domingo, 19 de fevereiro de 2017

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Embora frequentemente atrelado ao conceito do Super-herói adolescente, para mim Nova está muito mais próximo de um outro conceito, o do Soldado Intergaláctico que se comporta como um verdadeiro Centurião Romano ao portar uma alta patente militar cheia de responsabilidades e poderes. Até mesmo sua vestimenta traz elementos que nos arremete ao conceito militar romano, com um grande capacete de metal, ombreiras e acessórios militares. A verdade é que Nova sempre oscilou entre o conceito inicial dos seus criadores, o de um jovem herói perdedor em sua vida pessoal, e um herói espacial com grandes responsabilidades. Esta certa ambiguidade gerou, por vezes, uma incongruência em suas histórias, no entanto (para mim pelo menos) ele sempre teve, e sempre terá, enorme potencial para estrelar as mais épicas histórias espaciais. Hoje veremos um pouco de sua vida e de sua representação dentro da Coleção de Miniaturas de Metal Marvel da Eaglemoss.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

A Miniatura do personagem traz o herói em sua vestimenta mais recente, da época de sua participação na Saga Aniquilação da Marvel. Vemos um uniforme mais atualizado e um pouco diferente do antigo que, embora também constasse de capacete e estrelas no peito, era um pouco mais simples. Neste, observamos ombreiras que se fundem com duas marcas semelhantes à estrelas sobre seus peitorais, com uma última estrela sobre o centro de seu peito. Como muitos devem saber, a quantidade de estrelas sobre o tórax indica a patente militar do Soldado do Planeta Xandar, local de onde os poderes de Nova são derivados, sendo 03 estrelas o máximo que um Soldado pode almejar, definindo o posto de Centurião de Xandar. O capacete visto aqui é menos extravagante que aquele usado no uniforme original. Particularmente eu preferiria que tivessem trazido o personagem com o uniforme antigo, já que a proposta da Coleção era lançar os personagens em seu formato clássico, haja vista o nome da coleção em inglês: The Classical Marvel Figurine Collection. Isto pode parecer preciosismo de minha parte, mas ao olharmos para a caracterização da maioria dos heróis e vilões dentro da coleção, os veremos em suas versões clássicas, portanto não gosto que alguns deles (como o Nova e o Homem de Ferro, por exemplo) estejam representados de forma mais moderna, enquanto a maioria não está.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Polêmicas à parte, o personagem tem sua musculatura, sobretudo a do tronco, bem modelada, e os detalhes dourados ao longo dos braços terminam como se fossem braceletes, e são bem legais. O cinto dourado se funde à uma faixa que desce lateralmente ao longo dos membros inferiores, de maneira que se olharmos a peça pela lateral (foto acima) temos uma lembrança discreta das calças dos soldados da União durante a Guerra da Secessão Americana (1861 - 1865), tão popularizadas em filmes de Westerns, e isto é legal também. Já um detalhe que eu mudaria seria o tamanho da estrela vermelha na testa do personagem. Para mim ela ficou grande demais na peça, e poderia ter sido modelada um pouco menor. As ombreiras tão visíveis em uma visão anterior também se continuam na região posterior dos ombros, e este detalhe também ajuda no reconhecimento de um oficial militar de alta patente, mesmo em uma olhada rápida. Por fim, achei que ficou legal também o reforço dourado anterior das botas, que descem anteriormente e se fundem com uma estrutura que lembra uma espora. Novamente aqui um detalhe relacionado à soldados.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Nova foi criado por duas lendas dos quadrinhos, Marv Wolfman (roteirista) e John Buscema (desenhista) e apareceu pela primeira vez em setembro de 1976. O conceito de Nova emula o de dois outros grandes personagens dos quadrinhos: o Homem-Aranha e o Lanterna Verde (DC Comics). Do 1º, Nova herdou os conceitos de um jovem adolescente "perdedor", com pouco traquejo social e frequentemente vítima de Bullying. Do 2º, Nova herdou todos os elementos relacionados à sua origem e filiação à uma força policial intergaláctica (no caso aqui a Tropa Nova) que também possui um Planeta como seu centro de operações. A identidade secreta do 1º Nova (e para mim o original) foi Richard Rider, um jovem adolescente que, como descrito acima, sempre sofria violência física e psicológica na mão dos valentões de seu colégio. No entanto, sua história mudaria quando um ferido Centurião Xandariano chamado Rhomann Dey, pertencente à Tropa Nova chegaria próximo à Terra em sua nave. Na verdade, Rhomann Dey estava no encalço de um vilão alienígena, chamado Zorr, que havia assolado o Planeta Natal (Xandar) de Rhomann. O Centurião almejava deter Zorr, no entanto, percebendo sua fraqueza transmite seus poderes da Força Nova para um humano, ou seja, Richard Rider.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Rider recebe por meio de um raio concentrado de energia todo (ou quase todo) poder de Rhomann Dey. Inconsciente, Rider recebe várias diretrizes e explicações e, quando acorda, ainda aturdido, percebe a dimensão de seus novos dons. Nova tenta deter Zorr que já estava na Terra perpetrando uma onde de destruição, porém a pequena experiência de Rider não é páreo para Zorr. Assim, Rhomann Dey em um último suspiro de força, teleporta Zorr para sua nave e o desintegra. Rider passaria por um fase então em que tentaria se firmar como Super-herói na Terra, no entanto seus atos heroicos se restringiam à deter furtos e roubos à bancos. O grande confronto de Nova surgiria apenas quando um grande vilão chamado Esfinge (um ser imortal egípcio com uma grande fonte de poder derivado de uma pedra mágica) tenta acessar o computador global do Planeta Xandar através de Rider. Esfinge força Nova e alguns outros heróis a irem para Xandar (que não havia sido totalmente destruído). Chegando lá Nova prova seu valor em uma luta épica com a participação do Quarteto Fantástico e de Galactus, banindo Esfinge para um lapso temporal.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

