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domingo, 19 de julho de 2015

Porque empresas como a Versátil Home Vídeo são tão importantes para o Cinema?


Olá amigos, qualquer fã de cinema, do mais leigo até o mais erudito acadêmico, deve ter notado a profunda e inexorável mudança que a 7ª Arte sofreu no que se refere ao seu acesso ao público. Destaco neste cenário o evento insidioso, mas permanente, que foi o desaparecimento das Vídeo Locadoras, locais por meio dos quais podíamos ter acesso a clássicos, ou mesmo a filmes que nos marcaram afetivamente no passado. O público viu nascer então o modelo de TV por demanda, em que se precisa de um televisor que se conecte à internet e, mesmo assim, fica-se sujeito ao acervo que determinado serviço disponibiliza ao assinante, limitando, portanto o acesso a determinado tipo de gênero ou obra de algum cineasta em específico. Correndo por fora, vimos o incrível mercado negro de "Downloads" de filmes despontar. Fruto da ausência de opções e de uma política de impostos injusta por parte do governo, tal opção cresceu, tomando o lugar de um comércio de filmes por download que poderia se dar dentro da legalidade, com saúde e sustentabilidade. Nesse sentido, verdadeiras pérolas cinematográficas foram ficando esquecidas em função do difícil acesso. E mesmo quando se tem tal acesso, via download, suas versões estão comprometidas. Assim, todo um incrível "Universo" cinematográfico do passado começou a se apagar, ficando restrito apenas aos círculos acadêmicos ou então ao incansável fã.




Diante desta lacuna, a Versátil Home Vídeo vem, já há alguns anos, trazendo novamente à luz obras que pareciam cada vez mais distantes. Mais recentemente, a empresa teve a brilhante ideia de compilar, em Boxes temáticos, filmes que representam muito bem determinado gênero ou obra de cineastas consagrados. Um trabalho que tem resgatado a memória do cinema e que, surpreendentemente, põe em foco filmes que, apesar de sua distância no tempo,  ainda estão plenamente relevantes em nosso contexto social, político e econômico atual. Trazendo cenários de inquietações, dramas, medos e alegrias ainda calcadas no imaginário de nossa sociedade.




Comecei a acompanhar mais de perto tais lançamentos a partir do 2º semestre de 2014, por isso apresento aqui alguns que conheci a partir deste período. Hollywood contra Hitler sintetiza o esforço norte americano no sentido de desconstruir a máquina de propaganda Nazista, com clássicos filmados ainda sob a sombra do nacional nacionalismo de Hitler. Tais filmes trazem um painel de uma época em que a coragem de povos inteiros foi posta a prova.



Em comemoração ao centenário do início da 1ª Guerra Mundial ocorrido em agosto de 2014, o Pack "A Primeira Guerra no Cinema" resgata a insanidade deste evento com clássicos filmes sobre o tema.



Aqui, no entanto a empresa deu o "pulo do gato", em minha opinião. O lançamento de Filme Noir vol. 1 abriu as portas para o resgate do cinema de gênero. A excelente ideia de trazer encartes com as artes dos cartazes originais dos filmes junto com o Box, capturou definitivamente o imaginário do cinéfilo colecionador. Aquele fã que precisa penetrar mais a fundo no filme, buscando informações técnicas, filosóficas e artísticas ao redor da obra. Assim, Filme Noir vol. 1 foi sem dúvida o "ponta pé" para uma trilha de sucesso, uma vez que já estamos no 3º Box da série!



O filme Noir tratado com respeito em toda sua linguagem marginal, por vezes enigmática e cheia de matizes.



Seguindo o mesmo ótimo acabamento das caixas dos filmes Noir, a série Obras Primas do Terror (já também no Nº 3), resgata filmes clássicos do gênero, mantendo as artes dos cartazes de cada filme, agora integrados dentro do próprio Box.







Ainda neste formato, vibrei particularmente com o lançamento de dois Packs: Clássicos Sci-fi e Cinema Faroeste. Meus dois gêneros favoritos!





Outra grande ideia foi o lançamento de caixas trazendo a essência de determinados MITOS que já habitaram amplamente o universo literário e cinematográfico: as caixas Zumbis e Vampiros no Cinema.





