domingo, 28 de julho de 2013

O Que Aconteceu ao Homem de Aço?


Recentemente a Editora Panini lançou em um  único volume uma coletânea de três histórias do gênio Alan Moore envolvendo o Superman. Pegando carona no lançamento do Novo Filme do Homem de Aço, esse encadernado não poderia ter chegado em melhor hora. O destaque vai sobretudo para a história que dá nome ao volume: "O Que Aconteceu ao Homem de Aço?". Sem dúvida nenhuma uma obra prima em minha opinião. Nessa matéria comento a alegria nostálgica e, até certo ponto melancólica, que me invadiu ao ler essa que seria a última aventura do Superman!

Superman 423 (1986) e Action Comics 583 (1986) - Publicação Original de  O Que Aconteceu ao Homem de Aço?
No meio da década de 80, um novo jeito de se fazer quadrinhos chegava às editoras. Uma geração de novos roteiristas invadiam as redações e deixavam para traz o que se conhecia como a Era de Bronze dos Quadrinhos. Nesse mesmo período a DC Comics preparava a remodelação de seu universo com a Maxi-Série que seria conhecida como "Crise nas Infinitas Terras". A forma com que centenas, senão milhares, de personagens pensavam e agiam sofreria grandes mudanças. O clima era de finalização e início de uma nova Era. Reconhecendo essa mudança, o lendário Julius Schwartz (editor havia décadas das histórias do Superman) e que também iria se aposentar, vislumbrou a possibilidade de se contar "A Última História do Homem de Aço". Apesar de Julius ter chegado a convidar o próprio Jerry Siegel (criador do Superman) para escrever a história, foi Alan Moore (que na época já acumulava certa fama) que teve essa honra.


A história O Que Aconteceu ao Homem de Aço? sem dúvida nenhuma é um brilhante epitáfio para o herói e ganha sentido maior quando observada através dos olhos de quem já leu ou entrou em contato, em certa medida, com a forma com que os Super-Heróis dos anos 70 (e quem sabe 60) eram retratados. Moore coloca boa parte dos elementos presentes nas aventuras do Superman da Era de Prata e Bronze. Invenções mirabolantes, vilões bizarros e até ridículos, o non-sense de certos encontros... tudo está presenta na história, porém filtrado por uma "lente" melancólica e por uma fria sensação de que tudo está prestes a acabar. Ler cada quadrinho me passou a sensação de um "NADA" engolindo tudo. Todas as brincadeiras, toda inocência, todos os ensolarados finais felizes que o personagem viveu estão em seu final. É impossível não fazer uma analogia com a vida e com o ocaso da existência. Sensação semelhante eu tive ao assistir os últimos momentos do Androide interpretado por Rutger Hauer em Blade Runner - O Caçador de Androides.


A história estabelece seu fio condutor por meio de uma Lois Lane mais velha que conta à um jovem repórter do Planeta Diário os eventos que se constituíram na última aventura do Homem de Aço. À semelhança do que Alan Moore fez em "Supremo - A Era de Ouro", aqui ele também coloca diversas pistas interessantes, construindo uma narrativa que resgata os principais elementos que fizeram o mito do Superman. Em uma Fortaleza da Solidão sitiada, um Superman em companhia das pessoas que lhe são mais caras, repassa parte de sua vida, seus propósitos e objetivos. Porém, mesmo ao lado de pessoas tão queridas ele se sente só e antevê o fim da estrada.


A capa da história traz um Superman levantando voo com um semblante de tristeza e nostalgia, tendo ao fundo diversos heróis se despedindo e, em primeiro plano, o próprio Julius Schwartz acenando um adeus.


O final não decepciona, aliás vai além e não merece ser contado aqui para não se perder sua força. Curt Swan, desenhista que imortalizou a face mais tradicional do Superman é quem cumpre, acertadamente, novamente o papel aqui. Sem dúvida nenhuma uma obra-prima dos quadrinhos.

A 2ª e 3ª histórias do encadernado não decepcionam também. A Linha da Selva traz o encontro entre o Monstro do Pântano e o Homem de Aço. Na história Superman se encontra numa posição raramente vivida por ele, a de precisar de ajuda!

DC Comics Presents - 1985. Publicação Original de "A Linha da Selva".

