sábado, 28 de agosto de 2010

A Eternidade - Uma Odisséia no Espaço


Escritores de ficção científica sempre foram de certa forma discriminados e vistos por muitos como de segunda linha. Talvez isso ocorra porque as pessoas insistam em retirar de suas vidas a contemplação e a perplexidade perante o universo. Arthur C. Clarke, Isaac Asimov, Stanislaw Lem dentre outros, construiram e moldaram um painel de nossa pequena e ínfima existência diante do insondável. Meu filme favorito de ficção científica, 2001 - Uma Odisséia no Espaço de 1968, dirigido por Stanley Kubrick, foi baseado no conto "A Sentinela" de Arthur C. Clarke. Autor incrível, com mente aguçada e alma de explorador. Pela primeira vez se conseguiu colocar a eternidade na tela. Fiquei em estado de transe por mais ou menos uma semana depois de assisti-lo.

Sentinela-da-Lua se aproxima do estranho Monolito

O filme começa na aurora do homem, há milhões de anos atrás. Um bando de humanóides em estado de vida animal e inanição, descobre um estranho monolito em uma colina. O monolito era um monumento retangular feito de um material estranho, negro e totalmente polido. Um humanóide (Sentinela-da-Lua) certa noite toca a estrutura e algo em sua mente  primitiva começa, pela primeira vez na história do mundo, a funcionar. Sentinela-da-Lua a partir dali nunca mais passou fome, pois descobre que ele próprio existe. O filme sofre então um salto de milhões de anos e vai para 2001.  Nessa época a humanidade já possui uma base na lua (A Base Clavius). Em uma escavação de rotina na Cratera  Thyco os homens da Base Clavius descobrem um estranho monolito enterrado em solo lunar. Os governos do mundo entram em alerta pois o monolito não é humano e está enterrado ali a milhões e milhões de anos. Heywood Floyd, experiente cientista é mandado para lá. Ao ser tocado por Floyd, o Monolito emite um som  que é transmitido na direção do vasto cosmo. Daí ocorre o segundo salto do filme. O som havia sido enviado na direção de Jupiter e é recebido por outro monolito (imenso) que orbita, há milhões de anos o gigante planeta. A Terra envia uma nave com dois astronautas (Dave Bowman e Frank Poole) ao encontro do gigantesco monolito orbital. Os dois viajantes são acompanhados pelo computador que gerencia a nave "Jupiter": o lendário HAL9000.
Heywood Floyd na Base Clavius

Pela primeira vez a solidão do espaço, a fragilidade do homem e a vastidão do universo é retratada com perfeição e com total realismo às leis da física. O filme praticamente não possui diálogo, o que demosntra o isolamento.

Dave Bowman contempla o interior do Monolito

A trilha sonora é soberba com a presença de dois clássicos: Also Sprach Zaratustra de Richard Strauss e Danúbio Azul de Johann Strauss. Em uma antológica cena Bowman é lançado no espaço sideral e o filme perde seu som. No início parace que é um erro de filmagem, mas daí você se lembra que o som não se propaga no vácuo, dessa forma você está ali com Bowman, na vastidão do silêncio eterno. Quando a nave chega próximo ao Monolito estacionado na órbita de Jupiter, Bowman já está sob o efeito crônico da solidão. Em sua pequena cápsula ele se aproxima do Monolito. Sua superfície é negra como o abismo, porém quando  chega mais perto Dave Bowman vê...!! Vê algo que não podemos entender, sua expressão é de completo assombro! Ele contempla!! Contempla o significado do Monolito e vê além dele. A única coisa que Bowman consegue dizer em sua última transmissão para Terra é: "ESTÁ CHEIO! ESTÁ CHEIO DE ESTRELAS!!!".
Sentinela-da-Lua percebe-se como alguém que possui uma existência

Para entender o que se passa a partir daí, e qual o significado do Monolito você precisa assistir ao filme, ver o final e pensar no negro vazio do Monolito que contém em sí todas as coisas!!


4 comentários:

  1. É apaixonante ler suas postagens!
    Fiquei com vontada de assistir esse filme.
    Abraços.

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  2. Postagem antiga. Estou vendo agora.

    Sou fã de Kubrick. Acho que já vi (e idolatro) toda sua filmografia. 2001 é um dos melhores filmes do Planeta e o melhor de Kubrick, ao lado de Dr. Strangedlove (na minha opinião).

    Você falou que o filme foi baseado no conto de Arthur Clarke. Agora fiquei na dúvida. Já vi comentários por aí onde o filme seria a adaptação do romance homônimo posteriormente escrito pelo Clarke em coautoria de Kubrick. Este, pelo que soube, teria solicitado a exclusão de seu nome da autoria, pois seu interesse seria apenas cinematográfico etc. Boatos? Vai saber. Talvez, a partir do conto, a dupla tenha desenvolvido o romance concomitantemente ao roteiro!

    Mas "Sentinela" é um título bacana para a trama, pois remete (para mim), à natureza do Monolito (um sentinela, enviado por uma inteligência superior, para semear vida em uma das luas de Júpiter). E, ainda, remete ao Sentinela da Lua mencionado por você. Já viu as continuações? Um lixo!!! Kubrick imaginou que isso fosse acontecer e destruiu todo o material das filmagens, para não serem utilizados numa sequência.

    Há algumas semanas, vc demonstrou interesse em obras de Alan Moore e citou A Liga Extraordinária. Na terceira parte dessa obra, Alan Moore nos deu uma parte em prosa (dividida em três partes, uma para cada volume). E ele inicia tal prosa fazendo uma referência (sutil) justamente a esse filme. Já transcrevi tal trecho no blog: http://kleitongoncalves.blogspot.com.br/2011/07/texto-alan-moore-do-inferno-imagem.html

    Boa postagem! É difícil escrever sobre 2001.

    Abraços!

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    Respostas
    1. Oi Kleiton... kubrick é para mim um gênio mesmo. Esse filme que que vc cita como outra grande obra prima dele eu não conhecia. Já anotei para ver!

      Então... Quanto ao conto de Arthur C. Clarke na verdade a idéia para o roteiro veio do conto Sentinela mesmo. O desenvolvimento da idéia virou livro. Aliás, um livro que eu não consegui comprar no Brasil, o que eu tenho e lí era uma edição Portuguesa.

      O livro é fantástico e expande muito as primeira parte do filme, ou seja, a seqüência dos hominídeos vivendo na aurora do homem.

      Quanto às continuações eu assisti ao filme 2010 - O Ano em Faremos Contato. Olha, achei bem inferior ao 2001... Mas ainda sim um filme que não desprezo, pois seu parâmetro de comparação é altíssimo. Mas sem duvida nenhuma é filme inferior ao de Kubrick. Eu tenho todas continuações em livro:

      - 2010 - Uma Odisséia no Espaço II

      - 2061 - Uma Odisséia no Espaço III

      - 3001 - A Odisséia Final.

      Desses eu lí 2010 e 2061. Todos de Arthur C. Clarke. Eu gostei deles, 2061 é o mais fraquinho. Ainda quero ler o último 3001.

      Vou ver sua postagem Kleiton. Deve ser bem interessante!

      Gde. Abc.

      Marcelo.

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  3. Pôxa! Não sabia que havia rendido tantos livros!!! Boa informação.

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