Em 1977, enquanto boa parte da juventude Norte e Sul Americana vivia o rescaldo do movimento hippie ou curtia os embalos da DISCO, 4 jovens alemães (da esquerda para direita: Wolfgang Flür; Karl Bartos; Florian Schneider; Ralf Hütter), o Kraftwerk, inventavam uma música à frente do seu e até de nosso tempo. Uma música de uma beleza estranha, surreal e lisérgica. Sua obra máxima (em minha opinião) é Trans-Europe Express (TEE), álbum que se estrutura dentro de linhas melódicas que fazem menção direta a uma Europa sonhada nos anos 30 com seus gigantescos edifícios Art-Deco. Uma Europa utópica, de uma beleza polar e mecânica. Lançado em março de 1977 e gravado em Düsseldorf no Kling Klang Studios, TEE é o amadurecimento sonoro do Kraftwerk ao misturar nostalgia com o distanciamento de uma sociedade tecnológica. A célula sonora que abre o disco na faixa Europe Endless se faz ouvir ao longo dos seus 9min41s, enlevando o espírito humano na direção de uma utopia civilizatória para, logo em seguida, o derrubar na faixa 2 chamada The Hall of Mirrors, um lamento robótico pela perda de personalidade que grandes personagens do mundo pop passaram. Nessa mesma linha, a faixa 3, Showroom Dummies não poderia ser mais atual, ao situar a perda completa da capacidade de pensar de pessoas alienadas em um mundo mecânico e tecnológico. A faixa título TEE é, sem dúvida nenhuma, uma epopeia sonora de 6min37s que emenda com Metal on Metal. O Expresso Trans-Europeu da música nos parece um fantasmagórico trem que trilha, sem cessar, o imaginário de um futuro que nunca chegou. O disco fecha com Franz Shubert e Endless Endless. Duas faixas que, de tão belas, nos parece um convite para continuar acreditando na utopia. Caso queira conhecer Trans-Europe Express prepare-se para mergulhar em um grande e profundo oceano sonoro de grandeza e glória que envelheceu. Maravilhoso.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
domingo, 9 de fevereiro de 2020
Pílulas Séricas #1: Messiah (2020)
A 2ª Vinda de Jesus à Terra, também chamada de 2º Advento, vem sendo anunciada pela fé cristã há séculos. Este Advento é na maioria das vezes divulgado, sobretudo pelas Igrejas de origem Pentecostal e Neo-Pentecostal da 1ª metade do Século XX, como algo apoteótico e em escala planetária, baseando-se na interpretação de textos bíblicos que realmente parecem dar esta conotação à 2ª Vinda. Messiah (NetFlix 2020) traz uma releitura extremamente interessante para o 2º Advento, ou seja, apresenta-o de forma intimista, acontecendo em um microcosmo de pessoas e que (tal qual aconteceu na 1ª vinda), lentamente vai ganhando expressão mundial. A figura central, obviamente, suscita descrença e paixão ao mesmo tempo, e a ambiguidade da real origem e natureza de sua pessoa permeia toda a série. A obra traz, em minha opinião, um excelente exercício no sentido de se ver a figura do Messias para além das jurisdições religiosas, ou seja, todos querem capitanear em cima de sua figura, mas Ele parece não vir satisfazer instituições, mas sim pessoas. Esta perspectiva coloca o suposto Messias da série fora da "casinha" religiosa que cada Instituição colocou sobre ele, o que nos leva a uma reflexão extremante interessante. Apesar do que já li acerca da interpretação do ator Franco-Belga Mehdi Dehbi (o Messias do título), para mim ele está extremamente crível em seu papel. Dehbi entendeu, em minha opinião, perfeitamente o caráter divino e ao mesmo tempo humano que permeia uma figura como a que ele interpreta, e esta ambiguidade é traduzida em cada fala sua. Ao longo da série fui ficando com uma vontade cada vez maior de acreditar que ele é quem realmente diz ser. Para um cristão, como eu, a série vem trazer um olhar diferente, porém crível e ao mesmo tempo canônico para o 2º Advento, principalmente se pensarmos no objetivo do Messias da série, o estabelecimento do "Milênio", a Era de Paz que a escatologia bíblica moderna interpreta como o período sucessor da Grande Tribulação e que antecederá o Grande Julgamento Final do Trono Branco.