Para o Homem que Tem Tudo encerra o encadernado e traz o Homem de Aço comemorando seu aniversário. Tendo como convidados Mulher-Maravilha, Batman e um jovem Robin (Jason Todd), essa 3ª história não deixa de ter um caráter nostálgico, pois mostra Kal-El em uma onírica situação.

Superman Annual 11 - 1985. Publicação Original de "Para o Homem que tem Tudo".

Recomendo muito esse encadernado da PANINI e deixo uma dica antes: leia-o sob a ótica do momento no qual as histórias foram lançadas, ou seja o fim de uma Era, isso garantirá um brilho maior à narrativa.

Um grande abraço à todos!

27 comentários:

  1. Oi Marcelo, este é um exemplar memorável, para ficar na coleção e ser relido. Gostei demais da edição e já tem um lugar garantido entre as minhas preferidas do personagem. Abç.

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    1. Que bom Paulo...

      Muito bom gosto você tem então. A história é para ser lida com atenção, pois realmente nos passa muitas emoções e sensações daquele momento único que o personagem passava. Sem dúvida nenhuma uma ideia incrível de Julius Schwartz.

      Gde. Abc.

      Marcelo.

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  2. Marcelo, estou lendo essa revista. Quero terminar ainda hoje, mas não sei se vou conseguir porque por enquanto só li a primeira história que termina justamente na gravura da capa. Eu amei esse conteúdo, cheguei a me emocionar com aquele pessoal vindo de uma outra era no tempo e o fato de não poderem falar à Supergirl as coisas. é de partir o coração a situação da Supergirl. Quase que uma lágrima me caiu. É ISSO O QUE FALTA NAS HISTÓRIAS DE HOJE EM DIA. MAIS EMOÇÃO E MENOS SUPERIORIZAÇÃO DE TUDO!

    Como você conseguiu essas páginas????? Estou com medo de escanear aqui.

    Abraços.

    Fabiano Caldeira.

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    1. Oi Fabiano...

      Sabia que vc ia gostar também. Ia até recomendar para ler caso nã conhecesse. Esse momento que vc cita no qual A Legião dos Super-Herois vem do futuro para dar um presente só Super é fantástico mesmo. A presença da Supergirl traz uma dor muda ao Supeman que podemos senti-lá também. Eu ia até colocar a descrição deste encontro na matéria, mas achei melhor não revelar tantas coisas assim.

      Olha... Quanto às figuras das páginas que postei, na verdade eu coloquei o nome da revista no Google imagens e salvei algumas que achei interessantes para ilustrar a matéria. Na verdade nem me atentei muito aos sites dos quais busquei. Qualquer coisa que quiser posso envia-las pra vc.

      Valeu Fabiano! Gde. Abc.

      Marcelo.

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    2. Vou tentar escanear mesmo. Minha postagem terá spoilers, por isso vou deixar passar mais alguns dias pra falar dela. Já li a revista toda e adorei!

      Por que a Panini não faz o mesmo com aquela história da morte do Superman pelo Apocalipse??? Seria bom!

      Uma observação: só eu fiquei com a impressão dúbia do atual marido da Lois?

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    3. Vou ficar esperando para ler sua postagem!

      Sobre o marido da Lois você teve a impressão correta!! Nos sabemos quem ele é, não mesmo!?

      Outro detalhe é o carvão que o neném pegou da lareira na última página da história. Não sei se percebeu, mas após colocar o carvão na boca ele cospe um "diamante"! Para que o carvão natural seja transformado em diamante é preciso temperaturas incrivelmente altas, ou seja, tem coisa aí nesse bebê também.

      Pegou!? ;)

      Abção!

      Marcelo.

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    4. Que bom que minha impressão estava certa, só deixou ainda melhor esse final. E sim. A parte do bebê foi intrigante, daí comecei a prestar atenção nos dizeres do marido dela e só então percebi qual seria o maior sonho do homem de aço (e o que, afinal de contas, segundo a visão do autor, aconteceu ao homem de aço).

      Abraços. Até qualquer hora, Marcelo!

      Fabiano Caldeira.

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    5. Também achei o lance do marido da Lois muito legal. Eu particularmente fui me atentar para presença dele só no final e, perceber quem ele era, apenas abrilhantou mais a historia. Isso me fez voltar para a primeira aparição dele mais ou menos no inicio da historia e verificar suas palavras. A atitude arredia dele em relação ao Homem de Aço está explicada na medida que ela ajuda a manter toda a vida que ele e Lois construíram juntos.

