Um verão inesquecível na vida de um jovem em 1973. Uma temporada de trabalho como Serviços Gerais em um Parque de Diversões para ajudar a pagar a faculdade e esquecer uma jovem que lhe deu o "pé na bunda". Esse foi o verão de 1973 para Devin Jones, um cara (um tanto melancólico) que buscava desesperadamente esquecer seu primeiro amor, mas acabou tendo uma experiência que lhe marcaria para o resto da vida. Joyland livro de 2012 de Stephen King fala de crescer, amadurecer, de perdas, memórias e, acho que podemos dizer, do sentido das coisas. Talvez o romance não possua a grandiloquência de outros livros de King, mas nem quer ter. Ele se volta para as pessoas, para o ambiente íntimo de cada um. É um recorte de emoções profundas e por isso mesmo, intimista.
Começo dizendo que uma das coisas que mais me encantou no livro foi o elemento que serve de pano de fundo para a história, ou seja: O Parque de Diversões. King consegue traduzir todo encanto, alegria, diversão e (como em uma outra face da mesma moeda) toda solidão, medo, melancolia e desolação que um Parque de Diversões pode evocar. Os bastidores do Parque de Joyland é devassado e nos faz perceber o quão rico esse universo escondido é. Como frequentadores de parques vemos apenas o neon brilhante, os sorrisos e a alegria. Mas por baixo há um Mundo rico em companheirismo, camaradagem, tristezas e histórias enigmáticas. Sempre vi Parques de Diversões como um lugar que escondia mais do que apresentava, mas sempre quando vamos embora esquecemos disso e jogamos nossas perguntas e impressões para o fundo de nossa mente.
O Parque de Joyland é, sem dúvida, uma presença viva e um personagem onipresente na narrativa. Devin Jones evoca o camarada boa praça e de coração partido. Sua trajetória no Parque é seguida pela sombra de um assassinato ocorrido no interior do Trem Fantasma de Joyland, conhecido como Horror House. Como resultado do homicídio cometido há cinco anos, em 1968, ficou a lenda de que o fantasma da jovem assassinada (Linda Gray) aparecia ocasionalmente às pessoas mais sensíveis e com alguma capacidade mediúnica.
Devin Jones conhece pessoas incríveis durante o verão em Joyland, dentre eles Erin Cook e Tom Kenedy (também universitários e colegas de trabalho). Temos também Lane Hardy, Pop Allen, Rozie Gold (ou madame Fortuna - a cartomante do Parque)... funcionários que além de serem amigos possuíam o calor humano característico do que podemos chamar de família verdadeira. Ah! Sem deixar passar o Sr. Brad Easterbrook (o velho e amigo dono do parque). Nesse caminho Devin conhecerá o "Colóquio", uma linguagem rica e toda própria dos Parques de Diversões (e isso é verdade). Quem tem Alma de Parque sabe o que isso quer dizer.
Ao longo do verão Devin pilota a Roda-Gigante (chamada carinhosamente de Carolina-Spin), vende cachorro-quentes, refrigerantes, cuida de barracas de tiro ao alvo, de carrinhos bate-bate, das Montanhas-Russa do Parque (a Thunderball e a Delirium Shaker), lava, engraxa, veste a roupa de Howie (o cão mascote do Parque) e salva a vida de uma garotinha que se engasga com um cachorro-quente.
Temos também as Garotas-Hollywwood, universitárias ou interessadas em ganhar um dinheiro perambulando por Joyland tirando fotos dos Bobs (a forma como os frequentadores do Parque são tratados no Colóquio). A ruiva Erin Cook, amiga de Devin era uma Garota-Hollywood e passeava por Joyland com a câmera fotográfica padrão do lugar: a Speed Graphic. Erin é a garota que estampa a capa do livro, incrivelmente desenhada por Glen Orbik.
Em meio a tudo isso, ainda há Mike, um garoto fadado a ter poucos anos de vida em virtude da Distrofia Muscular de Duchene. Mike é mais que um garoto doente, ele tem o "dom". E sabe que o espírito da garota Gray está preso e vagando dentro do Trem Fantasma, o Horror House.
Tudo isso, é claro, poderia ser mais um romance de terror, mas o que acho incrível em Stephen King é a capacidade que ele tem de desenvolver seus personagens e de retratar o belo e singelo ao lado do terror mais sombrio.
Comparo Joyland à Stand By Me, obra de King adaptada para o cinema em 1986 que possui elementos sensíveis, perenes e, ao mesmo tempo, assustadores. Uma reflexão do quanto o mundo é belo e ao mesmo tempo sombrio. Se você não assistiu à Stand By Me não perca tempo. Um momento mágico nas vidas dos atores Will Wheaton (Star Trek - A Nova Geração), Corey Feldman (Goonies) e Jerry O´Connell.
É isso aí amigos! A próxima vez que for a um Parque de Diversões lembre-se... Há muito mais do que podemos ver lá!





















