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Guia de Leitura: Encadernados Capitão América
Uma das coisas mais interessantes de um colecionador fazer é catalogar sua coleção. O processo proporciona além do óbvio senso de organização, uma incrível oportunidade de se transportar à outras épocas de nossas vidas, já que cada obra foi comprada ou lida em uma fase específica na qual sentíamos e vivíamos determinadas coisas. Mas outro desafio, igualmente prazeroso para o colecionador, seria organizar a coleção dentro de uma perspectiva histórica e cronológica de determinado personagem ou equipe. Apenas fazendo isso é que temos a real perspectiva do que temos em mãos em se tratando da linha cronológica das fases de cada personagem. Ao fazer isso, conseguimos situar, por exemplo, o que realmente temos em nossas coleções dentro da mitologia ficcional do personagem. A elaboração das Guias que tenho trazido aqui tem servido a este princípio para mim, ou seja, situar minha coleção dentro da perspectiva mitológica de cada personagem. Isto tem me dado a ideia do que realmente tenho em minha estante. Compartilho, portanto mais uma Guia Cronológica dos encadernados que saíram aqui no Brasil de um herói que particularmente gosto muito: o Capitão América.
Caso você se interesse por alguns destes encadernados e os quiser adquirir, peço a gentileza que o faça por meio dos links da Amazon que disponibilizei abaixo de cada Guia. Assim você estará ajudando muito o Blog. Ok?
1 - Coleção Graphic Novel Salvat Nº XXX - Capitão América e Falcão - O Império Secreto.
2 - Coleção de Graphic Novel Salvat Nº XXXVI - Capitão América - A Bomba Enlouquecedora.
3 - Coleção Graphic Novel Salvat - Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Nº 7 - Capitão América (Semelhante ao encadernado "Os Maiores Clássicos do Capitão América" (Panini)).
Coleção Marvel Edição Especial Limitada Salvat - Capitão América:
4 - Vol. 01 (o vol. contém o conteúdo de Capitão América - Operação Renascimento (Panini)).
5 - Vol. 02.
6 - Vol. 03.
07 - Coleção de Graphic Novel Salvat Nº 37 - Capitão América - O Novo Pacto.
08 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - O Soldado Invernal (contém o material de dois números da Coleção de Graphic Novel Salvat - Nº 06 e Nº 11).
09 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - A Ameaça Vermelha.
10 - Coleção Marcel DeLuxe Panini - Capitão América - A Morte do Sonho.
11 - Coleção de Graphic Novel Salvat Nº 32 - Capitão América - Morre Uma Lenda.
12 - Capitão América - A Escolha = Coleção de Graphic Novel Salvat Nº 15.
13 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - O Homem que Comprou a América.
14 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - A Flecha do Tempo.
15 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - Renascimento.
16 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - O Julgamento do Capitão América.
17 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - Sonhos Americanos.
18 - Coleção Marvel DeLuxe Panini - Capitão América - Novas Ordens Mundiais.
19 - Coleção de Graphic Novel Salvat Nº 94 - Capitão América - Náufrago na Dimensão Z.
