domingo, 11 de setembro de 2016

Star Trek - Sem Fronteiras


Star Trek retorna aos cinemas! Seu retorno é também um retorno às origens da Série, que atuou como um farol utópico de convivência pacífica para a segregada sociedade Americana da época dos Anos 60. Hoje poderíamos extrapolar essa segregação ao nível Mundial. Daí a importância de filmes e obras que sustentem a possibilidade de ideais que transcendam nossa Adolescência como Espécie. Para os recém chegados ao Mundo de Star Trek, vale lembrar que a Federação de Planetas Unidos (sobre a qual toda mitologia da Série gira e tem na Terra sua sede) surgiu no passado após um Holocausto Nuclear terrestre, e foi criada como tentativa de aprendermos com nossos próprios erros. Nesse sentido este último filme da franquia (Star Trek - Sem Fronteiras) nos sintetiza esse ideal nas palavras do Capitão James T. Kirk em um das cenas finais: "Prefiro morrer para preservar vidas do que morrer tirando-as". Esta afirmação não exclui batalhas, guerras ou confrontos, mas as localiza dentro de um contexto maior do que a simples existência da violência por violência. Uma brutalidade totalmente a serviço de pequenos grupos. Infelizmente para aprender isso a humanidade (no Mundo de Star Trek) precisou ser, no passado, quase que exterminada para conseguir "zerar" o jogo.


Justin Lin, o Diretor, acerta ao trazer o tipo de vilão que mostra no filme. Parte do sucesso de determinadas obras está no fato de seus autores conseguirem condensar em certa medida, os "medos" atuais que regem uma sociedade. No passado experimentamos diversos "Medos": o sobrenatural (na Idade Média); o Estranho (ou Diferente); A Guerra Fria e seu potencial atômico... Hoje nos deparamos com um "Medo" novo, o medo do nosso próprio semelhante, que pode ser um terrorista, um sociopata que atira em escola e cinemas, ou mesmo um motorista de trânsito enfezado. Justin Lin traz um vilão que sintetiza esse medo. Quem assistir ao filme verá sobre o que falo, uma vez que Krall (o vilão) tem origens incrivelmente próximas à Federação.


Outro aspecto escondido nas entrelinhas do filme é: "Que Guerra realmente merece ser travada!?". Talvez muitos hoje responderiam que a Guerra que merece ser travada é a "minha" Guerra, a Guerra pessoal de cada um, a Guerra para se proteger. Uma resposta que coloca a humanidade em rota perfeita para que o mais "forte" ascenda ao poder. Viveríamos o "poder" do mais forte. Nesse sentido o filme propõe uma discussão sobre esse paradigma moderno, tendo a Federação como a opção encontrada pela Humanidade para tentar transcender a si própria. O filme não é "filosofia" o tempo todo, pelo contrário, na verdade tais questões estão apenas escondidas. O DNA da Série sempre foi, além daqueles colocados no início de meu texto, voltado para o Desconhecido, para a maravilha do Cosmo e do Universo, a nossa última Fronteira que só pode ser conquistada a partir da resolução de nossas diferenças. Daí a importância do elenco multi-étnico já na Série Original.
 

As interpretações estão muito boas e destaco a papel de Sofia Boutella como Jaylah, uma jovem guerreira sobrevivente da tragédia desencadeada pelo vilão Krall. A atriz traz uma combinação muito interessante entre, 1) selvageria, 2) ingenuidade diante das relações humanas, 3) confusão com as expressões humanas, 4) curiosidade pela música humana "antiga" e 5) sensualidade. Foi uma grata surpresa. A figura de Idris Elba fica um pouco escondida em meio à maquiagem do vilão Krall, mas sua composição de vilão é boa e se mostra uma ameaça realmente poderosa em função de seu ódio pelo que a Federação representa, ou seja, a manutenção da paz.


A respeito desse tema, "Paz", acho que cabe uma pequena reflexão. Para aqueles que vivem em paz, a própria "paz" sempre parecerá pálida, sem muito atrativo. Mas apenas um povo que sofreu e verteu seu suor ou sangue, é que sabe seu valor. Que entende e percebe os tesouros escondidos em meio às pequenas coisas do dia a dia. Pequenas coisas que existem em nossa vida apenas por causa da Paz. A Federação sabe disso em função do terrível destino que a humanidade se auto-impôs no passado. E é por isso que ela luta tão fortemente por esse ideal, o que a coloca em choque direto com os ideais de Krall. Aliás, se você observar bem, essas duas visões se antagonizam hoje na corrida presidencial americana. Ou seja, testemunhamos, portanto esse mesmo duelo diante de nossos olhos em nosso Mundo.


Acho que no final esta é a mensagem fundamental do filme. Recomendo e recebo de bom grado a visão dos produtores a respeito do filme. E para aqueles que querem polarizar todo e qualquer assunto, como por exemplo Star Trek x Star Wars, eu diria que já está na hora de começarmos a ver o que temos em comum, e não aquilo que nos separa!

