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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Coleção Graphic Novels Marvel


Prezados, nos últimos dois dias os leitores de quadrinhos foram tomados de assalto por uma notícia que, embora ótima, veio acompanhada de muita decepção, raiva e surpresa com a falta de respeito das editoras que lançam materiais extremamente interessantes e esperados por muitos em nosso país, porém sem nenhum respeito pelo consumidor que quer apenas informações mínimas e plausíveis sobre o lançamento. Formada por aproximadamente 60 números a Coleção de Graphic Novels Marvel foi lançada em diversos países e reúne importantes histórias do universo marvel. Desde sagas mais antigas (que muitos ouvem falar mas na verdade nunca leram) até sagas mais recentes como "Guerra Civil" de 2006. A notícia do lançamento dessa série veio desencontrada e cheia de contradições pelas redes sociais. Diversos blogs e sites especializados tentaram logo rastrear o boato indo até sua aparente origem, a Editora Salvat, que à princípio está lançando a coleção por aqui. Isso causou muita estranhesa já que quem tem os direitos de publicação do material da Marvel em diversos países (inclusive no Brasil) é a Panini. Os contatos feitos com a Editora Salvat mostraram-se uma verdadeira "Via Crucis" para os interessados, já que os atendentes além de falta de preparo, mal sabiam do que se tratava essa coleção.


Até o final do dia de ontem sabíamos, à princípio que (aparentemente) esse seria um lançamento conjunto entre Panini-Brasil / Editora Salvat. Bom... Resolvido esse mistério (pelo menos à princípio) veio outra decepção. Ninguém sabe dar informações claras sobre onde essa coleção será distribuida, se em bancas, quais cidades seriam contempladas, se o material poderia ser adquirido ou não pela internet, se seria enviado à grandes livrarias para comercializa-lo (Livraria Cultura entre outras grandes livrarias por exemplo)... Ou seja, percebe-se uma total falta de respeito com um público que se não fosse por ele, essas editoras nem existiriam no Brasil. Infelizmente o que temos é: cada um por sí! Cada um deve tentar correr atrás de jornaleiros, livrarias e sei mais o que, para saber se a coleção virá ou não para sua praça. Além do desrespeito óbvio pelo cliente, atitudes como essa apenas permitem o aparecimento de um fértil terreno para a venda do material fora dos fluxos convencionais de compra. Ou seja, o material começará a aparecer em sites como Mercado Livre à preços absurdos.


 O leitor sabe que às vezes uma coleção é lançada de forma setorizada até mesmo para a editora ter uma ideia do sucesso ou não do material e assim programar um lançamento maior. Porém, a falta de informação é tão aviltante que eu ouso dizer que a raiva que os colecionadores sentem já é de cara um estímulo para o projeto naufragar. Algo que tinha tudo para fazer sucesso em um país como o nosso que passa por um interessante momento econômico (apesar de tudo que sabemos a respeito de inflação e tudo mais) e que possui um mercado super aquecido para o colecionismo acabará morrendo na praia. E eu não estou sendo pessimista, apenas estou dizendo o que eu como leitor e consumidor sinto. As sagas presentes nessa coleção são extremamentes interessantes e poderiam suprir a necessidade que muitos possuem, não apenas para completar suas coleções, mas também para que novos leitores entrassem em contato com histórias que apenas ouvem falar, mas na veradde nunca leram. O potencial que algo assim possui para conquistar novos leitores é muito grande. Porém a editora prefere tratar o material como algo sem importância nenhuma.


Em contato que fiz há pouco com uma das maiores e mais bem antenadas comic shops de São Paulo, a Comix, eles apenas me confirmaram o que eu já sabia. Ninguém sabe de nada e eles tem quase certeza que São Paulo não receberá o material, e que cada um deve se f%$#@ à procura dos volumes junto à vendedores informais, jornaleiros, bancas e quiçá livrarias. Bom amigos... Esse é o panorama que se apresenta à todos nós. Uma falta de profissionalismo e respeito com todos.


