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sábado, 19 de julho de 2014

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Com um visual que lembra uma colegial halterofilista, a Mulher-Hulk já foi alvo de muitos suspiros de personagens ficcionais e reais em função de sua grande e curvilínea figura. Desde os anos 60, quando a dançarina escrava de pele verde de Órion realizou sua erótica dança no episódio piloto "The Cage" da Série Clássica de Star Trek, que o imaginário nerd se vê às voltas com mulheres exóticas de pele verde. Assim, não tardou para que a prima de Bruce Banner se revelasse como um grande símbolo de beleza na Casa das Ideias. Nessa matéria veremos um pouco de sua história, bem como algumas características da sua miniatura dentro da Coleção de Miniaturas Marvel.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

A peça busca evocar todo o aspecto muscular da personagem. Esculpida em uma posição característica dos halterofilistas para lembrar força e exibicionismo muscular, a figura mostra também a personagem em seu traje que ficou mais conhecido: o maiô branco e roxo. Um uniforme que se imortalizou no lápis de artistas como Adi Granov e Greg Horn. A concepção inicial da personagem era de uma mulher grande e verde, vestida com farrapos brancos. Com o tempo, a mudança para uma indumentária que consta de um simples maiô e tênis evidenciou a clara proposta da Marvel de mostrar todo sex appeal da Giganta Esmeralda.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Assim como aconteceu com alguns personagens da coleção em que o rosto não aparece coberto por uma máscara, a Mulher-Hulk também tem suas feições desnudas. Isso faz com que a modelagem de sua face não seja uma réplica fiel de seu rosto tal qual o conhecemos nos quadrinhos. Esse é, em geral, um ponto sinalizado por muitos colecionadores que muitas vezes esperam encontrar um rosto o mais próximo possível daquele conhecido. Outro ponto a ser levantado nessa peça é uma certa diferença no tom do verde da pele dependendo do segmento do corpo observado. Conforme pode ser visto aqui nas minhas fotos há diferenças na graduação do verde dos braços e das pernas ao compararmos a parte anterior e posterior. Isso, sem dúvida nenhuma, caracteriza-se como uma imperfeição.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Excetuando os fatores apontados acima, eu diria que a peça representa bem a poderosa heroína. A Mulher-Hulk é, em minha opinião, resultado direto da Era de Bronze dos Quadrinhos. Criada em 1980, sua 1ª aparição ocorreu na revista Savage She-Hulk Nº 01 de fevereiro de 1980. Ou seja, estamos falando de uma época imediatamente anterior ao Tsunami ocorrido no meio da década de 80 representado pelas obras de Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman. Sendo assim, a ideologia por trás da personagem ainda não estava influenciada pelo pensamento obscuro que seria a marca da próxima Era dos Quadrinhos (A Era Moderna). Por isso que, de certa forma, os roteiros e as histórias que marcaram a personagem estão repletos de passagens mais voltadas para a ação, aventuras e destruição, e não para dramas pessoais cheios de angústias (Batman), magia (Sandman e Monstro do Pântano) e realismo (Watchmen).

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

O alterego da Mulher-Hulk é na verdade Jennifer Walters, uma advogada criminal de Los Angeles. Walters é prima de Bruce Banner e bateria de frente com um grande chefão mafioso do crime chamado Nicholas Trask. Esse embate a levaria à quase morte pelas mãos dos capangas de Trask. O ataque ocorreu enquanto a advogada estava em companhia do primo que, para salvar sua vida, faria uma transfusão de seu próprio sangue, irradiado com radiação gama, em sua prima. Jennifer escapou da morte, porém os capangas retornariam para terminar o serviço. No entanto, não contavam com a estranha transformação que acometeria Jennifer ainda no hospital. Nascia assim a Mulher-Hulk. O aspecto inicial da heroína era de uma mulher das cavernas verde. Muito do visual sensual que vemos hoje foi evoluindo e é, em boa parte, de responsabilidade do artista John Byrne que esteve à frente, durante um bom tempo, das histórias envolvendo a charmosa Giganta.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Muito se debate hoje sobre e relevância de personagens que nascem derivados de heróis ou vilões de sucesso. Isso já aconteceu várias vezes, como por exemplo com o Homem-Aranha, derivando a Mulher-Aranha pela Marvel, e o Batman e sua grande variedade de heróis derivados pela DC. Em geral isso para mim é algo supérfluo e sinal de ganancia por parte das editoras. Poucos foram os exemplos de personagens derivados que se tornaram relevantes e alçaram o próprio estrelato. Creio que a Mulher-Hulk pode ser considerada um desses. Seu envolvimento em eventos importantes que marcaram a Marvel na última década pode ser atestado, por exemplo, pela sua perda de controle que resultou no estraçalhamento do andróide Visão. Um acontecimento que culminou com a dissolução dos Vingadores e o início de uma nova forma de se lidar com a equipe mais famosa da Marvel.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Ao contrário do Hulk, sua prima tem total controle quando está na forma de Hulk. Assim, sua participação não é tão monossilábica quanto aquela vista em muitas histórias do Golias Verde. A Mulher-Hulk já fez parte dos Vingadores e do Quarteto Fantástico, substituindo o Coisa como membro responsável pela força bruta dentro da família fantástica. Sua participação sempre chama atenção, já que os desenhistas em geral não se furtam o prazer de desenhar uma mulher bonita e voluptuosa. Atualmente a Mulher-Hulk é, em minha opinião, membro do 2º escalão de personagens importantes dentro da Casa das Ideias, sempre tendo alguma participação nos grandes eventos da editora.