5 comentários:

  1. Sabe Marcelo, não tinha esse interesse por filmes de Ficção Científica ou qualquer outro gênero de filme. Primeiro porque para mim o acesso a esse tipo de coisa era muito difícil.
    Segundo, precisamos ter exemplos para qualquer direção na vida, e eu apenas colhia pequenas coisas daqui e dali no dia a dia, no entanto acho que me sai bem até aqui.
    Entendo que “A espécie humana” ainda está na adolescência em muitas coisas.
    Você fala dos medos de uma sociedade moderna, estes que citou, mas eu falo de um medo que você não citou: tenho medo da tecnologia. A sociedade comum não faz a menor ideia da dimensão tecnológica que já pode estar presente nos meios protegidos (secretos). A tecnologia utilizada para dominar, em muitos países como o Estados Unidos, que desenvolvem tecnologias secretas que estão além de nossa vã compreensão. A ficção científica serviu de inspiração para muitos cientistas, e pior, para muitos generais mercenários a serviço de governos loucos. Por exemplo, ao fim da década de 70, os Estados Unidos e a União Soviética mantinham o planeta refém da guerra fria, colocando a riqueza e a engenhosidade acadêmica da nossa civilização dentro de uma latrina chamada “corrida armamentista”, e aí enfiaram quase a metade dos cientistas de todo o mundo, distribuindo milhares de armas nucleares ao redor do planeta. Depois que tudo isso “virou história” (nem tanto assim), a ciência ganhou mais autonomia para avançar para o bem da humanidade. Além de caminhar rumo à exploração do universo, outros planetas e até outras galáxias (Star Trek na vida real?), a ciência se voltou para o um outro universo tão grande quanto o primeiro: o próprio homem, já que o genoma humano não é mais mistério, células tronco reconstroem órgãos e conexões neurológicas, e até pesquisam formas de trazer mortos de volta à vida, através da criogênesis. Mas até que ponto o homem será capaz de colocar seu desenvolvimento a serviço do bem? Já temos os exemplos anteriores, então por que não ter medo? Estamos nos acostumando a ver novas tecnologias empregadas na medicina, na engenharia, na eletrônica etc, mas que nasceram dentro de pesquisas com fins militares. E aquelas que não foram liberadas para uso pacífico? Do que são capazes? Entre todos estes medos que citou, tenho este também que citei aqui.
    Bom... O Star Trek que assisti, no Netflix, tinha a missão maior de explorar o universo e descobrir novas fronteiras para a humanidade. Só que muitos querem o poder individual e não o benefício coletivo. Percebi que na sua jornada, sempre encontravam um vilão que sempre queria destruir o planeta ou apropria federação. Ele queria DOMINAR, construir seu próprio império.
    Acho que a humanidade está infelizmente, longe de conseguir a paz entre as nações, porque ela praticamente já nasceu guerreando. Conquistar mais e mais está no sangue das etnias.
    Os interesses são diversos, cada um quer impor os seus próprios, e os governantes não têm interesse real na paz, porque só buscam desenvolvimento econômico e dominância. Consequentemente haverá sempre guerras, infelizmente.
    Ler você é sempre um grande prazer, não vi ainda o filme, mas tenho certeza que vou adorar, porque é bom ver o bem vencendo e sendo exemplo. Isso é bom para que nossa geração ou de nossos filhos construam o seu positivo e lute por eles.

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    Respostas
    1. Olá Maria Fernanda...

      Muito obrigado pelo excelente e profundo comentário. Desculpe e demora em responder. Foi uma semana bem corrida.

      Realmente a tecnologia é algo a se temer sim. Ainda não temos ideia do quanto ela está nos despersonalizando e afastando da humanidade que carregamos dentro de nós.

      Fenômenos como redes sociais, Whatsapp entre outros tem nos afastado de nós mesmos e dos outros. No passado Isaac Asimov pensou em uma sociedade cheia de robôs com características humanas. Infelizmente parece que o que está ocorrendo é o contrário. São humanos que estão começando a se tornar robôs. Estamos emulando o lado frio e distante das máquinas e não o contrário.

      Este realmente é outro medo que nos rodeia. Star Trek tem seu valor por diversos aspectos, mas um deles realmente é o fato de pensar um futuro que não é distópico, mas sim bom. Em que a humanidade aprendeu que viver separado e segregado não leva a lugar algum.

      Muito obrigado pelo comentário e novamente desculpe a demora.

      Apareça sempre!!

      Abc.

      Marcelo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Isso mesmo Marcelo... a tecnologia veio para nos ajudar a realizar mais coisas em menos tempo, e deu certo. Porém, esses fenômenos (redes sociais por exemplo) que a acompanham fazem-nos perder o tempo ganho. E ainda preenchem todos os pequenos espaços de tempo entre um ponto de ônibus e outro, na fila do banco, na sala de espera em um consultório, enfim... viraram um vício capaz de cultivar a alienação e o isolamento. A vida passou a correr por fora, e o nosso centro foi tomado pela prática da lei do menor esforço.
    Mas a tecnologia “não tem culpa” sozinha, creio eu. Não é que há poucos meses, o cientista Stephen Hawking alertou à comunidade científica que a inteligência artificial poderia significar o fim da raça humana? O meu ponto de vista neste caso é que o próprio homem é o responsável.
    Exagero meu? Pode ser! Mas a humanidade já depôs contra si quando passou a se utilizar em larga escala, de uma tecnologia que gera um resíduo que não se pode eliminar: a energia nuclear. Seja para uso em tecnologia médica ou militar, o lixo nuclear produzido não tem como ser manejado de forma segura e definitiva, mas somente armazenado.
    É uma responsabilidade semelhante à que a humanidade assume agora com a inteligência artificial: usufruir de suas benesses, mas não saber lidar com ela quando se tornar um problema.

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    1. Com certeza Maria Fernanda...

      Passaram a preencher espaços que antigamente usávamos para sermos gentis e conhecer pessoas novas e situações casuais. "A vida passou a correr por fora..." Exatamente isso!!

      A Inteligência Artificial é mesmo um grande passo no futuro. Mas um passo incerto. Isaac Asimov trabalhava muito esse conceito em seus livros. Está para sair um Série nova chamada Westworld que tratará desse tema. É da HBO e o Rodrigo Santoro trabalhará. Estou b em curioso!!

      Valeu Maria Fernanda!!!

      Gde. Abc.!

      Marcelo

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