Em algumas aventuras subsequentes em Xandar, Nova torna-se uma referência ao derrotar os Skrulls com a ajuda de ninguém menos que ROM (O Cavaleiro Espacial). Este evento aliás, trouxe Rider de volta à Terra para ajudar ROM a derrotar seus eternos inimigos, os Espectros. Para Rider, no entanto uma difícil escolha estava à sua frente, para continuar com seus poderes ele teria que permanecer em Xandar. Ele, no entanto escolhe ficar na Terra, passando uma fase de sua vida novamente como uma pessoa comum. Não demoraria muito para Rider estar novamente com seus poderes e ser novamente envolvido em batalhas em Xandar e na Terra, e ele se comportaria com a dignidade de um soldado, atuando sozinho ou ao lado de uma equipe de jovens com a qual viveria muitas batalhas, os Novos Guerreiros. Inclusive, os caminhos de Nova e da dinastia Zorr voltariam a se encontrar, já que a filha de Zorr voltaria a assolar Xandar. As várias investidas de forças contra Xandar levaria à criação do que conhecemos como "Mente Global", a junção de todo conhecimento do Planeta compilada em um programa capaz de ser instalado em uma mente humana.

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

O 1º homem a hospedar a Mente Global dentro de si foi um Centurião Xandariano chamado Garthann Saal. Ele caçaria a filha de Zorr pelo espaço a acabaria ficando insano ao hospedar tamanho conhecimento em sua mente. Coube a Rider confrontar Garthann e derrota-lo. Rider seria o escolhido para hospedar a Mente Global, contando que o programa lhe fornecesse algumas salva-guardas de que não seria corrompido pelo conhecimento. Foi neste estado que Richard Rider entraria no conflito que ficou conhecido como Aniquilação, em que uma onda de destruição proveniente da Zona Negativa avançou sobre todo o Universo conhecido tendo o Aniquilador como líder. Nova se tornaria uma "lenda" ao liquidar o poderoso Aniquilador. Apesar desta incrível trajetória, Richard seria "aparentemente" morto em um combate envolvendo Thanos logo em seguida. Isto explica porque o Nova atual é o adolescente Sam Alexander, uma reviravolta que não gostei, pois Rider demorou muito tempo para conseguir ostentar a alcunha de Centurião com dignidade para logo em seguida este título ser passado para um adolescente (!!). Achei no mínimo inverosímel este fato, uma vez que, quem escolheria em sã consciência um adolescente para receber tanto poder? No caso de Richard Rider eu até entendi, pois era uma emergência frente ao ataque de Zorr, mas agora eu achei uma grande besteira narrativa!!