Miniatura Marvel Nº 38 - Mulher-Hulk

Acho que essa é uma peça bem importante no contexto do Universo Marvel e merece seu lugar em nossas prateleiras. Bom amigos, mudando um pouco de assunto... Tal qual anunciado na última postagem temos uma boa notícia para passar a todos. O Nº 57 da Revista Mundo dos Super-heróis trouxe a prometida reportagem sobre o futuro da coleção no que se refere ao lançamento de mais peças do segmento Especial. A Eaglemoss informou uma programação de lançamentos de Especiais, tanto na coleção Marvel quanto na da DC, a ser iniciada nesse 2º semestre de 2014. Abaixo segue uma lista das peças anunciadas:

Marvel:
- Destroyer
- Sentinela
- Mojo
- Arcanjo (A mesma peça lançada anteriormente do Anjo, só que com uma cor diferente (Azul))
- Galactus
- Ronan
- Rino
- Skurge
- Homem-Coisa
- Ka-Zar e Zabu
-
Manto e Adaga

DC:
- Apocalypse
- Darkseid
- Antimonitor
- Batman em sua motocicleta
- Crocodilo
- Centenial Park Superman.


Ou seja, as notícias são muito boas. Destaque, em minha opinião, serão os lançamentos do esperado Galactus (com seus incríveis quase 20cm); o robô Sentinela, nêmesis dos X-Men; Mojo; Destroyer, o obscuro mas bem legal herói da Era de Ouro da Marvel; o comentado Ronan, tendo em vista sua aparição no próximo filme da Marvel (Guardiões da Galáxia); o poderoso e pouco inteligente Rino, um importante e clássico inimigo do Escalador de Paredes; o estranho Homem-Coisa; e a peça dupla Ka-Zar e Zabu, uma combinação que impressiona pelo peso e detalhes do tigre Zabu.

Da parte da DC ressalto a figura "Centenial Park Superman", uma peça cheia de saudosismo por representar uma homenagem ao Homem de Aço quando ele não mais existir. Batman em sua motocicleta será outra peça muito esperada, já que é a única na coleção a trazer um personagem motorizado (algo que poderia ter acontecido também com o Motoqueiro Fantasma na coleção da Marvel). Darkseid e Antimonitor também são peças legais.

Bom amigos, agora é esperar!! Um grande abraço à todos!!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Miniatura Marvel Série Especial Nº 01 - Hulk

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

No início de 2014, conforme divulgado aqui no Blog, tivemos uma das grandes notícias que todos estavam esperando, a Eaglemoss - Brasil iniciaria o lançamento da Série Especial da Coleção de Miniaturas Marvel. Lá fora os personagens de maior estatura e dimensões foram agrupados no que ficou conhecido como Série Especial (personagens grandes) e Série Mega Especial (personagens gigantes) da coleção. Aqui no Brasil a Eaglemoss informou que não faria essa diferenciação e as peças sairiam, independente do tamanho, sempre com a nomenclatura de "Especiais". Bem... passados 06 meses do anúncio vimos o Nº 01 (Hulk) e o Nº 02 (Vigia) chegarem à algumas bancas em locais de maior circulação de pessoas em algumas capitais, bem como a disponibilização dessas duas peças para compra on-line na Loja Virtual da Eaglemoss. O sucesso foi grande e o Nº 01 entrou e saiu de disponibilidade na Loja Virtual várias vezes em função da grande procura. Nesse momento estamos às portas de um novo e importante anúncio por parte da Eaglemoss sobre a continuidade do lançamento dessas Especiais. Prometido para a edição Nº 57 (Julho-2014) da Revista Mundo dos Super-heróis na sessão de Action-Figures do amigo Eder Pegoraro, esse anúncio parece que agradará à muitos!! Vamos esperar!!

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

Na maior parte do tempo "selvagem", incrivelmente poderoso e tratado quase sempre como uma Besta incontrolável, o Hulk é um dos mais importantes personagens da Marvel. Criado no início do acesso criativo de Stan Lee e Jack Kirby em 1962 (logo após a criação do "Quarteto Fantástico" na Era de Prata), o Hulk quebrava a "espinha dorsal" do estereótipo do herói moralista, engajado na luta contra o mal e sem qualquer contradição interior. Ao contrário desse estereótipo, o Hulk trazia consigo um complexo amálgama de motivações: ódio, incompreensão, angústia, selvageria, necessidade de paz, isolamento e aceitação. Um personagem que, se cavarmos mais fundo em sua psiquê, poderíamos ver uma clara inclinação para o bem. Porém, com muita porrada e devastação! Nessa matéria veremos algumas características de sua peça e de sua mitologia.

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

A peça é robusta e pesada. Aliás, recentemente percebi o quanto o peso da miniatura é importante. Ao levantar um Hulk Vermelho feito de resina na mesma escala deste em um recente encontro de colecionadores, decepcionei-me ao ver o quanto ele era leve e o quanto isso funciona como um anticlímax na apreciação da peça. Essa da Eaglemoss, no entanto é pesada e dá a dimensão selvagem e poderosa do personagem. Modelada de maneira a trazer a solidez de seus membros (braços e pernas) essa peça demonstra o porque o personagem é tão temido e admirado no Universo Marvel. O detalhe da camisa rasgada, da calça em frangalhos e da expressão de ira dá um tom especial à figura. Seu tamanho também o destaca das peças da Série Normal. Uma boa experiência é coloca-lo ao lado do Coisa (Nº 04), pois podemos ver que o pedregoso membro do Quarteto Fantástico não é tão páreo assim para o Gigante Esmeralda. A única coisa que achei ligeiramente desproporcional foi a cabeça do Gigante, dependendo do ângulo em que se olha ela parece (pode ser só uma impressão minha) ligeiramente menor em relação ao restante do corpo, ou talvez seja simplesmente o fato dele ser musculoso demais.

