domingo, 2 de agosto de 2015

Joyland - Stephen King


Um verão inesquecível na vida de um jovem em 1973. Uma temporada de trabalho como Serviços Gerais em um Parque de Diversões para ajudar a pagar a faculdade e esquecer uma jovem que lhe deu o "pé na bunda". Esse foi o verão de 1973 para Devin Jones, um cara (um tanto melancólico) que buscava desesperadamente esquecer seu primeiro amor, mas acabou tendo uma experiência que lhe marcaria para o resto da vida. Joyland livro de 2012 de Stephen King fala de crescer, amadurecer, de perdas, memórias e, acho que podemos dizer, do sentido das coisas. Talvez o romance não possua a grandiloquência de outros livros de King, mas nem quer ter. Ele se volta para as pessoas, para o ambiente íntimo de cada um. É um recorte de emoções profundas e por isso mesmo, intimista.


Começo dizendo que uma das coisas que mais me encantou no livro foi o elemento que serve de pano de fundo para a história, ou seja: O Parque de Diversões. King consegue traduzir todo encanto, alegria, diversão e (como em uma outra face da mesma moeda) toda solidão, medo, melancolia e desolação que um Parque de Diversões pode evocar. Os bastidores do Parque de Joyland é devassado e nos faz perceber o quão rico esse universo escondido é. Como frequentadores de parques vemos apenas o neon brilhante, os sorrisos e a alegria. Mas por baixo há um Mundo rico em companheirismo, camaradagem, tristezas e histórias enigmáticas. Sempre vi Parques de Diversões como um lugar que escondia mais do que apresentava, mas sempre quando vamos embora esquecemos disso e jogamos nossas perguntas e impressões para o fundo de nossa mente.


O Parque de Joyland é, sem dúvida, uma presença viva e um personagem onipresente na narrativa. Devin Jones evoca o camarada boa praça e de coração partido. Sua trajetória no Parque é seguida pela sombra de um assassinato ocorrido no interior do Trem Fantasma de Joyland, conhecido como Horror House. Como resultado do homicídio cometido há cinco anos, em 1968, ficou a lenda de que o fantasma da jovem assassinada (Linda Gray) aparecia ocasionalmente às pessoas mais sensíveis e com alguma capacidade mediúnica. 


Devin Jones conhece pessoas incríveis durante o verão em Joyland, dentre eles Erin Cook e Tom Kenedy (também universitários e colegas de trabalho). Temos também Lane Hardy, Pop Allen, Rozie Gold (ou madame Fortuna - a cartomante do Parque)... funcionários que além de serem amigos possuíam o calor humano característico do que podemos chamar de família verdadeira. Ah! Sem deixar passar o Sr. Brad Easterbrook (o velho e amigo dono do parque). Nesse caminho Devin conhecerá o "Colóquio", uma linguagem rica e toda própria dos Parques de Diversões (e isso é verdade). Quem tem Alma de Parque sabe o que isso quer dizer.


Ao longo do verão Devin pilota a Roda-Gigante (chamada carinhosamente de Carolina-Spin), vende cachorro-quentes, refrigerantes, cuida de barracas de tiro ao alvo, de carrinhos bate-bate, das Montanhas-Russa do Parque (a Thunderball e a Delirium Shaker), lava, engraxa, veste a roupa de Howie (o cão mascote do Parque) e salva a vida de uma garotinha que se engasga com um cachorro-quente. 


Temos também as Garotas-Hollywwood, universitárias ou interessadas em ganhar um dinheiro perambulando por Joyland tirando fotos dos Bobs (a forma como os frequentadores do Parque são tratados no Colóquio). A ruiva Erin Cook, amiga de Devin era uma Garota-Hollywood e passeava por Joyland com a câmera fotográfica padrão do lugar: a Speed Graphic. Erin é a garota que estampa a capa do livro, incrivelmente desenhada por Glen Orbik.


Em meio a tudo isso, ainda há Mike, um garoto fadado a ter poucos anos de vida em virtude da Distrofia Muscular de Duchene. Mike é mais que um garoto doente, ele tem o "dom". E sabe que o espírito da garota Gray está preso e vagando dentro do Trem Fantasma, o Horror House

Tudo isso, é claro, poderia ser mais um romance de terror, mas o que acho incrível em Stephen King é a capacidade que ele tem de desenvolver seus personagens e de retratar o belo e singelo ao lado do terror mais sombrio. 


Comparo Joyland à Stand By Me, obra de King adaptada para o cinema em 1986 que possui elementos sensíveis, perenes e, ao mesmo tempo, assustadores. Uma reflexão do quanto o mundo é belo e ao mesmo tempo sombrio. Se você não assistiu à Stand By Me não perca tempo. Um momento mágico nas vidas dos atores Will Wheaton (Star Trek - A Nova Geração), Corey Feldman (Goonies) e Jerry O´Connell.


É isso aí amigos! A próxima vez que for a um Parque de Diversões lembre-se... Há muito mais do que podemos ver lá!

2 comentários:

  1. Lugares quase sempre são uma presença viva em King.
    Também li por por aí que este romance não ficará como um dos grandes do mestre macabro. Entretanto, muito livro mediano de "Steve" vale mais a pena do que obras festejadas de outros autores contemporâneos!
    Acho que darei uma chance a este.
    Ótima resenha.
    Abraços!!!

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    Respostas
    1. É isso aí Kleiton...

      King faz do Parque uma personagem marcante. Realmente não é um romance grandioso, mas tive a impressão que King que fosse assim. Parece que ele voltou-se mais para si mesmo.

      Agora... Você tem toda. Razão. O mediano dele é às vezes o máximo de outros.

      Quando tiver lido me avise.

      Abc!

      Marcelo.

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