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domingo, 31 de maio de 2015

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Dick Grayson foi o primeiro Robin, tornou-se líder de importantes equipes do Universo DC e passou por um processo de amadurecimento que é referência no mundos das HQs. Sua trajetória inspirou e inspira muitos aspirantes à super-heróis e é símbolo de que é possível se enveredar pelos porões de Gotham mantendo acesa a chama da esperança, da luz e do altruísmo, ainda que seu passado tenha sido tão traumático quanto o de Bruce Wayne. Hoje visitaremos um pouco da vida de Dick Grayson e conheceremos seu lugar dentro da Coleção de Miniaturas de Metal da DC.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

A miniatura traz Asa Noturna em uma posição sem grande apelo acrobático, situação em que comumente o herói é retratado. No entanto, dá destaque à arma que adotou: o bastão. O uniforme do personagem é o mais moderno e não aquele (um pouco mais espalhafatoso) do início de sua carreira como herói independente do Batman. Particularmente gostei da peça. A anatomia está bem delimitada e mostra os principais músculos bem definidos. O cabelo e o penteado também estão bem modelados, conferindo à peça o ar característico de bom moço de Dick. Uma pequena falha pode, infelizmente, ser observada na região embaixo do cabelo sobre a testa. O artista/pintor não teve o cuidado de estender a cor "negra" do cabelo para essa região, deixando-a em alguns pontos com a mesma cor da pele. Falta de cuidado nítida. Destaco, no entanto a pintura da máscara sobre o rosto que, em minha opinião, ficou bem delimitada.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Richard (Dick) Grayson nasceu em uma família de acrobatas em um famoso circo, o Circo Haley. Durante uma de suas passagens por Gotham City o dono do circo se negou a pagar propina à um importante chefão do crime da cidade, Tony Zuco. Em retaliação, Zuco sabotou o número de trapézio em que a família Grayson se apresentava, o que levou à morte dos pais de Dick. Bruce Wayne, que estava na plateia, se identificou com a dor do pequeno Dick e, após um tempo, adotou o menino. O resto da história todos conhecemos: Dick torna-se o ajudante do Homem-Morcego como o 1º Robin (nome escolhido por Grayson em homenagem à mãe, que costumava chama-lo de "pequeno Robin"). Uma série de eventos, no entanto afastaria os dois parceiros.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

O primeiro deles ocorreu ainda na adolescência de Dick, quando um juiz morre pelas mãos do vilão Duas Caras em função de uma decisão errada de Robin. Esse foi o primeiro evento que levou Batman a afastar Robin das ruas, temendo pela segurança do garoto. Esse primeiro trauma levou Dick a se achegar a um Grupo ainda iniciante de heróis adolescentes: A Turma Titã. Tais acontecimentos foram seguidos por mais um evento que aterrorizou Batman, Robin seria baleado no ombro pelo Coringa, o que conduziria à um afastamento maior da parceria entre os dois heróis. Foi nessa época em que Dick concentra sua participação como Robin, líder dos Novos Titãs. Magoado com Batman, Dick procura outro grande referencial em sua vida para se aconselhar: Superman.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Em conversa com Kal-El, Dick conhece a história de um famoso homem na história de Krypton. Alguém que fora banido pela própria família (tal qual Batman fizera com Dick), permanecendo, no entanto no caminho do bem. Seu nome era "Asa Noturna". Inspirado por essa história, Dick emancipa-se de vez, mudando de uniforme a passando a se chamar Asa Noturna. Como líder dos Novos Titãs, Asa Noturna aprofundaria seu relacionamento com Estelar, outra integrante da equipe, com a qual quase se casou. Dick voltaria a se magoar com Batman ao ficar sabendo que Bruce estava treinando um novo Robin (o impulsivo Jason Todd) para substitui-lo. Algo que ocorreu mais depressa do que Dick imaginava. É possível entender Dick já que, se o motivo que levou Batman a afasta-lo da parceria foi o medo do amigo se ferir, treinar um novo parceiro não seria a forma mais adequada de provar esse ponto.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Outro golpe na amizade entre Bruce e Dick ocorreu quando Asa Noturna descobriu que Batman mentira para ele no passado, ao informa-lo de que Tony Zuco havia morrido na prisão de ataque cardíaco. A explicação de Bruce foi que tentara afastar Dick de uma eventual vingança sobre Zuco, mentindo para ele. Tudo se agravou ainda mais entre mestre e pupilo por ocasião do assassinato do 2º Robin (Jason Todd) pelo Coringa, o que tornou Batman mais sombrio e impenetrável às tentativas de Dick de retomar a amizade. Por essa época Dick retira-se então da liderança dos Titãs e conhece o jovem Tim Drake, o garoto que se tornaria o 3º Robin por influência de Dick. Com a derrota do Batman nas mãos de Bane e afastamento de Bruce Wayne de sua carreira como Protetor de Gotham, Jean-Paul Valley (o herói Azrael) é escolhido por Batman para sucede-lo, algo que Dick não compreende, pois se via como o natural sucessor do Cruzado Encapuzado, ou seja, novo golpe na relação dos dois. Mas foram justamente Dick e Tim que, com suas forças combinadas, conseguem deter Jean-Paul afastando-o de seu reinado de terror como novo Batman.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna
 
Talvez esse tenha sido o primeiro passo para a progressiva reaproximação entre Dick e Bruce, uma reaproximação que foi se consolidando com o excelente desempenho de Asa Noturna à frente de outro grupo de heróis, Os Renegados. Assim, Bruce Wayne, a partir de sua fortaleza sombria interior, conseguiu aos poucos confessar à Dick o quanto o admirava e tinha orgulho dele como homem de caráter e herói.