Caso você tenha alguma informação ou um maior esclarecimento sobre essa malfadada empreitada, ou mesmo queira apenas expressar o seu profundo descontentamento por ser tratado como "lixo" como eu me sinto, deixe seu comentário.


É por essas e outras que percebo que o "gargalo" de nosso país não é apenas de infra-estrutura, é também de "Boa Vontade", "Profissionalismo" e "Respeito" para com as pessoas. Tais valores são internos e pessoais, ou seja, milhões de reais não adiantarão muita coisa se o ser humano por trás de tudo não tiver uma atitude diferente diante de seu semelhante e de sí mesmo.


Eu já conhecia os atrasos, falta de informação, entregas erradas e o pífio serviço de assinaturas da Panini, porém a Editora Salvat eu mal havia ouvido falar dela. Pois mando um recado para seus executivos (que provavelmente nem se importarão com ele): vocês perderam uma grande oportunidade, pois quando a maioria das editoras de um país, no ramo de quadrinhos, trata como "escória" seu público, o aparecimento de uma nova empresa com uma tratativa nova e diferente cairia rapidamente no gosto dos leitores. E uma coisa eu digo para vocês burocratas editoriais: a fidelização de um cliente é algo duradouro e às vezes até permanente. Meus pêsames à vocês.


Fica aqui meu protesto e minha indignação por tamanha falta de visão, respeito e sensibilidade ao mercado editorial. Falo isso publicamente, mas com pouca esperança que vocês mudem, pois mesmo que vocês leiam meus comentários creio que nem se dignarão a responder. Eu ia chama-los de "capitalistas", mas nem isso se aplica, pois o "capitalista", mesmo o selvagem, saberia ver essa oportunidade que vocês estão deixando passar.


Aos amigos do Blog peço desculpas por terem que ler tais palavras de indignação, espero não ter comprometido o dia de vocês. Abraço à todos!

sábado, 13 de abril de 2013

Miniatura Marvel 19 - Justiceiro

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Vítima de uma tragédia atroz, Frank Castle é o fuzileiro naval norte-americano que teve sua família assassinada pela máfia. Durante um pique-nique em um parque, Frank, esposa e filhos (Lisa e Frank) testemunharam a execução de uma pessoa pelas mãos de mafiosos. Para que não houvesse testemunhas desse ato os bandidos assassinaram a família de Castle. Esse, no entanto conseguiu sobreviver. Em fevereiro de 1974, quando o Justiceiro apareceu pela primeira vez na revista Amazing Spider-Man Nº 129 parecia que ele seria mais um coadjuvante nas histórias de alguns "medalhões" da Marvel. Essa provou ser uma afirmação completamente incorreta. Nos anos seguintes o Justiceiro se tornaria um personagem de sucesso imitado exaustivamente no cinema e em diversas mídias.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Frank Castle (originalmente Castiglione) é de ascendência italiana e nasceu no Bairro do Queens em Nova York. Antes da tragédia se abater sobre sua vida, Castle lutou na guerra do Vietnã e lá já demonstrava índole violenta e a presença de um senso de justiça muitas vezes distorcido. Ao voltar da guerra Frank teria a chance de ser um homem comum não fosse pela tragédia acima descrita. Isso detonou dentro dele a selvageria que estivera incontida em seu interior. A partir da morte de sua família ele passaria à caçar e executar todo e qualquer crimonoso que, à seu julgamento, merecesse a morte. Extremamente treinado e versado nos mais variados instrumentos de combate o Justiceiro se tornaria no flagelo das ruas.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Um dos grandes debates que o personagem suscitou ao longo de suas histórias foi a legitimidade ou não de justiceiros agirem sozinhos dentro de sociedades sabidamente violentas. O debate é complexo e o personagem encarna todo esse dilema, uma vez que muitos cidadãos, ante as atrocidades hoje presenciadas, apoiariam sem sombra de dúvida indivíduos como o Justiceiro. Outros, porém diriam que a simples existência de pessoas como ele serviria como ameaça à própria sociedade de bem.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Outra questão que o personagem levanta é se realmente seria possível à alguém que vivenciou, esteve imerso, e de certa se viciou na ultra-violência de uma guerra, viver novamente como um cidadão comum. Rodrigo Pimentel (autor do Livro "Tropa de Elite") comenta que há pontos de "não-retorno" para policiais e soldados. Esse seria talvez o grande problema de oficiais que se brutalizam no combate ao crime. A deformidade no caráter e a transformação interior impediriam a vida normal novamente.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Frank Castle poderia ter atingido esse ponto de "não-retorno" inclusive antes da morte de sua família. O fato é que o personagem cativou um imenso público ao longo de sua existência. Protagonizando histórias de violência e integrando um segmento mais adulto do Universo Marvel, o Justiceiro representa o lado negro de outros heróis que, ao contrário de Frank Castle, não perderam a "ternura" apesar de terem se "endurecido" com as batalhas travadas. Atuando sob uma ótica totalmente individual, o Justiceiro não pode ser parado por qualquer argumento que não seja aquele no qual ele acredita, não escutando ninguém, exceto uma pessoa!

