ler (por prazer) meus primeiros livros (não entram nesssa lista os da Série Vaga-Lume, tipo "O Caso da Borboleta Atíria" e "O Mistério do Cinco Estrelas", pois esses eu era obrigado  a ler pela escola). Dentre aqueles que eu comecei a ler por prazer encontram-se  os do Sidney Sheldon ("O Reverso da Medalha" por exemplo). No terceiro tópico enfim estavam os... GIBIS de Super-Heróis!!

Esses Sim!!
Há 30 anos atrás, na pequena cidade em que morava havia apenas uma loja que vendia gibis. A Loja do Herculano (A Loja Mágica) ao lado do Super Brasil (um supermercado da avenida principal). Nessa loja o Herculano vendia discos, fitas cassetes e meus queridos GIBIS de Super-Heróis!! Mensalmente eu recebia histórias mágicas contadas nas páginas de 4 títtulos. Eu ficava imaginando de onde vinham. Pensava em países ou cidades distantes, onde tais GIBIS eram produzidos. Dessa forma então o Herculano era para mim como um Embaixador (um representante) desses lugares. Era ele quem me proporcionava acesso àquela riqueza. Do dia 1º ao dia 7 eu esperava o título "Heróis da TV". Do dia 7 ao dia 14 se dava a angustiante espera pela "Super Aventuras Marvel". No meio do mês (de 14 a 21) era a vez de esperar pelo "Almanaque do Capitão América". Por fim, entre os dias 21 e 30 chegava "O Incrível Hulk".

Meus dois grande objetivos nessa época eram: 1º - Ser um Super-Herói também; o 2º - Construir minha enciclopédia de Super-Heróis. O 1º objetivo eu ainda não consegui concretizar, o 2º eu quase consegui quando garoto. Meu Tio Miguel havia me dado um pantógrafo (instrumento que permite ampliar ou reduzir um desenho pré-existente). Com esse pantógrafo eu pretendia cumprir o 2º objetivo. Ao longo de alguns anos, acho que semanalmente, eu escolhia um desenho de um determinado personagem, cortava uma cartolina em tamanho padrão (determinado por mim) e ampliava esse desenho. Após a ampliação eu coloria  o desenho com tinta para papel e escrevia ao lado, à máquina, a origem, principais poderes e campo de atuação do herói. A última fase do processo era pregar na parede de meu quarto essa cartolina, de maneira que eu tinha meu panteão particular de heróis......

Capitão América. Feito com meu pantógrafo.
O tempo levou para longe de mim minhas queridas cartolinas... Queria muito aquela enciclopédia, mas restou apenas um desenho!! Esse resistiu porque eu usei madeira e não cartolina. Coloquei ele aqui ao lado,  o "Capitão América". Alguns gibis também resistiram! Eu os guardo comigo agora. Mês passado aconteceu algo interessante. Estava visitando meus pais na cidade de minha infância. Eu e meu pai havíamos ido à feira de domingo. Entre batatas e verduras eu reconheci um dos feirantes: era o Herculano!! Por um momento nossos olhos se cruzaram e eu achei ter percebido uma centelha de reconhecimento da parte dele sobre quem eu era. Pareceu-me que, por um breve instante, ele sabia quem estava ali, aquele garoto dos gibis... Pareceu que ele estava enchergando de novo aquele menino de 10 anos... Mas não tive certeza... Foi muito rápido... Logo ele continuou erguendo e empilhando algumas caixas de alface. Meu pai achou estranho eu ter reconhecido e dito: "Olha PAI!! O Herculano!!!"
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