terça-feira, 25 de junho de 2013

Jornada nas Estrelas - Além da Escuridão


Jornada nas Estrelas - Além da Escuridão (Star Trek - Into Darkness), estreou recentemente no Brasil e é o segundo filme sob a batuta do aclamado cineasta J.J. Abrams. O filme dá seguimento a atualização da franquia feita pelo diretor em 2009 com Star Trek. Nesse mais recente filme Abrams conduz Jornada nas Estrelas ao lugar onde Gene Roddenberry (criador da série e de todo seu conceito nos anos 60) gostaria que ela fosse. Nessa matéria veremos alguns aspectos interessantes do filme e da importância desta série para a cultura pop mundial.


Nos anos 60 eram comuns seriados televisivos nos quais eram abordados temas imaginativos e fantásticos. Séries como "Perdidos no Espaço", "Terra de Gigantes", "Túnel do Tempo", "Além da Imaginação" entre outras vinham consolidando seu espaço junto às massas. No início da década de 60 o jovem Gene Roddenberry já havia sido de tudo um pouco, entregador, policial e nas horas vagas um roteirista amador. O que poucos sabiam é que ele trazia consigo a ideia para um programa de ficção científica que levasse a sério as últimas descobertas científicas e colocasse a Terra como ponto de partida de uma nave espacial que partiria em uma missão de exploração de 5 anos ao espaço profundo. Em busca de novas formas de vida a nave, que se chamaria "Enterprise", teria uma tripulação ousada para época. Pela primeira vez a série traria um alienígena com aparência estranha (que era reconhecido por muitos no início como malévolo pelo seu par de orelhas pontudas) em um posto de comando. Spock seria o 1º imediato de um ousado, mulherengo e boa praça Capitão, o intrépido James Tiberius Kirk. Gene tentaria romper com a moral puritana e muitas vezes hipócrita da sociedade americana ao colocar uma bela negra como uma oficial de comunicações, a Tenente Nyota Uhura, interpretada na época pela atriz Nichelle Nichols. Alías, Uhura estrelaria 1ª cena em rede nacional nos EUA a trazer um beijo inter-racial entre um branco (o Capitão James T. Kirk) e uma negra (a Tentente Uhura), feito esse que foi elogiado pelo grande Martin Luther King que chegou à visitar Nichelle Nichols e parabeniza-la pela ousadia.

A Tripulação Original da Enterprise na Série Clássica

Após bater de porta em porta, Gene teve seu projeto rejeitado por todas as emissoras de TV da época. Muitas marcavam uma reunião com ele apenas para ouvir suas ideias e depois usa-las em suas próprias séries que já estavam em andamento. Caso de "Perdidos no Espaço" que literalmente usurpou várias ideias de Gene Roddenberry sem lhe dar crédito algum. Apenas um estúdio que na época estava indo à falência resolveu bancar o ousado projeto de Roddenberry, a Desilu Productions. Jornada nas Estrelas (Star Trek) estreiou em 1966 e durou 03 anos, totalizando 3 temporadas. Apenas após seu cancelamento é que o estúdio percebeu o sucesso que tinha em mãos. Star Trek passava às sextas-feiras à noite, dia em que muitos professores universitários, físicos, cientistas, astronautas e qualquer outro profissional que levava ciência à sério podia assistir. Quando foi cancelada uma legião de fãs se levantaram pedindo sua continuidade. Infelizmente isso aconteceria apenas muito tempo depois nos anos 70, com o lançamento de vários filmes baseados na série.