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

Uma das sequências mais emblemáticas dos quadrinhos (em minha opinião) foi aquela em que o Justiceiro executa um Super-Herói que havia apoiado a Lei de Registro de Super-Humanos proposta pelo governo norte-americano. O Capitão América na época havia organizado uma resistência em oposição à essa lei. Frank Castle, apresenta o cadáver que acabara de matar ao Capitão e esse, por sua vez, perde o controle ao ver a mente doentia do Justiceiro e como alguém poderia deformar o senso de justiça sobre o qual ele sempre se pautou. O Capitão começa espancar Castle que literalmente não reage! Estávamos diante do único homem que Frank respeitava: Steve Rogers. A sequência é incrível porque demonstra que dentro do Justiceiro há, em algum lugar, um ideal limpo, puro e que ele de certa forma almeja, representado na pessoa do Capitão América. Steve Rogers conseguira preservar dentro de sí elementos que lhe permitiram viver a dor, a insanidade e o horror dos campos de batalhas sem, no entanto, ser consumido e tragado pela loucura da maldade humana.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

A sequência acima descrita está presente na saga "Guerra Civil". Momentos como esse nos lembram quão profundos, ricos e ambíguos os heróis podem ser. Essa, aliás, é uma das explicações para a atração de tantos pelos Quadrinhos de Heróis, ou seja, a possibilidade de identificarmos dramas e dilemas que nós também vivemos, porém em um ambiente controlado e à principio de fantasia. O Justiceiro é sem dúvida um dos grandes anti-heróis da Marvel, tendo raiva e violência incontidas que rivalizam com a de outros personagens virulentos, dentre os quais podemos destacar Wolverine.

Miniatura Marvel Nº 19 - Justiceiro

O Universo dos Super-Heróis, felizmente, ou infelizmente (não consigo chegar à uma conclusão sobre isso) tem como uma de suas premissas a imutabilidade de alguns conceitos primários de seus heróis. Isso é razoável se pensarmos que as editoras querem preservar a fórmula de sucesso do personagem. Fórmula essa que está intimamente ligada à origem e ao "mote" principal do herói ou vilão. No entanto, isso faz com que se esgote, após décadas, os temas e histórias ao redor deste indivíduo "imutável" em suas motivações. Acredito, porém que um bom roteirista sempre conseguirá inserir tal personagem (apesar de suas manjadas motivações) em boas histórias.

A miniatura do Justiceiro é bem interessante porque apresenta o personagem na sua crueza. Suas roupas em tons monocromáticos fazem acertada alusão às suas regras, ou seja, "tudo ou nada", "culpado ou inocente", "vida ou morte". O detalhe das armas e dos acessórios presentes na calça militar também são um destaque na minha opinião.

