| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
Muito associado à fase non-sense do Homem-Morcego, o Charada luta há muito tempo para aumentar seu poder e letalidade no submundo de Gotham City. Portador de um talento especial para criar e solucionar enigmas, o vilão tentou por diversas vezes ascender na hierarquia de crimes, porém sem o sucesso pretendido. Ao lado de vilões como o Coringa, o Charada traz consigo um conjunto de características que o coloca no limite entre a realidade e a obsessão. Sua miniatura na Coleção de Miniaturas de Metal da DC agradou há muitos, inclusive à mim. Repassaremos agora algumas características da peça, bem como alguns elementos-chave de sua mitologia.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
A peça apresenta o vilão em uma postura que nos arremete, em muito, à interpretação de Jim Carey em "Batman Forever" de 1995. Uma leitura caricata e extravagante do personagem. Embora o Charada apresente uma tendência teatral inata, no filme de Joel Schumacher isso ficou exageradamente exacerbado, retirando a letalidade e credibilidade do personagem. Infelizmente isso já acontecia desde a época em que fora interpretado de forma bem cartunesca pelo ator Frank Gorshin no Seriado do Homem-Morcego de 1966. Apesar disso, a peça merece respeito e atenção ao representar o vilão em seu terno verde bem alinhado (o que já o afasta um pouco da ideia de amadorismo), sapatos de fivela, luvas, bengala customizada e chapéu coco.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
O chapéu aliás trás toda uma aura já conquistada de inteligência e loucura ao lembrarmos do personagem Alex DeLarge, brilhantemente interpretado pelo ator Malcolm McDowell em Laranja Mecânica, filme de Stanley Kubrick de 1971. Os colecionadores ficaram felizes ao notar que a bengala pode ser retirada e inserida na mão esquerda do vilão, constituindo-se em um detalhe interessante. As dobras do tecido do terno (casaco e calças) acompanham a postura adotada. Sua face pode ser vista apenas de alguns ângulos, fornecendo a ideia de se estar diante de um trapaceiro que ri com a incapacidade do adversário em resolver seus enigmas. O detalhe da gravata de mesma cor das luvas e sapatos é interessante e a modelagem do casaco traz em relevo o formato dos bolsos e abas. Acredito que a peça merecerá destaque futuramente nas postagens das melhores peças da coleção.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
O Charada apareceu pela 1ª vez em 1948 na revista Detective Comics 140. Seu nome é Edward Nashton. O vilão cresceu percebendo-se com uma inteligência acima da média para lidar com enigmas, charadas e quebra-cabeças. Edward não teve uma infância cheia de abusos físicos e mentais tal qual alguns oponentes do Homem-Morcego, por exemplo o Espantalho. O pequeno Edward apenas percebeu que poderia trapacear e resolver mais rápido algumas questões do que os colegas, e que isso poderia ser uma forma de se dar bem na vida. Durante um período de sua juventude, já tendo abandonado a escola por se sentir superior em intelecto aos professores e colegas, ele fez um bom dinheiro ao trabalhar junto à um Festival Popular onde vendia suas charadas e enigmas àqueles que gostavam desse tipo de jogo. No entanto, logo ele percebeu que queria mais.
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Tal qual acontecera antes com os professores, Edward percebeu que era mais inteligente que a maioria dos vilões de Gotham e que poderia empreender uma grande carreira de crimes e assaltos. Determinado a ascender na vida como criminoso, Edward mudou o nome para Edward Nigma, trocadilho com a palavra "Enigma" (E.Nigma). Porém, ele não contava com dois aspectos, um extrínseco e outro intrínseco à sua personalidade. O 1º deles era a figura do justiceiro Batman, tão intelectualmente apto quanto Edward, porém superior fisicamente ao criminoso. O outro aspecto que determinaria suas derrotas constantes ao longo dos anos era sua compulsão por deixar pistas e enigmas a respeito dos crimes que cometia e que iria cometer. Isso fez com que sua credibilidade criminosa se exaurisse aos poucos, visto que deixar pistas para o Maior Detetive do Mundo não é uma atitude muito sábia para um contraventor. Possivelmente isso, e uma inclinação para crimes menos selvagens e violentos (se o compararmos com o Coringa, por exemplo) o transformou em um vilão menor na mitologia do Cruzado Encapuzado.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
Durante muito tempo a existência do Charada obedeceu ao mesmo princípio daquele visto no Coringa. Uma interdependência bizarra entre seus provocativos atos e o efeito que eles acarretavam em Batman. Algo que podemos chamar de codependência. Uma atitude comum em viciados em determinados comportamentos e em substâncias ilícitas. O codependente acredita que a sua felicidade depende estritamente de outra pessoa. Uma outra pessoa que o codependente elege como seu alvo emocional e, portanto responsável por seu bem estar. Algo muito comum em relações familiares inclusive. De todo modo boa parte da vida do Charada foi voltada para o desenrolar de um jogo entre ele e o Defensor de Gotham, algo que ao mesmo tempo possuía um caráter destrutivo e prazeroso. Mecanismo parecido acontece entre o Palhaço do Crime (O Coringa) e Batman.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
Em minha opinião, uma das mais interessante leituras do Charada, por incrível que pareça, não está nos quadrinhos (que sempre teve a tendência de caricaturar o vilão), mas sim na TV. No fantástico seriado "Batman: O Desenho em Série" produzido na década de 90, Edward Nigma é mostrado como um jovem extremamente inteligente, expert não apenas em jogos e enigmas, mas sobretudo em tecnologia. Algo análogo aos nossos Hackers modernos. Em dois episódios que pude assistir ele foi um oponente superior ao Coringa em letalidade de desejo de morte, pois diferentemente do Coringa do seriado que desejava na maioria das vezes apenas ver o circo pegar fogo, o Charada realmente possuía uma ira incontida manifesta através de seus destrutivos brinquedos eletrônicos e jogos mortais. Uma interpretação que me fez lembrar muito do vilão Arcade da Marvel.
| Miniatura DC Nº 14 - Charada |
O Charada é um dos vilões indissociáveis da mitologia do Homem-Morcego. Um personagem que, apesar de ter características parecidas com as do Coringa no que se refere à teatralidade e fixação em Batman, é também um personagem distinto do Palhaço do Crime. Personagens como o Charada tornam-se críveis em mundos em que a realidade é tão estranha e bizarra quanto nos quadrinhos, e que por isso acaba comportando tipos como ele. Uma realidade que, por incrível que pareça, está cada vez mais presente em nossa sociedade.
Bom amigos... Um grande abraço à todos!!