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

Grande parte da inspiração para a criação do Hulk veio de duas histórias importantes da literatura mundial: Frankenstein de Mary Shelley (mais especificamente sua versão cinematográfica com Boris Karloff no papel do monstro), e Dr. Jekyll & Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson. De Frankenstein parece-me que Stan Lee trouxe a aparência grotesca que causa medo e pavor, com um toque de suavidade bizarra. Já de Dr. Jekyll & Mr. Hyde (uma obra fantástica em minha opinião!!) Lee parece ter emprestado a dualidade existente na alma humana: a calma e a selvageria, o potencial para o bem e para a destruição, a inteligência e a bestialidade animal... E é justamente nessa dualidade que, na minha opinião, está o grande potencial dramático do Hulk e que poderia ser muito melhor trabalhado nas histórias. Não posso também deixar de citar a semelhança que há na história do Hulk com o conto tradicional francês de 1740 "A Bela e a Fera" de Gabrielle-Suzanne Barbot. Em que um homem belo é convertido em uma criatura monstruosa, acabando por despertar o afeto de uma jovem camponesa. Algo que lembra muito a história de um certo Bruce Banner e uma Betty Ross.

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

O Hulk saiu pela 1ª vez na revista The Incredible Hulk 1 de Maio de 1962 e nas duas primeiras edições ele tinha coloração cinza. A mudança para o verde ocorreu já no 3º número em função de que a cor cinza não possuía a consistência e a constância necessária em cada quadrinho, sendo que hora o Gigante aparecia quase branco (cinza bem claro) ou quase preto (cinza escuro). Como não havia nenhum outro monstro verde na época a cor foi logo aceita. Outra mudança feita logo no início foi quanto ao desencadeador da transformação de Banner no Hulk. Inicialmente tal transformação ocorria ao cair da noite, de maneira que com o raiar do dia Banner voltava ao normal (novamente um empréstimo de Dr. Jekyll & Mr. Hyde de Stevenson). Porém logo esse aspecto foi mudado para a raiva/ira, um "gatilho" mais fisiológico e menos "mágico" para a transformação. Outra curiosidade é quanto ao nome do personagem. Stan Lee conta que passou um tempo considerável tentando achar um nome que sintetizasse toda pujança do personagem, porém sempre fracassava. Até que ele se deparou com a palavra "Brutamontes", que em inglês é Hulking. Daí ele apenas imaginou que o nome do personagem poderia ser um derivado dessa palavra. Estava criado assim o "HULK".

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

A origem do Hulk é clássica e fruto direto da Era Atômica. Contratado para trabalhar no projeto militar de desenvolvimento da Bomba Gama, Bruce Banner foi colhido por uma explosão-teste desta mesma bomba ao tentar salvar um imprudente adolescente (Rick Jones) que estava, inadvertidamente, na área de explosão. Ao longo de décadas de histórias, a personalidade do Hulk foi mudando, alternando basicamente entre 03 tipos: um Hulk cinza, astuto e cheio de estratagemas; um Hulk verde, selvagem, bestial e com vocabulário limitado; e um Hulk mais inteligente, até com um pouco de requinte e charme. Por muito tempo eu achei que tais mudanças de personalidade haviam ocorrido exclusivamente por razões mercadológicas, ou seja, "O que venderia mais?", "Um Hulk selvagem (1), astuto (2) ou inteligente e educado (3)?". Talvez eu até estivesse certo quanto a motivação mercadológica da editora, porém a explicação para essas mudanças dentro da mitologia do personagem é interessante e até elegante: Bruce Banner cresceu em uma família disfuncional, em que o pai foi responsável pela morte da mãe e frequentemente o espancava. Diante disso o jovem Banner cresceu inteligente, porém com uma ira incontida. Tudo isso se manifestaria em personalidades múltiplas em seu alter-ego, o Hulk.

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

Um pouco de tudo já aconteceu com o Hulk: ele já foi banido para um outro Planeta pelos heróis da Terra; já foi perseguido e até contratado pelo governo Norte-americano; já foi miniaturizado e encontrou seu grande amor (Jarella) no mundo sub-atômico de K´ai; já participou de aventuras envolvendo viagem no tempo... Enfim, um personagem com grandes aventuras em seu currículo. No entanto, ainda gostaria de ver uma história em que sua solidão de monstro e sua selvageria fossem melhor trabalhadas. Algo ao estilo (por exemplo) de King-Kong, em que sua dor e solidão só é compartilhada com a plateia, já que ninguém a sua volta consegue entender sua natureza, pois sempre ele acaba sendo vítima de sua aparência e atributos colossais.

Miniatura Marvel Especial Nº 01 - Hulk

Bom amigos... o Hulk é sem dúvida um ícone de nossa cultura. Isso é incontestável. Ele traz consigo toda uma carga dramática fruto direto das fontes de inspiração que mencionei acima. Consegue agradar desde os leitores despreocupados de quadrinhos que querem apenas uma diversão simples, cheia de porradaria e destruição, até aqueles com um olhar mais dramático e poético. Assim é o Hulk... Alguém que tememos, mas que gostaríamos de ter ao nosso lado, pois conseguimos entendê-lo, já que todos nós fomos (em algum momento) desprezados e injustiçados na vida.