Bom amigos é isso aí. Um grande abraço à todos!

sábado, 6 de abril de 2013

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

O Nº 08 da Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil traz o conhecido Fiat 147. Primeiro carro movido à alcool produzido em série no Brasil, o Fiat 147 foi construído especialmente para o mercado brasileiro para marcar a chegada da FIAT em nosso país pouco depois da metade da década de 70. Apostando em um carro desprovido de luxo, mas com um design moderno para época, a FIAT tentou combinar (com sucesso) alguns anseios da sociedade brasileira, produzindo um modelo que trazia os conceitos de "pequeno por fora, grande por dentro" e "motor econômico, porém com bom desempenho". Abaixo veremos algumas curiosidades e características deste carro que se tornou "figurinha fácil" nas estradas brasileiras no final da década de 70 e ao longo da década de 80.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

Chegando no Brasil apenas em 1976 (23 anos após a Volkswagen) a Fiat queria se estabelecer em nosso país a partir de um modelo que marcasse época. Embora o Brasil já possuisse alguns carros da Fiat rodando por aí, como o Milicento e o 500B (apelidado de Fiat Pulga, um carro bem charmoso por sinal), a montadora Italiana ainda não tinha se estabelecido por aqui. A aposta foi grande, pois o lugar escolhido para a construção da fábrica foi Minas Gerais, ou seja, fora do parque industrial automotivo de São Paulo. O Fiat 147 foi projetado a partir do Fiat 127 de 1971. Na verdade os dois eram basicamente o mesmo carro, com apenas algumas diferenças no estilo e na mecânica, sendo que nesse último quesito o 147 se sobressaía com um motor mais "nervoso", o que conferiu-lhe desempenho superior aos seus concorrentes da época, o Volkswagen Sedan (Fusca) 1300 e o Chevette 1400.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

Outra vantagem era o pequeno consumo de combustível do Fiat 147, chegando a fazer 16km/litro. O slogan da Fiat por ocasião do lançamento era bem interessante: "Enfim, um carrão pequeno!". E isso era realmente verdade, uma vez que seu espaço interno era maior que o do Fusca 1300. Nos primeiros 12 meses de fabricação foram vendidas nada menos que 64.000 unidades. Algumas características o diferenciavam de outros modelos da época, dentre elas o uso de pneus radiais, contra a maioria dos carros que usavam pneus diagonais, a inserção do estepe em posição horizontal dentro do compartimento do motor, deixando espaço para mais bagagem no porta-malas (hoje no entanto, esse tipo de acondicionamento do estepe seria proibido). O uso do vidro parabrisas "temperado" no 147 foi outra novidade, o que evitava que qualquer "pedrinha" quebrasse completamente o vidro.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

A simplicidade do Fiat 147 foi bem recebida por muitos, porém também foi rechaçada por outros que reclamavam da falta de sofisticação. As versões iniciais eram o Fiat 147 "L" e o "GL". O design fez sucesso principalmente entre os jovens, pois insinuava que o prático também poderia trazer algum charme. Nem tudo eram "flores" no Fiat 147, quem viveu a época sabe. Um câmbio difícil de engatar, um volante muito horizontal que dava uma estranha sensação ao guiar, a vibração do motor que era repassada para a carroceria e um pedal de embreagem que costumava "enforcar", ou seja, se auto-acionava, estavam entre as características ruins. A Fiat foi tentando corrigir tais aspectos ao longo dos anos, porém na época outros carros concorrentes do Fiat já haviam lidado com tudo isso, caso do Fusca 1300, Chevette e Brasília.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

O ano de 1978 trouxe inovações marcantes para o 147 como, motor mais potente, acabamento mais luxuoso e visual bem mais esportivo. O modelo de 1979 foi então o 1º carro à álcool de produção nacional. O ano de 1980 trouxe outras mudanças, como capô mais inclinado (ajudando na aerodinâmica) e para-choques de polipropileno. Já em 1983 duas outras novidades, a primeira era a chegada da versão "Spazio" do 147 e a segunda novidade seria a chegada de um carro que viria substituir do 147, nada menos que o "Fiat UNO"! Era o início do fim do 147.

