quinta-feira, 12 de março de 2015

Supremo - A Era de Prata


Há algum tempo comentei aqui no Blog sobre o primeiro volume da série Supremo de Alan Moore (Supremo - A Era de Ouro). Uma história genial em que eventos atuais e dos anos 40 se confundem na vida do herói Supremo. Uma homenagem à história e à narrativa dos quadrinhos em que o mito do Super-homem é debatido e toda nostalgia de uma Era mais inocente vai sendo trazida a tona. Continuando essa grande homenagem, Supremo - A Era de Prata traz aventuras que alternam momentos recentes da vida do herói só que agora intercalados com episódios da Era de Prata. Uma Era que viu ressurgir a indústria dos quadrinhos e que foi do final dos anos 50 até o início dos anos 70. Uma fase que trouxe de volta os Super-heróis para as bancas, renovou conceitos da Era de Ouro e viu o alvorecer de mitos que perduram até hoje. Alan Moore em Supremo - A Era de Prata enche o leitor de referências e dá uma perspectiva interessante da nossa existência.


O encadernado pode ser dividido em três partes igualmente geniais. Na primeira temos o herói Supremo em nossos dias (1997 no caso, ano de lançamento original do material) sendo chamado para investigar o sumiço de um parceiro de combate ao crime dos anos 60, o Professor Meia-Noite e sua parceira Sombria. Intercalando momentos atuais com antigas histórias da Era de Prata, a história segue cheia de pistas do passado que podem indicar a solução no presente. É a nostalgia e a inocência do passado provando-se não tão inocentes assim (outra sutileza de Alan Moore). O ponto alto dessa primeira parte é a introdução do conceito da Ideiosfera, ou Reino do Pensamento, local para o qual o Professor Meia-Noite e diversos heróis da Era de Prata foram levados. O conceito de um Reino formado por nossos arquétipos pessoais já é incrível em si, e o autor sugere que poderíamos ir até ele caso tivéssemos tecnologia para isso no mundo real. Não revelarei o desfecho da história porque seria spoiler, porém o principal aqui é debater o conceito elaborado por Moore.


A segunda parte traz uma interessante narrativa sobre a vida amorosa do herói. Utilizando-se de um equipamento guardado em sua cidadela suspensa nas nuvens, chamado Possibilitron, Supremo procura acessar possíveis futuros para si caso se casasse com diversas moças. Isso ocorre enquanto ele trava uma interessante conversa com seu interesse amoroso atual, Diane Dane, sua colega repórter. A energia dos diálogos entre os dois, a tensão sexual reprimida em cada quadrinho e as lembranças do passado de Supremo fazem a história ser tão interessante quanto uma briga com algum vilão. Isso mostra a força que um bom diálogo pode imprimir numa sequencia, valorizando o universo interior dos personagens. O leitor praticamente nem sente falta das brigas, exageros e lutas tão comuns em HQs de Super-heróis.


A última parte mostra o retorno de uma antigo inimigo de Supremo, talvez o mais letal, Darius Dax, um garoto genial que, corrompido pela inveja, tornou-se um gênio do crime. Novamente alternando flashes do passado com situações do presente temos ao final da aventura uma estranha pista sobre a origem de Supremo relacionada à distorção do espaço-tempo. Temas complexos e profundos inseridos em uma narrativa gráfica que muitos podem achar simples. Ao final do encadernado o leitor é brindado com interessantes extras sobre a cidadela do Supremo e histórias da Era de Prata do personagem.


A verdade amigos é que Supremo foi um personagem criado por Rob Liefeld como uma cópia "xerox" do Superman para a Editora Image Comics nos anos 90. Supremo teria passado facilmente para o limbo dos quadrinhos se Alan Moore não assumisse o personagem em 1996, construindo uma incrível mitologia para o personagem e trazendo uma narrativa inovadora em que os conceitos das diversas Eras dos quadrinhos são homenageados, trabalhados e até aprimorados. Uma leitura mais cuidadosa vai com certeza encontrar uma certa nostalgia que permeia todas as histórias, em que o passado é lembrado com saudade, ao mesmo tempo que o presente é amedrontador em função da quebra da inocência dos primeiros anos.


Supremo - A Era de Prata é a continuação dessa viagem pelas Eras dos Quadrinhos, uma viagem cheia de reviravoltas, nostalgia, saudade, metafísica, ciência e aventura. Um material que pode ser lido como simples passatempo, ou ser esquadrinhado com um olhar mais detalhado e apaixonado pela 9ª Arte. Caso você faça isso, tenho certeza de que você não se arrependerá, e em troca viajará pelo espaço-tempo da existência!!

2 comentários:

  1. Marcelo! Esta também é uma grande obra que é um pouco injustiçada no meio dos quadrinhos, por ter sido publicada pela Image, apesar de ter roteiro de Alan Moore. Na minha opinião, Moore escreveu uma das maiores histórias do Super-Homem, utilizando o Supremo como subterfúgio. Basta trocar os personagens e o efeito é o mesmo. Ótima lembrança! Um abraço!

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    Respostas
    1. Olá Marcelo...

      Tudo bem!?

      Concordo com você. Algo que me atrai muito nessa série do Supremo do Alan Moore é que ele se utiliza muito dos símbolos. É uma HQ cheia da simbologia que marcou os quadrinhos nas respectivas Eras. Como se ele tivesse extraído a quintessência de cada momento pelo qual a 9ª Arte passou.

      Grande abraço!

      Marcelo.

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