Bem amigos! Espero que tenham gostado desta linha do tempo! Fiquem ligados aqui no Blog... Este ano comemoramos 10 anos de existência! Forte abraço! !
domingo, 12 de janeiro de 2020
Guia de Leitura: Lanterna Verde - Encadernados Pré-Novos 52 - Atualizado - Agosto/2020
Olá amigos... Há pouco tempo a editora Panini Comics finalizou aqui no Brasil uma grande fase de histórias envolvendo o Lanterna Verde Hall Jordan e toda mitologia que o segue. São histórias que precederam o Reboot da DC de 2012 Os Novos 52. Esta longa narrativa teve lugar sobretudo após os anos 2000, e teve como grande orquestrador o conhecido Geoff Johns. Roteirista que expandiu a mitologia do herói ao descortinar toda uma gama de outras tropas que não apenas a Tropa dos Lanternas Verdes. Este post visa fornecer a você um guia de leitura para se situar dentro dos inúmeros encadernados que saíram não apenas pela editora Panini, mas que também estiveram presentes em outra coleção muito popular no Brasil, A Coleção de Graphic Novels da DC Comics da Editora Eaglemoss. Abaixo você encontrará uma linha do tempo dentro da qual poderá identificar cada encadernado e assim determinar a ordem de leitura conforme as histórias foram originalmente concebidas.
ORDEM DE LEITURA
Nº 0 - Lanterna Verde - Origem Secreta.
Nº 1 - Coleção de Graphic Novel DC Eaglemoss #59 - Lanterna Verde e Arqueiro Verde - Na Estrada.
Nº 2 - Coleção de Graphic Novel DC Eaglemoss #30 - Lanterna Verde - Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer.
Nº 3 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - Renascimento.
Nº 4 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - Sem Medo.
Nº 5 - DC DeLuxe (Panini) Lanterna Verde - A Vingança dos Lanternas Verdes - contém as edições da Coleção de Graphic Novel DC Eaglemoss #69 e #103.
Nº 6 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - Procurado - contém a edição da Coleção de Graphic Novel DC Eaglemoss #74.
Nº 7 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - Tropa dos Lanternas Verdes - O Lado Negro do Verde.
Nº 8 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - A Guerra dos Anéis - Parte 1 de 2.
Nº 9 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - A Guerra dos Anéis - Parte 2 de 2.
Nº 10 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - A Ira dos Lanternas Vermelhos.
Nº 11 - DC DeLuxe (Panini) - Lanterna Verde - Agente Laranja.
Nº 12 - DC Deuxe (Panini) - Lanterna Verde - A Noite Mais Densa.
Nº 13 - DC DeLuxe (Panini) - O Dia Mais Claro.
Bem amigos... É isso aí! Um grande abraço à todos!
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
O 100º Aniversário de Isaac Asimov. O que temos no Brasil hoje?
No dia 02 de Janeiro de 1920 nacia em Petrovichi, Rússia, Isaak Yudavich Azimov, o nosso Isaac Asimov. Escritor prolífico, Asimov ajudou a moldar a face da Ficção Científica no século XX escrevendo livros que viriam a figurar entre as maiores obras de ficção e fantasia de todos os tempos. O autor escreveu ou editou aproximadamente 500 livros durante sua vida e, embora eu não conheça todos (obviamente), posso dizer que sou seu fã. No Brasil, atualmente, Asimov está nas competentes mãos da Editora Aleph, que vem lançando obras importantes (em uma velocidade que poderia ser maior pensando como fã). Em comemoração ao seu 100º aniversário de nascimento, este post visa trazer o que temos hoje do autor no Brasil em se tratando de livros impressos em circulação em português, excluindo e-books ou livros já publicados há muito tempo e que estão hoje fora de catálogo.
Deixarei links para compra na Amazon (caso você tenha interesse). Comprando pelo link você ajudará o Blog a manter sua periodicidade e qualidade.
Começarei pela obra mais importante de Asimov (em minha opinião) atualmente em circulação no Brasil: A Saga Fundação. Nas imagens abaixo você verá os livros e a sequência de leitura que recomendo para a obra.
