segunda-feira, 23 de julho de 2018

Homem de Ferro - A Guerra das Armaduras


Recentemente, visitando algumas HQs já esquecidas em minha pilha de leitura, resolvi ler Homem de Ferro - A Guerra das Armaduras. Algo que venho percebendo já há algum tempo, é que visitar materiais dos anos 70 e 80 é quase uma garantia de satisfação. O leitor perceberá um roteiro muito menos complexo e, talvez por isso mesmo, com soluções mais criativas e interessantes. Sem dizer que o DNA do personagem está totalmente ali representado. Foi exatamente isso que encontrei neste encadernado da Panini lançado em 2010 (possivelmente ainda passível de ser encontrado com certa facilidade em Comic Shops). Escrito pelo pouco comentado David Michelinie, a história é um excelente representante de quem é o Homem de Ferro e traz características clássicas do personagem: sua vida de empresário ocupado, sua relação com os funcionários, seu gênio mecatrônico, sua relação com o chão da oficina e, acima de tudo, sua capacidade de superação e redenção pessoal.


A HQ foi escrita e publicada originalmente entre 1987 e 1988, entre os números 225 e 232 da Revista Iron Man, época em que Tony Stark vestia um interessante modelo de armadura, seu modelo Nº 08. O traje trazia consigo um aspecto centurião à indumentária. Eu não era muito fã deste modelo, mas ao vê-lo em ação tornei-me fã. Outro aspecto que a HQ revela, e que por si só já é uma atração à parte, é a caracterização dos personagens ao estilo anos 80 já em transição para os anos 90. O eixo narrativo principal da Saga foi concebido pelo então Editor-Chefe da Marvel à época, o controverso Jim Shooter, conforme o próprio Michelinie revela no interessante prefácio do encadernado. Apesar disso, o desenvolvimento do roteiro é muito bem orquestrado pelo roteirista. A Saga gira em torno de um fato principal: o roubo, pelo Espião-Mestre, de tecnologia secreta das empresas Stark. À mando de Justin Hammer (rival empresarial de Stark), o Espião-Mestre consegue a tecnologia que permite a criação de diversos outros trajes que é então repassado à vários criminosos, dentre eles: Besouro, Metalóide, Onda de Choque, Doutor Destino, Controlador, Dínamo Escarlate, Homem de Titânio, Professor Poder, Aeropiratas e Mauler.


Tony Stark percebe então o quanto sua tecnologia levou dor e tragédia à uma grande quantidade de pessoas sob às mãos dos vilões acima. Isso o leva à uma cruzada incansável com objetivo de reaver as armaduras que, possivelmente se utilizam de sua tecnologia. No caminho, o Homem de Ferro desce à mais obscura jornada na qual torna-se um proscrito da justiça, uma vez que passa a atacar até agentes do governo que (talvez se utilizem de sua tecnologia), se envolvendo, inclusive, em incidentes internacionais com sua caçada ao Homem de Titânio e ao Dínamo Escarlate. Estes dois últimos, aliás são responsáveis por um dos melhores momentos do arco, já que é impossível não se lembrar de clássicas HQs sessentistas nas quais o Homem de Titânio era protagonista. Destaque especial também é a relação de Stark com os Vingadores da Costa Oeste (grupo ao qual era filiado à época), já que ele excede vários parâmetros legais e os Vingadores precisam lidar com o comportamento de seu afiliado. O grupo trazia em sua formação Gavião Arqueiro, Harpia, Magnum e Cavaleiro da Lua.


E se você achava que conflitos entre Tony Stark e Steve Rogers tiveram início com a Guerra Civil I de 2006, está muito enganado. Outro ponto alto é justamente o confronto entre o Homem de Ferro e o Capitão (nome que o Capitão América usava à época, uma vez que o Governo Americano havia confiscado seu título e uniforme. Detalhe: ele usava um escudo totalmente branco (foto acima) construído pelo próprio Stark). A cena acima e abaixo ilustram bem o confronto.



Toda Saga, à exceção do último capítulo em Iron Man #232, é desenhada pelo artista Mark D. Bright e arte-finalizada por Bob Layton. Gostei demais da arte de D. Bright. Não dá para não notar elementos da escola John Byrne! Vocês podem ter um aperitivo nos quadros acima. Não conhecia nada do artista, portanto foi uma bela surpresa para mim. Confiram mais uma amostra abaixo.


Terminei a história sentindo um cheiro de óleo queimado e o calor de ferro retorcido recém destruído... Elementos que em minha opinião faltam um pouco ao Homem de Ferro de hoje que se pauta muito em nanotecnologia, o que o aproximou mais de um ciborg do que de um Homem que veste Ferro. O final de A Guerra das Armaduras marca o fim do uso da armadura modelo 08. Sendo apresentado um novo modelo ao final. Para os virtuoses de plantão, acho que não será difícil reconhecer o modelo (abaixo). Eu particularmente não saberia dizer seu modelo ou série. Modelo 09 talvez?! Bem... se você sabe por gentileza favor esclarecer nos comentários abaixo. Segue a imagem:


Bom amigos... É isso aí! Fica a dica para esta grande história que apresenta o Homem de Ferro como deve ser. Um grande abraço à todos!

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