Por fim, não posso deixar de destacar a inciativa de trazer a síntese da obra de determinado cineasta ou mesmo escritor transposta para o cinema, algo que pode ser visto em: Lovecraft no Cinema, o Cinema de Hitchcock e a Série "A Arte de...".





Vale lembrar ainda o excelente cuidado na escolha, edição e tradução dos filmes pelo curador da Versátil Fernando Brito.

Bem amigos... Como todos sabem, o presente Blog não possui vínculo com quaisquer empresas, algo que sempre prezei com vistas a manter minha total liberdade para escrever sobre os mais variados aspectos do cinema, literatura, música e quadrinhos. Assim, reafirmo que matérias como esta possuem como única razão meu fascínio como fã, neste caso, de cinema.

O respeito e o resgate de determinada manifestação de arte ensina, agrega, norteia e ilumina as novas gerações. Esta é a resposta para a pergunta do título.

Miniatura Marvel Série Especial Nº 04 - Sentinela

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Flagelo mutante, encarnação do ódio e da intolerância, frio, letal e por vezes com uma propensão à senciência os Robôs Sentinelas talvez sejam o maior inimigo da raça Mutante, uma vez que mesmo Magneto (um dos maiores inimigos dos X-Men) já se tornou alvo da fúria desta tropa mortal. Uma das peças mais cobiçadas atualmente no meio dos colecionadores da Coleção de Miniaturas Marvel da Eaglemoss em seu segmento Especial, o Robô Sentinela será hoje alvo do meu escrutínio. Veremos características desta peça, bem como alguns detalhes principais do passado destes Monstros Metálicos mortais!

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Primeiramente vamos à miniatura. Obedecendo o conceito inicial da Série Especial (de trazer personagens de grande estatura) a peça realmente é maior e mais robusta que as demais. Ainda que só possa ser sentido ao toque, seu peso traz imponência adicional em virtude do material do qual é feita: o polêmico Metal. A coloração da vestimenta obedece às cores clássicas e que ficaram famosas nas principais histórias envolvendo os malignos robôs nos anos 70. A cabeça, em minha opinião, está ótima ao trazer a feição clássica e bizarra. Não dá para não notar uma possível inspiração, de Stan Lee e Jack Kirby (seus criadores), em "Monges", ou seres provenientes de alguma Ordem Medieval. Esta pode ser lembrada como uma das grandes qualidades de Lee e Kirby, a capacidade de trazer para o visual de suas criações alusões a personagens e tipos com os quais as profundezas de nosso inconsciente se identifica. Ainda que não saibamos isso de forma consciente.

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Um ponto, no entanto que confesso que não me agradou na peça foi o fato da modelagem ter obedecido com precisão a anatomia muscular humana. Estamos diante de um corpo muito bem modelado, e isso não é compatível com o lay-out robótico da imensa máquina anti-mutante. Confesso que esperava que a miniatura fosse construída emulando placas retas e sem muitas ondulações, tal qual a armadura do Homem de Ferro. Isso talvez não tenha incomodado muita gente, porém confesso que para mim foi um erro de concepção. Talvez o escultor não soubesse muito a respeito da mitologia dos Sentinelas de Bolívar Trask.

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

A postura adotada pela miniatura é interessante. Diferentemente de outras miniaturas da coleção que pouco lembram suas poses mais famosas nos quadrinhos, esta aqui sem dúvida nenhuma é uma posição digna e clássica de um Robô Sentinela. Aquele que se posta diante de seu alvo e levanta a mão como que ordenando que a rendição seja imediata e incondicional, caso contrário uma execução sumária será perpetrada. Infelizmente, justo a "posição da peça" fez com muitas fossem enviadas aos colecionadores com problemas nos dedos da mão esquerda (mão em alerta). Eu por exemplo, comprei uma do excelente Site Gringo TFAW (Things for Another World) e ao recebe-la os dedos estavam muito, muito tortos. Algo estranho, uma vez que são muito, mas muito duros, como pude observar ao tentar conserta-los sem sucesso em minha casa. Isso me motivou a comprar uma segunda peça por ocasião do lançamento Brasileiro. Mesmo essa 2ª peça (a da foto) está com uma leve inclinação dos dedos da mão esquerda (como pode ser visto na 1ª foto).