A improvável amizade entre um capitão cheio de contradições e um alienígena incapaz de entender as emoções humanas

Reprisada no mundo inteiro ao longo das décadas de 70, 80 e 90, qual foi afinal o segredo do sucesso de Star Trek? Em minha opinião foram vários segredos. Aqui gostaria de citar apenas os que interpreto como os mais importantes. Em 1º lugar, desde o início, as histórias concebidas por Gene Roddenberry e sua equipe sempre colocavam as pessoas e não a tecnologia e efeitos especiais em 1º plano. Os episódios eram construidos em cima de dramas pessoais ou coletivos vivenciados pela tripulação. Isso sempre gerou uma identificação muito grande com o público. Em 2º lugar a série sempre acreditou na inteligência do público e nunca imbecilizou suas tramas, entendendo que os mistérios da ciência podiam sim serem trazidos para o cotidiano das pessoas, abrindo uma importante discussão sobre como a humanidade se comportaria frente à um mundo cada vez mais tecnológico. Muitos dos objetos aliás, usados na série viriam realmente a existir décadas depois. Por fim acredito que outro grande segredo da série tenha sido conseguir mostrar um grupo de pessoas agindo como família frente às mais adversas situações, reafirmando que as relações não precisam, e talvez não devam, ser "perfeitas" para darem certo.


O novo filme de J.J. Abrams é muito bom, nem tanto pelos efeitos especiais (muito bons por sinal), mas porque resgata a premissa sonhada por Gene Roddenberry e a atualiza para os nossos dias. O ideal de amizades improváveis (como a amizade entre o Capitão Kirk e seu oficial meio humano meio Vulcano Spock), o amor entre Uhura (vivida agora pela também bela Zoe Saldana) e Spock, a percepção de hierarquia e respeito e perpassa toda a tripulação... Tudo isso junto rende um ótimo filme. O vilão que J.J. Abrams escolheu é ninguém menos que Khan Noonien Singh. Khan aparece pela primeira vez no 22º episódio da Série Clássica, denominado "Semente do Espaço" (Space Seed), e foi ao ar no dia 16 de fevereiro de 1967. O vilão é um homem geneticamente melhorado que, ao lado de diversos outros homens e mulheres (também geneticamente melhorados) subiram ao poder na Terra durante as Guerras Eugênicas dos anos 90 (no universo de Star Trek). Na série clássica, Khan e seu séquito de super-homens, são encontrados pela Enterprise congelados em casulos vagando no espaço. Khan se mostraria um dos mais perigosos, inteligentes e violentos inimigos da tripulação da Enterprise.

Khan Noonien Singh na nova versão de Star Trek à esquerda e na série clássica à esquerda

Interpretado pelo famoso ator argentino Ricardo Montalban (o Sr. Roarke da série "A Ilha da Fantasia"), Khan voltaria a aparecer no filme Jornada nas Estrelas - A Ira de Khan de 1982. O novo Khan é tão ou mais brutal que o antigo e traz ao filme uma aura ao mesmo tempo nostálgica e atual.

Ricardo Montalban como Khan no episódio "Space Seed" na série clássica

Aqui no filme Jornada nas Estrelas - A Ira de Khan de 1982.

O novo filme é uma boa dica tanto para os antigos fãs da série, que poderão enxergar diversas menções e homenagens à série clássica (como a presença do Spock original (Leonard Nimoy) em uma cena), quanto para as pessoas que pouco ou nada conhecem deste grande patrimônio da cultura pop.


É isso aí amigos.

Vida longa e Próspera à todos!

Spock realizando a principal saudação Vulcana que significa "Paz e Longa Vida" ou "Vida Longa e Próspera"

15 comentários:

  1. Idolatro Star Wars. Mas nunca consegui apreciar Star Trek! Mesmo assim, gostei de seu texto sobre a produção!!

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    1. Pois é Kleiton...

      Sabe que uma coisa que até hoje eu não entendi? Em geral em gosta de Star Trek em geral não tem aquela paixão por Star Wars e o contrário também!

      Eu por exemplo sempre gostei muito de Star Trek. Já Star Wars eu acho legal, porém não é aquela paixão.

      Tai uma coisa que eu já me perguntei algumas vezes! rs rs

      Valeu Kleiton.

      Marcelo.

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    2. Pois eu também sou fanzaço de Star Trek, e tenho a aqui muito bem guardado a fase clássica, ou seja as três temporadas e as sete temporadas da nova geração. Um clássico que ainda vai preencher a imaginação de muita gente. Mas gosto muito de ficção no geral e já que vc fez uma reportagem sobre Star Trek, o que vc acha de Arquivo X?