Grande Abraço!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Coleção de Graphic Novels Marvel - Salvat: Lista de Lançamentos - 1 ao 20


Olá amigos... Passados quase 12 meses desde seu lançamento no Brasil pela Editora Salvat (mais precisamente em agosto de 2013), a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel conquistou o coração de fãs novos e antigos de quadrinhos. Com a proposta de lançar encadernados trazendo arcos de histórias fechadas, a coleção busca cobrir as mais importantes sagas do Universo Marvel. Oportunidade imperdível para o leitor recente de HQs que vive ouvindo comentários sobre esse ou aquele acontecimento, porém nunca teve a chance de ter em mãos tais histórias. Para fãs antigos é a oportunidade de completarem suas coleções com sagas já raras e vendidas a preços exorbitantes no mercado formal e informal. A Salvat já confirmou que a coleção terá 60 encadernados que, uma vez enfileirados, formarão um painel com um desenho da artista Gabrielle Del'Otto por meio da junção das suas lombadas. Recentemente atingimos o primeiro 1/3 da coleção e já podemos fazer uma análise de quais sagas foram lançadas até aqui e, assim discutirmos a relevância de cada uma delas dentro do Universo da Casa das Ideias.
  
Nº 01 - Homem Aranha: De Volta ao Lar; Nº 02 - X-Men: Superdotados; Nº 03 - Vingadores: A Queda; Nº 04 - Thor - O Renascer dos Deuses; Nº 05 - Os Supremos: Super-Humano

Creio ser necessário fazer uma dupla análise dos títulos lançados até o momento. No primeiro enfoque a análise poderia ser feita à luz de um leitor mais novo de HQs. Nesse contexto eu diria que a coleção é realmente imperdível. Os títulos abrangem uma variedade grande de personagens e, sem dúvida nenhuma, permitem um bom conhecimento do universo de cada um deles. Uma tarefa Hercúlea para um jovem leitor. Além disso, os encadernados cobrem boa parte dos acontecimentos vistos na última década, o que permite um claro entendimento dos caminhos escolhidos pela Marvel no desenvolvimento de seus personagens.

Nº 06 - Capitão América: Tempo Esgotado; Nº 07 - Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven; Nº 08 - Marvels; Nº 09 - Guerra Secreta; Nº 10 - Demolidor: A Queda de Murdock

Para esse público mais jovem eu diria que sagas como Vingadores: A Queda (Nº 03), Os Supremos (Nº 05 e 13) e Guerra Civil (Nº 19) ajudaram a redefinir a forma da Marvel contar suas histórias. Ler esses volumes darão aos novos leitores a possibilidade de entrar em contato não apenas com acontecimentos importantes na mitologia dos heróis e vilões, mas permitirá a compreensão da abordagem que a Casa das Ideias tem adotado. Em minha análise pessoal tais histórias são centrais na redefinição e na transição da década de 90 para as décadas de 2000 e 2010 no que concerne ao Universo Marvel.

Nº 11 - Capitão América: O Soldado Invernal; Nº 12 - Novos X-Men: "E" de Extinção; Nº 13 - Os Supremos: Segurança Nacional; Nº 14 - Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação; Nº 15 - Capitão América: A Escolha.

Alguns outros títulos (em minha opinião) seguem essa nova linha de abordagem iniciada com os encadernados supracitados. Dentre eles podemos salientar: Thor: O Renascer dos Deuses (Nº 04), Capitão América: Tempo Esgotado (Nº 06) e O Soldado Invernal (Nº 11), Os Novos Vingadores: Motim (Nº 16) e Guerra Secreta (Nº 09). Uma outra categorização que poderíamos fazer ao novo leitor, seria a existência de histórias autorais, ou seja, títulos com um olhar particular dentro do Universo pessoal de determinado personagem. Nessa categoria poderíamos colocar: Homem-Aranha: De volta ao Lar (Nº 01), Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação (Nº 14), Capitão América: A Escolha (Nº 15), Demolidor: Diabo da Guarda (Nº 17) e Wolverine: Arma X (Nº 20).

Nº 16 - Os Novos Vingadores: Motim; Nº 17 - Demolidor: Diabo da Guarda; Nº 18 - X-Men: Perigoso; Nº 19 - Guerra Civil; Nº 20 - Wolverine: Arma X.

Uma quarta classe na qual poderíamos encaixar os encadernados restantes seria aquela em que estariam as histórias clássicas, ou seja, mais antigas e portanto que atenderiam aos leitores mais velhos e ávidos por material clássico republicado. Nessa categoria estariam os seguintes encadernados: Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven (Nº 07), Marvels (Nº 08) e Demolidor: A Queda de Murdock (Nº 10). Dentro desse quadro, talvez o leitor de longa data (dentre eles este que vos escreve) tenha ficado um pouco ansioso por não ver mais lançamentos desse tipo de material dentro da coleção. Porém, entendo a proposta da editora que precisa lançar títulos mais recentes e relevantes concomitante a material clássico que é de interesse quase que exclusivo de fãs mais antigos. No entanto, para mim material clássico não é material "velho", pelo contrário, é material essencial, dessa forma espero que os próximos lançamentos contemplem mais títulos dessa categoria. Abaixo coloco um resumo de minha avaliação pessoal quanto à cada categoria dos diversos títulos lançados.

