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domingo, 10 de setembro de 2017

Coleção de Cards - Festival Guia dos Quadrinhos: Um Resgate Histórico!!


Se você é fã de quadrinhos, com certeza já se ligou nos eventos sobre o tema por este Brasil afora. Para quem mora em São Paulo (Capital) um destes eventos é o Mercado de Pulgas, chamado a partir de 2016 de Festival Guia dos Quadrinhos (FGQ). Desde 2009 este agradável encontro de amigos vem se fortalecendo ao manter vivo o aspecto "marginal", amigável e verdadeiramente nerd dos quadrinhos. Com o aparecimento dos Mega-Eventos ligados à Cultura Pop, eventos menores e mais focados nas amizades e no aspecto contra-cultural das HQs vinham se perdendo. Quem viveu os anos 70 e 80 sabe que foram estes obscuros e marginais encontros que mantinham viva a chama de uma mídia que por vezes se viu em verdadeiros becos sem saída.


Herdeiro desta tradição, o FGQ é na verdade filho do Portal Guia dos Quadrinhos, uma plataforma no ar desde 2007 e que hoje é o maior banco de dados acerca de lançamentos de Quadrinhos no Brasil. Criado pelo Designer Gráfico Edson Diogo (um dos organizadores do FGQ) o portal é referência para pesquisadores, leitores, jornalistas, editores e tradutores, com quase 200 mil edições, mais de 100 mil capas e 250 mil histórias cadastradas. Na edição de 2016 do Festival, os fãs de quadrinhos que estiveram no local foram presenteados com uma ideia sensacional: um conjunto de 10 cards com capas de revistas extremamente importantes para o quadrinho nacional. Cada card trazia no verso informações importantíssimas sobre a publicação ao contextualiza-la artística e comercialmente.


Na edição de 2017 (que aconteceu no dia 08/04 no Clube Homs - Av. Paulista 735), fomos surpreendidos por mais um conjunto de cards dando continuidade aos do ano anterior. Só que agora, em função do apoio da Loja Virtual Comic Hunter a coleção dobrou de tamanho. Foram oferecidos mais 20 (!!) cards aos participantes. Entre as revistas homenageadas nos cards estão claros expoentes dos quadrinhos mundiais lançados em solo brazuca e que fizeram parte da infância e adolescência de uma verdadeira legião de pessoas, dentre eles: Homem de Ferro e Capitão América Nº 0, Superavanturas Marvel Nº 01, Capitão América Nº 01, Heróis da TV Nº 01, Quarteto Fantástico Nº 01 entre outras.


Revistas em quadrinhos antológicas para o Brasil também estão presentes. O que se constitui em um material de resgate super especial ao também valorizar nossa cultura e tradição. Títulos como O Gibi Nº 03, por exemplo são de uma importância enorme, já que foi esta a  revista que, de tão popular, consolidou em nossa cultura a mania que temos de entendermos HQs como sinônimo de GIBI. 


Outros títulos muito importantes para o Brasil também aparecem, tais como: Chiclete com Banana, O Vigilante Rodoviário, Pererê, Zé Carioca e até mesmo a capa de O Tico-Tico. Publicação que data de (pasmem) 1905!! A expectativa dos organizadores do FGQ é que esta coleção permita aos visitantes formarem um conjunto ímpar de cards que resgatará a memória dos quadrinhos nacionais.





















 





Seguindo a linha editorial aqui do Blog, sempre interessada em resgatar e valorizar a perspectiva histórica da 9ª Arte, eu não podia deixar de valorizar e divulgar esta iniciativa incrível levada à cabo pela equipe de organizadores do Festival. Tudo que nos resta agora é aguardar a edição de 2018 e roer as unhas de expectativa dos novos tesouros a serem oferecidos na forma de cards.

