sábado, 19 de novembro de 2016

O Universo em Suas Mãos


Escrever sobre as últimas fronteiras da ciência no que se refere às nossas origens, à matéria da qual somos feitos, ao nosso destino dentro de um contexto maior e, principalmente, sobre o entendimento de "quem somos nós" é uma tarefa que exige, além de um talento didático incrível, uma capacidade de síntese maior ainda. Christophe Galfard, autor de O Universo em Suas Mãos (2016) foi aluno de Doutorado do grande físico e expoente de nossa era Stephen Hawking e, dentro desta perspectiva abraçou o desafio de escrever um livro assim.


Lançado em Abril de 2016 a obra traz, literalmente, as fronteiras de nosso conhecimento atual a respeito das questões acima. Acessível e lúdica, a escrita de Galfard abre mão de explicações complexas (que os acadêmicos adoram para mostrarem suas qualificações) e constrói uma dinâmica perfeita para auxiliar o leitor. Além disso, promete ao leitor, logo no início do livro, algo que achei que seria incapaz de cumprir: Promete não deixar ninguém para traz em sua narrativa.


O autor inicia o livro proporcionando ao leitor a clara e incontestável escala de grandeza que o nosso Universo possui para, logo em seguida trazer, um conceito que para o leigo torna-se incrível: Os Limites do Universo. Partindo-se do princípio de que estamos em um determinado ponto do Universo, caso conseguíssemos viajar uma distância de 13,8 bilhões de anos-luz chegaríamos no que a física conhece hoje como Muro de Última Difusão. Claro que para chegarmos lá teriam se passado 13,8 bilhões de anos-luz caso viajássemos à velocidade da Luz, e o que procuramos já não estaria lá mas, neste ponto (13,8 bilhões de anos-luz) a partir daqui em qualquer direção que fossemos, encontraríamos uma superfície para além da qual encontram-se os segredos do Big Bang. Este Muro nada mais é do que a primeira fronteira depois do Big Bang e define o ponto a partir do qual a luz tornou-se livre para viajar e permitiu que nosso Universo se tornasse visível. Este conceito de abertura já choca o leitor e o prepara para outros mistérios que virão que mais parecem "mágica" do que realmente constatações e teorias científicas.

Entre o Muito Grande e o Muito Pequeno Newton é Rei...

Parece incrível, mas até o início do Século 20 a Lei de Newton reinava soberana explicando praticamente todos os movimentos em nosso Planeta e fora dele. Tudo isso continuaria se não fosse... Mercúrio! Quando os cientistas estavam calculando as órbitas de todos os Planetas ao redor do sol uma coisa não bateu, a órbita de Mercúrio (o Planeta mais próximo do Sol). Foi aí que surgiu um homem chamado Albert Einstein e produziu um teoria que revolucionaria tudo. Einstein teorizou (e depois descobriu-se que ele tinha razão) que qualquer corpo do universo (inclusive você e eu) produz um efeito sobre o tecido do universo, tal qual uma bola pesada em cima de um lençol estendido. Após esta ideia a humanidade começou a entender o que era a gravidade. Só a partir disso é que percebeu-se que a órbita de Mercúrio não batia pelos cálculos da lei de Newton porque um grande corpo celeste perto dele (o Sol) produzia um deformação muito grande no tecido do Universo mudando a órbita do pequeno Planeta. Mas Einstein foi além e concebeu o que passamos a conhecer como Lei da Relatividade Geral. Esta lei passou a explicar tudo no Universo, até mesmo o que acontece nos lugares mais distantes, até que outra coisa passou também a não bater e "catapimba!!", precisávamos mais uma vez de outra lei para explicar o estranho Mundo do muito pequeno.


Quando muitos se voltaram para o mundo do muito pequeno, o Mundo Quântico, todos esperavam que as mesmas Leis que valiam fora dele se aplicavam a ele, só que não. Se pensamos que no mundo do dia a dia uma bola cairá sempre para baixo obedecendo a Lei de Newton isso se mostrou totalmente diferente no Mundo Quântico. Um mundo feito de partículas menores que os átomos, os chamados glúons, prótons, neutrôns, elétrons e muitos outros. E tinha mais coisas estranhas ainda... Uma partícula que estava aqui de repente aparecia inesperadamente em outro lugar (!?!?), fenômeno esse que os cientistas passaram a chamar de "Tunelamento Quântico". Para isso precisava-se de uma nova teoria, e eis que assim nasceu então a Teoria Quântica de Campos. Desta teoria obtivemos uma das leis mais absurdas que poderíamos conceber, a saber: se uma coisa tiver que acontecer no Mundo Quântico, ela vai acontecer! Estranho para você amigo leitor? Isso porque você não viu nada ainda e no livro você ficará de queixo caído com outras leis que regem o Mundo do muito pequeno.