Títulos que ajudaram a redefinir recentemente o Universo Marvel
     - Nº 03 - Vingadores: A Queda
     - Nº 05 - Os Supremos: Super-Humano
     - Nº 05 - Os Supremos: Segurança Nacional
     - Nº 19 - Guerra Civil
 
Sagas sob uma abordagem mais atual
     - Nº 04 - Thor: O Renascer dos Deuses
     - Nº 06 - Capitão América: Tempo Esgotado
     - Nº 09 - Guerras Secretas
     - Nº 11 - Capitão América: O Soldado Invernal
     - Nº 16 - Os Novos Vingadores: Motim

Títulos autorais e/ou de personagens específicos
     - Nº 01 - Homem Aranha: De Volta ao Lar
     - Nº 14 - Motoqueiro Fantasma: Estrada para a Danação
     - Nº 15 - Capitão América: A Escolha
     - Nº 17 - Demolidor: Diabo da Guarda
     - Nº 20 - Wolverine: Arma X

Títulos clássicos
     - Nº 07 - Homem Aranha: A última caçada de Kraven
     - Nº 08 - Marvels
     - Nº 10 - Demolidor: A Queda de Murdock

Como vocês podem ver não inclui nessa análise os títulos relacionados aos Mutantes. Preferi não fazê-lo em função de ter parado de acompanhar o Universo dos Filhos do Átomo há muito tempo e não me sentir à vontade, portanto, para inclui-los nesse tipo de avaliação.

Bom amigos, a coleção continua e quando os títulos de 21 à 40 tiverem sido lançados farei novo resumo incluindo-os. Recentemente circulou pela internet uma notícia de que a Salvat poderia prolongar essa coleção tal qual ocorreu lá fora. Todos esperamos que isso realmente aconteça. Minha grande torcida é que, além disso, mais material clássico venha por aí. O espaço aqui é democrático, portanto, caso você não concorde com essa minha classificação, deixe seu comentário, opine e contribua para mapearmos a relevância desta coleção.
Grande Abraço!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Malévola - Porque assistir.


Passado o tempo necessário para que eu conseguisse ir ao cinema com a paz e o foco necessário, consegui ontem assistir à "Malévola". O Filme merece ser visto mais de uma vez para se conseguir extrair toda sutileza de suas cenas. São vários os seus méritos em minha opinião e espero falar um pouco deles nessa matéria, porém inicialmente posso destacar dois: a incrível interpretação de Angelina Jolie e o enfoque dado a já conhecida história de conto de fadas "A Bela Adormecida". A Disney surpreende ao mexer com um de seus ícones dando-lhe uma releitura ousada e diferente em que o foco recai sobre a complexidade do odiado vilão da história, no caso, Malévola!


O filme é, em sua essência, "Angelina Jolie". A atriz (em minha opinião) conseguiu destilar a quintessência do poder do feminino. Todos os aspectos da personalidade do gênero feminino podem ser vistos integralmente em sua interpretação: sedução; inteligência que vai além de sua mera definição e passa para o campo do sexto sentido; amor físico; amor maternal; solidão; resignação; força destrutiva e construtiva... Tudo concentrado em uma interpretação sutil que passa de uma dessas características descritas acima à outra rapidamente. Sem dúvida uma interpretação assim só é possível ser feita por uma atriz que possui, em certa medida, a consciência dessas diversas facetas que compõe o "ser mulher", algo que engloba seus diversos conceitos: a conciliação de uma mãe, a sedução da esposa, o companheirismo de uma irmã...


Entendo que uma obra pode ou não ser vista ou captada da mesma forma dependendo da pessoa, porém no meu caso ficou patente todos os aspectos que descrevi acima. A história possui duas fases distintas divididas por um evento que marca a vida da personagem (Malévola). Um acontecimento tão intenso que a partir dele até mesmo o visual da personagem muda, de maneira que, tal como uma monja em sua clausura, Malévola passa a esconder seus cabelos em sinal de recolhimento interior. É o duro ritual de passagem da inocência para a maturidade que a vilã tem que enfrentar. Tal qual uma religiosa sozinha e isolada, Malévola passa a ver o mundo com uma infeliz descrença no amor e na bondade. Embora seja possível ver adormecido em seu interior lampejos do que ela fora outrora.


Não há como não centrar a análise do filme em Angelina Jolie que, como disse acima, atingiu a sutileza necessária para hipnotizar o espectador. Além é claro de sua beleza polar e distante, digna de uma Greta Garbo moderna. É triste, no entanto observar algumas análises críticas do filme. Pude ler algumas coisas assim a respeito desta obra na imprensa escrita. Temo que às vezes é possível se confundir um pouco e acabar expressando opiniões pessoais e não técnicas sobre o filme. Vindo de pessoas como nós, simples editores de Blogs, não vejo problema nisso. O problema é quando a análise de profissionais (críticos de cinema) torna-se pessoal e não técnica. Isso pode acabar por injustiçar determinada obra, e já tivemos grandes exemplos de filmes, livros, entre várias outras formas de arte, que foram execradas em seu tempo e apenas muito depois é que foram, por fim, entendidas.


Outro ponto que gostaria de destacar é a inovadora, em se tratando da Disney, proposta de mexer com um ícone da empresa, tal qual é a história da "Bela Adormecida". Ao enfocar a vilã valoriza-se aquilo que deveria ser a regra, mas em geral não é, ou seja, o dom de não se julgar alguém pela aparência e atitudes. O ideal seria se déssemos o benefício da dúvida inicial àqueles que cruzam nosso caminho e tentássemos entender aquilo que motivou determinada atitude ou comportamento. Nos assustaríamos com o que encontraríamos, pois perceberíamos que há mais vítimas do que antes imaginávamos.


