quarta-feira, 25 de junho de 2014

Malévola - Porque assistir.


Passado o tempo necessário para que eu conseguisse ir ao cinema com a paz e o foco necessário, consegui ontem assistir à "Malévola". O Filme merece ser visto mais de uma vez para se conseguir extrair toda sutileza de suas cenas. São vários os seus méritos em minha opinião e espero falar um pouco deles nessa matéria, porém inicialmente posso destacar dois: a incrível interpretação de Angelina Jolie e o enfoque dado a já conhecida história de conto de fadas "A Bela Adormecida". A Disney surpreende ao mexer com um de seus ícones dando-lhe uma releitura ousada e diferente em que o foco recai sobre a complexidade do odiado vilão da história, no caso, Malévola!


O filme é, em sua essência, "Angelina Jolie". A atriz (em minha opinião) conseguiu destilar a quintessência do poder do feminino. Todos os aspectos da personalidade do gênero feminino podem ser vistos integralmente em sua interpretação: sedução; inteligência que vai além de sua mera definição e passa para o campo do sexto sentido; amor físico; amor maternal; solidão; resignação; força destrutiva e construtiva... Tudo concentrado em uma interpretação sutil que passa de uma dessas características descritas acima à outra rapidamente. Sem dúvida uma interpretação assim só é possível ser feita por uma atriz que possui, em certa medida, a consciência dessas diversas facetas que compõe o "ser mulher", algo que engloba seus diversos conceitos: a conciliação de uma mãe, a sedução da esposa, o companheirismo de uma irmã...


Entendo que uma obra pode ou não ser vista ou captada da mesma forma dependendo da pessoa, porém no meu caso ficou patente todos os aspectos que descrevi acima. A história possui duas fases distintas divididas por um evento que marca a vida da personagem (Malévola). Um acontecimento tão intenso que a partir dele até mesmo o visual da personagem muda, de maneira que, tal como uma monja em sua clausura, Malévola passa a esconder seus cabelos em sinal de recolhimento interior. É o duro ritual de passagem da inocência para a maturidade que a vilã tem que enfrentar. Tal qual uma religiosa sozinha e isolada, Malévola passa a ver o mundo com uma infeliz descrença no amor e na bondade. Embora seja possível ver adormecido em seu interior lampejos do que ela fora outrora.


Não há como não centrar a análise do filme em Angelina Jolie que, como disse acima, atingiu a sutileza necessária para hipnotizar o espectador. Além é claro de sua beleza polar e distante, digna de uma Greta Garbo moderna. É triste, no entanto observar algumas análises críticas do filme. Pude ler algumas coisas assim a respeito desta obra na imprensa escrita. Temo que às vezes é possível se confundir um pouco e acabar expressando opiniões pessoais e não técnicas sobre o filme. Vindo de pessoas como nós, simples editores de Blogs, não vejo problema nisso. O problema é quando a análise de profissionais (críticos de cinema) torna-se pessoal e não técnica. Isso pode acabar por injustiçar determinada obra, e já tivemos grandes exemplos de filmes, livros, entre várias outras formas de arte, que foram execradas em seu tempo e apenas muito depois é que foram, por fim, entendidas.


Outro ponto que gostaria de destacar é a inovadora, em se tratando da Disney, proposta de mexer com um ícone da empresa, tal qual é a história da "Bela Adormecida". Ao enfocar a vilã valoriza-se aquilo que deveria ser a regra, mas em geral não é, ou seja, o dom de não se julgar alguém pela aparência e atitudes. O ideal seria se déssemos o benefício da dúvida inicial àqueles que cruzam nosso caminho e tentássemos entender aquilo que motivou determinada atitude ou comportamento. Nos assustaríamos com o que encontraríamos, pois perceberíamos que há mais vítimas do que antes imaginávamos.


Efeitos especiais também estão presentes no filme. Não há como não contar uma história onírica como essa e não recorrer a recursos digitais. Isso pode deixar algumas cenas, em certa medida, artificiais, porém isso é inescapável. Embora tal crítica seja algo que advenha de nossa ânsia cada vez maior de sermos surpreendidos com efeitos realísticos, esquecemos algo muito importante: o fato de que, para que obras de ficção funcionem, é necessário que boa parte do que é mostrado seja complementado com nossa imaginação e nossa inclinação em assumir a fantasia como real.