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    3. Oi Marcílio... Beleza!?

      Temos gostos parecidos então amigo! Tenho as 03 temporadas da Série Clássica de Jornada nas Estrelas, as 07 da Nova Geração e as 04 de Enterprise (que foi a última série da franquia). Não tenho "Voyager" nem "Deep Space Nine".

      Ficção científica para mim é uma grande paixão também, passando por seus sub-gêneros como fantasia e cinema fantástico. Arquivo X eu tenho as 09 temporadas! Não tenho um conhecimento tão profundo de Arquivo X quanto de Star Trek, há pessoas por exemplo que sabem nuances que nem mesmo os atores conhecem. rs rs

      Um sub-gênero da ficção científica que eu descobri recentemente que gosto muito é o "Space Opera". Sub-gênero que enfatiza aventuras e personagens épicos, reinos e planetas distantes. John Carter, Flash Gordon, Perry Rhodan e até mesmo Dunna do escritor Frank Herbert se encaixam nesse sub-gênero.

      Só nisso há material para muitos posts! rs rs

      Abcs!!

      Marcelo.

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  2. Com certeza Marcelo, eu também tenho as 9 temporadas de Arquivo X e para mim é show. Olha nossos gostos são realmente parecidos, pois gosto muito de ficção, e cito aqui uma das minhas preferidas Stargate, que tenho 08 temporadas e quando fui comprar as duas últimas que faltavam tinha se acabado e nunca mais voltou e fiquei puto da vida. Tenho também Stargate Atlântida, e recentemente comprei a série original de V e também as duas temporadas da nova versão. Tenho também the 4400 que estou assistindo e claro tenho a trilogia inicial de Star Wars. Olha John Carter eu não conhecia mas vi no Submundo, o blog do nosso amigo Leo uma reportagem e achei bastante interessante, e claro Flash Gordon para mim é clássico e Perry Rhodan me lembro dos livros dele, mas nunca li e com certeza deve ser muito bom. Agora vou te dizer qual é o meu maior problema hoje em dia amigo, tempo para ler e assistir tudo que eu tenho aqui em casa. Coleciono uma porrada de quadrinhos e tem muita coisa na fila de espera para ser degustado. Abração.

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    1. Muito legal essas séries que vc tem. Infelizmente não tenho nenhuma dessas. A série "V" eu assisti nos anos 80 alguns episódios quando era adolescente, era uma ótima série! Stargate eu vi alguns na TV.

      The 4400 sempre me chamou muito atenção. Mas não assisti. É bom!?

      John Carter foi um fracasso no cinema. Aluguei em DVD e me surpreendi positivamente. É uma história muito interessante. John Carter e Flash Gordon são heróis dos "Pulps" (as precursoras das revistas em quadrinhos) e por isso tenho um interesse especial por eles. Perry Rhodan eu nunca li também, mas seu universo e mitologia são muitos ricos. É a série de ficção científica mais longa do mundo, começou nos anos 60-70 e dura até hoje. Parece-me que são cerca de quatro décadas abrangendo milênios de história!

      Ah! Mas essa coisa de tempo não é só com vc não! Eu tenho um monte de coisa até lacrada aqui esperando na fila! rs rs

      Valeu Marcilio!!

      Marcelo.

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    2. Sim Marcelo eu estou gostando muito, pois trata-se de um grupo de pessoas, ou seja 4400 pessoas que desaparecerão em diversas épocas no nosso planeta misteriosamente, ou seja, foram abduzidos e retornam todos de uma vez com a mesma idade que sumiram e alguns deles começam a desenvolver alguns poderes. A história gira em torno disso, como a sociedade recebem eles de volta e qual a missão por trás disso.

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    3. Premissa muito interessante Marcílio! Vou procurar assistir alguma coisa. Acredito inclusive que já vi essa série disponível pelo Net Flix!

      Lembro-me de premissa semelhante no filme "Contatos Imediatos do 3º Grau" onde no final vários humanos são devolvidos com a mesma idade que tinham quando foram abduzidos.