Links para Compra:
Livro 1 - Fundação: https://amzn.to/2FlnhaV
Livro 2 - Fundação e Império: https://amzn.to/35oTZCF
Livro 3 - Segunda Fundação: https://amzn.to/2ZTi9nC
Box Trilogia Fundação: https://amzn.to/37Ci4HN
Trilogia Fundação Volume Único: https://amzn.to/2QOJIKS
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Links para Compra:
Livro 4 - Limites da Fundação: https://amzn.to/2ZSz6Ph
Livro 5 - Fundação e Terra: https://amzn.to/2tCJOwZ
Livro 6 - Prelúdio à Fundação: https://amzn.to/2QtS7UV
Livro 7 - Origens da Fundação: https://amzn.to/2sFDGnT
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Box Fundação - Declínio e Ascenção: https://amzn.to/39KxawP
Além da Saga da Fundação, outra importante série do autor trata de um de seus temas mais frequentes, Robôs. A Série dos Robôs é constituída de 04 livros, As Cavernas de Aço, O Sol Desvelado, Os Robôs da Alvorada e Robôs e Império, dos quais apenas os 3 primeiros possuem edição atual no Brasil pela Aleph. Porém, acredito que o 4º livro (Robôs e Império) deva estar nos planos da editora.
Links para Compra:
Livro 1 - As Cavernas de Aço: https://amzn.to/2ujSKrv
Livro 2 - O Sol Desvelado: https://amzn.to/37BVTBi
Livro 3 - Os Robôs da Alvorada: https://amzn.to/2ZT1ZLa
Os livros abaixo são independentes e, embora Asimov tenha, mais para o fim de sua vida, vinculado todas as tramas que escreveu à um mesmo Universo coeso, ou seja, todas suas histórias se passariam no mesmo universo ficcional em momentos distintos, os livros abaixo podem ser lidos sem qualquer preocupação cronológica. É muito interessante, no entanto, o leitor tentar descobrir em que momento determinada história do autor se passa no vasto período de tempo do Universo Asimoviano.
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Pedra no Céu: https://amzn.to/2tvPtoT
Eu, Robô: https://amzn.to/2uoEUEt
O Fim da Eternidade: https://amzn.to/2uoF8LP
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Bem amigos, isto é o que temos de Asimov atualmente no Brasil pela Editora Aleph. Existem outras edições do autor (disponíveis em sebos) lançadas no passado por outras editoras circulando em nosso país. No entanto, no que se refere à edições recentes e modernas, é isso. Que a Editora Aleph tenha vida longa e traga muito mais do autor. Este é meu desejo para a editora em tempos de reinvenção do mercado editorial brasileiro.
Gde. Abc.
sábado, 4 de janeiro de 2020
Pílulas Fílmicas #4: O Homem do Oste (1958)
O que parecia ser apenas um Western tradicional no que se refere à sua narrativa, revelou-se um filme totalmente diferente. Denso, violento e restrito à um microcosmo de angústia e lembranças. O Homem do Oeste (Man of the West) de Anthony Mann traz os elementos que foram característicos ao diretor em sua fase Noir: paranoia, violência, ameaça, coação, resistência física e um mundo onde ninguém é digno de confiança, e um é prejudicial ao outro. Apesar de tudo isso, Mann consegue idealizar neste caos a harmonização de pessoas. Gary Cooper interpreta Link Jones, homem que fugiu de seu passado de crime e violência, mas que se vê novamente envolvido em uma situação que o força a retornar àquilo que ele mais teme, a saber, ser novamente criminoso. Gary Cooper, ao lado de James Stewart (outro ator conhecido dos Westerns de Mann) evoca o herói clássico do diretor, um herói com rosto atormentado, mergulhado em odisseias movidas por vingança, determinado, resistente, instintivo, conquistador, digno e que consegue transferir e compartilhar seu sofrimento com o expectador. Um homem que aspira uma vida normal e percebe que a liberdade só pode ser ganha a forte preço emocional. Destaque também às paisagens no filme, que se comportam como personagens mudos, contrapondo sua serenidade à violência. Não conhecia a atriz Julie London (Billie Ellis no filme), que aqui faz uma personagem doce mas desiludida, há uma excelente cena de "quase" nudez não-consentida que angustia o expectador. Uma linda atriz já em sua maturidade de beleza.
