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segunda-feira, 20 de abril de 2020

Guia de Leitura: Liga da Justiça no Brasil


A relevância de uma obra aumenta significativamente quando dimensionada nos contextos dentro dos quais foi concebida. Sua dimensão social, histórica e filosófica passa a transcender o simples entretenimento, enchendo de significados sua mitologia. Tenho me esforçado em dimensionar minha coleção dentro desta ótica e não apenas isso, tenho me esforçado em compartilhar aqui no Blog este estudo que tenho feito. Nesta perspectiva, trago mais uma matéria localizando, cronologicamente, os lançamentos da Liga da Justiça (LJ) aqui no Brasil. Pode ser que você sinta falta de determinada história da LJ, mas isso ocorre por dois motivos: 1) cataloguei apenas o que tenho em minha coleção ou 2) não interpretei determinada história como sendo focada na Liga, portanto não julguei que fazia parte de sua cronologia. Tais critérios podem não ser consenso entre os leitores aqui do Blog, mas eu precisava nortear a matéria dentro de determinados parâmetros. Decidi também excluir histórias da Sociedade da Justiça da América, um grupo com importante relação com LJ mas que, de certa forma, tem brilho próprio e merecerá um post semelhante no futuro. Assim, sem mais delongas convido a todos a mergulhar nesse Universo da LJA no Brasil!























































































1955 - Novembro - Detective Comics Vol. 01 - #225. 
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #10.

1960 - Março - The Brave and The Bold Vol. 01 - #28.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #04.

1960 - Julho - The Brave and the Bold Vol. 1 - #30.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #62.

1960 - Novembro - Justice League of America Vol. 1 - #1.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #40.

1962 - Fevereiro - Justice League of America Vol. 01 - #9.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #09.

1963 - Maio - Justice League of America Vol.1 - #19.
Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justica (Editora Panini).

1963 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #21.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #64, em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini) e em Coleção DC 75 Anos #2 - A Era de Prata (Editora Panini).

1963 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #22.
Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #97, e em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).
    1964 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #29.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1964 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #30.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1965 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #37.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1965 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #38.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1966 - Fevereiro - Justice League of America Vol.1 - #42.

    1966 - Agosto - Justice League of America Vol.1 - #46.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1966 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #47.
    Presente em Crise nas Múltiplas Terras Vol. 01 (Editora Panini).

    1969 - Novembro - Justice League of America Vol. 01 - #75.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #109.

    1969 - Dezembro - Justice League of America Vol.1 - #77.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 -  As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1971 - Fevereiro - Justice League os America Vol. 01 - #87;

    1975 - Setembro - Justice League of America Vol.1 - #122.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini) .

    1979 - Maio - Justice League of America Vol.1 - #166.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1979 - Junho - Justice League of America Vol.1 - #167.
    Presente em Coleção DC 70 Anos 5# - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1979 - Julho - Justice League of America Vol. 01 - #168.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1982 - Março - Justice League of America Vol.1 - #200.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    1987 - Maio - Justice League - Vol. 1 - #1.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini), em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #72 e em Lendas do Universo DC - Liga da Justiça Vol.01.

    1987 - Junho - Justice League - Vol. 1 - #2; Julho - Justice League - Vol. 1 - #3; Agosto - Justice League - Vol. 1 - #4; Setembro - Justice League - Vol. 1 - #5; Outubro - Justice League - Vol. 1 - #6; Novembro - Justice League International - Vol. 1 - #7.


    1987 -  Dezembro - Justice League International - Vol. 1 - #8; 1988 - Janeiro - Justice League International - Vol. 1 - #9; Fevereiro - Justice League International - Vol. 1 - #10; Março - Justice League International - Vol. 1 - #11; Abril - Justice League International - Vol. 1 - #12. 

    1987 - Setembro - Justice League International Annual - Vol. 1 - #1.

    1988 - Maio - Justice League International - Vol. 1 - #13; Maio - Suicide Squad - Vol. 1 - #13; Junho - Justice League International - Vol. 1 - #14; Julho - Justice League International Annual - Vol. 1- #2; Julho - Justice League International - Vol. 1 - #15; Agosto - Justice League International - Vol. 1 - #16.