Efeitos especiais também estão presentes no filme. Não há como não contar uma história onírica como essa e não recorrer a recursos digitais. Isso pode deixar algumas cenas, em certa medida, artificiais, porém isso é inescapável. Embora tal crítica seja algo que advenha de nossa ânsia cada vez maior de sermos surpreendidos com efeitos realísticos, esquecemos algo muito importante: o fato de que, para que obras de ficção funcionem, é necessário que boa parte do que é mostrado seja complementado com nossa imaginação e nossa inclinação em assumir a fantasia como real.


"Malévola" foi para mim uma grande e grata surpresa. Um filme delicado que trata de coisas sutis e interiores. Uma obra triste, dramática, mas que acaba por valorizar as relações humanas e, em se tratando de nossos tempos, é disso que precisamos!


Um grande abraço à todos!

sábado, 21 de junho de 2014

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Oscilando entre dois opostos, o crime e a lei, o heroísmo e o egoísmo, a Mulher Gato é uma emblemática personagem da DC que consolidou sua reputação ao lado do Homem Morcego e deixou sua marca não apenas na vida de combate ao crime de Batman, mas também na vida pessoal de Bruce Wayne. Nas últimas décadas a importância e a relevância desta ladra vem crescendo e não é à toa que ela figura entre as primeiras peças da Coleção de Miniaturas de Metal da DC. Posições que, se formos ver de perto, são ocupadas apenas por medalhões da Editora. Nessa matéria veremos alguns detalhes da sua miniatura e da história desta sexy heroína/criminosa do Universo DC.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Quando vi pela primeira vez a miniatura, uma das cosias que logo me chamou atenção foi a ousadia do escultor em representar o tradicional chicote da personagem. Em geral, fios e acessórios finos e delicados são normalmente frágeis e quebradiços e, por isso mesmo, imagino que são evitados em miniaturas em menor escala. Contrariando isso, no entanto a figura da Mulher Gata expõe em destaque sua emblemática arma presa à mão direita. Embora, alguns possam deduzir que esse chicote seja frágil, para minha surpresa isso não é verdade. Ele é bem consistente e duro. Algo que impede que seja facilmente deformado.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

O traje representado é o mais recente e em voga, mesmo na Era Pós Novos 52, ou seja, um macacão de couro que forma uma peça só com uma máscara com orelhas de gato. O versátil óculos preso por uma tira elástica atrás da cabeça também está presente, além é claro da chamativa argola que sugere que o macacão possui um zíper na parte da frente. As curvas da personagem, em geral tão exploradas nas artes das revistas, estão mais econômicas na peça. Algo que me chamou atenção, pois sempre achei tais curvas muito presentes nas HQs, embora essa mesma característica a tenha deixado por vezes inverossímil. rs rs

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

A Mulher Gato é na verdade Selina Kyle, uma mulher com um triste e sofrido passado. Orfã no início da adolescência, Selina viu sua mãe se suicidar. Seu pai, em decorrência da morte da esposa, acabou se afogando na bebida, o que o levou fatalmente à um trágico destino também. Criada em um orfanato Selina logo desenvolveu um gosto pela gatunagem. Algo que se desenvolveu mais ainda quando ela quase foi morta pelo corrupto diretor do orfanato no qual vivia. Após esse episódio, Selina não apenas desmascara o diretor e o entrega à justiça, como também rouba parte de seu dinheiro. Passando a viver nas ruas a jovem arrumou emprego como Dominatrix, sendo agenciada por um violento cafetão. Aliás, o uniforme de couro de Selina vem dessa época.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Vivendo em um mundo marginal, Selina aprendeu a sobreviver. Sua inclinação para roubos, no entanto sempre foi acompanhada pela disposição em proteger pessoas sofridas as seu redor. A grande virada em sua vida ocorreu quando Selina viu as primeiras aparições do Homem Morcego. O uso de uma máscara e a possibilidade de uma vida dupla, possivelmente incentivaram a ladra a incorporar um novo estilo de vida. Selina apenas precisou manter sua roupa e acrescentar um par de luvas com garras e uma máscara, para iniciar uma sequencia de roubos que a ajudaram a mudar de vida ao mesmo tempo que a colocou em rota de colisão com criminosos e com o próprio Batman.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

A Mulher Gato, ao lado da BatWoman da Era de Ouro (Kathy Kane) e de Talia Al Ghul, pode ser considerada uma das mulheres que marcaram a vida de Bruce Wayne. Sua participação no cânon do Homem Morcego se consolidou principalmente (em minha opinião) a partir da minissérie Batman - Ano Um de Frank Miller publicada nos anos 80. Na história Miller imprime a indomável personalidade através da qual Selina passaria a ser conhecida. Uma sedutora ladra que tem uma grande inclinação para causas justas, porém faz uso de métodos pouco ortodoxos para lutar contra tais injustiças, ainda mais se tais métodos lhe trouxerem um ganho extra.