É isso aí amigos! Grande abraço!

domingo, 27 de agosto de 2017

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Deadpool foi criado para ser o personagem politicamente incorreto da Marvel. Não é à toda que sua criação se deu quando os quadrinhos mergulharam em uma espiral descendente de mediocridade e falta de criatividade, a saber, os anos 90. O chamado Mercenário Tagarela é a síntese de uma Era dos quadrinhos em que os desenhos eram super valorizados e os roteiros eram literalmente descartáveis e relegados à um total segundo plano. Uma fase fútil e descartável das HQs de super-heróis. A própria origem de Deadpool mostra que o homem por trás da máscara (um cara simplesmente conhecido como Jack), era uma pessoa sem princípios, grosseiro e violento. Por mais que o cinema tente vender um personagem diferente, é importante lembrarmos quem Deadpool realmente é nos quadrinhos.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Para os fãs do personagem sua peça na Coleção de Miniaturas Marvel Eaglemoss ficou muito boa em minha opinião. Os detalhes do uniforme estão bem modelados, e todos os adereços que fazem do personagem um misto de duende com ninja, estão presentes. O cinto com recursos militares, bem como o coldre na lateral direita ficaram bons. O coldre marrom, aliás é sustentado por faixas desta mesma cor que se unem na região peitoral esquerda e alcançam então o pescoço. Um detalhe muito usado nos personagens dos anos 90. Exemplo é o Ciclope dos anos 90, que usava algo muito semelhante.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

A espada na mão esquerda e a arma cano longo na direita também estão boas. As bainhas nas costas, que servem para guardar suas espadas ninja, são marcantes e muito bem apresentadas na peça. O uniforme possui uma separação muito clara entre as partes vermelho e preto, e isso ficou muito bom na peça. Podemos notar, por exemplo um alto relevo que contorna toda a separação entre essas partes de cores diferentes. Isso ficou legal pois nos dá a impressão de que o uniforme não é uma simples malha, mas é, na verdade, algo mais consistente e rígido. No geral não tenho queixas da peça. Posso dizer que sua riqueza de detalhes é um diferencial.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

A origem de Deadpool é cercada de mistérios e lacunas. Jack era o nome que o homem por trás da máscara usava desde a adolescência, quando entrou para o exército canadense. Dono de uma mente instável e uma enorme inclinação para a violência, Jack não tardou a entrar para a vida de mercenário. Exercendo este ingrato ofício, Jack foi ferido mortalmente e resgatado quase morto por um casal que, movido por compaixão o recolheu e o tratou. O casal chamava-se Wade e Mercedes Wilson. Muitos dias depois, já recuperado, Jack agradece seus salvadores atacando-os e tentando roubar a identidade de Wade. Na luta, Jack acaba por matar Mercedes. Talvez abalado, ou tentando fugir do crime hediondo que praticara, Jack passa a acreditar que seu nome era Wade Wilson. Voltando a agir como um mercenário, Jack (ou agora Wade Wilson) desaparece do radar e viaja o mundo (Ásia e Oriente Médio) como um matador de aluguel.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Retornando à América, Jack fica sabendo que está com câncer e se voluntaria para o programa Arma X do Governo Canadense. O programa fazia experiências clandestinas usando genes mutantes e é o mesmo que deu origem ao Wolverine que conhecemos hoje. As experiências com Jack foram parcialmente bem sucedidas, pois o dotou de um fator de cura extremamente eficaz, no entanto desfigurou seu corpo. O Programa tentou levar Jack à campo, apenas para perceber o quão instável mentalmente ele era. Assim, rejeitado pelo programa, Jack é levado à uma Instalação do Governo Canadense para super-humanos que saíram dos trilhos. Foi lá que Jack assumiu o codinome Deadpool (algo como Lista Negra em português). A lista, no caso referia-se à uma lista real sobre a qual o detentos apostavam quem seria o próximo à morrer nas mãos dos carrascos que dirigiam o local. Mas, superando todas as expectativas, Jack não apenas sobrevive como lidera os detentos em uma fuga, matando seu principal algoz, o assistente Ajax.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Adotando o nome de Deadpool, Jack ou Wade Wilson, como a maioria dos leitores o chamam, voltou a vida de mercenário ganhando dinheiro trabalhando para diversos chefões do crime. O ponto forte do personagem sempre foi seu sarcasmo e humor negro. Isto conquistou uma legião de fãs que, talvez cansados da conotação sombria e angustiada que muitos heróis tomaram no final dos ano 80, passaram a ovacionar Deadpool como se ele fosse o novo fenômeno dos quadrinhos, algo como um novo Wolverine. Com o tempo as histórias do personagem acabaram por serem um local para roteiristas e desenhistas extravasarem suas críticas ao que quer que fosse, parodiando e escrachando tudo que fosse convencional dentro das HQs. Por isso, recursos como metalinguagem e a quebra da 4ª parede (recurso no qual o personagem percebe-se como fictício e tenta dialogar com o leitor) sempre estiveram presentes.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