    1988 - Setembro - Justice League International - Vol. 01 - #17; Outubro - Justice League International - Vol. 01 - #18; Novembro - Justice League International - Vol. 01 - #19; Dezembro - Justice League International - Vol. 01 - #20 e #21; 1989 - Janeiro - Justice League International - Vol. 01 - #22 e #23.
    Presentes em Lendas do Universo DC Comics - Liga da Justiça Vol. 04.

    1989 - Fevereiro - Justice League International - Vol. 01 - #24; Abril - Justice League Internaitonal - Vol. 01 - #25; Maio - Justice League America - Vol. 01 - #26; Junho - Justice League America - Vol. 01 - #27; Julho - Justice League America - Vol. 01 - #28; Agosto - Justice League America - Vol. 01 - #29.



    1989 - Abril - Justice League Europe - Vol. 01 -  #1; Maio - Justice League Europe - Vol. 01 - #2; Junho - Justice League Europe - Vol. 01 - #3; Julho - Justice League Europe - Vol. 01 - #4; Agosto - Justice Legue Europe - Vol. 01 - #5; Setembro - Justice League Europe - Vol. 01 - #6; Setembro - Justice League America - Vol. 01 - #30.

    1989 - Julho - Justice League International Annual #3; Outubro - Justice League America - Vol. 01 - #31; Justice League Europa - Vol. 01 - #7; Novembro - Justice League America - Vol. 01 - #32; Justice League Europe - Vol. 01 - #8.
























































































    1996 - Maio - Kindom Come - Vol. 1 - #1; Junho - Kindom Come - Vol. 1 - #2.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #88 e em Reino do Amanhã - (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva - Editora Panini.

    1996 - Julho - Kindom Come - Vol. 1 - #3; Agosto - Kindom Come - Vol. 1 - #4.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #89 e em Reino do Amanhã - (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva - Editora Panini.

    1997 - Maio - Kingdom Come Trade Paperback - Um Ano Depois.
    Presente em Reino do Amanhã (Editora Panini - Capa Cartonada) e em Reino do Amanhã Edição Definitiva (Editora Panini).

    1997 - Janeiro - JLA - Vol. 1 - #1; Fevereiro - JLA - Vol. 1 - #2; Março - JLA - Vol. 1 - #3; Abril - JLA - Vol. 1 - #4.

    1997 - 9 - Justice League of America - Secret Files and Origins- Vol. 1 - #1.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini) e em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemos #55.



























































































    1998 - Janeiro - JLA Year One - Vol. 1 - #1; Fevereiro - JLA Year One - Vol. 1 - #2; Março - JLA Year One - Vol. 1 - #3; Abril - JLA Year One - Vol. 1 - #4; Maio - JLA Year One - Vol. 1 - #5; Junho - JLA Year One - Vol. 1 - #6.

    1998 - Julho - JLA Year One - Vol. 1 - #7; Agosto - JLA Year One - Vol. 1 - #8; Setembro - JLA Year One - Vol. 1 - #9; Outubro - JLA Year One - Vol. 1 - #10; Novembro - JLA Year One - Vol. 1 - #11; Dezembro - JLA Year One - Vol. 1 - #12.

    1998 - Agosto - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #1; Setembro - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #2; Outubro - Justice League - The Nail - Vol. 1 - #3.
    Presentes em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #19 e em Liga da Justiça - The Nail (Ediora Mythos).




















































































    2000 - Janeiro - JLA - Earth 2. 

    2000 - Julho - JLA - Vol. 1 - #43; Agosto - JLA - Vol. 1 - #44; Setembro - JLA - Vol. 1 - #45; Outubro - JLA - Vol. 1 - #46; Dezembro - JLA Secret Files and Origins - Vol. 01 - #3.

    2000 - Novembro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #1; Dezembro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #2; 2001 - Janeiro - JLA - Act of God - Vol. 1 - #3.

    2002 - Fevereiro - JLA- Vol. 1 - #61.
    Presente em Coleção DC 70 Anos #5 - As Maiores Histórias da Liga da Justiça (Editora Panini).

    2003 - Fevereiro - JLA-JSA - Virtue and Vice - Vol.1 -  #1.

    2003 - Maio -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #1; Junho -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #2; Julho -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #3; Agosto -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #4; Setembro -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #5; Outubro -  JLA - Scary Monsters - Vol. 1 - #6.

    2003 - Setembro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #1; Outubro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #2; Novembro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #3; Dezembro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #4; 2004 - Janeiro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #5; Fevereiro - Formerly Know as Justice League - Vol. 01 - #6.



































































    2004 - Março - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #1; Abril - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #2; Maio - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #3.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #35, em DC: A Nova Fronteira - Volume Um (Capa Cartonada - Editora Panini) e em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini).