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Os Sentinelas apareceram pela primeira vez em X-Men Nº 14 de Novembro de 1965. Criados por Bolívar Trask, um cientista ativista da causa anti-mutante, os Robôs Sentinelas foram concebidos como uma força tarefa letal para proteger a humanidade contra a potencial ameça mutante. Os primeiros Sentinelas (Mark I) voltaram-se contra Bolívar Trask ao criarem uma independência mental (uma consciência). Essa revolta se deu, curiosamente, durante um programa de TV ao vivo no qual Trask apresentava ao Mundo sua criação. Salvo inicialmente pelos X-Men, Trask acaba morrendo ao explodir a si próprio junto com sua criação ao perceber o erro que havia cometido.

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

A 2ª geração de Sentinelas (Mark II) foi construída pelo filho de Bolívar, Larry Trask. O rapaz culpava os X-Men pela morte do pai, só que vejam só: Larry era um Mutante. Algo que o pai sempre escondeu do filho ao dar-lhe, ainda em vida, um colar que suprimia seus poderes. Quando o colar foi removido as criaturas voltaram-se contra Larry, matando-o, apesar da interferência dos X-Men. Não tardou até que mais um cientista do governo americano, Steven Lang, recriasse os Robôs (Mark III) à luz das anotações dos falecidos Bolívar e Larry que, infelizmente nada traziam sobre o erro que era continuar com o Projeto Sentinela. Lang recebeu fundos do Conselho dos Escolhidos (o grupo que viria a se tornar o Clube do Inferno sob a direção de Sebastian Shaw e Emma Frost!!). O projeto Mark III fracassaria, mas Lang retornaria à prancheta concebendo os Sentinelas X, cópias exatas dos integrantes dos X-Men. Às custas do faro inato de Wolverine o embuste foi descoberto e os Sentinelas X (ou Mark IV) destruídos. Lang acabaria seus dias ao ter sua mente fundida com um dos Sentinelas e ser derrotado.

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Os Sentinelas Mark V seriam construídos ainda sob a batuta megalomaníaca de Sebastian Shaw, que via nisso uma grande chance de fazer fortuna junto ao governo, mesmo ele sendo um mutante também (!!). Com uma nova derrota de Shaw, o vilão Massacre tomou o controle dos Sentinelas. Agora sob o comando de Massacre, os Robôs se voltaram desta vez contra os Humanos, sendo detidos apenas com a intervenção conjunta dos Vingadores e X-Men. Tentando não repetir erros anteriores o governo americano decidiu deixar o Projeto nas mãos de um homem, o sombrio Bastion. Os Sentinelas foram então construídos para albergarem em seu interior seres humanos que se fundiam com a máquina: Os Suprassentinelas. Esse plano foi frustado quando o próprio governo reconheceu seu viés ético e moral. Mas talvez o mais arrasador ataque dos Sentinelas ao Mutantes tenha sido sob o comando da mutante maligna Casssandra Nova. Sob seu comando os Sentinelas empreenderam o maior massacre de mutantes até então, na Ilha conhecida como Genosha (16 milhões de Mutantes mortos!).

Miniatura Marvel Especial Nº 04 - Sentinela

Os Sentinelas tiveram tantas participações letais na mitologia mutante da Marvel que seu nome virou sinônimo de intolerância, letalidade e perigo. Abrindo a discussão eterna sobre o medo das máquinas um dia dominarem o Mundo. Com participação importante no filme Dias de Um Futuro Esquecido da Fox, hoje os mortíferos Robôs Anti-Mutantes são conhecidos até pelo público leigo. Daí, provavelmente terem se tornado objeto de desejo de tantos fãs e não fãs diretos de quadrinhos.