Miniatura DC Nº 17 - Asa Noturna

Talvez os encontros e desencontros entre Bruce e Dick sejam na verdade os costumeiros desentendimentos entre pai e filho que, ao longo de suas vidas, orgulham-se mutuamente, no entanto, acabam sendo vítimas de mal entendidos e falta de comunicação, o que contribui para longos afastamentos. Asa Noturna é, sem dúvida nenhuma, um grande herói da DC, que conseguiu sua posição através de uma longa carreira de feitos heroicos e participações em importantes equipes. É isso aí amigos... Grande abraço à todos.

domingo, 17 de maio de 2015

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Olá amigos... Ao longo dessa última semana ainda vimos o efeito negativo das ações da Eaglemoss Collection Brasil se propagar. Atualmente esse impacto negativo vem tomando outras conotações que, ao meu ver, será o legado de toda essa polêmica, ou seja, mais do que o problema com "resina" o que ficará para todos serão as ações inadequadas que a empresa tomou em seu relacionamento com os fãs, a saber: 1) - O lançamento de peças com uma determinada descrição e o envio da mesma peça em outro material ao comprador; 2) - Após a resposta negativa do mercado diante desta conduta a alteração da descrição de metal para resina no site; 3) - A colagem de adesivos nos fascículos que acompanham as peças ocultando o local onde estava escrito "esculpido em metal"; 4) - Uma política de pouca transparência e incapacidade de sintonizar com o gosto dos colecionadores. Não consigo ver outra razão para isso a não ser uma gerência completamente sem sintonia com seu público consumidor e que, infelizmente (ao que tudo indica), tem um "olhar" único e exclusivo para questões mercadológicas, desconsiderando o aspecto emocional que envolve esse tipo de ramo de negócio. Colecionismo é um ramo que envolve "paixão" e qualquer empresa desse ramo que não entender isso, e que não programar suas ações dentro dessa lógica estará fadada ao não crescimento. 

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Felizmente, as peças em si não tem nada a ver com toda essa trapalhada. Nesse sentido falaremos hoje da peça de Nº 46: Capitão Marvel (Genis-Vell). Analisando em primeiro lugar a peça podemos comentar alguns aspectos. A modelagem da anatomia, proporção e características antropométricas da estátua estão condizentes com o personagem nos quadrinhos. Além desses aspectos, acredito que a pintura da peça também está boa. O uniforme do personagem mistura o que parece uma "placa peitoral" vermelha com um tecido interessante que recobre o restante do corpo. Esse tecido escuro emula o aspecto de profundidade cósmica a que o personagem está ligado. Com a consciência expandida pela Inteligência Suprema Kree, Genis-Vell ganhou o que é conhecido na Casa das Ideias como "Consciência Cósmica". Um profundo e consistente senso do cosmo como um todo.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