    2004 - Julho - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #4; Setembro - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #5; Novembro - DC - The New Frontier - Vol. 1 - #6.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #36, em DC: A Nova Fronteira - Volume Dois (Capa Cartonada - Editora Panini) e em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini). 

    2008 - Maio - Justice League New Frontier Special - Vol. 01 - #1.
    Presente em DC: A Nova Fronteira - Edição Definitiva (Editora Panini).


    2004 - Maio - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #1; Agosto - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #2; Setembro - Justice League - Another Nail - Vol. 1 - #3.
    Presente em Liga da Justiça - Outro Prego (Capa Cartonada - Editora Panini).

    2004 - Agosto - Identity Crisis - Vol. 1 - #1; Setembro - Identity Crisis - Vol. 1 - #2; Novembro - Identity Crisis - Vol. 1 - #4; 2005 - Janeiro - Identity Crisis - Vol. 1 - #6; Fevereiro - Identity Crisis - Vol. 1 - #7.
    Presente em Crise de Identidade (Editora Panini) e em Coleção de Graphic Novels - Sagas Definitivas Eaglemoss #4.
























































































    2005 - Outubro - Justice - Vol. 1 - #1; Dezembro - Justice - Vol. 1 - #2; 2006 - Fevereiro - Justice - Vol. 1 - #3; Abril - Justice - Vol. 1 - #4; Junho - Justice - Vol. 1 - #5; Agosto - Justice - Vol. 1 - #6.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #27 e em Justice - Edição Definitiva (Editora Panini).

    2006 - Outubro - Justice - Vol. 1 - #7; Dezembro - Justice - Vol. 1 - #8; 2007 - Fevereiro - Justice - Vol. 1 - #9; Abril - Justice - Vol. 1 - #10; Junho - Justice - Vol. 1 - #11; Agosto - Justice - Vol. 1 - #12.
    Presente em Coleção de Graphic Novels DC Comics Eaglemoss #28 e em Justice - Edição Definitiva (Editora Panini).


    2010 - Maio - Green Arrow and Black Canary - Vol. 1 - #31; Maio - Justice League - Rise and Fall Special - Vol. 01 - #1; Maio - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #1; Junho - Green Arrow and Black Canary - Vol. 1 - #32; Junho - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #2; Julho - Justice League - 7a - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #3; Agosto - Justice League - The Rise of Arsenal - Vol. 01 - #4.

    2010 - Novembro - Justice League of America - Vol. 02 - #49; Dezembro - Justice League of America - Vol. 02 - #50; 2011 - Janeiro - Justice League of America - Vol. 02 - #51; Fevereiro - Justice League of America - Vol. 02 - #52; Março - Justice League of America - Vol. 02 - #53.

    Muito bem amigos... Espero que este post auxilie muitos colecionadores que, como eu, querem dimensionar sua coleção dentro do escopo cronológico e, com isso, contextualiza-la melhor em termos pessoais, culturais e  sociais. Abcs à todos!

    sábado, 11 de abril de 2020

    Pílulas Fílmicas #7: Westworld (1973)


    Provavelmente, a maioria das pessoas tem como grande referência do ator Yul Brynner seu papel no antológico filme 7 Homens e Um Destino de 1960 - The Magnificent Seven (na verdade uma adaptação de Os Sete Samurais de 1954 de Akira Kurosawa). Mas Yul Brynner é muito maior que seu Cowboy de 7 Homens e Um Destino. Exemplo disso é sua gélida, lacônica e assustadora intepretação do androide chamado Gunslinger em Westworld, filme de 1973 escrito e dirigido por ninguém menos que Michael Crichton (sim, ele mesmo, o famoso romancista e roteirista). Em Westworld está implícito o questionamento acerca do que é realmente a vida, o ser "humano" e o desejo de transcender esta situação. Yul Brynner traz toda sua força dramática nos momentos em que aparece e confere ao androide que interpreta uma humanidade que fica muito patente (apesar de sua violência), sobretudo nos momentos finais do filme ao começar a entender as maravilhas da natureza que lhe cerca e ao mesmo tempo lhe escapa (detalhe para a cena em que contempla a magia implícita no fogo que arde em uma tocha). Os seres humanos do filme são mostrados em toda sua glória estúpida e superficial, concentrando esta estupidez nos dois visitantes principais do grande parque de diversões chamado DELOS. Um parque com três grandes áreas temáticas que simulam o Velho Oeste, O Mundo Medieval e o Mundo Romano. Tudo infestado de autômatos criados simplesmente para satisfazer os desejos mais baixos de homens e mulheres. Aquele que gostou da Série Westworld do Canal HBO, deveria assistir ao seu conceito original em Westworld de 1973 que, embora datado, é tão bom quanto. E de "quebra" você ainda verá Yul Brynner revivendo, ainda que de forma diferente, seu grande papel como o violento e "sem destino" pistoleiro.