É isso aí amigos!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sombra do Paraíso


Publicado recentemente pela Editora Aleph, Sombra do Paraíso é o 1º livro da Saga de Keanu. Escrito à quatro mãos por David S. Goyer (roteirista de filmes de sucesso como Batman - O Cavaleiro das Trevas e Superman - O Homem de Aço) e Michael Cassut, o livro me chamou atenção nem tanto pelo nome envolvido (David Goyer), mas sim pela chamada que dizia que a história seria um misto de Encontro com Rama de Arthur C. Clarke e do filme Os Eleitos (grande obra sobre os primórdios da exploração espacial americana). O livro é sim um misto destas duas obras, devidamente atualizada para nossos dias e cumpre o que promete ao entregar ao leitor uma "Montanha-Russa" de acontecimentos e reviravoltas. A narrativa é bem cinematográfica, o que me parece ser a contribuição de Goyer para a história. 


Se você está à procura de um livro envolvente, que conduz o leitor de forma precisa para uma determinada ambientação (no caso a viagem espacial) e ainda possui um grande mistério envolvido, esse é o livro certo. A narrativa de Goyer-Cassutt é bem "pé no chão", ao descrever nossa sociedade atual com todas suas mazelas e obsessões tecnológicas. Isso não é, de modo algum, um demérito da obra, no entanto não pude deixar de lembrar de livros que li recentemente de mestres como Isaac Asimov (Saga da Fundação, O Fim da Eternidade...) e Arthur C. Clarke (Encontro com Rama, O Fim da Infância...). Asimov e Clarke conseguem imprimir uma discussão existencial subjacente à narrativa que também está presente em Sombra do Paraíso. No entanto, o discurso cinematográfico, em minha opinião, reduziu um pouco o mistério e o assombro tão comuns nas obras dos grandes mestres.  Por não querer ser injusto com a obra de Goyer-Cassutt volto a reiterar que o livro é bom. Porém, ao leitor acostumado com livros destes mestres da ficção dos anos 60 (Ursula K. Le-Guin, Asimov, Clarke, Walter Miller Jr...), Sombra do Paraíso assemelha-se muito a um trailer cinematográfico, o que pulverizou um pouco o mistério. Isso não é necessariamente ruim, já que me parece que Goyer escreveu pensando em uma adaptação para a telona. Para mim, no entanto faltou um pouco da estranheza sutil inerente ao insondável, algo tão presente nas obras citadas acima.

David S. Goyer e Michael Cassutt

A narrativa, calcada quase que 100% nos hábitos e comportamentos de nosso tempo, acabaram por diluir um pouco o cenário fantástico que os autores tentam elaborar. Em virtude disto não consegui atingir o escapismo que outros livros (como os que citei acima) me proporcionaram. Isto não é demérito da obra, mas sim fruto de um histórico prévio de leituras que trago comigo, o que acaba por influenciar minha expectativa ao redor da obra. Possivelmente outros leitores terão experiência diferentes da minha, sobretudo em função do mesmo motivo. A atmosfera aterradora, eterna e profunda de que falo aparece no desfecho do livro. O que me fez então querer ler os próximos (que espero, aliás, que a Aleph lance em breve).


A história se passa a partir do ano de 2016, quando é descoberto um objeto que, aparentemente, é apenas uma rocha em direção à Terra. Logo, no entanto todos descobrem o caráter singular do OBJETO. Narrada, praticamente em tempo real, a história conduz o leitor à duas frentes, a exploração do estranho objeto por uma equipe de astronautas e os acontecimentos na Base em Houston. O nome "Keanu" vem do ator Keanu Reeves sim. Segundo a história o estranho objeto foi inicialmente batizado de NEO, sigla em inglês usada pela NASA para Near Earth Object. Por causa do nome NEO, logo ele foi batizado de Keanu em função do personagem de nome Neo, interpretado por Keanu Reeves em Matrix.


Duas naves espaciais, uma enviada pela NASA (a Venture-Destiny) e uma liderada pela coalisão Rússia-Índia-Brasil (a Brahma) são enviadas na direção de Keanu, e é sobre as façanhas exploratórias da tripulação da Venture-Destiny e da Brahma que o livro é construído. Como disse acima a sequencia promete e espero vê-la em breve. Caso você também tenha lido o livro deixe sua opinião!