Deadpool só possui a fama que tem porque realmente vivemos em um Mundo surreal, no qual as notícias parecem cada dia mais ficcionais. Isso ampara o uso de personagens que trafegam nessa linha entre o surrealismo, a violência desmedida e a total ridicularização de tudo e de todos. No Brasil, programas de TV como Pânico na TV, entre outros, foram por este caminho na tentativa de capitanearem sucesso. A questão é que, embora até possa ser divertido, ações destituídas de quaisquer princípios acabam por descambar e ferir pessoas, física ou emocionalmente. Deadpool talvez seja apenas uma fantasia escapista e que acaba por divertir, mas só. Diferentemente de outros personagens que evocam questionamentos e inspiram jovens e crianças.

Miniatura Marvel Nº 56 - Deadpool

O filme de Ryan Reynolds trouxe alguns elementos dos quadrinhos, dentre eles a ridicularização de tudo e de todos, embora de uma forma mais contida e cuidadosa. A violenta e maligna índole de Jack também foi escondida para deixar o personagem mais aceitável, que é visto mais como vítima de um sistema do que como coparticipante dele. Posso dizer que gostei do filme, há muita violência gratuita, mas o filme é o que mencionei acima, escapismo. Mas não há problema nisso. No fim, talvez seja isso que o Mundo, assolado pelos fantasmas atuais, busque.

Grande abraço!!

domingo, 13 de agosto de 2017

Fotos Profissionais em Casa - Mini-Estúdio Fotográfico


Olá amigos... Hoje resolvi trazer uma dica que eu mesmo há muito procurava. Qualquer um que goste de colecionismo sempre teve em mente a exposição fotográfica de suas peças. Saber tirar fotos adequadas envolve estudo e conhecimento técnico acerca de luz, máquinas fotográficas e ambientes. Algo que requer estudo e aprofundamento, o que dificulta para todos nós por falta de tempo e dinheiro. Recentemente vi uma solução na internet e resolvi experimentar: ter um mini estúdio fotográfico em casa. A empresa MUTU - Produtos Criativos teve uma excelente ideia de proporcionar, de forma compacta e acessível, um mini estúdio fotográfico doméstico perfeito para quem quer fazer fotos sem fazer feio. Fiz meu pedido semana passada, recebi ontem e logo já fui testar. O resultado vocês verão nas fotos abaixo.

Família Cósmica Marvel - Eaglemoss

O vídeo na abertura desta matéria já mostra o conceito por traz do produto. Feito de chapas plásticas unidas de maneira a formar uma abóbada iluminada, o estúdio permite a inserção de fundos de várias cores dando a perspectiva de infinito à foto. No caso da foto acima eu usei o fundo branco. A iluminação em "led" é forte e elimina a necessidade de se fazer os famosos recortes na foto para retirada de fundos indesejáveis.

Heróis e Vilões da Era de Ouro dos Quadrinhos - Eaglemoss

Não há necessidade de se usar "flash" por causa da excelente iluminação. O melhor resultado é obtido deixando a máquina fotográfica configurada para uma maior captação de luz, ou seja, deixar a máquina ajustada para fazer a foto com o diafragma mais aberto. Este ajuste é comum e de fácil acesso em todas as máquinas digitais e celulares. Por isso minha recomendação (que é a mesma presente no Manual do Fabricante) é não deixar a máquina fotográfica no "Automático", mas sim no "Manual", o que permitirá tal ajuste.

Personagens Clássicos da Família Fantástica da Marvel - Eaglemoss

Na foto acima do Sr. Fantástico, Mulher-Invisível, Tocha-Humana, Coisa, Galactus e Surfista Prateado, eu ajustei a câmera para receber mais luz e, como podem ver, o fundo branco ficou sem marcas e bem integrado ao fundo branco aqui do Blog, o que deixou a foto completamente sem marcas indesejáveis. Minha expertise é baixa para fotografia, e minha prática com o mini estúdio anda é pequena, já que o recebi ontem. No entanto, já consegui fotos que me agradaram bastante.

Surfista Prateado - Eaglemoss

Surfista Prateado - Eaglemoss

Acima vocês podem verificar o mesmo personagem fotografado em fundo preto, porém com aberturas diferentes de diafragma da câmera. Fiz este experimento para verificar as várias opções de foto possíveis com um simples ajuste na câmera. Usei minha câmera digital simples da Panasonic. 

Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios
Demolidor - Iron Studios

Obviamente, ainda preciso melhorar bastante na aquisição das fotos. Mas fiquei contente em conseguir resultados bons já de primeira. Há duas opções de tamanho de mini estúdio fotográfico na MUTU, um com 35 cm de altura, largura e profundidade e outro de 60 cm. O pedido básico acompanha o estúdio, já com a iluminação de "led" instalada, uma fonte bi-volt para ligar o "led" à rede elétrica e 03 fundos infinitos (01 branco, 01 preto e 01 verde). Além disso, estão disponíveis outros fundos em outras cores, e um segundo kit de lâmpadas de "led".

FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini
FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini
FNM D-9500 Brasinca – 1957 – Carretos - Planeta DeAgostini

Acredito que esta dica possa ser útil para muitos de vocês. Não achei o preço do Mini Estúdio tão exorbitante. Paguei R$ 178,00 (Mini Estúdio + Kit com 03 fundos infinitos). Na 1ª compra eles dão R$ 20,00 de desconto. O material do estúdio é semelhante àquele usado em pastas de arquivo-morto de plástico. Este é um ponto negativo, pois não é um material muito resistente. Mas acho que tendo cuidado não há problemas. Ah... A forma de fixação das paredes durante a montagem da caixa se dá por meio de ímãs já instalados nas folhas plasticas. Achei bem fácil de montar e desmontar.


Este é o estúdio montado ontem aqui em casa. Bom amigos... É isso aí... Um grande abraço à todos e boas fotos!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Miniatura Marvel Série Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk teve uma 2ª peça lançada dentro do Segmento Especial da Coleção Eaglemoss. Diferentemente de outras peças que não teriam sentido em sair duplicadas (caso do Anjo por exemplo), o Hulk Cinza até possui este direito, embora em minha opinião teria que ter saído evocando o aspecto característico do Hulk Cinza dos quadrinhos, que é bem diferente de sua versão bestial verde. Para novos leitores vale a pena explicar que esta versão cinza é a mesma do Hulk Verde, mas que se apresenta com uma coloração cinza por conta de uma história de bastidores muito interessante dentro da Marvel à época de sua criação em Maio de 1962 na Revista The Incredible Hulk 01.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk foi criado como todos sabem por Stan Lee e Jack Kirby e ocupa um lugar de honra na galeria Marvel, já que foi o 2º personagem a ser concebido após o Quarteto Fantástico (grupo que inaugurou a Era Marvel nos 60). Lee pensou em um monstro que evocasse medo nas pessoas, mas ao mesmo tempo compreensão e compaixão. A cor escolhida pelos criadores foi o cinza, uma cor que sem explicação nenhuma não ficava adequada na revista impressa. Stan Lee comentaria o seguinte a respeito disto: "A pele dele era cinza claro em alguns pontos e quase preto em outros. Havia alguns painéis em que ela parecia vermelha e, por algum motivo que ninguém foi capaz de explicar, num close já próximo do final da história, ele ficou verde esmeralda. Como você já deve ter suposto, ficou dolorosamente claro para mim que cinza não fora a melhor das escolhas de cor que eu já tinha feito".