    quarta-feira, 8 de abril de 2020

    Brad Barron - Mais um Excelente Lançamento Bonelliano no Brasil


    Mesmo que você não tenha crescido entre os anos 70 e 80 como eu, e não tenha ficado exposto à intensa criatividade artística dos anos 50 em suas mais variadas formas, ainda sim você deve reconhecer a explosão de histórias desta época do pós-Guerra, na qual seriados, quadrinhos, filmes e livros encontraram meio fértil para tornarem-se clássicos. Séries como Twlight Zone,  do lendário Rod Serling, são provas incontestes de um movimento que reverberou ao longo das décadas seguintes e ainda continua a reverberar. Construir, portanto, uma narrativa tendo por base os medos, sonhos e delírios desta época é um deleite para qualquer leitor. Brad Barron é exatamente isto. Um quadrinho que, por meio de financiamento coletivo na Plataforma Catarse, aportou em Terras Brazucas por iniciativa da Editora Graphite tendo o Editor Wagner Macedo à frente. Fui apoiador do projeto e quando o recebi fiquei surpreso com o carinho e dedicação que os colegas da Editora o trataram. Além da história, este primeiro volume traz várias Chaves-de-Ouro que emolduram de forma perfeita a obra. As duas principais seriam o texto de abertura e fechamento da Obra. O 1º de autoria do Doutor em Literatura Inglesa com ênfase no Romance Gótico, o amigo Fernando Brito, curador da Versátil Home Vídeo, e o último pelo Filósofo e Doutor em Ciências Sociais Edgar Smaniotto.


    Fernando Brito abre a obra com um texto que descortina algumas referências incríveis que estão presentes dentro de Brad Barron, deixando tantas outras a serem descobertas. O fato é que, quando se percebe o Universo ficcional dentro do qual a obra está inserida, e em que nichos culturais e arquétipos ela se ancora, tudo ganha nova e maior dimensão. E são esses caminhos que o Fernando auxilia o leitor a descobrir. Mesmo que você não seja familiarizado com clássicos dos anos 50 e 60, sua curiosidade será estimulada a descobrir as obras citadas no texto. Tomo até a liberdade de citar algumas das referências que o texto do Fernando levanta e que são bem aparentes para o fã veterano, mas que vale a pena citar para conhecimento do leitor um pouco mais desatento: O Planeta dos Macacos (tanto do livro de Pierre Boulle quanto o filme de 1968 estrelado por Charlton Heston); o filme Spartacus de Stanley Kubrick e o livro Eu Sou a Lenda de Richard Matheson). O texto de Fernando Brito é seguido por uma lista imperdível de indicações de filmes e livros que expressam muito bem a temática.


    O texto final de Smaniotto situa a ficção (mais especificamente a "científica") a partir do seu nascedouro, ainda no século XIX. A partir dali ele nos conduz à uma viagem passando por obras seminais como as de Júlio Verne e H.G. Wells. Sendo este último apresentado em uma das suas obras mais importantes para a ficção científica (FC), A Guerra dos Mundos (outra grande influência em Brad Barron). Smaniotto consegue dimensionar o Espírito do Tempo que reinava nas primeiras décadas do Século XX e viria influenciar filmes, livros e toda uma gama de seres que iriam, a partir dali, habitar nosso imaginário em relação à alienígenas, de E.T. O Extraterrestre aos Xenoformos da Série Alien de Ridley Scott. Smaniotto introduz o leitor à paranoia que existia nos anos 50 acerca de Invasões do Espaço e cita um dos acontecimentos mais marcantes que contribuiu sobremaneira para a consolidação desta histeria latente: a transmissão radiofônica feita por Orson Welles de A Guerra dos Mundos em 1938. Uma transmissão que levou boa parte de uma nação ao desespero por não conseguir discernir se o que ouviam era ou não verdade.