      Abção Fabiano!

      Marcelo.

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  3. Olá Marcelo! Ótima postagem!

    É realmente uma HQ incrível e a Panini teve muito cuidado e fez uma edição impecável.
    E outra coisa legal que você citou é a referência a Supremo - A Era de Ouro do Moore, que remete as ideias que ele sempre teve pro Homem de Aço. Aquelas HQ's doi Supremo são verdadeiras obras primas.

    Grande abraço!
    Se puder seguir o meu blog, agradeceria. ( já estou seguindo o seu. rs)
    http://umvortice.blogspot.com.br/

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    1. Oi André...

      Valeu pela presença! Também achei a edição muito bem cuidada mesmo. Vc tem toda razão.

      O Supremo do Alan Moore foi para mim uma das grandes e bem vindas surpresas. E foi muito bem vinda pois estava numa fase de muita decepção com os quadrinhos. Ler Supremo me fez lembrar porque gosto tanto dos quadrinhos e resgatou sentimentos profundos dentro de mim em relação a esse tipo de arte.

      Cara... Com toda certeza vou seguir seu blog sim! Eu que agradeço o convite. Obrigado! Vou passar por lá sim. Essa semana estou corrido com minha volta das férias, mas vou ler com atenção!

      Valeu mesmo!

      Abc.

      Marcelo.

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  4. Olá, Marcelo. Bom ver que muita gente comprou esse encadernado. Não comprei por já ter todas as histórias no "Grandes Clássicos DC - Alan Moore". Gostei de todas as tramas. Gostei de sua referência ao que Alan fez em Supremo. As histórias desse encadernado são simples, considerando que quem as escreveu foi A. Moore. Mas, mesmo assim, são MUITO boas, diante da média geral que encontramos por aí, em matéria de heróis. De todos, a que mais gostei foi "Para o Homem Que Tem Tudo", justamente por esse viés onírico mencionado por você. E, na boa, o que dar de presente ao Homem que já tem tudo? Alan Moore respondeu: a vida que ele queria ter tido! Abç!

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    1. Oi Kleiton...

      Fiquei contente de ver muita gente lendo. Acho que as pessoas tem que entrar em contato com essas historias clássicas. Até para estabelecerem um parâmetro de comparação com as atuais.

      É difícil entender o que faz as historias do Moore chamar tanto atenção. Eu tenho pra mim que ele conseguiu destilar a quintessencia das historias em quadrinhos, ou seja, conseguiu desvendar os elementos essenciais de uma boa história. A partir daí ele os coloca aqui e acolá e quando vemos já estamos gostando da historia.

      Gde. Abc, Kleiton!

      Marcelo.

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    2. Marcelo, que nunca alguém com tanta erudição e poder narrativo se propôs, anteriormente, a escrever uma HQ. Alan Moore foi o primeiro e é o melhor. O mais legal é que essas histórias de herois são simples, mas mesmo assim são excelentes. Infelizmente, o grande público ainda desconhece suas obras primas, como Do Inferno, a fase Gótico Americano de o Monstro do Pântano, vários trabalho para o selo ABC e, claro, sua produção na 2000 AD!!!! Espero que isso se reverta com o tempo! E ABÇ!!!

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    3. Oi Kleiton...

      Sinto falta das obras do Moore serem mais acessíveis quanto à disponibilidade em bancas e livrarias. Isso facilitaria seu conhecimento. A simplicidade das histórias escondem coisas profundas e às vezes até complexas (o que gera até um paradoxo: o superficial que é complexo! rs rs).

      Por isso é possível que alguém desavisado e com conceitos enlatados sobre histórias, acabe passando batido naquilo que Moore deixou escondido nas entrelinhas.

      Pretendo ler Do Inferno, aliás há muitos trabalhos do Moore que ainda pretendo conhecer!

      Abção!

      Marcelo.

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  5. Grande Marcelo,

    Eu também amei este encadernado... Já havia lido esta história há muito tempo atrás, mas assim com capa dura e trabalho gráfico primoroso ficou muito legal...

    Parabéns pela postagem, este tipo de história deve ser apreciada com a cabeça nos anos 80 com certeza...