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    4. Blz, pessoal?
      Eu também comprei o box de "The 4400" e já a vi a primeira temporada. Achei muito bom! Super recomendo!
      Abs!

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  3. Excelente explanação sobre a mitologia de Star Trek Marcelo!!
    Gostei muito deste filme, e estou sentindo que o J.J. Abrams também acertará em Star Wars.
    Gosto das duas franquias... rs
    abs

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    1. Oi Ranniere! Valeu amigo! Obrigado pelo comentário.

      Olha eu gosto das duas (Star Trek e Star Wars)... Mas se eu tivesse que escolher eu ficaria com Star Trek. Não sei exatamente porque. rs rs

      Como disse ao Kleiton acima, em geral quem é muito fanático por uma das duas em geral não gosta tanto da outra. Não é exatamente o meu caso. Consigo gostar das duas.

      Acho também que o J.J. Abrams acertou a mão. Espero que ele faça mais filmes!

      Abc!

      Marcelo.

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  4. Estou aqui novamente, Marcelão!

    Não sou um grande conhecedor da franquia Star Trek, mas meu pai gosta muito. Confesso que eu fui um dos fãs(sou MUITO fã) de Star Wars, que curtiu o primeiro filme do Star Trek, feito pelo J.J.

    Fui ao cinema com o meu velho, e um grande amigo, que tambem é muito fã de Star Trek, assim como meu pai. Eu fui porque curti o primeiro, e simpatizo com os personagens.

    Eu sinceramente acho os primeiros filmes e series, muito parados. Mesmo sendo antigo. Eu entendo a pegada do seriado, que não é ação, e sim exploração, e aceito isso, porém não me agradava.

    Quanto ao primeiro filme, achei muito bom. Sou fã de ficção cientifica(graças ao meu velho) e me deixou bastante surpreso positivamente. Posso dizer que virei um novo fã de Star Trek.

    No segundo filme, já fui assistir mais empolgado, e com expectativas de novamente ver aquela "familia" agindo novamente junta, e não me decepcionei. O filme é muito empolgante, e divertido. Ação muito bem feito, e efeitos perfeitos. Gostei demais. Agora aguardarei o novo Star Wars, pelas mão do mesmo J.J. Abrams. Um grande abraço.

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    1. Fala Michael!! Beleza cara?

      Pô que legal o lance do seu pai curtir Star Trek e vcs irem ao cinema juntos. Poxa... Vcs são de São Paulo (Capital)? Pô... da próxima me chamem aí! rs rs

      Como eu escrevi acima, em geral percebo isso, quando uma pessoa gosta muito de Star Wars em geral ela não é gosta tanto de Star Trek, e vice-versa. Eu sou dos que gostam de Star Trek e quanto a Star Wars eu gosto mas não na mesma proporção.

      Esses dois filmes da franquia Star Trek sob a batuta do J.J. Abrams estão ótimos. Fiquei muito contente, porque isso significa que a ela ganha fôlego!

      Acho que quanto ao lance de gostar da fase antiga é questão de gosto mesmo. Fico contente que a série tenha te cativado com o 1º filme. O 2º não fica atrás e mantém os elementos da série clássica ao mesmo tempo que atualiza a linguagem para os nossos dias, ou seja, algo mais frenético e cheio de reviravoltas.

      Legal mesmo tua experiência Michael. Quando forem repetir a dose aí me chamem! rs rs

      Abcs!!

      Marcelo.

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    2. Pois é, meu pai é maior figuraça. Vejo todos os filmes da Marvel e DC com ele, é super Fã de Heróis e Ficções.

      Infelizmente esse encontro vai ficar complicado, sou do RJ, amigo. Seria realmente uma boa, se desse para sair esse encontro. Quem sabe um dia,ao qual um dos 2 estiver na cidade do outro, rssrrs. Um grande abraço.

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    3. Legal Michael! Mande um abraço para o seu pai.

      Com certeza um dia a gente marca um encontro desses! Quem sabe no Jornada nas Estrelas III! rs rs

      Gde. Abc.!

      Marcelo.

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