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

O Hulk abandonaria a cor cinza já no Nº 02 de sua revista mensal de Julho de 1962. Este Hulk de cor cinza poderia ter ficado no limbo editorial se não fosse pela ideia do escritor Al Migrom na segunda metade dos anos 80. Na história, após uma tentativa mal sucedida de se eliminar o Hulk (Verde), a criatura torna-se cinza. A cor traz consigo outras estranhezas, por exemplo o fato do Gigante tornar-se inteligente, "sacana" e com uma obsessão de eliminar por completo os resquícios interiores de Banner. Este Hulk Cinza voltaria a aparecer alguns anos depois na Era do escritor Peter David sob a alcunha de Joe Tira-Teima. Esta fase seria caracterizada por um Hulk que vivia escondido em Las Vegas como guarda-costas.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Mas como explicar de forma coerente estas mudanças de coloração? A explicação veio de forma elegante por meio de uma trama com tons psicológicos do roteirista Paul Jenkins. A verdade é que Robert Bruce Banner havia sido vítima de abuso infantil e isto explicaria, por exemplo sua grande dificuldade de se socializar desde o começo de sua existência e apresentada nos quadrinhos desde o início. Outros danos deste abuso seria a internalização de uma raiva imensa por parte de Bruce, além é claro de uma dificuldade de cometer pequenos e inofensivos delitos, o que expressava a grande repressão existente dentro de Banner. Isto então explicaria a existência de Hulks distintos com aspectos predominantes em cada um deles. Por exemplo, um Hulk Verde, incomensuravelmente forte e bestial e um Hulk Cinza mais contido e cheio de artimanhas.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Stan Lee nunca escondeu que foi grandemente influenciado pela obra O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll & Mr. Hyde ) publicada em 1886 dRobert Louis Stevenson. Na história o bom Dr. Jekyll cria uma fórmula que conseguiria acessar o âmago do ser humano, tornando-o bom e livre de sua consciência pecaminosa. O efeito é desastroso e, ao cair da noite, Jekyll transforma-se em um homem hediondo, horripilante em sua aparência, que condensa todas as piores facetas da alma humana. O livro é um clássico e serve de alegoria para o fato de que nossa alma está fadada a se digladiar dia e noite em um palco onde luz e trevas, virtudes e tendências malignas estão presentes sempre em conflito. Aliás, deve ter sido deste livro que Lee também extraiu a ideia de que a transformação de Banner no Hulk aconteceria sempre à noite, algo que foi posteriormente alterado para uma transformação deflagrada pela raiva e estresse. Recomendo muito que assistam às duas adaptações cinematográficas de O Médico e o Monstro, ambas fenomenais, embora eu prefira a primeira de 1931 com Frederic March no papel de Dr. Jekyll. A segunda data de 1941 com o grande Spencer Tracy no papel principal.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Outra inspiração de Stan Lee para criação do Hulk dispensa apresentações, Frankenstein de Mary Shelley. Publicado em 1818 o livro trouxe pavor às pessoas da época, sobretudo pelo fato de que não se conhecia ainda muito bem o efeito da corrente elétrica sobre o corpo humano. A possibilidade de que a eletricidade poderia realmente reviver algum cadáver não era totalmente descartada no início do século 19. Vale à penas ressaltar aqui uma "lenda literária" envolvendo o nome de Mary Shelley. Reza a lenda que escritores daquela época, em busca de boas histórias de terror, alimentavam-se copiosamente à noite e iam dormir logo em seguida para terem pesadelos e assim trazê-los à luz do dia em forma de histórias. Teria sido em condições assim que Mary Shelley concebeu Frankenstein

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

De Frankenstein acredito que Lee extraiu a solidão da criatura que vive incompreendida em busca de paz, sozinha sem poder contar com quase ninguém, a não ser improváveis amigos, como foi o caso de Rick Jones (rapaz responsável por Banner ter recebido a massiva carga de radiação gama). Em minha opinião, embora Hulk tenha sido bem trabalhado no passado, nunca ninguém conseguiu construir uma história que explorasse este lado dramático e aterrorizador da criatura em sua solidão, como já foi feito por exemplo com Frankenstein e o próprio Dr. Jekyll na literatura. Seria uma história em que a "pancadaria" estaria minimizada para se tentar maximizar o drama do monstro, tal qual aconteceu, por exemplo em outro clássico da literatura muito parecido com o narrativa trágica de Hulk, O Corcunda de Notre Dame de Vitor Hugo.

Miniatura Marvel Especial Nº 11 - Hulk Cinza

Bom amigos esta é mais uma matéria em que abordamos o conceito por trás do personagem. Um grande abraço à todos!

sábado, 15 de julho de 2017

Colecionadores x Leitores de HQs: Há diferença!!??


Respondendo: Sim, há. Recentemente presenciei uma cena (que ocorreu dentro de uma Comic Shop) e que me deixou muito insatisfeito e triste. No passado, nós Nerds sofríamos Bullying de valentões e de supostos fanfarrões bem-sucedidos socialmente. Atualmetne, infelizmente, o Bullying ocorre a partir de Nerds (valentões) sobre outros Nerds. Um cenário incrivelmente surreal e deprimente. A cena a que me refiro ocorreu quando dois Nerds-Valentões estavam numa Comic Shop gabando-se de seus conhecimentos de cultura pop e começaram dizer, com ar superior, que eles pelo menos liam as HQs que compravam, diferentemente da maioria dos outros Nerds que as compravam e não liam. A cena me motivou a tecer algumas reflexões acerca do que envolve colecionar e ler HQs.