    Um grande abraço,

    Daniel

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    1. Valeu Daniel...

      Revistar historias antigas em uma roupagem grafica aprimorada é algo que nos seduz bastante. Isso faz com que mútuos que já tinham uma determinada historia a compre de novo. Acho que isso acontece um pouco com esse encadernado. Até porque ele não é dos mais caros.

      Assim como vc chamou a atenção, eu também tive o cuidado de colocar na matéria que é importante ler essa historias sob a perspectiva dos anos 80. Digo isso porque muitos podem vir esperando outra coisa. De qualquer é preciso ter sensibilidade para apreciar cada situação apresentada.

      Um gde. Abc. Pra vc Daniel! Valeu pela participação e comentário!

      Marcelo.

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  6. Amei ler sua postagem!
    Escreves de forma muito agradável.
    Fiquei feliz com sua visita e seu
    comentário no meu cantinho.
    Um abraço carinhoso pra ti...Saudades!

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    1. Olá!

      Sempre fico muito feliz com sua visita aqui! Gostei muito da última postagem que vc fez com o texto do Gibran Khalil Gibran! Parabéns! Ficou muito bonita, sobretudo com as fotos que vc usou!

      Saudades!!

      Um gde. Abc!!

      Marcelo.

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  7. E ae Marcelo Blza?

    Cara vocêpoderia me falar onde você arruma esses scans? Pq queria para treinar meu inglês.

    Obrigado e Abçs!!

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    1. Oi Alexandre! Blz?

      Rapaz... Olha, eu fiz assim: coloquei no Google imagens o nome da Historias em inglês e fiz uma busca. As imagens começaram a aparecer e eu baixei aquelas que achei que melhor ilustrariam a matéria. Infelizmente eu não me atentei para os sites dos quais eu baixei. Creio que se vc fizer procedimento semelhante vc chegará a elas facilmente!

      Qualquer coisa me avise que eu posso envia-las pra vc!

      Abc!

      Marcelo.

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  8. E ae amigo, to pela área.

    Comprei essa revista semana passada. Não sou muito fã do Super. Vi o filme(achei +-)tem boas cenas de luta. Mas com relação às HQs, só tenho um pouco da era de ouro, quando as histórias eram BEM malucas(pobres japoneses), rsrsrs.

    Vi bons reviews desta revista, e resolvi dar o devido crédito a ela(ainda mais por ser do mago Alan Moore). Ainda não tive tempo de abrir, nem tirei do plastico, rs, mas me animou MUITO, ao ler a sua resenha, que o meu querido Monstro do Pântano aparece, isso me fará demorar menos para abrir a revista, rsrssr.

    Assim que termina-la eu volto aqui e dou o meu parecer.

    Um forte abraço, até a próxima.

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    1. E aí Michael? Tranquilo?

      Assim como vc gosto muito da Era de Ouro dos Quadrinhos. Sempre fui meio nostálgico, e sinto que nessa fase dos quadrinhos há coisas muito interessantes, mesmo na simplicidade.

      Poxa... Vou ficar curioso em saber sua opinião. O Monstro do Pântano está em sua melhor forma nessa historia. Acho que vc vai gostar!

      AbraçãoBeleza pra vc amigo!

      Marcelo.

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  9. Marcelo sempre ouvi falar muito bem dessas histórias do Super e vou comprar o meu com certeza. Abraços.

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    1. Legal Marcilio...

      A grande sacada é ler essas histórias do Moore com atenção e profundidade, porém sob uma perspectiva de simplicidade. Essa junção do profundo com o simples e fantástico é, na minha opinião aliás, o que sempre nos conquistou desde quando éramos garotos e começamos a nos interessar pelos quadrinhos.

      Depois me fale o que achou!

      Abc.

      Marcelo.

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  10. super d+
    me seguir sigo de volta http://turmadosfeitosas.blogspot.com/ da uma passada la abçs

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    1. Oi Mateus! Tudo bem?

      Desculpe a demora em responder! Estive muito ocupado e me perdi em meio aos comentários aqui no Blog.

      Valeu mesmo pela visita e por deixar seu endereço. Vou visitar seu blog sim com toda certeza.

      Obrigado pela participação e comentário!

      Abcs!!

      Marcelo.

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