Recomendo muito o filme e deixo abaixo o link do box Cinema Faroeste 4 da Versátil Homem Vídeo. Um excelente box dentro do qual esta impressionante obra está, ao lado de outros 5 outros grandes filmes. Caso tenha interesse compre pelo link do blog que me ajudará muito.
Forte abraço!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Viagem Literária - 2019
Olá amigos, este ano iniciei minha viajem literária me aprofundando no interior da rede mundial de raízes. Isso mesmo, em A Vida Secreta das Árvores pude me aprofundar em uma consciência abrangente, viva, verde e pulsante! Continuei minha viagem ao lado do personagem Ragle Gumm no livro O Tempo Desconjuntado de Philip K. Dick, investigando a possibilidade da realidade em que vivemos ser apenas um simulacro. Depois, mergulhei em uma jornada lisérgica ao ler As Portas da Percepção de Aldous Huxley, livro que instigou uma geração inteira a expandir sua consciência por meio de experiências com alucinógenos. Com a aproximação do lançamento da continuação cinematográfica de O Iluminado, li Doutor Sono do Mestre Stephen King. Logo depois, acompanhei um experimento para expandir a inteligência de alguém com um QI muito baixo no livro Flores para Algernon. O filme Interestelar me tocou profundamente quando foi lançado por enxergar o tempo de uma forma que eu sempre achei possível, por isso quando a adaptação literária do roteiro saiu no Brasil não pude deixar de ler Interestelar - O Livro. Por fim, mergulhei fundo em uma aterradora casa mal assombrada em A Maldição da Casa da Colina, viajei para fora da Terra em uma estranha experiência cósmica em Além do Planeta Silencioso e terminei o ano ao lado dos delírios da brilhante mente de Philip K. Dick na biografia Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos. Refaçam comigo agora esta viagem! Caso se interessem por alguma destas obras deixarei o link para compra na Amazon. Se comprarem pelo link estarão ajudando o Blog em sua jornada!
Instigado pela estranha visão do escritor Alan Moore em sua passagem pelas histórias em quadrinhos do Monstro do Pântano, sempre tive vontade de investigar mais a fundo o que a ciência diz a respeito das árvores como seres vivos. Teriam elas uma consciência coletiva? Viveriam sob uma outra perspectiva do tempo-espaço e por isso mesmo inacessíveis à nós? Se comunicariam? O livro A Vida Secreta das Árvores do Engenheiro Florestal Peter Wohlleben responde praticamente a todas essas perguntas e para nosso espanto a resposta é "SIM" para todas elas. O livro nos dá uma perspectiva totalmente diferente da botânica e nos envergonha pelo fato de tratarmos de forma tão displicente estes seres que dividem conosco esta grande nave espacial que é nosso planeta.
Um dos temas mais recorrentes na obra de Philip K. Dick é a natureza da realidade. Viveríamos em uma Matrix? Estaríamos apenas sonhando uma realidade? O Tempo Desconjuntado é uma obra ainda do início da carreira de Dick que traz a experiência de um homem (Ragle Gumm) que vive em uma pequena e pacata cidade norte-americana nos anos 50. No entanto, detalhes muito sutis vão preenchendo a mente de Gumm com a ideia cada vez mais clara de que tudo não passa de um simulacro, ou seja, tudo é "fake". O próprio autor, Philip K. Dick, vivia sob esta ideia e, neste livro, acompanhamos seu personagem (que poderia muito bem ser apenas um alter ego do autor) em um grande esforço para descobrir o que há por trás da cortina.
Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo escreveu As Portas de Percepção para contar suas experiências com drogas alucinógenas. O livro influenciou uma legião de pessoas nos anos 60 ao validar o uso controlado de substâncias como indutoras de uma percepção maior e melhor da realidade à nossa volta. Bandas como The Doors, por exemplo, tinham esse livro como grande obra de inspiração. Huxley parte do princípio que nosso cérebro evoluiu de maneira a funcionar como um filtro para nos proteger de uma maior percepção da realidade, algo que poderia até nos esmagar tendo em vista tudo que nos cerca. Determinadas substâncias (usadas inclusive em rituais místicos) seriam uma forma (mas não a única) de minimizar o efeito limitador de nosso cérebro, nos libertando para uma maior percepção. Gostei muito do livro que traz um 2º ensaio complementar do autor acerca deste tema chamado Céu e Inferno. Uma obra para ser lida e contextualizada.
Stephen King revela no prefácio de Doutor Sono que sempre quis saber o que teria acontecido com o pequeno Danny Torrance, o iluminado de seu livro de 1976. Em Doutor Sono o autor finalmente resolve dar vazão à sua criatividade e encontra o destino de Danny. Gostei do livro e consegui enxergar o bom e velho King nesta continuação. As primeiras páginas conseguem dar uma ideia do que aconteceu com Danny logo após os eventos no Overlook Hotel para logo nos apresentar um Danny já crescido, por volta de seus 40 anos. Alguém sofrido e sem destino por não conseguir lidar com seu dom e com fantasmas que o acediam. King se aprimorou no uso de metáforas para descrever sentimentos e emoções, e como saldo final Doutor Sono é uma continuação à altura do original, embora, obviamente não o suplante. Mas isso é natural em sequências de grandes obras como foi O Iluminado.
Flores para Algernon é um delicado e pungente relato da vida de Charlie, um homem com um intelecto muito abaixo da média e que viveu sua vida servindo de chacota para os outros. Alguém que, em sua ignorância infantil, nunca percebeu isso. O sonho de Charlie é se tornar inteligente e para isso acaba servindo de voluntário para uma experiência que conjuga uma avançada técnica cirúrgica e psicoterapia. O resultado é um incremento absurdo em seus níveis de inteligência. Um aumento tão gigantesco que até mesmo os cientistas que o trataram passam a ser limitados diante de Charlie. O autor do livro, Daniel Keyes, adota a estratégia de narrar a história pela perspectiva de Charlie, revelando a montanha russa de emoções a que o personagem é submetido ao reinterpretar tudo o que fizeram com ele desde que era criança. É um livro muito bom e que foi adaptado para o cinema em 1969 com o título de CHARLIE, rendendo Oscar de melhor ator para Cliff Robertson (sim ele mesmo, o Tio Ben do 1º filme do Homem-Aranha do Diretor Sam Raimi). Flores para Algernon também ganhou o aclamado prêmio Nebula Awards em 1967, ou seja, uma obra realmente singular.
Sei que não foi para todos que o filme Interestelar foi bom, mas no meu caso houve uma conexão muito profunda com a obra, sobretudo em função da forma com que pude ver, pela primeira vez, algumas ideias que eu tinha acerca das dimensões do universo e sua relação com o tempo serem narradas. A história mostra que há coisas que transcendem o tempo, e mais, apresentam a deformidade do tempo, espaço e seus efeitos na frágil espécie humana. Talvez o ponto mais importante para mim foi a experiência do astronauta Cooper dentro do Buraco Negro Gargântua, de onde pôde observa seu próprio passado. A trilha sonora de Hans Zimmer emoldurou e potencializou perfeitamente a experiência que tive no cinema. Por isso foi natural que quando a adaptação do roteiro saiu em livro (Interestelar - Editora Gryphus) eu me interessasse. Se você foi tocado pelo filme como eu, sugiro fortemente a leitura do livro, pois por meio dele pude me aprofundar em cada nuance da história.
