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| John Carter de Edgar Rice Burroughs - Criação 1911 (estimado) |
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| Tarzan de Edgar Rice Burroughs - Criação 1912 |
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| Zorro de John McCulley - Criação 1919 |
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| Buck Rogers de Philip Francis Nowlan - Criação 1928 |
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| Hugo Danner de Philip Wylie - Criação 1930 |
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| O Sombra de Walter B. Gibson - Criação 1930 |
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| Doc Savage de John Nanovic, H.W. Ralston e Lester Dent - Criação 1933 |
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| O Aranha de Herry Steeger - Criação 1933 |
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| O Besouro Verde de George W. Trendle e Fran Striker - Criação 1936 |
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| Olga Mesmer de Watt Dell (pseudônimo?) - Criação 1937 |
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| Morcego Negro 1ª versão W.F. Jenkins (1933) / 2ª versão N.A. Daniels (1939) |


Adaptação do livro de 1922 não acabado de Franz Kafka, O Castelo é uma obra densa, labiríntica, claustrofóbica e onírica. Você já teve um sonho do qual gostaria de escapar mas quanto mais você tenta fazê-lo mais você se aprofunda nele? O Castelo seria algo assim. A história narra a chegada do Agrimensor K. à uma distante aldeia que rodeia o castelo do título. K. se vê aos poucos esmagado pela burocracia que pouco a pouco desnuda a inutilidade de sua presença no local. E quanto mais sua relevância é questionada, mais ele se vê desafiado e ir à fundo na solidão, miséria e surrealismo que impera na aldeia, sobretudo porque K. se vê desejado por mulheres que parecem querer satisfazer seus desejos mais profundos. A arte do tcheco Jaromír 99 aguça mais ainda a difícil atmosfera. A história não tem fim, já que Kafka a deixa inacabada, mas ao considerarmos as ideias e premissas aqui utilizadas, O Castelo se torna uma grande obra.

Conhecido pela sua carreira como artista gráfico incomparável, Frank Frazetta nasceu no mesmo berço artístico de muitos grandes nomes da 9ª Arte, como por exemplo Wally Wood, Jack Kirby, Esteban Maroto entre muitos outros. No entanto, seus primórdios como quadrinista são pouco conhecidos. Dan Brand e Outras Histórias não é apenas uma oportunidade de se conhecer Frazetta em seu início, é também uma grande chance de se entrar em contato com uma obra que lança luz à um momento interessante da história estadunidense, já que o protagonista (o homem branco Dan Brand) luta como índio na fileiras dos exércitos de George Washington. Com uma narrativa simples, mas sem abrir mão da violência característica da época, Dan Brand vale a pena. Outro destaque é a preservação de propagandas (a maioria delas panfletárias) sobre o modo norte-americano de se viver, exaltando o heroísmo de soldados, além de dicas de sobrevivência. Só essas propagandas já possuem grande valor artístico histórico e sociológico. O álbum traz todas as histórias de Dan Brand e algumas outras relacionadas à outros personagens desenhados por Frazetta.

Com o tradicional "ótimo" acabamento e formato das Gold Edition da Editora Mythos, A Morte Viva é uma primorosa adaptação para os quadrinhos do livro homônimo de 1958 do autor francês de ficção científica Stefan Wul. A história mostra a Terra no futuro e aborda o tema da "clonagem". Mas mais que isso, retoma questionamentos como os de Frankestein acerca do que é vida e dos limites da sua manipulação pelo ser humano. Além da história, outro ponto excepcional é a arte do português Alberto Varanda. Baseado em hachuras, Varanda estabelece o clima vitoriano perfeito para a condução da narrativa. Uma obra de arte de encher os olhos, com um processo criativo que chegou a ser doloroso para as mãos do artista, como relatado nos extras. Para quem não conhecia Stefan Wul (como eu) a história chama atenção para o escritor que é pouco conhecido por aqui. A adaptação é de Olivier Vatine. A edição traz um lindo pôster com a arte de Varanda.