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Ao que tudo indica, os sentimentos da Mulher Gato são sinceros e profundos em relação ao Batman, porém seus caminhos se chocam constantemente em função de que o modus-operandi da personagem é, na maioria das vezes, reprovado pelo defensor de Gotham. De qualquer forma, percebo uma insistência em caracteriza-la como um símbolo sexual nos quadrinhos. Além disso, é patente uma personalidade capaz de sacrificar qualquer sentimento para manter sua liberdade como Mulher Gato. Uma das melhores caracterizações da personagem, em minha opinião, foi sua participação na famosa série animada de Batman nos anos 90, a inigualável Batman - Animated Series. Com uma temática mais sombria em relação à todos os desenhos do Batman já lançados até aquele momento, a série trazia caracterizações memoráveis de vários amigos e inimigos do Vigilante de Gotham. Nela a Mulher Gato aparece como uma mulher sedutora, porém realmente capaz de amar e de se regenerar caso ela seja amada verdadeiramente. Grande destaque!

Miniatura DC Nº 09 - Mulher Gato

Bom amigos, Selina Kyle é o ideal de mulher para muitos homens, embora sua personalidade indomável, embora sedutora, seja justamente aquilo que a condene, em certa medida, à solidão.

Valeu! Grande Abraço à todos!

sábado, 14 de junho de 2014

Batman - O Filho do Demônio


Em janeiro de 1989 chegava às minhas mãos o Nº 07 da Coleção Graphic Novels da Editora Abril. Uma coleção que marcou época ao trazer para o Brasil pela primeira vez uma série de títulos até então inéditos e de qualidade superior às revistas de linha. Uma coleção que oscilava por diversos estilos e nesse número 07 abordava uma das histórias mais importantes da mitologia recente do Homem-Morcego: Batman - O Filho do Demônio. Recentemente a Editora Panini relançou essa história em um bonito encadernado de capa-dura que, ao relê-lo após 25 anos, percebo que a história ainda se mantêm vigorosa e clássica, porém alguns aspectos da narrativa me causaram grande estranheza.


Por ocasião do lançamento da animação "Batman e Filho", prometida para esse ano de 2014, resolvi revisitar esse material. Com vigorosa arte de Jerry Bingham e roteiro de Mike W. Barr, Batman - O Filho do Demônio narra a estranha aventura na qual o Cruzado Encapuzado se vê novamente em contato com seu complexo inimigo Ra´s Al Ghul. A história, lançada originalmente em 1987 no EUA, traz o Batman classicamente caracterizado, ou seja, com um uniforme que por muitos anos foi usado em grandes e importantes aventuras dos anos 70 e 80.


O foco principal é a relação entre a linda Talia (filha de Al Ghul) e Batman. Porém, há espaço para intriga internacional, lutas violentas e romance. O envolvimento de Batman com Ra´s Al Ghul é explorado de forma bem diferente, dando a entender que no final os dois homens são feitos do mesmo material e possuem ideais e objetivos mais convergentes do que divergentes. Durante a história Bruce Wayne chega realmente a acreditar que seria possível levar uma vida comum ao lado de alguém que ele realmente ama.


A história, para quem não sabe, mostra a concepção de Damian, o filho de Batman que, depois de muitos anos, entraria já adolescente na vida de um Homem-Morcego que desconhece sua existência por acreditar que a gravidez de Talia não havia progredido. A interação entre Bruce e Talia é bem interessante pois, embora ela o ame, sua índole é mortífera e perigosa. Fica muito patente, no entanto a sinceridade da moça no que diz respeito aos seus sentimentos por Wayne.


A estranheza a qual fiz menção no início da matéria diz respeito ao comportamento de Batman. Após 25 anos percebe-se claramente que os tempos mudaram. O Batman nessa história é irritadiço e agressivo com as pessoas ao seu redor. À todo instante parece querer provar e autoafirmar sua postura de "macho-alfa". Analisando a obra com o distanciamento temporal que tenho agora, percebo que seu comportamento é totalmente fruto dos anos 80. Uma época em que o ícone e galã masculino se respaldava quase que 100% em homens fortes e valentões. Quem viveu a época deve se lembrar que atores como Arnold Schwarzenegger, Silvester Stalone, Jean-Claude Van Dame, Steven Segal, Dolf Lundgren protagonizavam os grande filmes. Em Batman - O Filho do Demônio essa postura fica bem patente ao observarmos a dinâmica masculina da história, tendo espaço inclusive para o aparecimento de um agressivo Mikhail Gorbachev trocando um telefonema com Ronald Reagan.


Acompanhei um pouco a trajetória recente do Homem-Morcego nos quadrinhos e é possível ver essa diferença a que chamo atenção acima. Percebe-se atualmente um Batman mais sombrio, mais silencioso e sobretudo mais maduro ao não encontrar necessidade de provar suas capacidades às pessoas à sua volta. Essa mudança é, sem dúvida nenhuma, fruto de mudanças na sociedade como um todo.


Batman - O Filho do Demônio merece ser lido não apenas sob esse olhar sociológico a que me refiro acima, mas também por ser uma ótima aventura que marca um evento de grandes consequências na vida de Bruce Wayne.