"Malévola" foi para mim uma grande e grata surpresa. Um filme delicado que trata de coisas sutis e interiores. Uma obra triste, dramática, mas que acaba por valorizar as relações humanas e, em se tratando de nossos tempos, é disso que precisamos!


Um grande abraço à todos!

sábado, 21 de junho de 2014

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Oscilando entre dois opostos, o crime e a lei, o heroísmo e o egoísmo, a Mulher Gato é uma emblemática personagem da DC que consolidou sua reputação ao lado do Homem Morcego e deixou sua marca não apenas na vida de combate ao crime de Batman, mas também na vida pessoal de Bruce Wayne. Nas últimas décadas a importância e a relevância desta ladra vem crescendo e não é à toa que ela figura entre as primeiras peças da Coleção de Miniaturas de Metal da DC. Posições que, se formos ver de perto, são ocupadas apenas por medalhões da Editora. Nessa matéria veremos alguns detalhes da sua miniatura e da história desta sexy heroína/criminosa do Universo DC.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Quando vi pela primeira vez a miniatura, uma das cosias que logo me chamou atenção foi a ousadia do escultor em representar o tradicional chicote da personagem. Em geral, fios e acessórios finos e delicados são normalmente frágeis e quebradiços e, por isso mesmo, imagino que são evitados em miniaturas em menor escala. Contrariando isso, no entanto a figura da Mulher Gata expõe em destaque sua emblemática arma presa à mão direita. Embora, alguns possam deduzir que esse chicote seja frágil, para minha surpresa isso não é verdade. Ele é bem consistente e duro. Algo que impede que seja facilmente deformado.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

O traje representado é o mais recente e em voga, mesmo na Era Pós Novos 52, ou seja, um macacão de couro que forma uma peça só com uma máscara com orelhas de gato. O versátil óculos preso por uma tira elástica atrás da cabeça também está presente, além é claro da chamativa argola que sugere que o macacão possui um zíper na parte da frente. As curvas da personagem, em geral tão exploradas nas artes das revistas, estão mais econômicas na peça. Algo que me chamou atenção, pois sempre achei tais curvas muito presentes nas HQs, embora essa mesma característica a tenha deixado por vezes inverossímil. rs rs

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

A Mulher Gato é na verdade Selina Kyle, uma mulher com um triste e sofrido passado. Orfã no início da adolescência, Selina viu sua mãe se suicidar. Seu pai, em decorrência da morte da esposa, acabou se afogando na bebida, o que o levou fatalmente à um trágico destino também. Criada em um orfanato Selina logo desenvolveu um gosto pela gatunagem. Algo que se desenvolveu mais ainda quando ela quase foi morta pelo corrupto diretor do orfanato no qual vivia. Após esse episódio, Selina não apenas desmascara o diretor e o entrega à justiça, como também rouba parte de seu dinheiro. Passando a viver nas ruas a jovem arrumou emprego como Dominatrix, sendo agenciada por um violento cafetão. Aliás, o uniforme de couro de Selina vem dessa época.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Vivendo em um mundo marginal, Selina aprendeu a sobreviver. Sua inclinação para roubos, no entanto sempre foi acompanhada pela disposição em proteger pessoas sofridas as seu redor. A grande virada em sua vida ocorreu quando Selina viu as primeiras aparições do Homem Morcego. O uso de uma máscara e a possibilidade de uma vida dupla, possivelmente incentivaram a ladra a incorporar um novo estilo de vida. Selina apenas precisou manter sua roupa e acrescentar um par de luvas com garras e uma máscara, para iniciar uma sequencia de roubos que a ajudaram a mudar de vida ao mesmo tempo que a colocou em rota de colisão com criminosos e com o próprio Batman.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