Em primeiro lugar gostaria de diferenciar o Leitor de HQs do Colecionador de HQs. Ambos não são excludentes, claro. Mas o fato é que você pode ser apenas um leitor de quadrinhos, não dando muita importância para o quadrinho em si, ou seja, para aquilo que ele representa enquanto material colecionável. Este é o Leitor de HQ. Tal pessoa é extremamente bem vinda para o mercado de quadrinhos e não há qualquer problema em ser assim. Compram, leem e, depois de ler, o material perde sua importância. Volto a dizer que não há problema algum nisso. Aliás, possivelmente os Nerds-Valentões descrito na cena inicial acima, possivelmente eram apenas leitores de quadrinhos (embora com um conceito péssimo da vida em sociedade). Os Leitores de Quadrinhos até querem possuir esta ou aquela HQ, mas não possuem aquela vontade de completar esta ou aquela sequencia de histórias ou arcos para depois expo-las na estante para si.


O segundo tipo de amante dos quadrinhos é o Colecionador de Quadrinhos. Este tipo em geral se importa com a sequencia de arcos e enxerga o quadrinho não apenas como histórias, mas como um objeto colecionável, tal qual o colecionador de "moedas", "selos" ou quaisquer outros tipos de coleções. Este tipo, aliás, vem se beneficiando com a grande onda de lançamentos de HQs dentro de coleções (Ex. Coleção Histórica Marvel, Coleção Capa Preta, Vermelha e Definitiva do Homem-Aranha da Salvat, além da Coleção da DC da Eaglemoss). Nesta perspetiva fica claro porque algumas pessoas compram quadrinhos e demoram muito tempo para lerem a história. Isto acontece porque a compra não está atrelada diretamente à leitura, mas sim à continuidade ou conclusão de determinado título (seu objeto de coleção). Vamos fazer um pequeno exercício ilustrativo: Pense um pouco... Caso você compre Action Figures de uma determinada linha, e tenha o espírito de colecionador, provavelmente você buscará com afinco seu término. Enquanto outra pessoa que é apenas um aficionado talvez queira comprar apenas esta ou aquela peça, sem se importar com a coleção toda. Nada mais comum e nada mais legítimo. O problema começa quando o Não-Colecionador, ou seja, aquele que quer apenas ler uma HQ ou comprar apenas esta ou aquela peça inicia uma intimidação sobre aquele que tem "alma" de colecionador. Na verdade há lugar para todo mundo viver em paz.


Há também um 3º tipo de pessoa é claro, o Acumulador. Mas este é quase um nômade, pois trafega entre os diversos tipos de assuntos acumulando de forma sazonal aquilo que lhe apraz naquele momento. Em geral este tipo não possui tanto conhecimento acerca do assunto e após algum tempo se desinteressa completamente por ele. Embora eu tenha definido teoricamente estes 3 tipos  de pessoas (Colecionador, Leitor de HQs e Acumulador), na prática há uma inter-relação entre eles, ou seja, é possível que se tenha um pouco dos 3 ou então predominância de um tipo. Por isso fiz o diagrama abaixo para tentar elucidar esta inter-relação no dia a dia.


O indivíduo que existe estritamente dentro do universo "1" seria aquele que definimos na matéria com o perfil 100% Colecionador de HQ. No universo "2" o que definimos como Leitor de Quadrinhos e no de número "3" o Acumulador. É possível que se tenha características associadas, ou seja, aquele na intersecção "1 e 3" seria o colecionador que já começa a apresentar características acumulativas, perdendo um pouco o senso do que é factível em sua vida. Aquele na intersecção "2 e 3" seria o leitor que começa a apresentar características de acumulador. Não se interessa exatamente pelo assunto, quer apenas '"ter". Na intersecção "1 e 2" temos uma mistura entre colecionador e leitor e, por fim na intersecção "1, 2 e 3", o indivíduo com todas as características que vão se manifestando ao longo do tempo.


Bom amigos... Esta matéria objetivou tentar lançar um pouco de luz sobre esta relação entre tais tipos de pessoas que se relacionam com os quadrinhos. Lembrando que, à exceção do Acumulador (que pode ter conotações patológicas), os demais tipos são legítimos, não excludentes e que podem sim conviver em harmonia.

Em grande abraço à todos!
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