Ok amigos! Grande Abraço à todos!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Astuto, vingativo, brilhante em algumas de suas artimanhas, incompreendido, e às vezes até merecedor de pena, Loki compõe uma complexa personalidade ao ser um deus asgardiano por nomeação, meio-irmão do herdeiro do trono de Asgard, filho adotivo e possuidor de um passado digno de esquecimento. Tudo isso moldou Loki Laufeyson. Nessa matéria veremos algumas características desta peça que compõe o Nº 37 da Coleção de Miniaturas Marvel, Loki o Deus Nórdico da Trapaça, bem como elementos importantes da mitologia deste grande personagem do Universo Marvel.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

A peça traz Loki em seu visual clássico, com  uma roupa verde e amarela, seu elmo em forma de chifres e uma capa. Embora essa não seja a representação mais antiga de Loki no Universo Marvel, é sem dúvida uma das mais populares pois é a indumentária que ele adotou durante a aclamada fase das histórias do Thor escritas por Walter Simonson. A miniatura possui alguns outros detalhes que a deixam pesada e robusta, dentre eles as potentes ombreiras e algo parecido com uma flâmula que pende do alto da cabeça do personagem. Com uma agressiva posição de firmeza, a miniatura captura a sede de conquista do famigerado deus, bem como sua incansável expressão de triunfo arrogante, mesmo em face de situações não muito favoráveis para si.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

O manto usado por Loki aparece conferindo a realeza que o vilão sempre quis ter e nesse caso eu diria que ele cumpre sua função, pois realmente confere esse ar nobre ao personagem. As ondulações desse manto são outro destaque para mim, pois entendo que a modelagem em liga metálica talvez não deva ser tão fácil, e mesmo assim podemos observar ondulações que conferem a leveza que um tecido deve ter. Ponto positivo para a peça!

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

A face do personagem, infelizmente não consegue captar de forma precisa toda vilania de Loki, seu sorriso que é para ser de desdém e arrogância se perde um pouco. Entendo isso ao lembrar que a confecção dessas peças é individual e o espaço é pequeno para a modelagem. Isso faz com que a maioria dos personagens com faces desnudas na coleção apresentem certas distorções. Haja vista os rostos de personagens recentemente lançados em São Paulo (Capital), Kitty Pride e Emma Frost, alvos de muitos comentários dos colecionadores. Porém, esse aspecto não retira a importância desta peça do deus da trapaça.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Loki apareceu pela primeira vez na revista Journey into Mystery Nº 85 de outubro de 1962 e sua história se confunde à mitologia do próprio Thor no Universo Marvel. Loki é descendente direto de uma raça chamada de Gigantes do Gelo. Habitantes do Reino de Jotunheim os Gigantes do Gelo possuíam um Rei chamado Laufey (pai de Loki) que foi derrotado e morto por Odin, o Pai Celestial. Após sua vitória Odin descobre o pequeno bebê Loki escondido. Na verdade o pai de Loki o escondia pois seu filho não apresentava as portentosas características físicas de sua raça, se assemelhando muito ao aspecto físico mortal dos Asgardianos. Isso por si só representou o primeiro desprezo vivido por Loki durante sua miserável vida. Na corte de Odin, em Asgard, Loki foi adotado pelo Pai Celestial e cresceu à sombra do seu meio-irmão Thor, verdadeiro filho e herdeiro do trono de Asgard.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Muitas razões podem ser levantadas como responsáveis pelo ódio de Loki contra seu pai adotivo, seu meio-irmão e boa parte da corte de Asgard. De certa forma a própria origem ignóbil de Loki explica parte desse ódio. Sua herança e sua contínua sensação de "não pertencimento" ao lugar em que vive trouxe-lhe não apenas solidão, mas também (possivelmente) uma sensação de desajuste. A incrível inclinação de seu irmão (Thor) para o bem e os louros que ele sempre colheu com isso distanciavam ainda mais Loki de um reconhecimento semelhante. E reconhecimento é algo que todos buscamos, sobretudo de nossos pais e irmãos. Ainda que Thor por muitas vezes tenha dado esse reconhecimento a Loki, a personalidade orgulhosa do deus da Trapaça sempre o impediu de aceitar como genuíno esse reconhecimento. A impressão que tenho é que Loki sentia que Thor se apiedava dele e isso ele não podia aceitar.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Podemos juntar a isso a ideia de que Loki jamais conseguiria ter o mesmo apresso que Odin sentia pelo seu filho legítimo, algo que sempre lhe foi lembrado pelos demais asgardianos que não perdiam a oportunidade de lhe estigmatizarem como alguém naturalmente mal. O fato é que tudo isso convergiu para um ódio que culminou nas últimas décadas com sucessivas tentativas de ascensão ao trono da Cidade Celestial. Obviamente que toda dor pode ser entendida e explicada como fiz acima, porém o que temos que lembrar é que o bem e o mal, no final das contas são "escolhas" que fazemos. Muitos vilões parecem que tentam se absolver a partir de suas trágicas histórias pregressas, porém em alguns momentos esse caminho sempre poderia ter sido modificado pelo protagonista da história ao escolher o bem. Essa premissa foi muito bem usada na grandiosa obra (em minha opinião) chamada LOKI, de Robert Rodi (roteiro) e Esad Ribic (desenhos). Nela Loki alcança seu intento e derrota Odin, Thor, ascende ao trono e sobrepuja à tudo e à todos.

Miniatura Marvel Nº 37 - Loki

Ao conseguir tudo que sempre quis Loki se permite pensar no que o motivou ao longo de tanto tempo e com tanto ódio e pela primeira vez reconhece que o irmão (Thor) foi quem lhe deu sempre amor incondicional. Não vou revelar o fim da história para não gerar "spoiler", no entanto a obra é inovadora ao levar esse complexo personagem à uma autoanálise nunca antes vista. Uma história que recomendo muito!!!

Bem amigos... Aqui está parte da visão que possuo a respeito deste incrível personagem que ainda possui grande potencial de, no futuro, render boas histórias. Sua trajetória imita a de muitas pessoas e deve ser analisada para que entendamos que, como disse acima, a escolha é sempre nossa.

Grande abraço!
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