Miniatura Marvel Nº 54 - Nova

De minha parte não vejo a hora do posto de Centurião Nova ser ocupado novamente por alguém experiente e que faça jus em sabedoria e maturidade ao cargo. Há rumores de um possível retorno de Richard Rider, portanto, vamos ficar de olho! Outra grande espera é a possível participação de Nova no Universo Espacial Cinematográfico da Marvel nos cinemas. Sobretudo nos filmes dos Guardiões da Galáxia ou dentro do futuro conflito Guerra Infinita que integrará heróis da Terra e do espaço nos cinemas. Bom amigos é isso aí! Um grande abraço à todos.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Miniatura DC Série Especial Nº 10 - Lobo

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

Entender os "por quês" e razões que existem por trás da criação de cada personagem é um exercício muito interessante. Durante este processo podemos perceber que determinados heróis ou vilões encarnaram perfeitamente o Zeitgeist (Espírito do Tempo) de uma época. Esta análise torna possível a leitura de como determinada época sonhava e pensava seus ideais. Personagens da Era de Ouro (1938 à 1956) por exemplo, tinham uma visão bem maniqueísta de seu tempo, em que o bem e o mal eram facilmente reconhecíveis, padronizando assim comportamentos e pessoas, tal qual ocorria no Mundo real naquela época. Já a Era de Prata (1956 à 1970) trazia o ideal da inocência com seus romances e galanteios entre heróis e "mocinhas", mas avançava ao começar a mostrar o dia a dia e os problemas cotidianos de alguns heróis (caso do Homem-Aranha por exemplo, criado em plena Era de Prata). A Era de Bronze (1970 até início dos anos 80) trouxe consigo a morte do Sonho Idealizado e, com isso, heróis marginais, infernais e mais viscerais (caso de Luke Cage, Motoqueiro-Fantasma...). Por fim a Era Contemporânea (a partir dos anos 80) literalmente desconstruiu seus heróis em uma viagem ao âmago de praticamente todos (o Batman de O Cavaleiro das Trevas e Ano Um de Frank Miller; o Demolidor de A Queda de Murdock também de Frank Miller; o Monstro do Pântano de Alan Moore; o Sandman de Neil Gaiman; o Homem-Animal de Grant Morrison) . Mas e o Lobo? O que ele representa? A que ele veio?

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

A resposta a esta pergunta começa pelo visual do personagem que pode ser muito bem comentado nesta peça da Eaglemoss. Embora feita de resina, a peça tem detalhes muito legais. A começar pela cabeleira farta, pele branca, um rosto com detalhes que lembram um cavanhaque, olhos vermelhos, e charuto, o personagem acaba ficando com uma mistura de mafioso com halterofilista, roqueiro e motoqueiro. A musculatura destacada parece um pouco avantajada demais, mas pode ser que este detalhe tenha sido proposital para demonstrar algo anabolizado. O colete, a calça jeans e o cinto evocam a indumentária dos motoqueiros norte-americanos, e a frase escrita na parte de trás do colete é um sarcástico e irônico convite à anarquia. A presença de inúmeros adereços que evocam pregos, correntes, fivelas e placas de metal tentam passar logo uma mensagem de revolta e violência.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

O coturno com perneira metalizada destaca-se bem, e o cachorro (parece um Buldogue) mordendo a corrente aponta para selvageria do animal. Não podemos esquecer da arma na mão esquerda que apresenta-se bem modelada, passando até despercebida em face à tantos detalhes selvagens. A cabeça alienígena sob o pé direito de Lobo vem de uma Série publicada no final dos anos 80 pela DC chamada Invasão. Na série um conjunto de raças alienígenas decidem exterminar com a humanidade, e o pobre alien apresentado aqui é da raça Domínion. Eu gostei desta peça, confesso que (como todos) preferia que ela tivesse sido confeccionada em metal, o que lhe daria maior peso e consistência. Apesar disto ela não faz feio na estante ao lado de outros heróis e vilões.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