A Mulher Gato, ao lado da BatWoman da Era de Ouro (Kathy Kane) e de Talia Al Ghul, pode ser considerada uma das mulheres que marcaram a vida de Bruce Wayne. Sua participação no cânon do Homem Morcego se consolidou principalmente (em minha opinião) a partir da minissérie Batman - Ano Um de Frank Miller publicada nos anos 80. Na história Miller imprime a indomável personalidade através da qual Selina passaria a ser conhecida. Uma sedutora ladra que tem uma grande inclinação para causas justas, porém faz uso de métodos pouco ortodoxos para lutar contra tais injustiças, ainda mais se tais métodos lhe trouxerem um ganho extra.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Ao que tudo indica, os sentimentos da Mulher Gato são sinceros e profundos em relação ao Batman, porém seus caminhos se chocam constantemente em função de que o modus-operandi da personagem é, na maioria das vezes, reprovado pelo defensor de Gotham. De qualquer forma, percebo uma insistência em caracteriza-la como um símbolo sexual nos quadrinhos. Além disso, é patente uma personalidade capaz de sacrificar qualquer sentimento para manter sua liberdade como Mulher Gato. Uma das melhores caracterizações da personagem, em minha opinião, foi sua participação na famosa série animada de Batman nos anos 90, a inigualável Batman - Animated Series. Com uma temática mais sombria em relação à todos os desenhos do Batman já lançados até aquele momento, a série trazia caracterizações memoráveis de vários amigos e inimigos do Vigilante de Gotham. Nela a Mulher Gato aparece como uma mulher sedutora, porém realmente capaz de amar e de se regenerar caso ela seja amada verdadeiramente. Grande destaque!

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Bom amigos, Selina Kyle é o ideal de mulher para muitos homens, embora sua personalidade indomável, embora sedutora, seja justamente aquilo que a condene, em certa medida, à solidão.

Valeu! Grande Abraço à todos!

sábado, 14 de junho de 2014

Batman - O Filho do Demônio


Em janeiro de 1989 chegava às minhas mãos o Nº 07 da Coleção Graphic Novels da Editora Abril. Uma coleção que marcou época ao trazer para o Brasil pela primeira vez uma série de títulos até então inéditos e de qualidade superior às revistas de linha. Uma coleção que oscilava por diversos estilos e nesse número 07 abordava uma das histórias mais importantes da mitologia recente do Homem-Morcego: Batman - O Filho do Demônio. Recentemente a Editora Panini relançou essa história em um bonito encadernado de capa-dura que, ao relê-lo após 25 anos, percebo que a história ainda se mantêm vigorosa e clássica, porém alguns aspectos da narrativa me causaram grande estranheza.


Por ocasião do lançamento da animação "Batman e Filho", prometida para esse ano de 2014, resolvi revisitar esse material. Com vigorosa arte de Jerry Bingham e roteiro de Mike W. Barr, Batman - O Filho do Demônio narra a estranha aventura na qual o Cruzado Encapuzado se vê novamente em contato com seu complexo inimigo Ra´s Al Ghul. A história, lançada originalmente em 1987 no EUA, traz o Batman classicamente caracterizado, ou seja, com um uniforme que por muitos anos foi usado em grandes e importantes aventuras dos anos 70 e 80.


O foco principal é a relação entre a linda Talia (filha de Al Ghul) e Batman. Porém, há espaço para intriga internacional, lutas violentas e romance. O envolvimento de Batman com Ra´s Al Ghul é explorado de forma bem diferente, dando a entender que no final os dois homens são feitos do mesmo material e possuem ideais e objetivos mais convergentes do que divergentes. Durante a história Bruce Wayne chega realmente a acreditar que seria possível levar uma vida comum ao lado de alguém que ele realmente ama.


A história, para quem não sabe, mostra a concepção de Damian, o filho de Batman que, depois de muitos anos, entraria já adolescente na vida de um Homem-Morcego que desconhece sua existência por acreditar que a gravidez de Talia não havia progredido. A interação entre Bruce e Talia é bem interessante pois, embora ela o ame, sua índole é mortífera e perigosa. Fica muito patente, no entanto a sinceridade da moça no que diz respeito aos seus sentimentos por Wayne.