A textura do restante do uniforme do "herói" provém desta consciência expandida do personagem, sua dádiva e sua ruína como veremos abaixo. A postura em que Genis-Vell se encontra é interessante ao colocar em primeiro plano o elemento mais importante na mitologia dos "Capitães Marvel": os braceletes cósmicos. Sendo assim, não há contradição ou mesmo mal estar com esse aspecto da peça. Um dos pontos negativos, no entanto fica por conta de uma questão recorrente ao longo da coleção, a modelagem do rosto do personagem. Como vimos em outras peças analisadas aqui, personagens com a face desnuda possuem uma modelagem mais sofrível, que em geral os afasta de suas feições conhecidas nos quadrinhos. No caso deste Capitão Marvel podemos dizer que esse problema não chega a incomodar já que, em função de suas feições azuis, a perfeita definição do rosto não é tão necessária.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Muitos colecionadores ficaram em dúvida quanto à identidade deste personagem que pouco lembra o Capitão Marvel mais conhecido na mitologia Marvel, um guerreiro Kree de cabelos loiros chamado Mar-Vell e que morreu de câncer em uma das mais tocantes histórias da Marvel publicada em 1982. Na verdade, Genis-Vell é filho de Mar-Vell e, em função de suas histórias serem pouco conhecidas, temos então as dúvidas e confusões. Antes de comentar sobre o histórico de Genis-Vell, gostaria de trazer uma importante informação sobre esse conhecido nome: "Capitão Marvel". O Capitão Marvel Original é, na verdade, o personagem conhecido atualmente como "Shazam!" e possui como alter-ego o jovem Billy Batson. O Capitão Marvel Original ou Shazam! (como a DC quer que o chamemos atualmente), foi criado durante a Era de Ouro dos Quadrinhos (1938-1956) para rivalizar com outro personagem da época o "Superman". Com essa criação iniciava-se então um grande embate judicial por plágio entre a DC Comics (National Comics na época) e a Fawcett Comics (criadora do Shazam!). Com o abandono do processo pela Fawcet Comics anos depois, o personagem e seu nome (Capitão Marvel) caíram no limbo editorial, abrindo caminho para que, em 1967, a Marvel Comics criasse o seu Capitão Marvel, pai então de Genis-Vell.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Após a morte de Mar-Vell, sua esposa Elysius de Titã, se utilizou do material genético do falecido marido para conceber uma criança, a que dá o nome de Genis-Vell. Envelhecendo artificialmente o filho para que não se tornasse uma presa fácil pelos inimigos de seu pai, Genis-Vell torna-se o herói conhecido como LEGADO, vivendo durante um tempo como aliado do Surfista Prateado. No entanto, em pouco tempo Genis-Vell reivindicaria o nome deixado por seu pai, Capitão Marvel. Assumir tal nome e legado, acabou por despertar a Consciência Cósmica latente dentro de Genis, algo como que uma herança genética de seu pai, conferindo portanto a ele um novo papel dentro do universo Marvel.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell
O senso de Onisciência advindo da sua nova consciência ampliada, conduziu lentamente Genis-Vell à loucura, tornando-o alguém instável e perigoso. Inicialmente esse estado foi contornado pela sua mãe (Elysius), sua irmã Phyla e pelo antigo parceiro de seu pai, Rick Jones. Durante essa fase de restauração e estabilidade Genis-Vell integrou a equipe de anti-heróis conhecida como Thunderbolts. Foi durante essa fase nos Thunderbolts que Genis-Vell mudou seu codinome de Capitão Marvel para Pulsar. O destino de Genis-Vell, no entanto parecia não concordar com sua existência.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Assim, a tragédia voltou à vida do personagem. Ainda no Thunderbolts Genis-Vell voltou a sofrer (após um combate com o Homem-Púrpura (inimigo do Demolidor)) a triste instabilidade mental à que fora vítima antes. Como numa analogia de um doente mental que luta para se manter firme ao tecido da realidade sem sucesso, Genis-Vell tentava manter o equilíbrio entre sua quase onisciência e sua vida de ser vivo único. No entanto, a dádiva da Consciência Cósmica passou a colocar em risco a vida em todo o Universo e Genis-Vell foi assassinado pelo Barão Zemo, líder dos Thunderbolts na época. Isso ocorreu em 2005. 

Genis-Vell é uma metáfora sobre a beleza, pequenez e finitude de nossa existência. Uma história, ao mesmo tempo rica em elementos existenciais (advindas da dádiva da consciência cósmica) e triste, face à tragédia proveniente da incompatibilidade de um ser vivo carregar tamanho senso de existência.

Miniatura Marvel Nº 46 - Capitão Marvel - Genis-Vell

Bom amigos... É isso aí. Continuarei a publicar as matérias sobre as peças da coleção entendendo que, acima dos passos errados da empresa, está a satisfação de falar sobre os personagens e miniaturas. Isso, no entanto não nos exime da responsabilidade de apontar para a Eaglemoss suas falhas, sempre no sentido de melhora-la. Espero que a empresa entenda o potencial que tem nas mãos e como poderá, caso mantenha esse tipo de relacionamento com seus consumidores, perdê-los. Que a empresa se lembre que, como qualquer relacionamento, as ações cumprem uma via de "mão dupla". Assim, espero que a Eaglemoss lembre-se do potencial que possui (conforme listado abaixo) e não o coloque a perder.

1 - Um mercado ávido e continental em suas mãos.

2 - Uma carteira de clientes devotos.

3 - Um produto que, para muitos só vale se for completo, ou seja, se forem compradas todas (ou a maioria) das peças.

Abraço à todos...

domingo, 10 de maio de 2015

Eaglemoss: Metal x Resina - Essa sim uma polêmica verdadeira


O presente Blog já há muito fixou sua linha editorial (sob minha responsabilidade) em diversos aspectos da cultura pop, tendo, no entanto um em especial, o "Colecionismo". Mais especificamente a Coleção de Miniaturas de Metal da empresa inglesa Eaglemoss. Para manter essa coerência e a historicidade do Blog senti-me sob a responsabilidade de deixar aos leitores minha opinião sobre a incrível mudança de estratégia comercial adotada pela Eaglemoss no que se refere ao material do qual as peças Especiais da Coleção são feitas: de METAL para RESINA. Embora possa ter seu valor, a resina é um material mais leve e que, apesar de não alterar necessariamente o aspecto da peça, altera algo muito mais importante que isso para o colecionador: SUA ALMA.