Coleção Carros Inesquecíveis do Brasil - Fiat 147 (1979)

O Fiat UNO era basicamente o mesmo Fiat 147 em sua essência, e teve outra grande história de sucesso em nosso país. Além disso, vale mencionar outros "Filhotes" que o 147 deixou no mercado nacional, dentre eles: o 147 Pick-up, a Perua Panorama e o Fiat Oggi. Em 1986 o 147 deixou de ser produzido após 10 anos no mercado nacional. Nesse mesmo ano o Brasil veria desaparecer outro ícone, o "Fusca", que na época tinha motor 1600.



Abaixo seguem as tradicionais características do veículo!


Nessa postagem resolví colocar algumas imagens (abaixo) para elucidar melhor alguns pontos do texto acima. Sendo assim espero que gostem!

Precurssores do Fiat 147

Fiat Topolino 500B

O Fiat 500B - 1957

O Fiat 127 - 1972

Fiat Millecento

Por fim, alguns aspectos marcantes do Modelo Fiat 147 (1979)

Observar o estepe sendo guardado ao lado do motor e a posição do volante

Abaixo um dos Filhotes do Fiat 147, o Fiat Oggi

 Bom amigos... É isso aí! Abc. à todos!!

domingo, 31 de março de 2013

Boa Leitura: Homem de Ferro & Thor Nº 32


Acompanhar revistas de linha, tanto da Marvel quanto da DC, tem sido um exercício de persistência, resignação e fé. A irregularidade na qualidade das histórias, falta de cuidado com alguns detalhes importantes e certa dose de roteiros incrivelmente intrincados e pouco verossímeis tem levado muitos leitores a desistirem de suas coleções. Embora o universo que envolve Super-Heróis seja, por princípio, de fantasia, os dramas e tensões alí existentes não podem ser. Precisam ser reais. E para que funcionem, tais dramas e tensões precisam de roteiros consistentes. Eis a fórmula de sucesso, por exemplo, para clássicos da ficção como "Guerra nas Estrelas", "Jornada nas Estrelas" e "Senhor dos Anéis". Roteiros que tratam de coisas que, à princípio pelo menos, sabemos que não existem, porém são assentados em uma base dramática sólida. O que temos atualmente na verdade é uma revista de linha ou outra que eventualmente traz em seu mix uma leitura interessante e agradável, lembrando as revistas de antigamente. No momento acompanho apenas algumas da Marvel e da DC. Recentemente com o Reboot da DC tentei seguir vários títulos, porém já desisti, ficando apenas com alguns como Batman, A Sombra do Baman e Liga da Justiça. Do lado da Marvel acompanho Homem de Ferro & Thor, Vingadores e Capitão América e os Vingadores Secretos, sendo essa última uma revista interessante, que traz histórias boas mas que sempre uma ou outra destoa do resto. O universo Aracno-Mutante da Marvel por exemplo tenho deixado de lado há muito e, com as atuais histórias do Aranha nos EUA, acho pouco provável que eu retome a leitura do querido e saudoso "Cabeça de Teia". Eventualmente porém acontece de uma determinada revista de linha das quais acompanho trazer uma leitura interessante e agradável. Para divulgar tais revistas resolví criar há algum tempo aqui no Blog a coluna "Boa Leitura", cujo objetivo é divulgar títulos que, na minha opinião, ficaram um pouco acima da média. Nesse sentido gostaria de falar do Nº 32 da revista Homem de Ferro & Thor.
Leito de Morte de Bor, pai de Odin (à direita do leito) e de Cul (irmão mais velho de Odin e à esquerda)

Como todos sabem o universo Marvel aqui no Brasil passou recentemente por uma saga (A Essência do Medo) que, embora tenha ficado devendo em qualidade e maiores cuidados com o roteiro trouxe repercussões principalmente para a vida dos Asgardianos (residentes atualmente na cidade de Broxton, EUA). HdF & Thor Nº 32 traz de forma rápida o 1º embate entre Odin e Cul (seu irmão mais velho e maligno). Esses acontecimentos ocorreram quando Odin ainda era jovem e a história termina com a sombria profecia sobre a morte de seu adorado filho Thor.