A estranheza a qual fiz menção no início da matéria diz respeito ao comportamento de Batman. Após 25 anos percebe-se claramente que os tempos mudaram. O Batman nessa história é irritadiço e agressivo com as pessoas ao seu redor. À todo instante parece querer provar e autoafirmar sua postura de "macho-alfa". Analisando a obra com o distanciamento temporal que tenho agora, percebo que seu comportamento é totalmente fruto dos anos 80. Uma época em que o ícone e galã masculino se respaldava quase que 100% em homens fortes e valentões. Quem viveu a época deve se lembrar que atores como Arnold Schwarzenegger, Silvester Stalone, Jean-Claude Van Dame, Steven Segal, Dolf Lundgren protagonizavam os grande filmes. Em Batman - O Filho do Demônio essa postura fica bem patente ao observarmos a dinâmica masculina da história, tendo espaço inclusive para o aparecimento de um agressivo Mikhail Gorbachev trocando um telefonema com Ronald Reagan.


Acompanhei um pouco a trajetória recente do Homem-Morcego nos quadrinhos e é possível ver essa diferença a que chamo atenção acima. Percebe-se atualmente um Batman mais sombrio, mais silencioso e sobretudo mais maduro ao não encontrar necessidade de provar suas capacidades às pessoas à sua volta. Essa mudança é, sem dúvida nenhuma, fruto de mudanças na sociedade como um todo.


Batman - O Filho do Demônio merece ser lido não apenas sob esse olhar sociológico a que me refiro acima, mas também por ser uma ótima aventura que marca um evento de grandes consequências na vida de Bruce Wayne.

Ok amigos! Grande Abraço à todos!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Astuto, vingativo, brilhante em algumas de suas artimanhas, incompreendido, e às vezes até merecedor de pena, Loki compõe uma complexa personalidade ao ser um deus asgardiano por nomeação, meio-irmão do herdeiro do trono de Asgard, filho adotivo e possuidor de um passado digno de esquecimento. Tudo isso moldou Loki Laufeyson. Nessa matéria veremos algumas características desta peça que compõe o Nº 37 da Coleção de Miniaturas Marvel, Loki o Deus Nórdico da Trapaça, bem como elementos importantes da mitologia deste grande personagem do Universo Marvel.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

A peça traz Loki em seu visual clássico, com  uma roupa verde e amarela, seu elmo em forma de chifres e uma capa. Embora essa não seja a representação mais antiga de Loki no Universo Marvel, é sem dúvida uma das mais populares pois é a indumentária que ele adotou durante a aclamada fase das histórias do Thor escritas por Walter Simonson. A miniatura possui alguns outros detalhes que a deixam pesada e robusta, dentre eles as potentes ombreiras e algo parecido com uma flâmula que pende do alto da cabeça do personagem. Com uma agressiva posição de firmeza, a miniatura captura a sede de conquista do famigerado deus, bem como sua incansável expressão de triunfo arrogante, mesmo em face de situações não muito favoráveis para si.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

O manto usado por Loki aparece conferindo a realeza que o vilão sempre quis ter e nesse caso eu diria que ele cumpre sua função, pois realmente confere esse ar nobre ao personagem. As ondulações desse manto são outro destaque para mim, pois entendo que a modelagem em liga metálica talvez não deva ser tão fácil, e mesmo assim podemos observar ondulações que conferem a leveza que um tecido deve ter. Ponto positivo para a peça!