Desde o início desta fantástica coleção de metal da Marvel (abril de 2012) e da DC (agosto de 2013) venho adotando uma postura de ampla e incondicional defesa da Eaglemoss por entender que ela é uma empresa estrangeira de colecionismo de qualidade, com distribuição em vários países e que literalmente expandiu infinitamente o horizonte do "Colecionismo de Qualidade" no Brasil com sua chegada. Minha defesa também se baseou no fato de que sempre sonhamos em ver coleções boas em nosso país, portanto nunca consegui entender a postura de fãs que "destroem verbalmente" a empresa por pequenas falhas, mas que acabam tratando bem vendedores incrivelmente inescrupulosos no Mercado Livre e de outras redes sociais (os chamados vendedores "Scalpers") que praticam preços abusivos e vendem peças com os mesmos eventuais erros da Eaglemoss. Essa aliás sempre foi a postura que mais me irritou no colecionador, ou seja, a de denegrir a empresa (que vende a peça dentro de preços minimamente praticáveis) e idolatrar "scalpers" que vergonhosamente nos exploram e contribuem para que o empreendimento empresarial vá à falência. Lembro, aliás que se isso acontecer voltaremos à 04 anos atrás quando tínhamos que viver sob o jugo dos Scalpers.


Dito isso, ressalto que continuo torcendo pela Eaglemoss não porque acho-a a melhor empresa do mundo, mas porque quero ver um Brasil livre (ou pelo quase livre) de "Scalpers" e com colecionismo de qualidade dentro dos trâmites legais de nosso país. Porém...

Porém, há cerca de 01 mês a Eaglemoss tomou uma medida sem qualquer aviso prévio: de alterar o material das peças Especiais de Metal para Resina. Recebi essa mudança com um imenso pesar e indignação por alguns motivos que gostaria de colocar aqui. Talvez o mais importante deles relacione-se à falta de "cuidado" (e estou sendo educado) com o colecionador. Essencialmente, o colecionador que investe nessa coleção possui um perfil específico, ou seja, compra as peças sobretudo pelo fato delas se afastarem do conceito de "brinquedo lúdico" (aqui vai uma ressalva, o "brinquedo" pode, e muitas vezes é, tão valioso quanto qualquer outra peça, mas essa não era a proposta inicial da coleção) e se aproximarem do conceito de "Obra de Arte". Nesse escopo, diversos são os fatores que a fazem parecer uma estátua com aspectos artísticos, dentre eles o "Material" do qual são feitas. A liga metálica traz um "peso" não apenas físico à peça, mas sobretudo "simbólico" no íntimo do colecionador. Por mais que o fã goste de admirar de longe a miniatura, ele sabe que no fundo ali está uma "ESTÁTUA" com todas as características que a compõem, inclusive seu material.


Ao alterar esse elemento a Eaglemoss retirou a "ALMA" da peça, levando a coleção para o "lugar comum" das outras coleções. Rebaixou a coleção ao nível de peças com material mais inferior. Isso está fazendo com o colecionador com o perfil descrito acima se afaste indignado ao perceber, sem aviso prévio, tal mudança. Ao modificar o METAL para RESINA a empresa retira a exclusividade da coleção e a atira ao lugar comum nas bancas. Retira seu diferencial e uma de suas principais características que a define como "Obra de Arte". Sei que há muitos colecionadores que gostam da resina e costumam colecionar peças com diversas propostas distintas. Não quero aqui dizer que esse colecionismo mais geral é ruim (eu inclusive gosto e me utilizo dele), apenas digo que a imensa maioria que buscava a Coleção de Metal da Eaglemoss perseguia algo mais.


Até o momento o que temos são informações desencontradas e não oficiais da empresa, dadas por atendentes que não sabem ou não entendem o que se passa. Sendo assim circularam algumas hipóteses que, sem a confirmação da Eaglemoss, ficam difíceis de serem validadas como verdadeiras. Dentre elas ouvi que essa mudança ocorreu em função de uma "determinação direta da DC", para que as peças passassem a ter mais sustentabilidade, menor custo de transporte e manutenção de preços em níveis adequados. Porém, tudo isso se perde sem a presença de um comunicado oficial. Outro aspecto muito ruim e talvez pouco "ortodoxo" praticado recentemente pela empresa foi a modificação da descrição das peças na Loja Oficial e colocação de adesivos cobrindo os fascículos no local onde antes se lia "Miniaturas Esculpidas em Metal". O setor de "Planejamento Estratégico" da empresa, em associação com o "Marketing", precisam rever essa situação e considerar seu impacto no futuro da coleção.


O MELHOR a se fazer nesse momento ao meu ver não é destruir a empresa, até porque isso pode acabar acontecendo sem nossa ajuda com a redução drástica das vendas, o que traria o vácuo perfeito para os "Scalpers" retornarem soberanos. Também não acho que devemos esquecer esse fato, passando a viver como "bebês chorões" que só reclamam e não fazem nada. Talvez o melhor a fazer seria manter um canal de comunicação ativo com a empress através de seu "Fale Conosco" sem esperarmos, obviamente, por um retorno e solução imediatos. Uma empresa não muda uma estratégia do dia para a noite. Não adianta reclamar que o "Fale Conosco" não retornou com a resposta que esperávamos imediatamente. O que deve ser feito é um envio de comunicados e mensagens sérias, eticamente adequadas e CONTÍNUAS de maneira que, com o tempo a empresa entenda o "querer" real da comunidade colecionadora. Entendo que fica difícil para eles separarem comentários sérios, justificados e fundamentados do ruído geral que muitas vezes mais parece uma choradeira sem fim.