Um grande abraço à todos!

domingo, 28 de junho de 2015

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Emma Frost é a gélida Rainha Branca (seu antigo nome da época do Clube do Inferno). Uma mulher que (não a toa) possui como um de seus poderes a transformação de seu corpo em diamante bruto. Uma personagem que encontra no DIAMANTE sua mais pura essência, ou seja, a incrível beleza associada à maior dureza da Terra. Pois assim é Emma Frost, a linda mutante telepata que possui uma personalidade dura e inflexível, além de uma "Brutalidade Amoral", conforme bem definido por Frank Plowright. Hoje analisaremos algumas características de sua peça bem como alguns pontos fundamentais de sua trajetória.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Em primeiro lugar acho que devemos ressaltar uma das coisas que talvez menos combine com a personalidade de Emma Frost nessa peça: o sorriso. Dona de uma personalidade astuta, por vezes insensível e seletiva, definitivamente ela nunca ostentaria o alegre, jovial e ingênuo sorriso representado na figura acima. Emma até pode sorrir, porém sempre carregará nesse sorriso a malícia inerente às autênticas femme fatales. Entendo, no entanto que as sutilezas das feições humanas sejam algo muito difícil de serem reproduzidas em uma peça com essa escala de modelagem. Assim, Emma Frost parece mais uma Princesa de contos de fada nesta peça do que a voraz, elegante e maliciosa telepata que conhecemos dos quadrinhos.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

As demais características da peça estão adequadas para mim, corpo escultural, elegância, roupa insinuante e o famoso bustiê "tomara-que-caia" acoplado à capa (marca registrada da personagem). A capa, aliás mantem as ondulações características de um pesado tecido, algo que vem sendo visto nos diversos personagens da coleção que se utilizam desta indumentária. Gostei do estilo de calça com a qual a personagem está representada, uma calça com vincos e de cintura baixa, em geral usada em ambientes "fashion". Algo que já mostra o requintado e aristocrata gosto de Emma, muito bem completado com as luvas longas e bustiê. Assim, nesse quesito acredito que a peça faz jus ao histórico e personalidade da mutante.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Emma nasceu num lar extremamente abastado, cheio das regalias usualmente vistas na alta sociedade. Infelizmente, no entanto o que sua família tinha de riqueza material faltava em compreensão e amor. Winston, pai de Emma era enérgico, mesquinho e tinha como principal valor existencial o culto ao poder e ao dinheiro. Após a morte da mãe de Emma tais características foram ainda mais acentuadas no patriarca dos Frost. O único consolo que Emma possuía era a amizade de seu irmão Christian, que em função de sua homossexualidade era também alvo de críticas e desmerecimento. As outras duas irmãs de Emma, Adrienne e Cordelia eram de igual modo distantes e ensimesmadas.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Ainda na adolescência Emma veria seus poderes telepáticos aflorarem na rica Escola que frequentava. Esperta e cheia de rancor, Emma passou a usar seus poderes para conseguir o que queria, e foi assim que a mutante passou pelas fases de sua juventude, angariando o afeto de poucos, e tirando do caminho aqueles que ela achava que a atrapalhavam. Toda inocência que eventualmente ela tivera um dia foi consumido como fruto de seus ataques psíquicos às mentes dos adultos, que lhe descortinaria toda sordidez da sociedade. Foi nesse contexto de mágoa, rancor e desejo de manter intacto seu estilo de vida e poder que Emma conheceu o Clube do Inferno. Criado como um Clube para ricos satisfazerem seus gostos depravados, o Clube do Inferno logo mostraria que era algo mais. Assim, Emma sentiu que ali era o ambiente perfeito para ela ascender em sua escalada social e de riqueza, tornando-se a Rainha Branca do Clube do Inferno, uma espécie de alta dama do Clube.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Se algo foi mudando lentamente no coração de Emma, levando-a para o caminho do que é correto, foi em decorrência de sua escolha de montar uma Escola para jovens mutantes, onde poderia realizar um de seus desejos interiores: ser Professora. Foi na Escola de Emma que nasceu Os Satânicos, um grupo de jovens mutantes que entrou em confronto com os Novos Mutantes algumas vezes. Mas foi o contato discreto e gradativo com Charles Xavier que pavimentou o caminho para Emma começar a perceber outros valores na vida, sem é claro, nunca deixar de lado seu perfil aristocrata, às vezes rude, rebelde e irascível. O acontecimento determinante para a virada na personalidade de Emma, talvez tenha sido a morte de seus alunos mutantes (Os Satânicos) pelo mutante teleportador Trevor Fitzroy. A perda dos jovens pupilos e o fato de Emma quase ter morrido nas mãos de Trevor contribuíram para que ela subisse mais alguns degraus na direção de uma vida diferente.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Isso explica o fato de uma das mais mesquinhas vilãs do Universo Mutante fazer parte hoje de uma das facções dos X-Men, ao lado de seu namorado, ninguém menos que Scott Summers (O Ciclope). Esse improvável casal jamais estaria no imaginário de qualquer Marvete no passado e, no entanto hoje é um dos casais mais badalados (eu diria) no Universo Mutante. Confesso que esse Universo dito "Mutante", é hoje por demais complexo para o meu gosto, com muitos personagens que infelizmente acabam por diluir as tramas. Meu último contato mais de perto com os mutantes foi durante a Saga Avengers x X-Men. Depois disso decidi não comprar mais mensais, mas apenas encadernados. Portanto não saberia dizer com grande precisão a situação de Emma Frost hoje.