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| Criações de Steve Ditko |
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| Criações de Steve Dtiko |
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| Personagens criados ou que tiveram grande participação de Steve Ditko em sua concepção |
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| Stan Lee (esquerda), Steve Ditko (direita) e a maior criação de ambos. Fonte de divergências irreconciliáveis |
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| Incrível capa desenhada por Ditko para a Revista Haunted (anos 50) |
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| Dois dos mais inflexíveis personagens criados por Ditko: Questão e Mr. A. Veículos diretos das crenças do autor. |

Norma Bengell começou a entrar em meu subconsciente há cerca de uns 10 ou 15 anos. Foi uma infiltração lenta e progressiva. Não consigo me lembrar quando essa fixação começou, mas sei quando ela se intensificou. Foi quando descobri sua participação no filme O Planeta dos Vampiros (Terrore nello Spazio - 1965) de Mario Bava. O interesse cresceu quando me fiz a seguinte pergunta: como uma atriz Brasileira conseguiu sair do circuito artístico nacional e 1) ganhou o mundo, 2) fez seu nome em produções italianas e francesas de qualidade das décadas de 60 e 70, 3) namorou Allain Delon, 4) conheceu Orson Welles, 5) ficou em pé de igualdade com artistas famosos do cinema mundial, 6) foi premiada em Cannes, 7) tomou uma postura firme contra a ditadura no Brasil, 8) foi exilada, 9) retornou, 10) foi pedra fundamental para a retomada do cinema Brasileiro na década de 90 e, 11) por fim... foi completamente esquecida? A resposta para este desconhecimento é complexa mas passa pelas opções de Norma que, apesar de sexy simbol, não deixou que lhe colocassem cabresto. Escolheu viver livre e, sendo mulher em uma sociedade repressora, foi punida várias vezes. Foi difícil achar literatura acerca de sua vida, mas ao garimpar achei nada menos que o livro "Norma Bengell" da nVersos Editora. A obra é na verdade a coletânea das páginas de seu diário pessoal, garimpadas e resgatadas pela produtora Christina Caneca. Norma Bengell é uma das biografias livros mais interessantes que já li. Nela, a atriz conversa consigo mesma da forma como viveu, sem pudor. Ao fazer isso ela desnuda a si mesma como uma pessoa selvagem, intensa no amor, simples, honesta (a despeito do que disseram ao final da sua vida), fiel à liberdade, que não comemorou nunca seus pecados (entre eles muitos abortos), mas que também não deixou de assumi-los. O livro é um intenso TOUR pelo Brasil do século 20, saindo da época das vedetes, passando pelo cinema brasileiro da época da Vera Cruz e Atlântida (com Oscarito, Grande Otelo, Odete Lara), mergulhando fundo na cultura dos anos 60 em plena efervescência europeia, apresentando as prisões e perseguições políticas reais e como eram conduzidas. Norma vive o Brasil pós abertura política, as transformações sociais e a ingratidão do seu país natal com seus verdadeiros ídolos culturais. Não há como não se encantar com passagens incríveis como as experiências da atriz em Cannes, seu relacionamento terno e respeitoso com o presidente João Goulart (Jango) no exílio na França, seu encontro com o Presidente Ernesto Geisel e a incrível reação do militar ao estar diante de Norma, reação semelhante que se repetiria no encontro da atriz com Itamar Franco. Entendo agora porque os olhos de homens, hoje na casa dos 80 anos, ainda brilham ao ouvirem o nome Norma Bengell. Uma Brigitte Bardot brasileira que, nas palavras da atriz "foi chamada de puta, sapatão, sapatilha, comunista mas que nunca poderão chama-la de uma coisa: covarde". As poucas e últimas palavras de seu diário escritas ao longo de seus últimos anos destilam sua visão de mundo:
"O artista vive a oposição do mundo vivido e do mundo sonhado."
"O quanto de minha juventude já se perdeu? Pensando melhor, nada se perdeu. Muito da minha juventude está impressa no tempo, nos celuloides, como a beleza fixada para sempre no inconsciente de todas as pessoas..."
"Sou invencivelmente frágil..."
"Não preciso lembrar de tudo, pois prefiro imaginar as coisas..."