Quando vi que o livro A Assombração da Casa da Colina de Shirley Jackson seria adaptado para a TV em formato de série pela NetFlix, decidi que era hora de ler o livro antes de ver a série. Prática esta que acho sempre conveniente, já que gosto de ter a minha opinião acerca de uma obra, e não ser influenciado pela visão do diretor. O livro conta a história de um experimento psicológico conduzido por um cientista no qual algumas pessoas são convidadas a passarem um tempo em uma casa sabidamente assombrada. A obra foi adaptada outras duas vezes para o cinema, uma em 1963 no filme Desafio do Além e outra em 1999 com o nome A Casa Amaldiçoada. O livro termina de uma forma estranha e confesso que fiquei com certa dúvidas acerca de algumas coisas. Mas talvez seja esta a intenção da autora, ou seja, deixar o leitor com dúvidas acerca da natureza da casa. De qualquer é um livro celebrado por grandes mestres do gênero, inclusive Stephen King, que classifica o livro como a melhor obra de casa mal assobrada que ele já leu. Vale a pena conferir.
Desde muito jovem eu ouvira falar de uma certa obra de C.S. Lewis envolvendo ficção científica. Assim, sempre tive o desejo de um dia ver esta obra ser lançada no Brasil. Há algum tempo fiquei sabendo que a Trilogia Cósmica, da qual Além do Planeta Silencioso é o primeiro livro, foi uma obra fruto de uma aposta entre C.S. Lewis e seu amigo J.R.R. Tolkien (sim, ele mesmo, o autor de O Senhor dos Anéis). Na aposta um escreveria sobre viagem no tempo e o outro sobre ficção científica. Para Lewis caiu este último tema. Além do Planeta Silencioso consegue associar temas espirituais de forma muito sutil à uma trama envolvente acerca de uma viagem à um Planeta que depois ficamos sabendo se tratar de Marte, ou Malacandra, na língua local. Mas o Planeta Silencioso do título não é Malacandra, mas sim o Planeta Terra, que o leitor será levado a entender porque. Para quem tem o mínimo de experiência espiritual ou alguma referência cristã, a obra é simplesmente excelente. Caso esse não seja seu caso, ela funciona tão bem quanto obras como a de Edgar Rice Burroughs, Uma Princesa de Marte, em que são narradas as aventuras de John Carter. Recomendo muito Além do Planeta Silencioso para entendermos qual era a visão de Lewis (da qual eu partilho) acerca do plano cósmico.
O que filmes emblemáticos como Blade Runner - O Caçador de Androides, O Vingador do Futuro, Minority Report e séries como O Homem do Castelo Alto e Sonhos Elétricos teriam em comum? Na verdade todas estas histórias saíram da mente inquieta, delirante, brilhante e paranoica de Philip K. Dick. Escritor prolífico de ficção científica que passou a vida em busca do significado da realidade e do papel do ser humano em meio à tudo. Philip, morto em 1982, passou por uma experiência mística em 1974 a partir da qual formulou uma grande teoria apresentada na França em 1976 em um congresso de escritores de ficção científica. Em seu discurso, para uma plateia boquiaberta, o autor dava como certo a ideia que vivemos em uma Matrix, em um simulacro da realidade. Em Eu Estou Vivo Você Estão Mortos, o francês Emmanuel Carrè nos traz uma biografia excelente, uma tentativa de esquadrinhar a mente ao mesmo tempo paranoica, atormentada e brilhante de Dick. Um livro imprescindível para todo fã do autor ou de sua obra!
Bem amigos, caso desejem informações mais específicas (mas sem spoilers) acerca de cada livro acima, fiz posts específicos de quase todos. Para acessa-los basta clicar sobre o nome dos livros (em vermelho). E você? Qual foi a sua viagem literária em 2019? Deixe aqui nos comentários! Desejo à todos um feliz ano novo e um excelente 2020, ano em que o Blog Marcelo - Antologias fará 10 anos de existência.
Abraços à todos!!
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