Miniatura Marvel Nº 47 - Emma Frost

Para mim Emma Frost representa a essência da mulher fatal, que pode destruir a vida de qualquer homem sem nem precisar de super-poderes, e por isso mesmo talvez ela me assuste tanto (rs rs). Um misto de sedução e perigo concentrado em uma única mulher. Um binômio que já levou muitos homens à ruína. Definitivamente a antítese de outra personagem já comentada aqui no Blog, Kitty Pryde. Bom amigos... É isso aí! Grande abraço à todos!!

sábado, 13 de junho de 2015

Coleção Salvat - Os Heróis Mais Poderosos da Marvel - O que Já Saiu!? - Lista de Lançamentos - ENCERRADA - Abril/2019!!

Nº 01 - Os Vingadores; Nº 02 - Homem-Aranha; Nº 03 - Wolverine; Nº 04 - Hulk; Nº 05 - Homem de Ferro; Nº 06 - Viúva-Negra; Nº 07 - Capitão América; Nº 08 - Tocha Humana (Jim Hammond).

Olá amigos... Há algum tempo tivemos o início de mais uma Coleção de Graphic Novel pela Editora Salvat: Os Heróis Mais Poderosos da Marvel. Diferente de sua contraparte de Capa Preta, esta nova coleção foca não em uma saga, mas sim em um determinado personagem ou Grupo. Assim, coloca-se em perspectiva o DNA do herói ou supergrupo, o que confere um caráter interessante à Coleção, já que explora HQs que definiriam o personagem, suas motivações, dramas e caráter intrínseco. Um grande oportunidade de se fazer um Raio X de determinado herói, heroína ou supergrupo. Seguindo sob essa perspectiva, cada volume traz também a 1ª aparição do personagem título, o que agrega valor à coleção uma vez que seria a oportunidade de muitos (novos e velhos) leitores observarem como determinado personagem foi descrito em seu nascedouro, em sua gênese, livre de re-interpretações futuras que lhe foram dadas. Essa chance é uma chance única de se conhecer material clássico e raro.

Nº 09 - Gavião ArqueiroNº 10 - X-Men; Nº 11 - Luke Cage; Nº 12 - Os Três Guerreiros; Nº 13 - Ciclope; Nº 14 - Capitão Marvel; Nº 15 - Os Fabulosos X-Men; Nº 16 - Mulher-Invisível.

Nº 17 - VisãoNº 18 - Guardiões da Galáxia; Nº 19 - Falcão; Nº 20 - Namor: O Príncipe Submarino; Nº 21 - Valquíria; Nº 22 - Professor X; Nº 23 Defensores; Nº 24 Justiceiro.

Nº 25 - Nick FuryNº 26 - Pantera Negra; Nº 27 - Madrox: O Homem Múltiplo; Nº 28 - Harpia; Nº 29 - DemolidorNº 30 - Quarteto Fantástico; Nº 31 - Doutor Estranho; Nº 32 - O Coisa.