Odin e seu adorado filho Thor, ainda bebê

Com o fim da Essência do Medo, Thor (pelo menos em tese) está morto, mas aparece acordando em um estranho mundo pós-morte. Além disso, essa 2ª história traz o início de uma nova trama envolvendo Geirrodur (Rei dos Trolls), Karnilla - A Feiticeira Rainha da Nornes, Três outras estranhas feiticeiras e o Troll Ulik (atualmente disfarçado de Tanarus - O Novo Deus do Trovão). Os Asgardianos estão desnorteados vivendo na Terra agora sob o comando da Mães Supremas (Freia, Gaia e Idum). Odin se afastou para Asgard para cuidar que seu irmão mais velho jamais volte à assolar nenhum mundo, vivendo daqui para frente como um "Guardião do Próprio Irmão".

A Mães Supremas

Outro ponto interessante da revista é uma rápida passagem sobre a tentativa do Surfista Prateado viver agora como um humano comum. Norin Radd abdicou de seus poderes e cargo de arauto de Galactus há uns meses atrás. Em seu lugar ninguém menos que um senhor idoso e cristão assumiu sua função junto ao devorador de mundos.

As últimas histórias da revista são do Homem de Ferro e trazem Tony Stark novamente às voltas com seu vício (alcolismo), agora, no entanto acompanhado de um improvável amigo: o Anão Asgardiano chamado "Beicinchado". Forma-se no horizonte a ideia de que o próximo arco que envolverá o Homem de Ferro trará dois grandes oponentes: Zeke Stane (gênio industrial da envergadura de Tony Stark) e o velho inimigo Mandarim.


Homem de Ferro & Thor Nº 32 seria um bom ponto de partida para acompanhar novamente o universo marvel pois traz o rescaldo da última grande saga do Universo Marvel, ao mesmo tempo que projeta algumas sombras para o futuro. Vale a Boa Leitura.

Abc à todos! E à propósito Boa Páscoa!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Miniatura Marvel 18 - Tocha Humana

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

O Tocha Humana é o 18º personagem lançado pela Coleção de Miniaturas Marvel. Sem dúvida uma miniatura que surpreendeu positivamente a mim e à muitos. Com seu visual clássico o Tocha aparece com pequenas chamas pelo corpo e com as famosas linhas finas e escuras dispostas verticalmente dos pés à cabeça. Uma peça que lembra o desenho poderoso e inigualável do Rei Jack Kirby. Abaixo você confere outras fotos da peça bem como algumas informações sobre o garoto que, da noite para o dia, ganhou um grande poder, o de entrar em combustão, lançar poderosas chamas e voar.

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana
 
O Tocha Humana é na verdade o jovem Johnny Storm. Johnny é irmão caçula de Susan Storm (a Mulher-Invisível), e é membro fundador, ao lado do Sr. Fantástico, Mulher-Invisível (esposa do Sr. Fantástico) e Coisa, do Quarteto Fantástico. Uma das famílias de heróis mais queridas e conhecidas do Universo Marvel, o Quarteto Fantástico tem uma bela carreira nas revistas em quadrinhos e foi um dos grandes responsáveis pelo ressurgimento e popularização dos heróis no que conhecemos como Era de Prata dos Quadrinhos nos anos 60. Johnny Storm podemos dizer que é a parte menos formal do Quarteto. É o jovem que quer, além de salvar vidas e lutar pelo bem das pessoas, se divertir nesse processo.

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

A origem do Tocha Humana é a mesma dos demais integrantes do Quarteto e o personagem teve sua 1ª aparição na revista "Fantastic Four Nº 1" de 1961. Em uma viagem espacial em órbita da Terra o jovem foi bombardeado por raios cósmicos sofrendo, na volta para casa, uma transformação que lhe garantiu os incríveis poderes acima comentados. O crescimento pessoal de Johnny e seu desenvolvimento emocional e moral fizeram parte de muitas de suas histórias, a maioria ao lado do Quarteto. Grandes personagens do Universo Marvel tiveram importante papel na vida do Tocha Humana lutando ao seu lado ou contra ele. Dentre eles alguns heróis e vilões como O Surfista Prateado e o Dr. Destino, respectivamente.