Não acho que agressões verbais de baixo calão sejam o caminho nesse momento, mas sim um "levante" honesto, ético e cheio de razão da comunidade colecionadora. Vivemos um momento delicado, em que a crise mundial e nacional podem interferir negativamente na manutenção da coleção. Não sejamos mais um elemento para a derrocada da empresa, mas sim um elemento que contribui para a melhora real e sustentada dos serviços prestados. Exijamos nossos direitos e façamos ouvir nossos desejos e sentimentos como nação colecionadora organizada e madura.



Fiz questão de usar os "Banners" da Loja Virtual da Eaglemoss aqui por único motivo: para que vejamos o qual excelente é essa coleção para que seja simplesmente descontinuada por dois motivos contornáveis: O PASSO EM FALSO DA EMPRESA e nossa eventual REAÇÃO INADEQUADA a ele.

Que a força esteja com você.

domingo, 3 de maio de 2015

Astro City - Vol. 01 - Vida na Cidade Grande


Desde há muito tempo busco informações e material sobre uma série chamada "Astro City". Duas coisas me chamaram atenção quando comecei a ouvir falar desse Universo ficcional. A 1ª delas, e mais óbvia, foi a arte impecável, realística e perfeita de Alex Ross nas capas. A 2ª, e mais pessoal, foi a percepção que a série me passou de que faria uma representação perfeita e definitiva do Universo dos Super-heróis em seu cerne. Não há como negar que todos os amantes de quadrinhos comungam de uma empatia à determinados valores, ideais e fantasias sobre como é, ou deveria ser, o Mundo dos Super-heróis. Por mais que a Era Moderna dos Quadrinhos tenha desconstruído os heróis em suas angústias, medos e neuroses (tornando-os com isso mais sombrios), esse ideal sutil e profundo não foi destruído. Mas permaneceu latente. Assim, Kurt Busiek (o aclamado roteirista de Marvels) conseguiu, após toda desconstrução que foi feita no passado, reconstruir o Universo Super-heroístico de maneira ímpar e primorosa. Após anos com material esparso sendo lançado aqui e acolá no Brasil, temos agora uma iniciativa da Editora Panini que, se realmente seguir em frente, nos brindará com uma das mais incríveis e perfeitas visões do Mundo dos Super-heróis, permitindo-nos entender porque gostamos tanto desses fantásticos e coloridos seres.


Kurt Busiek, ao lado dos desenhistas Alex Ross (arte conceitual e capas) e Brent Anderson (arte interna), construiram um Universo habitado por incríveis super seres. Todos, aliás, personagens que emulam os mais conhecidos heróis, equipes e vilões da Marvel e da DC. Porém, essa imitação não é nada escondida, pelo contrário, Busiek faz questão de mostrar que esse personagem ou aquele é sua versão de outro bem conhecido (Ex. Superman, Quarteto Fantástico, Vingadores, Batman, Capitão América...). Isso porque o foco não é exatamente as aventuras desenvolvidas por esses personagens, mas sim a forma que, com o tempo, esses heróis, vilões, pessoas comuns e a realidade ao redor se moldaram de maneira a conviver com tais elementos fantásticos. Assim, tudo se transforma em um grande ensaio sobre a adaptação de um Mundo que agora vive sob interferência contínua destes seres. Tudo desenvolvido no Microcosmo de "Astro City", uma cidade em que a maioria dos heróis vive. O Vol. 01 da Panini traz o início dessa obra-prima com seus 06 primeiros capítulos. A história inicial (Em Sonhos) traz como personagem principal "O Samaritano", o super ser da capa acima e que na verdade seria nosso Superman.


"Em Sonhos" é uma história incrível pois, apesar de batalhas e intervenções grandiosas do personagem, o foco não é esse, mas sim a "rotina" de um Semi-Deus preso à impossível missão de salvar a todos, porém limitado pelo tempo, horas, minutos e segundos. Outro personagem que nos é apresentado é o "Agente de Prata", simulacro do Capitão América, que estrela a 2ª história: "A Notícia". Desenvolver toda uma mitologia de uma vez foi tarefa hercúlea para Kurt Busiek, se pensarmos que a Marvel e a DC tiveram décadas para fazê-lo. Mas em Astro City o autor constrói um passado sólido e cheio de mistérios, bem como uma realidade crível.


Um dos personagens mais estranhos é o "Caixa de Surpresas" (acima). Herói que estrela a 3ª história do encadernado: "Ver é Saber". Uma micro-trama envolvendo um ladrão barato que descobre um incrível segredo do Caixa de Surpresas. Você poderá ver que Busiek não tenta chocar ninguém, não tenta trazer violência como chamariz e não faz de situações polêmicas envolvendo os personagens seu Modos Operandi. Tal qual Mark Waid (um dos meus roteiristas preferidos), Busiek simplesmente pega os elementos essenciais dos Super-heróis e os trabalha de perto.



Mas foi com a hsitória "Proteção" (capa acima) que percebi onde Busiek queria chegar e me deparei com seu olhar sensível e profundo. Uma história que teria como personagem principal a heroína Vitória Alada (nossa Mulher-Maravilha), mas que coloca em foco Marta, uma Eleanor Rigby dos tempos modernos que se vê pequena, sem importância e medíocre em sua vida comum.