Nº 33 - Destrutor; Nº 34 - Feiticeira EscarlateNº 35 - O AnjoNº 36 - Punho de FerroNº 37 - Mercúrio; Nº 38 - BladeNº 39 - Inumanos; Nº 40 - Fera.

Nº 41 - ThorNº 42 - Shang-Chi; Nº 43 - Polaris; Nº 44 - Warlock; Nº 45 - Hank PymNº 46 - Hércules; Nº 47 - Homem de Gelo; Nº 48 - Vespa.

Nº 49 - Motoqueiro FantasmaNº 50 - Magnum; Nº 51 - Surfista PrateadoNº 52 - Banshee; Nº 53 - Cavaleiro Negro;  54 - Tempestade; Nº 55 - Tocha Humana (Johnny Storm)Nº 56 - Colossus.

Nº 57 - Senhor Fantástico; Nº 58 - NoturnoNº 59 - Jean GreyNº 60 - Miss Marvel; Nº 61 - DeadpoolNº 62 - Soldado Invernal; Nº 63 - ElektraNº 64 - Jessica Jones.

Nº 65 - Máquina de Combate; Nº 66 - Geração X; Nº 67 - Os Invasores; Nº 68 - Hulk Vermelho; Nº 69 - Garota-Aranha; Nº 70 - Fugitivos; Nº 71 - Rocky Racum; Nº 72 - Capitão Bretanha.

Nº 73 - Vingadores da Costa Oeste; Nº 74 - O Sentinela; Nº 75 - Academia de Vingadores; Nº 76 - Nova; Nº 77 - Vingadores Centrais; Nº 78 - Jovens Vingadores;Nº 79 - Mulher-Aranha; Nº 80 - Mulher-Hulk.


Nº 81 - Vingadores de Estimação; Nº 82 - Manto e Adaga; Nº 83 - Union Jack; Nº 84 - Novos Guerreiros; Nº 85 - Exacalibur; Nº 86 - Venom (Flash Thompson); Nº 87 - Tropa Alfa; Nº 88 - Miles Morales - Homem-Aranha Ultimate.


Nº 89 - Marvel Boy; Nº 90 - Aranha Escarlate; Nº 91 - Quasar; Nº 92 - Thunderbolts; Nº 93 - Bill Raio Beta; Nº 94 - Garota-Esquilo; Nº 95 - Homem-Máquina; Nº 96 - Vingadores Secretos.



Nº 97 - Deathlok; Nº 98 - Scott Lang - Homem-Formiga; Nº 99 - Novos Mutantes; Nº 100 - Cavaleiro da Lua.

Seguindo a tradição aqui do Blog de disponibilizar a sequencia de lançamentos tal qual foi feito com a coleção de "Capa Preta", teremos a partir de agora a sequencia atualizada dos encadernados desta coleção já conhecida por aí como "Capa Vermelha" da Salvat. Você encontrará essa lista em movimento, sempre com novos acréscimos, fornecendo para todos nós um guia rápido de consulta, bem como a possibilidade de se criar um panorama geral do conjunto da obra. É isso aí amigos! Um grande abraço à todos!!

sábado, 6 de junho de 2015

A Saga do Monstro do Pântano - Vol. 01


"Não há nada mais triste do que o grito de um trem no silêncio noturno.
É a queixa de um estranho animal perdido, único sobrevivente de alguma espécie extinta, e que corre, corre, desesperado, noite em fora, como para escapar à sua orfandade e solidão de monstro."
Mario Quintana

Em seu poema intitulado "Desespero", Mario Quintana destila a quintessência do mito do Monstro... Aquele que não tem ninguém mais a não ser a si próprio. Há muito tempo o genial roteirista Alan Morre não apenas destilou esse mito, mas encheu toneis e mais toneis de uma prosa lírica e profunda em que apresentou suas ideias para o que é o "VERDE". A entidade gigantesca, milenar, silenciosa, onipresente e poderosa que divide o mundo com os homens e animais, ou seja, que divide sua existência com o "VERMELHO", ou seja, nós. Uma entidade que, talvez por ser por demais sábia, um dia silenciou-se ao perceber a inexorabilidade da vida e de seu destino rumo à destruição. Um destino inerente aos processos eternos.