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

A face do personagem, infelizmente não consegue captar de forma precisa toda vilania de Loki, seu sorriso que é para ser de desdém e arrogância se perde um pouco. Entendo isso ao lembrar que a confecção dessas peças é individual e o espaço é pequeno para a modelagem. Isso faz com que a maioria dos personagens com faces desnudas na coleção apresentem certas distorções. Haja vista os rostos de personagens recentemente lançados em São Paulo (Capital), Kitty Pride e Emma Frost, alvos de muitos comentários dos colecionadores. Porém, esse aspecto não retira a importância desta peça do deus da trapaça.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Loki apareceu pela primeira vez na revista Journey into Mystery Nº 85 de outubro de 1962 e sua história se confunde à mitologia do próprio Thor no Universo Marvel. Loki é descendente direto de uma raça chamada de Gigantes do Gelo. Habitantes do Reino de Jotunheim os Gigantes do Gelo possuíam um Rei chamado Laufey (pai de Loki) que foi derrotado e morto por Odin, o Pai Celestial. Após sua vitória Odin descobre o pequeno bebê Loki escondido. Na verdade o pai de Loki o escondia pois seu filho não apresentava as portentosas características físicas de sua raça, se assemelhando muito ao aspecto físico mortal dos Asgardianos. Isso por si só representou o primeiro desprezo vivido por Loki durante sua miserável vida. Na corte de Odin, em Asgard, Loki foi adotado pelo Pai Celestial e cresceu à sombra do seu meio-irmão Thor, verdadeiro filho e herdeiro do trono de Asgard.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Muitas razões podem ser levantadas como responsáveis pelo ódio de Loki contra seu pai adotivo, seu meio-irmão e boa parte da corte de Asgard. De certa forma a própria origem ignóbil de Loki explica parte desse ódio. Sua herança e sua contínua sensação de "não pertencimento" ao lugar em que vive trouxe-lhe não apenas solidão, mas também (possivelmente) uma sensação de desajuste. A incrível inclinação de seu irmão (Thor) para o bem e os louros que ele sempre colheu com isso distanciavam ainda mais Loki de um reconhecimento semelhante. E reconhecimento é algo que todos buscamos, sobretudo de nossos pais e irmãos. Ainda que Thor por muitas vezes tenha dado esse reconhecimento a Loki, a personalidade orgulhosa do deus da Trapaça sempre o impediu de aceitar como genuíno esse reconhecimento. A impressão que tenho é que Loki sentia que Thor se apiedava dele e isso ele não podia aceitar.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Podemos juntar a isso a ideia de que Loki jamais conseguiria ter o mesmo apresso que Odin sentia pelo seu filho legítimo, algo que sempre lhe foi lembrado pelos demais asgardianos que não perdiam a oportunidade de lhe estigmatizarem como alguém naturalmente mal. O fato é que tudo isso convergiu para um ódio que culminou nas últimas décadas com sucessivas tentativas de ascensão ao trono da Cidade Celestial. Obviamente que toda dor pode ser entendida e explicada como fiz acima, porém o que temos que lembrar é que o bem e o mal, no final das contas são "escolhas" que fazemos. Muitos vilões parecem que tentam se absolver a partir de suas trágicas histórias pregressas, porém em alguns momentos esse caminho sempre poderia ter sido modificado pelo protagonista da história ao escolher o bem. Essa premissa foi muito bem usada na grandiosa obra (em minha opinião) chamada LOKI, de Robert Rodi (roteiro) e Esad Ribic (desenhos). Nela Loki alcança seu intento e derrota Odin, Thor, ascende ao trono e sobrepuja à tudo e à todos.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Ao conseguir tudo que sempre quis Loki se permite pensar no que o motivou ao longo de tanto tempo e com tanto ódio e pela primeira vez reconhece que o irmão (Thor) foi quem lhe deu sempre amor incondicional. Não vou revelar o fim da história para não gerar "spoiler", no entanto a obra é inovadora ao levar esse complexo personagem à uma autoanálise nunca antes vista. Uma história que recomendo muito!!!

Bem amigos... Aqui está parte da visão que possuo a respeito deste incrível personagem que ainda possui grande potencial de, no futuro, render boas histórias. Sua trajetória imita a de muitas pessoas e deve ser analisada para que entendamos que, como disse acima, a escolha é sempre nossa.

Grande abraço!

sábado, 7 de junho de 2014

X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido


Passadas a inúmeras resenhas e opiniões disponíveis na internet sobre o último filme da franquia dos mutantes gostaria de deixar minha percepção desta obra que tem conseguido consolidar a presença desta equipe de heróis no cinema. Ao que parece o filme conseguiu destaque entre as produções lançadas até o momento no cinema em 2014, aparecendo como uma das que conseguiu fazer mais de 500 milhões de dólares de bilheterias. Trazendo novamente o diretor Bryan Singer à frente da produção, o filme tem um roteiro coeso que, apesar da presença de inúmeros personagens em linhas de tempo diferentes, não se perde nem converge para uma história complexa o suficiente para impedir o entendimento geral.