O Mundo do Muito Pequeno 

Com a inauguração do Grande Colisor de Hádrons nos anos 2000, um equipamento localizado na fronteiro Franco-Suiça, todas estas teorias estapafúrdias sobre o Mundo Quântico vem se mostrando todas corretas. Mas se no Mundo do Muito Pequeno tudo que pode acontecer realmente acontece, porque que nossa realidade não fica mudando a cada segundo ao bel prazer das incertezas quânticas? Bem... Das duas, uma... Ou algo acontece entre o nosso Mundo e o Mundo Quântico que impede que esta aleatoriedade migre para nossa realidade, ou então realmente tudo acontece sim!!! Absurdo para você!? Pois é... Para muitos cientistas também, até aparecerem evidências de que isso é possível mesmo (!!). Ou seja, cada vez torna-se mais claro que os inúmeros caminhos a serem seguidos pelas partículas no Reino Quântico realmente são seguidos, gerando então o que é conhecido por muitos Nerds há muito tempo: As Realidade Paralelas. Algo aparentemente absurdo, mas que no final começa a se tornar cada vez mais plausível.


E o que dizer dos Monstros cósmicos espalhados pelo Universo... Os Buracos Negros. Por que ele é tão estudado atualmente? A importância destes gigantes comedores de tudo o que há ao seu redor se dá porque a deformação que promovem no tecido do Universo é tamanha que as duas teorias aceitas hoje (da Relatividade Geral e do Mundo Quântico) acabam por tornar-se apenas uma, à semelhança do que existiu no início do nosso Universo, onde tudo estava junto em um mesmo ponto. A isso chamamos de "singularidade", ou o Santo Graal da física moderna. Desta impossibilidade de se juntar em um mesmo ponto o que se parece irreconciliável, a física moderna busca então uma nova Teoria, uma teoria que consiga abarcar todas as 03 principais teorias que explicam nosso Universo (a de Newton, da Relatividade Geral e Quântica de Campos), ou seja, a TEORIA de TUDO. Daí então entra a chamada TEORIA - M, ou mais conhecida como Teoria das Cordas.


Em relação à Teoria das Cordas tudo fica mais incrível e mais mágico ainda! Se você ficou maravilhado com as primeiras partes do livro ao explorar o funcionamento do Universo pelas lentes das principais teorias que conhecemos isso não será nada comparado às possibilidade que a Teoria - M parece oferecer. Desde os primórdios da ciência sempre soubemos que nunca conseguiríamos observar nosso universo de um ponto de vista especial, ou seja, de "FORA DELE". Correto? Bem... parece que não. A Teoria das Cordas nos apresenta a possibilidade de que, para além do Mundo Quântico, numa escala incomensuravelmente pequena, exista determinadas estruturas (cordas) com características vibracionais distintas conectando universos parecidos com o nosso. Muita ficção cientifica para você? Bem... Para mim também. Esta última parte da Teoria das Cordas ainda carece de muita comprovação, mas a Teoria de Einstein e Quântica de Campos até bem pouco tempo também careciam, e hoje são plenamente aceitas e comprovadas. Isso quer dizer que, dentro em breve meus amigos, estaremos próximos das Portas da Percepção.


Um grande abraço à todos...

2 comentários:

  1. Marcelo, li seu texto sobre o livro “O Universo em Suas Mãos”.
    Amei! Quis muito comentar porque é algo tão magnífico e cheio de encantamento, mas infelizmente não consigo fazer um comentário apropriado, tão “leiga” que sou. Então, a alegria de te ler com tanta desenvoltura sobre nosso universo já me basta.
    Entendo porém, que é um trabalho com sequências, com ideias gerais para compreensão desses fenômenos. Fiquei completamente maravilhada, e no meu jeito simples te digo: mergulhei com profundidade nas tuas palavras e colhi pérolas. Como descrever isso? Vais rir mas irei escrever. É como se fosse um pote enorme de suco concentrado que você precisasse dissolver em vários galões de água. Porque cada descoberta tem essa capacidade de síntese espantosa, eles condensam o conhecimento.
    Cada explicação tão gigantesca! Olha só de quem “Christophe Galfard” foi aluno? “Stephen Hawking”!!! O cara é um gênio!!!
    A Gênese está no comando de todos estes fenômenos do nosso universo.

    Abraço

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    Respostas
    1. Olá Maria Fernanda!

      Que bom que gostou. São muitas ideias que à princípio podem parecer estranhas e incríveis, mas que a física teórica tem se aproximado muito delas, seja por equações matemáticas seja por experimentações.

      No fim, as coisas são muito mais belas e mágicas do que pensamos. Estamos apenas na praia do oceano cósmico recebendo pequenas pérolas que chegam até nós de lugares distantes sim. Você tem toda razão.

      Fiquei bem contente com seu comentário e espero sempre vê-la por aqui comentando e trazendo sua opinião.

      Venha sempre... Muito obrigado!!

      Marcelo

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