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

Outro personagem muito marcante das HQs e que possui uma profunda amizade com Johnny Storm é ninguém menos que o Homem-Aranha. Embora o Tocha não conheça a identidade do "Cabeça de Teia" (Peter Parker) há entre os dois uma rivalidade saudável e que em minha opinião poderia ser mais explorada nas histórias. Infelizmente a linha editorial das histórias do Aranha atualmente tem conduzido nosso querido amigão da vizinhança ao verdadeiro lamaçal de roteiros ruins, bizarros e de mal gosto. Exemplo disso são os atuais acontecimentos na vida do Homem-Aranha publicados nos EUA onde Peter Parker morre, e ninguém menos que o Dr. Octopus passa a habitar o corpo do Aranha!! Mas nem compensa falar dessas tristezas...

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

Voltando ao Tocha Humana o que muitas pessoas não sabem é que Johnny Storm foi o 2º a usar o nome "Tocha Humana". Na verdade existiu um herói da chamada Era de Ouro dos Quadrinhos (1938 à 1956) a ter esse nome. O Tocha Humana original, como viria a ser conhecido, apareceu pela 1ª vez em outubro de 1939 na revista "Marvel Comics Nº 1" e na verdade era um andróide concebido por um cientista que tinha em mente e ideia de construir homens sintéticos mais aprimorados. O Tocha original se tornou um grande herói e lutou ao lado do Capitão América, Namor e outros heróis contra o nazismo nos campos da Europa. Esse grupo de heróis, conhecido como "Os Invasores", foi o equivalente na Marvel ao que a DC já vinha desenvolvendo nessa mesma época com a chamada "Sociedade da Justiça".

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

Uma das grandes contribuições do Quarteto Fantástico para o ressurgimento dos quadrinhos no final dos anos 50 foi a possibilidade de se criar histórias de Super-Heróis tendo como pano de fundo dramas, tensões e alegrias comuns à toda família. Dentro desse fértil panorama o Tocha Humana sempre encarnou o personagem amigo e benevolente, porém inconsequente e muitas vezes irresponsável. Ler as primeiras histórias do Quarteto é um grande prazer não apenas pelo entretenimento ali presente, mas porque é muito interessante observar as diferenças históricas presentes no comportamento dos jovens dos anos 60 (que Johnny representava) e o que vemos hoje na sociedade.

Miniatura Marvel Nº 18 - Tocha Humana

Como podem ver nas fotos a miniatura é muito bem feita e a solução encontrada para as chamas no corpo do personagem ficou muito boa. Bom... aproveito o espaço para divulgar o trabalho de um amigo chamado Jonas Sanches Colatrelli que iniciou o trabalho de confecção de estantes para guardar as miniaturas desta grande coleção. Quem quiser conhecer seu trabalho dê uma olhada nas fotos (abaixo) de uma estante que ele confeccionou. O trabalho ficou muito bom.

 
 Um grande abraço à todos!

sábado, 23 de março de 2013

Supremo - A Era de Ouro


É possível que você comece a ler algo e apenas alguns instantes depois se dê conta de que está diante de uma obra-prima? Depois de recentes decepções com roteiros vazios, violência gratuita e falta de boas narrativas nas histórias em quadrinhos, mal pude conter minha satisfação ao me deparar com a Série "Supremo" de Alan Moore. Definitivamente Alan Moore provou para mim porque é considerado hoje uma das grandes mentes vivas da 9ª Arte.  "Supremo" é um personagem que foi criado por Rob Liefeld para ser uma cópia, um "xerox" do Superman, e apareceu pela primeira vez nas histórias da Editora Image Comics nos anos 90. A Image ficou conhecida por seus super-heróis extravagantes e musculosos, protagonizando histórias que para mim eram vazias e sem nenhum significado. "Supremo" não fugia à essa regra e teria simplesmente passado para o limbo dos quadrinhos. Em 1996, no entanto, Alan Moore assumiu o personagem com a condição de que desconsideraria toda sua mitologia pregressa e, com a carta branca de Liefeld, literalmente o transformou em um heróis que, em alguns aspectos, ficou melhor que o Superman. Em minha opinião Alan Moore conseguiu sintetizar a paixão que todo fã de quadrinhos de super-herói carrega dentro de sí.