    Mas e a obra em si? O que podemos dizer dela? Brad Barron contempla diversos gêneros do cinema: FC, faroeste, drama, terror, horror, romance, roddtrip... Dessa amálgama emerge uma obra que traz em seu eixo central uma invasão alienígena à Terra em plenos anos 50. Brad Barron é um professor de Biologia e ex-veterano da 2ª Guerra Mundial que participou do desembarque dos Aliados na Normandia (evento decisivo para virar a maré da Guerra em favor das nações livres representadas pelos Aliados). Brad é uma mistura de personagens, durão, às vezes violento, sensível, marido, pai e com uma boa dose de traumas vividos em suas experiências na Guerra. De qualquer forma Brad surge como um terráqueo que chama a atenção dos invasores ao conseguir contaminar com sua coragem outros à sua volta. Os alienígenas possuem forma insetóide e trouxeram consigo uma fauna e flora para modificar a superfície de nosso Planeta de forma a atender seus objetivos futuros de colonização. Isso implica que monstruosidades inimagináveis pululam e espreitam à cada esquina. Brad Barron é uma obra que procura resgatar a essência dos quadrinhos, sem deixar de dialogar com o público mais jovem e com temas mais profundos, tais como "solidão", "justiça", "amizade", "humanismo" entre outros.


    Este 1º volume de Brad Barron traz os 3 primeiros capítulos da Saga: Não Humano, Fuga de Manhattan e Terra Perdida. A Editora Graphite pretende lançar todos os 18 capítulos em 6 volumes. Dentro em breve acredito que começará a campanha para o 2º no Catarse. Além dos dois textos que abre e fecha esta edição de Brad Barron, não posso deixar de mencionar as pequenas introduções que antecedem cada um dos 3 capítulos do encadernado. São preâmbulos originais de quando a série foi lançada em 2005 lá fora. São textos pequenos mas incrivelmente bem escritos que situam o capítulo que se inicia, dimensionando-o dentro de um contexto maior. Algo que faz toda diferença na leitura.


    Só posso parabenizar os idealizadores do Projeto na pessoa do Wagner Macedo e desejar vida longa à Brad Barron e à Editora Graphite, que já sinaliza para a Campanha no Catarse de outro expoente Bonelliano, Nathan Never. Abcs!

    domingo, 5 de abril de 2020

    Pílulas Fílmicas #6: No Mundo de 2020 (1973)


    Quando criança tentei algumas vezes assistir ao filme de 1973 "NO MUNDO DE 2020" (Soylent Green) com Charlton Heston e Direção de Richard Fleischer, mas sempre ficava com muito medo do que o futuro poderia reservar à todos nós. O filme era frequentemente exibido nas madrugadas na TV do início dos anos 80 na Sessão de Gala ou na Sessão Coruja. Somente há alguns anos consegui assisti-lo na íntegra. Quando Janeiro de 2020 chegou, uma das primeiras coisas que pensei (aliviado) foi que, afinal, "NO MUNDO DE 2020" havia sido apenas um exercício profético sobre nossa atual década e nada mais. Guardadas as devidas proporções, no entanto, o filme é uma notável metáfora acerca dos nossos dias, e se constitui em um importante exercício sociológico, político e sanitário.

    No Soylent Green os idosos recebem uma maravilhosa experiência de morte para beneficiar a sociedade

    domingo, 29 de março de 2020

    Tex - Em Território Selvagem - Coleção Tex Gold - Salvat #45


    Para se ler Tex é preciso reprogramar a mente e se desvincular da narrativa tradicional de "super-heróis"? Bem... Falando por mim, eu diria que sim. É necessário desconstruir algumas expectativas e se abrir para outras, mais sutis, mais intimistas e estar preparado para pérolas escondidas no sub-texto. Minha experiência com Tex é recente e confesso que relutei em submergir nesse Universo Bonelliano. Ao ler Tex - Em Território Selvagem (Nei Territori Del NordOvest) (Coleção Salvat Tex Gold #45) fui sendo gradativamente seduzido pela atmosfera hermética, silenciosa e hostil de uma época em que para se sobreviver era preciso ser forte, e para se sobreviver sendo "bom", era preciso ser mais que forte, era preciso ser corajoso. A partir da leitura deste encadernado acho que finalmente estou me sintonizando com o Ranger mais famoso do Universo Bonelliano. Em Território Selvagem foi uma grata surpresa, sobretudo porque consegui me deixar levar pela narrativa mais "pé no chão" das histórias do personagem. Mas há também outros atrativos incríveis na história, dentre eles o ambiente no qual se desenrola, as terras selvagens e geladas do grande norte (Canadá/Alasca). Além disso, personagens críveis como o Coronel Jim Brandon da Polícia Montada do Canadá; Gros-Jean, amigo de Tex e Carson e um ex-bandido; Dawn, a irascível e violenta jovem mestiça que acompanha Tex em sua jornada ao longo da história e, por fim vilões realmente maus.