A penúltima história do encadernado "Reconhecimento" traz Bambambão, uma mistura de herói fanfarrão, ao melhor estilo de Errol Flynn, com um vigilante urbano. Qualquer semelhança com o Homem Aranha não é mera coincidência. É nessa história que Busiek aponta para um futuro complexo para série, ao abordar uma possível ameaça alienígena ao Mundo de Astro City.


"Jantar às Oito" (capa acima) fecha com "chave de ouro" esse 1º encadernado da Panini, trazendo um encontro perfeito entre dois dos maiores heróis de Astro City, "O Samaritano" e "Vitória Alada". Os diálogos entre os dois são afiados e perfeitos, o leitor é presenteado com uma conversa incrível entre dois seres poderosíssimos, além do interesse amoroso subliminar entre os dois pairando no ar e o mais importante, a fragilidade interna dos dois sendo apresentada, mostrando que no fundo não é a Marta (nossa Eleanor Rigby da 4ª história "Proteção") que é talvez a pessoa mais frágil do Mundo.

Bom amigos... Astro City é uma obra-prima bem vinda ao mercado Brasileiro que expõe o potencial das HQs para contar boas histórias se utilizando desses arquétipos que tanto gostamos, nossos queridos Super-heróis! Espero poder em breve trazer aqui uma outra matéria com o volume 02. Que venham os próximos encadernados!!

domingo, 26 de abril de 2015

Vingadores 2 - A Era de Ultron


Olá amigos... Os Vingadores retornam não deixando pedra sobre pedra em seu caminho rumo ao panteão dos Bluckbusters modernos. O filme que estreou no Brasil na última quinta feira (23/04) já levou multidões aos cinemas e, a julgar pelos diversos tipos de pessoas presentes nas diversas sessões, prova definitivamente que vivemos num mundo conquistado pela Marvel. Sem dúvida Kevin Feige consolida seu plano iniciado em 2006 com Homem de Ferro I e prova aos magnatas do entretenimento que a receita do sucesso das adaptações dos quadrinhos é: a) tratar a mitologia original dos personagens como se fosse um cânone a ser seguido a risca, sob o risco dos aficionados perceberem o embuste e botarem tudo a perder; e b) trazer efeitos especiais de primeira com muita luta e cenas grandiosas, sabendo no entanto que isso não vale absolutamente nada se o foco não for colocado na humanidade do herói ou vilão, com suas dúvidas e dramas pessoais.


O filme traz muitas surpresas sobre a vida de alguns personagens bem como sobre a dimensão que a Marvel quer trazer ao seu universo nas telas. Com lançamentos já oficiais de filmes até 2019 e extraoficialmente até 2028, Kevin Fiege finalmente desfralda sua gigantesca visão à indústria do entretenimento. Se antes ela vivia de imediatismos e bilheterias, hoje ela percebe que o plano de longo prazo, sem pressa e com qualidade pode ser a aposta certa. O cuidado com a construção dos personagens em filmes individuais fez com que a plateia no cinema se deleite com cada fala do herói ou vilão, como se duplos sentidos estivessem escondidos e, na maioria das vezes, estão mesmo.


No filme o fã poderá ver em uma sequencia toda fúria do Hulk liberada sobre uma cidade indefesa, algo só visto antes nos quadrinhos clássicos e antigos. Poderá também ver o sutil humor em vários momentos, um humor na medida certa, mas que se fosse usado de forma desmedida traria total descrédito a filme. A presença aqui e ali de personagens que apareceram em filmes anteriores (ex. Falcão, Máquina de Combate) trazem a agradável ideia de coesão à tudo. Novamente a história conduz os Heróis Mais Poderosos da Terra a situações de discórdia e desagregação, porém a solução passa pelo que todo fã quer ver, ou seja, pelo ideal super-heróico.


Um dos pontos de maior expectativa entre os fãs e para mim é o aparecimento do andróide Visão, incrivelmente interpretado pelo ator Paul Betany, com aquela sutileza filosófica tão presente no herói cibernético nos quadrinhos. Paul Betany já era conhecido do Universo Marvel há muito tempo ao fazer a voz da Inteligência Artificial conhecida como Jarvis. A presença do androide a partir de um certo ponto do filme, com toda sua estranheza e comportamento ainda desconhecido, traz uma expectativa contínua sobre sua participação na equipe.


Ultron é o vilão que a Marvel prometia: bizarro, violento, onipresente e quase onisciente. Sua criação é cercada por nobres questões e dúvidas, e sua estranheza pela humanidade faz alusão às ideias e histórias robóticas do Mestre Isaac Asimov. Talvez o único ponto que me chamou atenção negativamente foi a forma às vezes até jocosa que Ultron passou a se dirigir às pessoas. Como se quisesse fazer piadas. Talvez isso possa ser explicado pela sua rapidez em absorver as convenções sociais humanas. O movimento labial do vilão também não me pareceu muito crível, já que como é um robô feito de metal o movimento de sua boca deveria ocorrer em conjunto e não simular as pequenas ações labiais musculares humanas. Mas é claro que estou sendo preciosista nesses comentários, algo que não tem valor algum no conjunto final que é excelente.