No primeiro arco de histórias chamado por Moore de "A Era de Ouro" (lançado aqui no Brasi pela Editora Devir em 2007), Supremo é redefinido à luz dos conceitos que foram marcantes na Era de Ouro dos Quadrinhos (1936 a 1954). Mas ele não faz apenas isso, Moore surpreendeu-me profundamente ao dar ao Supremo e ao seu alter-ego (Ethan Crane) a consciência de sua existência enquanto personagem de ficção. Ao dimensionar a história dessa forma ele re-significa TODOS os clichês usados na Era de Ouro, deixando tudo à nossa volta com aquele ar nostálgico que sempre acompanhou os bons super-heróis.


Moore, à exemplo do que Stan Lee, Jack Kirby e outros fizeram em outras épocas, subverte o senso-comum da narrativa e nos presenteia com uma história que é narrada entre o presente (em que Ethan Crane tenta se ajustar à sua vida pós-redefinição como personagem) e a reconstrução de suas memórias contadas em forma de enxertos de algumas páginas, com uma arte genialmente nostálgica de Rick Veitch.


Todos os elementos da Era de Ouro dos Quadrinhos, narrados em flash-backs na história, estão presentes nesse primeiro arco: a Origem simples e limpa do Supremo; Seus primeiros anos de combate ainda sob o pseudônimo de "Kid-Supremo"; Seus primeiros confrontos com vilões típicos da Era de Ouro; Sua relação e participação junto à outros heróis no início de sua carreira "Os Super-Homens Aliados da América" e a "Liga do Infinito"; Sua relação com emblemáticos parceiros como o cão "Radar" e sua irmã "Suprema".


Para mim, no entanto, um dos momentos mais sublimes da história é quando Supremo se lembra, junto aos seus antigos aliados dos anos 40, de como se deu a perda da inocência em seus corações. Momento em que é desfraldado diante de todos eles os verdadeiros problemas da sociedade, que vão além de simples super-vilões e seres intergalácticos. Todos percebem um "veneno" pior e mais poderoso que tudo quanto eles já enfrentaram: o medo, o racismo, a maldade pura e simples do coração humano, a dependência química, a falta de amor, a individualidade imperando em detrimento do coletivo... Elementos mais poderosos e eficientes na destruição de uma sociedade que quaisquer outras ameaças já vistas. Coisas que não podem ser vencidas com simples força bruta, visão de Raios-X, super-velocidade ou qualquer outro super-poder.


Nesse sentido o ideal super-heróico é colocado em cheque e nos faz repensar o porque, apesar de tão ultrapassado e sem sentido, esse ideal tão presente nos quadrinhos e no "super-herói" nos fascina tanto! Pelo menos à mim!! É difícil sintetizar em palavras e imagens o que chamamos de "sentimento", "apreço"... Ou seja, sintetizar em palavras a atração que nos move em direção à algo. Alan Moore em "Supremo - A Era de Ouro" consegue colocar num único "frasco" a "quintessência" do amor pelos quadrinhos, fazendo-o de forma inteligente e cheia de referências.



O mito do "Super-Homem" é aqui reconstruido, porém sem cair nas armadilhas dos clichês, ou melhor, usando-os como trampolim para algo que existe além. Supremo prova, cabalmente, que "... Não existem personagens ruins, mas sim escritores ruins."

Sem dúvida nenhuma "Supremo - A Era de Ouro" entra para a lista de minhas HQs favoritas. Dentro em breve lerei "Supremo - A Era de Prata", espero então trazer minhas impressões aqui.

Abraço à todos!
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