O Lobo que conhecemos hoje foi reformulado após a mega-série dos anos 80 Crise nas Infinitas Terras. O Lobo anterior (criado em 1983), embora também violento e também caçador de recompensas, não possuía o temperamento tão selvagem e exageradamente homicida do atual. Falaremos aqui do Lobo já reformulado pós Crise e que, em minha opinião, é o verdadeiro. Pois foi este que conquistou uma legião de fãs e participou efetivamente de muitas aventuras importantes. Lobo nasceu no Planeta Czárnia e seu nome, em dialeto Khúndio significa "aquele que devora suas entranhas e se deleita com isso". O personagem é o responsável pelo extermínio completo de sua própria raça, tornando-se o único czárniano vivo em todo o Universo. Uma origem que ironiza a de outro grande herói da DC, Superman. A sede homicida de Lobo o levaria facilmente a fazer dela seu "ganha pão", tornando-se um caçador de recompensas. Embora violento e sem escrúpulos, o personagem trabalha sob um código moral pessoal, valorizando ao máximo seus contratos, sendo incapaz de quebra-los. Muito embora já tenha feito isto a depender do dinheiro envolvido.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

O único vínculo emocional do personagem é com seus pequenos bichos de estimação, golfinhos espaciais. E foi um incidente envolvendo estes animais que forçou Lobo (contra sua vontade) a integrar uma equipe de policiais protetores do Universo chamada de L.E.G.I.Ã.O. Uma tropa de seres de diversas origens espaciais idealizada e presidida pelo coluano Vril Dox. Estas histórias eram muito interessantes porque Lobo se via sempre controlado pelo inteligente Vril, sendo impedido de destruí-lo em função de alguma artimanha de Dox. Claro que toda a mitologia que acompanha Lobo parece muitas vezes estapafúrdia e algumas vezes até de mal gosto ao usar frequentemente a "morte" e a "violência" gratuita de maneira extremamente exagerada em suas histórias. Este componente inverosímel, escrachado e com um toque de humor negro pôde ser visto também em outros arcos do personagem, por exemplo quando ele foi contratado pelo Coelho da Páscoa para matar o Papai Noel, uma vez que este último estava aumentando sua popularidade e monopólio sobre o calendário festivo anual da humanidade.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

Tudo isto nos arremete à pergunta que abriu esta matéria. Qual o "por que" da criação de um personagem como Lobo? Bom... Independente de seus criadores Roger Slifer e Keith Giffen terem pensado nisso, a verdade é que, em minha opinião, Lobo reflete a selvageria, falta de propósito e inutilidade do comportamento humano, sobretudo visto nas últimas décadas. Determinadas ações humanas são tão incrivelmente injustas e violentas que determinados artistas conseguem destilar isto em personagens e obras que ridicularizam fortemente nossa própria espécie. O "absurdo" passa a ser uma ferramenta de expressão que, se bem aplicada, torna-se um espelho para o qual olhamos e reconhecemos a nós mesmos, bem como nossas incoerências. Para mim foi isso que tornou Lobo, bem como outros personagens semelhantes a ele (Ex. Deadpool), símbolos atuais de comportamento super-heroico por não terem "papas na língua". Talvez a humanidade cansada de comportamentos sempre dúbios e cheios de "segundas intenções", encontre prazer em admirar anti-heróis que, embora sejam politicamente incorretos, são verdadeiros e se chocam contra uma ordem social corrupta e mentirosa.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

Entendimentos assim validariam a popularidade de outros personagens como Wolverine e o próprio Deadpool citado acima. É o tipo "Herói Casca-Grossa" que fala o que ninguém tem coragem de falar e acaba cometendo atrocidades altamente condenáveis, mas que acabam por se justificar diante de uma humanidade que comete coisas piores. O comportamento destes anti-heróis se chocam com a forma bem comportada, corrupta e maquiavélica de muitos personagens que, embora menos violentos, cometem atrocidades piores com uma simples assinatura. E já que eu mencionei o Zeitgeist no início, eu diria que este comportamento politicamente correto e corrupto está altamente "in voga" atualmente em vários setores de nossa sociedade.

Miniatura DC Especial Nº 10 - Lobo

O fato é que, se vivêssemos em um Mundo menos insano, mais coerente e menos hipócrita, personagens como Lobo seriam totalmente inadmissíveis. Uma vez que não fariam sentido ao não terem contra o que se contrapor ou mesmo denunciar em sua essência. Mas a verdade é que vivemos num Mundo em que ele não apenas é viável, mas também admirável em alguns sentidos.

Grande abraço à todos!!
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