Faço menção ainda às ótimas cenas envolvendo as credenciais da pessoa para erguer o Martelo de Thor, algo que rendeu muitas sequencias interessantes. A armadura do Homem de Ferro está muito bonita, e podemos ver Stark verdadeiramente dentro dela, algo que não aconteceu muito em Homem de Ferro 3. Máquina de Combate faz participação honrosa também. Os gêmeos Pietro e Wanda Maximof não fizeram feio. Confesso que não me agradou muito a escolha do ator que interpreta Mercúrio, pois em minha mente ele deveria ser interpretado por alguém mais magro e de cabelos brancos, e para Feiticeira Escarlate eu esperava alguém com um corpo mais "a lá" Angelina Jolie. Mas eles não decepcionaram.


Bom amigos... Essas são minhas impressões e espero que, quem ainda não foi, vá ver. Depois de uma semana cheia de polêmica envolvendo nossas peças da Eaglemoss (Metal x Resina) acho que precisávamos de um descanso assistindo à Vingadores 2!!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Bom amigos... Diante do grande assunto da semana (o envio da peça Superman Centenial Park de resina ao invés de metal conforme descrição original do Site da Eaglemoss), não podemos deixar passar em branco aqui. A descrição errada nem seria o maior problema, e sim o fato da coleção brasileira ficar diferente daquela vista ao redor do mundo. É possível que por algum problema de confecção essa peça tenha passado de metal para resina em algum momento, no entanto isso deveria ser explicado pela editora. Comprei um e o recebi em resina. Já encaminhei solicitação à empresa para a troca e recebi a seguinte resposta: Informamos que foi solicitado o reenvio da miniaturas sendo o prazo para o recebimento de acordo com a modalidade escolhida no pedido. Por enquanto ficamos no aguardo da resolução ou de um pronunciamento oficial.

Bem... Como a vida não pode parar vamos à nossa personagem protagonista desta matéria.

Lince Negra é Kitty Pryde, para mim, a eterna jovem meiga, doce e apaixonada dos X-Men. Alguém que entrou para o grupo num momento crítico da história mutante, logo após a morte de Jean Grey. Sua presença foi um sopro de alegria, juventude e renovação dentro dos X-Men. Kitty também protagonizou histórias importantes dentre elas e lendária "Dias de Um Futuro Esquecido" de 1981, sendo o pivô do arco. Nessa matéria discutiremos sobre a peça que a representa na Coleção de Miniaturas Marvel e recapitularemos fatos importantes de sua história.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

A peça traz Lince Negra em uma jovial posição, em pé e com um leve e despreocupado movimento do braço esquerdo. A compleição franzina (embora muito bem torneada) da moça está mantida. Seu uniforme faz parte da época em que esteve ligada aos X-Men. Seus cabelos castanhos estão bem modelados, embora a pintura do uniforme pudesse ter sido feita com um pouco mais de cuidado, já que podemos identificar o amarelo do uniforme central invadir a malha preta do resto do traje.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Outro aspecto que muitos fãs comentaram na época do lançamento da peça foi a modelagem do rosto da heroína. Kitty sempre foi conhecida por feições meigas, quase que como as de uma princesa. Diante disso muitos (inclusive eu) consideraram as feições atribuídas à Lince Negra nessa figura um pouco rudes e distantes do delicado rosto da moça nos quadrinhos. Já a presença do Dragão Lockheed pousado no braço direito é um ponto positivo, dando valor ao conjunto, uma vez que o réptil sempre foi "chave" na vida de Kitty. Essa combinação binária entre personagem principal e um acessório ou segundo personagem faltou também, por exemplo, em outra peça, a do Motoqueiro Fantasma pois, embora seja uma peça muito boa, não trouxe consigo a infernal moto do flamejante personagem. Já imaginaram a miniatura do Surfista Prateado sem sua prancha!?

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Katherine Pryde foi descoberta ainda adolescente pelo Prof. Xavier por meio de seu super computador Cérebro. Essa descoberta levou o Clube do Inferno (outro grupo de Mutantes da época) a se interessar pela jovem. Decidindo-se pela Escola do Prof. X, Kitty foi aos poucos encontrando seu lugar no grupo mutante. Logo de inicio ela manifestou seu interesse amoroso por alguém que (acredito eu) seja sua grande paixão: Colossus. O jovem russo a achou muito jovem para ele, no entanto nunca negou seu interesse recíproco por ela.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Colossus e Kitty Pryde talvez seja um dos grandes casais que todo Marvete gostaria de ver junto. Uma atração sincera, cheia de paixão e infelizmente não consumada até hoje. Não compartilho da visão de muitos roteiristas de que casais no mundo super-heróico não podem ficar juntos. Creio que na visão de alguns quadrinistas isso traria estabilidade aos personagens, engessando-os para roteiros futuros. Em minha opinião isso até ajudaria e tornaria mais crível a vida dos personagens, haja vista a relação de Jessica Jones e Luke Cage, Reed Richards e Sue Storm que, apesar dos pesares, enfrentaram juntos dificuldades e crises e ainda estão firmes.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Os poderes de Kitty sempre foram muito úteis aos X-Men. Capaz de atravessar matéria sólida Kitty é também imune à maior parte dos ataques no estado de desmaterialização, podendo caminhar no ar quando nessa situação. A mutante já possuiu outro codinome (Ariel) e fez parte de outro grupo de heróis além dos X-Men, o Excalibur. Um grupo com base na Inglaterra e para o qual Kitty entrou ao pensar que os X-Men haviam morrido. Ao lado do Capitão Britânia, Rachel Summers, Noturno e Meggan, Lince Negra viveu diversas aventuras surreais, sendo essa uma fase da vida da heroína que conheço muito pouco.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Kitty Pryde representa o ideal de toda garota que acredita na força do amor e não se sente piegas por ser assim. Não abrindo mão, no entanto de uma visão correta e real do quão dura a vida pode ser. O tipo de moça que talvez não faria muito sucesso na escola mas que, no final, seria a garota certa para se casar. Em tempos de histórias em que o abuso da violência parece ser um modus operandi dos quadrinistas para aumentar as vendas, essa é uma personagem que poderia ser muito aproveitada em função da energia positiva que encarna.