Novamente o sucesso da obra, em minha opinião, está na atuação de alguns personagens chave, dentre eles ressalto a interpretação ao mesmo tempo forte e sensível de James McAvoy, a presença do veterano Hugh  Jackman no papel de Wolverine (bem confortável no papel de Logan), Michael Fassbender como um Magneto cada vez mais convencido da integridade do caminho que decidiu trilhar, Jennifer Lawrence que interpreta bem a dualidade de Mística, além do ótimo (em minha opinião) Nicholas Hoult, que interpreta um personagem que pode parecer periférico mas o fez muito bem: o Fera mais jovem. Hoult tem toda a característica do ator que sabe que no papel em que se encontra quanto mais ficar ao fundo dos acontecimentos, mais será visto.


O roteiro tenta unir realidades distintas que foram abordadas anteriormente no cinema e, em minha opinião, acerta ao não invalidar nenhuma delas, mas uni-las pelo conceito de viagem no tempo e mudança de fatos. Recurso semelhante havia sido usado com sucesso no 1º filme do Reboot cinematográfico de Star Trek (2009) de J.J. Abrams. Nesse recurso fãs xiitas do cânon de Jornada nas Estrelas não se sentiram roubados de suas lembranças numa eventual desconsideração de realidades mas, pelo contrário, viram a realidade em que sempre acreditaram ser eternizada diante do fato de que tudo realmente aconteceu, apenas agora começaria a acontecer diferente uma vez que um pequeno fato havia sido mudado. Em X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido temos isso também. Resta saber quais personagens permanecerão no continuum temporal do cinema.


O sucesso do filme valida a ideia que o mundo atual foi seduzido pelo antigo universo nerd. Digo antigo porque tais aventuras e sensações sempre foram experimentadas pelos nerds dos tempos mais antigos, só que em suas cabeças e corações. Com os recursos de efeitos especiais o que ocorre é que algo que era íntimo da mente dos velhos nerds agora pôde ser transposto para as telas em diversas mídias. Minha hipótese para esse crescimento e valorização da cultura nerd recai sobre três figuras-chave de nosso tempo: Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg. O mundo percebeu (atônito) que esses três homens com características nerds estão entre as mentes que mais influenciaram o mundo atual. Assim, o estereótipo dos valentões, tão popular nas décadas passadas, perdeu força. Percebeu-se que no final das contas quem ficou rico, comprou os carrões e as mansões não foram os populares Mr. Músculos das escolas, mas sim nerds fracotes cheios de ideias estranhas. Sou nerd desde que me entendo por gente e me lembro muito bem que gostar de quadrinhos era coisa de idiotas. Pois o tempo mostrou que aquilo que era visto como escapismo é na verdade uma grande e sadia catarse.


O Universo Mutante da Marvel é sem dúvida nenhuma uma grande fonte de boas histórias, sinto apenas que esse universo tenha sido extorquido até a exaustão em se tratando de alguns pontos cruciais de sua mitologia nos quadrinhos. No entanto, a dor e o sofrimento mutante demonstrado nas telas representa muito bem o anseio de minorias espalhadas pelo mundo, e traz a relevante discussão sobre o diferente e o estranho. Na maioria da vezes tratado com raiva e desprezo. Particularmente achei o filme muito bom e uma ótima continuação para o excelente X-Men - First Class.

Peter Dinklage no papel de Bolívar Trask

Aliás, Peter Dinklage dá um show no papel de Bolívar Trask e nos lembra que diferenças de tamanho ou características físicas não querem dizer nada. Tanto que não ouvi um comentário sequer de ninguém sobre a estatura do ator. Algo que simplesmente se perde diante de seu grande talento. Evan Peters como Mercúrio também é destaque em minha opinião, embora eu não atribua ao seu personagem o principal destaque do filme como vi alguns noticiando. Sua interpretação é bem envolvente como Mercúrio e a cena que ele protagoniza na cozinha mais ainda, no entanto meu destaque maior é para o conjunto de atuações, que funcionou muito bem em interação.


Bom amigos... X-Men - Dias de Um Futuro Esquecido nos traz muitas lições de cunho político, emocional e filosófico e é dessa amálgama que o universo nerd, por mais fantasioso que seja, é formado. Lutas grandiosas, cenários magníficos e personagens estranhos e até inverossímeis, mas todo esse arcabouço imaginativo existe, no final das contas, unicamente para mostrar o drama humano, que tenho certeza é vivenciado todos os dias por todos nós!

Abraço à todos!!
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