    Genocídio, violência, xamanismo, mesticismo, folclore e sincretismo são os ingredientes de Em Território Selvagem. Tudo emoldurado por um forte senso de amizade que permeia os objetivos do Ranger Tex e seu parceiro Kit Carson em relação à um antigo amigo, que parece agora estar em apuros, o Coronel Jim Brandon. A história me fez entender pela primeira vez os objetivos e princípios pelos quais Tex Willer vive. Inteligente, sagaz, leal e com uma profunda capacidade de entender as situações em seu contexto e abrangência, o Ranger consegue tomar decisões frente à determinadas situações que até o próprio leitor fica sem entender como seria possível sair da enrascada. A crueza do ambiente gelado em que os personagens se encontram na história, permite ao leitor sentir em sua alma as dificuldades físicas e mentais a que todos estão submetidos.


    Tex e Carson precisam enfrentar o clima na busca de seu amigo que está à caça do bandido Red Duck, agora conhecido como Golden Eye. Um sujeito realmente mal, líder de um bando de fora-da-leis genocidas, ambiciosos e cruéis. O roteirista Mauro Boselli conseguiu escrever uma história que se desenrola de maneira a explicar, de forma muito devagar e sutil, a dimensão de tudo. O leitor acha que está lendo apenas à uma história de resgate à um amigo, mas vai se surpreendendo que tudo é muito mais profundo, difícil, cruel e amargo do que à princípio parece. Em meio a toda essa maldade e violência, a figura de Tex cresce justamente por fornecer ao leitor um amparo, um porto seguro de que há alguém forte o suficiente para enfrentar toda injustiça e crueldade que se apresenta. Acredito que foi todo esse contexto que me fez perceber a grandeza do personagem.


    Como mencionei acima, a história começa de forma intimista dentro de um pequeno microcosmo de pessoas, mas se expande e ganha dimensões épicas, de maneira que do meio para o final do encadernado eu já conseguia facilmente imaginar a história como sendo digna de um filme de John Ford. A arte de Em Território Selvagem é assinada pelo espanhol Alfonso Font. Particularmente eu sempre achei a arte de Tex muito parecida, com quase nenhuma variação de uma história para outra, independente de se mudarem os artistas. Isso sempre me incomodou e de alguma forma ainda incomoda. Achei que a arte de Font é boa, mas ainda assim parecida com a que vi em outras histórias do personagem. Mas esse é o tipo de coisa que fica absolutamente minimizado a partir da qualidade do roteiro e dimensionamento dos personagens.


    Em Território Selvagem foi para mim um marco como introdução definitiva ao universo do Ranger Bonelliano. Recomendo a leitura e, minha dica para quem, como eu, tem alguma ressalva a materiais fora do eixo "super heroico" é que, em 1º lugar, procure a desconstrução que mencionei no início da matéria. Você se surpreenderá!! Um grande abraço à todos os Pards!

    sábado, 21 de março de 2020

    Pílulas Fílmicas #5: Alphaville (1965)


    Alphaville (Dir. Jean-Luc Godard - 1965). Um filme difícil. Difícil em sua estrutura narrativa e em suas metáforas. Mas de uma beleza singular ao resgatar (em minha opinião pelo menos) elementos do Noir Clássico. Jogos de sombras que definem o ambiente interno de seus personagens em uma melancolia que permeia toda obra. Uma distopia acerca da perda da humanidade esmagada pela frieza e racionalidade. Assisti em pequenas doses para poder digeri-lo... Mas ao final uma grande obra de silêncios e angústias. É impossível não se emocionar com a decadência que permeia o filme, lembrando a própria fala dos personagens: Alphaville - A Capital da Dor. A despeito de tudo isso, no entanto, uma obra "sobre o amor".

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