Miniatura Marvel Nº 45 - Lince Negra

Bom amigos... É isso aí!! Um grande abraço à todos! o/

sábado, 11 de abril de 2015

Demolidor - NetFlix


A década de 2000 viu nascer um fenômeno nunca antes visto: a expansão da cultura nerd. Pela primeira vez os fãs de quadrinhos conseguiam ver reproduzido nas telas aquilo que conseguiam sentir quando liam simples páginas de revistas de Super-heróis. Todo drama, luta, conflito interno e, acima de tudo, ideal super-heróico parecia que começava a ser traduzido de forma mais fiel no cinema. O ano de 2008 deixou  o mundo boquiaberto com Homem de Ferro I, adaptando para as telonas o herói de uma forma que revelou a todos porque gostamos tanto de quadrinhos. Demolidor (Série original NetFlix) que estreou ontem é produto dessa mesma onda e não decepciona.


Os primeiros episódios já dão o tom da série, ou seja, uma história que ficará (pelo menos aparentemente) circunscrita à um único ambiente, o bairro "Cozinha do Inferno" em Nova York. Para um "vigilante" ser crível em sua adaptação, creio que esse deve ser um dos principais aspectos a ser considerados, ou seja, o violento microcosmo dentro do qual a injustiça ganha um nível tão alarmante que pessoas saem fora da perspectiva usual e se sentem compelidas à fazerem algo. E o microcosmo do Demolidor está muito bem montado na série. Não há batalhas espaciais, cósmicas ou grandes cenas impactantes, o que há é a violência e a vida marginal de pessoas desagregadas e sozinhas. Algo emprestado diretamente (creio eu) da Queda de Murdock de Frank Miller.


Confesso que tinha minhas ressalvas com o ator escolhido para o papel de Matt Murdock (Charlie Cox), pois não conseguia dissocia-lo do papel que ele havia feito em Stardust - O Feitiço da Estrela. No entanto, sua interpretação na pele do herói urbano convence a partir do momento em que ele não tenta aparecer mais que o próprio personagem, fixando-se apenas no drama pessoal de Matt. Wilson Fisk (Vincent D´Onofrio) assusta mesmo ainda não aparecendo tanto nos primeiros episódios. Como uma nuvem negra o Rei do Crime parece cobrir toda a cidade, como um deus controlando tudo. Foggy Nelson (Elden Henson) está bem também na interpretação e traz o balanço mais ameno à vida de Matt. 


A série é cheia de referências aos quadrinhos, inclusive esse uniforme negro provisório adotado pelo herói e só pode ser uma homenagem a adaptação do herói cego para um telefilme de 1989 chamado O Julgamento do Incrível Hulk com Lou Ferrigno (confira na foto abaixo)!! A história do pai de Matt (Jack "Batalhador" Murdock) é bem apresentada e é construida com a dramaticidade que merece, pois o que acontece com o pai é (como todos sempre soubemos) norteador na vida do Demolidor.

O Julgamento do Incrível Hulk - Filme de 1989. O uniforme é exatamente o mesmo da nova série.

Os produtores não sucumbiram à tentação de retratar os super-sentidos do herói de maneira espalhafatosa, mas optaram por uma abordagem discreta e bem direcionada, como se cada sentido em ação escolhesse o alvo de atenção do momento e o expandisse. Gostei muito do fato das referência religiosas, tão presentes na mitologia do herói, serem mantidas na série com o respeito que qualquer religião merece. E nesse caso o catolicismo serve para expandir ainda mais seu drama pessoal, que possui dentro de si uma fome selvagem e brutal (literalmente) por justiça. A fotografia é bem marginal e aproxima Matt do ambiente das brigas de rua, algo que ele preserva como um elo com a profissão de boxeador do pai. Por fim não poderia deixar de falar sobre a incrível abertura!!!!


Uma abertura com imagens emulando sangue, justiça, espiritualidade, o urbano e por fim o herói em sua vestimenta clássica. A maneira como as imagens vão se formando me arremete a forma como (possivelmente) elas são construidas na mente do herói. Excelente! A trilha sonora dá o tom sombrio e reflete muito bem a contexto no qual o herói sempre viveu.


Bom amigos... Nos resta esperar pelas adaptações de Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro que, se manterem essa linha de narrativa, só nos trará boas surpresas!!

Abraço à todos!!
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