O Monstro do Pântano - Por Michael Zulli

É possível que um dia, em tempos imemoriais, tenhamos tido contato mais intimo e profundo com essa essência, quem sabe no Jardim do Éden antes da queda, porém essa conexão se rompeu e nos descolamos por completo de sua consciência. O que temos hoje (como espécie) são apenas ecos compartilhados com o VERDE, ecos que podem ser ouvidos, ou melhor "sentidos", se ficarmos bem quietos e serenos em meio à profusão verde.


Em 1984 um ainda jovem Alan Moore assumiria o título de um personagem que ainda não havia atingido todo seu potencial dramático, mas que só excelentes roteiristas tem acesso. Baseando-se (provavelmente) na teoria do Campo Morfogenético de Rupert Sheldrake, Moore constrói uma das mais belas narrativas gráficas que já li, sem perder, no entanto o lado marginal, sujo e belo dos quadrinhos. Nascia o Monstro do Pântano de Alan Moore. Criado por Len Wein e Bernie Wrightson em 1971, o Monstro do Pântano poderia ter sido apenas mais um Monstro da literatura em geral. No entanto, Moore fez dele a essência, ou melhor o representante do "VERDE", ou seja, criou sua encarnação, seu ELEMENTAL. Com início em 1984, a passagem de Alan Moore pelo título iniciaria uma revolução nos quadrinhos com a chamada Saga do Monstro do Pântano. Evento que alavancaria a 9ª arte à um outro patamar. Recentemente, essa Saga começou a ser republicada no Brasil, desta vez na íntegra.


No início dos anos 80 a revista do Monstro do Pântano vinha sob o comando de Martin Pasko (roteiro) e Tom Yeates (desenhos). Assumindo a vaga de roteirista à convite do próprio Len Wein, o jovem talento britânico Alan Moore iniciou sua fase com a história "Pontas Soltas" (Janeiro de 1984). Uma história que fechava diversas "pontas soltas" deixadas por Pasko. Mas foi com a 2ª história "Lição de Anatomia" (Fevereiro de 1984) que Moore mostraria a que veio. O encadernado da Panini abre com "Pontas Soltas" e pode ser dividido em duas partes: a 1ª delas mostra o Monstro do Pântano começando a descobrir "O QUE" ele realmente é e traz como personagem opositor principal Jason Woodrue, o Homem Florônico.


Woodrue é o protótipo da psicopatia sobrenatural, assustador não apenas em sua imagem, mas também em suas motivações. Outro opositor desta 1ª parte é o General Avery Carlton, personagem remanescente da fase Pasko. É também nessa ª parte que Abigail Arcane começa a se mostrar como alguém que seria da máxima importancia na vida do nosso amigo Pantanoso.



Na 2ª parte do volume, Alan Moore se aprofunda no terreno pantanoso do Mundo Espiritual, dando pistas para onde levaria o personagem título. Não é a toa, portanto que um dos personagens centrais desta 2ª trama é o demônio Etrigan. Além de Etrigan, iniciam suas participações também alguns entes infernais que ao que tudo indica farão parte das próximas histórias.


Apesar das 03 décadas que nos separam desta Saga, ela não é (em hipótese alguma) datada ou mesmo antiquada. Pelo contrário, mantém toda sua força e poder hipnótico. À princípio achei que o tipo de papel escolhido pela Panini para imprimir a Saga (o pisa-brite), havia sido um grande erro, já que é barato, não privilegia as cores e é muito fácil de ser rasgado. No entanto, por incrível que pareça (em minha opinião, claro) esse tipo de papel deu um ar de HQ antiga, perdida, marginal e até proscrita. Soma-se a isso a arte estranha e por vezes caótica de Stephen Bissete e John Totleben. Ao que tudo indica a fase de Alan Moore à frente do título será publicada na íntegra pela Panini, perfazendo 06 volumes.


Caso tenha coragem, enverede-se por esse universo lírico, onírico, violento, poético e acima de tudo cheio de verdades escondidas que é a Saga do Monstro do Pântano.

É isso aí amigos...
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