sábado, 7 de maio de 2016

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Olá amigos... Duas-Caras é o vilão do Batman que talvez traga em seu conceito a melhor expressão da ambiguidade inerente à todo e qualquer ser humano. Uma ambiguidade que poderia ter sido muito melhor explorada e trabalhada em suas histórias. Homem e demônio, bondade e maldade, luz e escuridão convivendo em um mesmo espaço. Assim como o personagem de Robert Louis Stevenson fez em seu livro The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde de 1886 (O Médico e o Mostro no Brasil), Duas-Caras poderia facilmente galgar histórias que desvendassem a obscuridade e dualidade da alma humana. Histórias nas quais, aliás Batman também se encaixaria muito bem, levando-se em consideração sua própria dualidade. Hoje analisaremos sua peça na Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss, além de sua trágica e violenta história.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Quando vi a peça do Duas-Caras eu a achei simples e contida. Com o passar do tempo, no entanto percebi que essa é uma ótima forma de retratar o vilão. Um homem aparentemente contido e, porque não, elegante em sua solitária figura, porém, capaz de explosões de fúria condizentes com a aparência de sua metade desfigurada do rosto. A modelagem do personagem dentro de um conceito "Noir" me agradou muito no final das contas, e me fez pensar até que ele poderia ser o Humphrey Bogart de Gotham. Chamou-me atenção as ondulações do terno, muito bem definidas, principalmente em seu lado branco, onde aparecem de forma mais evidentes.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Botões bem visíveis, abotoaduras, listras, gravata, lenço no bolso esquerdo do paletó e uma postura revelando gestos refinados colocaram essa peça à um nível de certo destaque em minha coleção. E é justamente o conjunto destas características que combinariam muito bem com histórias ao melhor estilo "Noir". Algo que ainda gostaria de ver nas histórias do Duas-Caras. A delimitação entre os dois lados do personagem está bem feita na peça. Não identifiquei nenhum erro grosseiro na pintura de um lado em relação ao outro, inclusive no que se refere aos pontos de contato de um lado com o outro. Vale também o destaque para a demoníaca face da peça. Realmente ameaçadora.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Harvey Dent é o homem por trás do personagem. Filho de um violento pai que surrava o filho ao bel prazer de uma moeda que atirava para cima, Dent cresceu com esse horrível trauma. Um trauma que se aprofundou mais ainda quando o jovem descobriu que a moeda que o pai usava para decidir se daria ou não uma surra no filho possuía lados iguais. Mais um toque de crueldade que fez com que Dent sempre sofresse nas mãos do pai, não importando a aleatoriedade do ato de atirar a moeda para o alto. Ainda jovem Harvey se enveredou para o Direito em busca de um eixo firme onde pudesse se amparar: A Lei! Brilhante na faculdade, ele logo conseguiu destaque em suas atuações, tornando-se o promotor de Gotham mais jovem até então. Com apenas 26 anos, Harvey já iniciava uma caçada ao crime organizado de Gotham à frente da promotoria.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

O 1º a notar o lado obscuro de Dent foi o assassino serial e médico Rudolph Klemper. Já preso, Klemper disse a Dent que ele deveria deixar aquele demônio se libertar e não se preocupar mais. Apesar de profundamente abalado com o comentário, Dent iniciou uma parceria com o Comissário Gordon e Batman, atuando do lado da lei contra os criminosos. Sua personalidade abalada e obsessiva começou a crescer ao pedir que Batman plantasse evidências incriminatórias nos locais de atuação dos criminosos, algo que o Cruzado Encapuzado se negou a fazer. Esse tipo de ideia e ataques de fúria cada vez mais frequentes revelavam a ascensão de alguma coisa de dentro da alma de Dent.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Já casado com Gilda, uma linda jovem, Dent envolveu-se no caso de Carmine "Romano" Falcone, o Senhor do Crime de Gotham. Assassinando na surdina o criminoso rival de Falcone, Luigi Maroni, Dent conseguiu apoio do filho de Maroni, Salvatore, para depor contra Falcone. Salvatore, no entanto trai Dent atirando ácido em seu rosto. A tragédia da vida de Dent iria agora se intensificar. Com metade do rosto desfigurado, a porção maligna da mente de Dent ascenderia como uma erupção, tomando conta da volátil sanidade do promissor promotor. Dominado por esse aspecto letal de sua alma, Harvey Dent começaria a deixar então sua marca, e um rastro de crimes e mortes em Gotham City, agora não mais do lado da lei, mas como um verdadeiro e violento criminoso.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Duas-Caras é um personagem que poderia ser explorado de diversas formas nas histórias. Não apenas como um criminoso ensandecido e maluco, mas pelo contrário, ele poderia muito bem ser usado em histórias nas quais não apenas seu lado ruim fosse abordado, mas também seu lado bom. Um personagem que poderia crescer em contradições e efeito dramático ao revelar para o leitor como um homem pode ser várias coisas ao mesmo tempo. Como o bem pode estar ligado de forma muito íntima à atos aparentemente maus e vice-versa. Sabemos que a personalidade distorcida de Dent é a dominante na maioria das vezes, mas isso poderia abrir espaço mais frequentemente para um outro desfecho. Histórias nas quais seu lado de maior sanidade lutasse e por vezes vencesse sua contra-parte.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Quando comparei Harvey Dent com Humphrey Bogart não foi apenas uma simples sugestão, mas sim porque eu acho que Dent possui toda angústia, solidão, raiva e dualidade que os personagens dos antigos filmes "Noir" traziam dentro de si. Homens que possuíam um fiapo de luz em seu interior, mas que invariavelmente estavam condenados a servirem à sarjeta e à degradação. Esse seria para mim o Duas-Caras ideal!

Ok amigos! É isso aí! Grande Abraço!!!

4 comentários:

  1. Parabéns Marcelo,

    Que bom que voltou às miniaturas.
    Não conheço muito dos personagens da DC, mas o Tommy Lee Jones me fez rir bastante com este personagem.

    O meu comentário é sobre a miniatura, como os vilões viram miniaturas muito mais bonitas que os herois. Abraços

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    1. Olá Wellington!!

      Tudo bem? Desculpe a demora em responder. Estou meio que na correria.

      Tommy Lee Jones fez um trabalho que marcou no filme do Shumacher. A proposta era mesmo (acredito) trazer personagens em uma abordagem mais ERA de PRATA mesmo.

      rs rs rs ... Vc tem razão em seu comentário. Muitos vilões estão dando de 10 a 0 nos heróis em termos de beleza das peças. Um outro exemplo disso é a miniatura do Homem-Areia. Ficou muito melhor que a do Homem-Aranha.

      Valeu amigo!!

      Marcelo.

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  2. Ótimo texto Marcelo. A peça é uma das minhas preferidas.

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    Respostas
    1. Oi André!!

      Poxa! Valeu pela presença!

      Legal que tenha gostado da matéria. Acho a peça muito interessante também. Consegue captar bem o personagem. Muito a ver com o vilão e sua versão clássica e mais conhecida.

      Gde. Abc.

      Marcelo.

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