terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Pílulas Fonográficas #1: Trans-Europe Express - Kraftwerk (1977)


Em 1977, enquanto boa parte da juventude Norte e Sul Americana vivia o rescaldo do movimento hippie ou curtia os embalos da DISCO, 4 jovens alemães (da esquerda para direita: Wolfgang Flür; Karl Bartos; Florian Schneider; Ralf Hütter), o Kraftwerk, inventavam uma música à frente do seu e até de nosso tempo. Uma música de uma beleza estranha, surreal e lisérgica. Sua obra máxima (em minha opinião) é Trans-Europe Express (TEE), álbum que se estrutura dentro de linhas melódicas que fazem menção direta a uma Europa sonhada nos anos 30 com seus gigantescos edifícios Art-Deco. Uma Europa utópica, de uma beleza polar e mecânica. Lançado em março de 1977 e gravado em Düsseldorf no Kling Klang Studios, TEE é o amadurecimento sonoro do Kraftwerk ao misturar nostalgia com o distanciamento de uma sociedade tecnológica. A célula sonora que abre o disco na faixa Europe Endless se faz ouvir ao longo dos seus 9min41s, enlevando o espírito humano na direção de uma utopia civilizatória para, logo em seguida, o derrubar na faixa 2 chamada The Hall of Mirrors, um lamento robótico pela perda de personalidade que grandes personagens do mundo pop passaram. Nessa mesma linha, a faixa 3, Showroom Dummies não poderia ser mais atual, ao situar a perda completa da capacidade de pensar de pessoas alienadas em um mundo mecânico e tecnológico. A faixa título TEE é, sem dúvida nenhuma, uma epopeia sonora de 6min37s que emenda com Metal on Metal. O Expresso Trans-Europeu da música nos parece um fantasmagórico trem que trilha, sem cessar, o imaginário de um futuro que nunca chegou. O disco fecha com Franz Shubert e Endless Endless. Duas faixas que, de tão belas, nos parece um convite para continuar acreditando na utopia. Caso queira conhecer Trans-Europe Express prepare-se para mergulhar em um grande e profundo oceano sonoro de grandeza e glória que envelheceu. Maravilhoso.







2 comentários:

  1. Faz tempo que eu acompanho o seu blog. Parabéns pelas postagens, que tratam da cultura pop em geral. Muito bacana a sua matéria sobre o clássico Trans-Europe Express, do Kraftwerk. Você sintetizou bem o espírito desse grandioso álbum, lançado em plena explosão da Disco Music e do Punk, mas que manteve-se bem a frente do seu tempo, a julgar pelos temas tão atuais para nós, como a alienação provocada pelo uso constante da tecnologia. Depois de Man Machine, esse é o meu disco preferido do Kraftwerk, que pra mim são os Beatles da Música Eletrônica.
    Abraço !

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    Respostas
    1. Oi amigo Rodrigo! Muito obrigado pela presença e pelas palavras. Fico muito contente que acompanhe as matérias aqui!

      Fico contente também que tenha gostado da matéria sobre o Kraftwerk. Muito interessante a alcunha que vc deu ao grupo (Beatles da Música Eletrônica). Concordo!

      Infelizmente o ramo da música eletrônica que o Kraftwerk inaugurou (mais gélida, automatizada e reflexiva) não evoluiu muito depois deles, ficando mais em evidência a Música Eletrônica de caráter mais festivo. Eles alcançaram uma sonoridade única, e por vezes me parece que conseguiram traduzir em sons determinadas características inaudíveis de nosso mundo. Como por exemplo o som da eletricidade, do magnetismo, de um cometa, de um transistor, de ondas de rádio... É como se tivessem conseguido decodificar estes sons escondidos.

      Para mim Trans-Europe Express, ao lado de The Man Machine, Radioactivity e Autobhan, é a quintessência do Kraftwerk.

      Valeu amigo Rodrigo!

      Marcelo

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