domingo, 6 de maio de 2018

A Saga Infinito de Jonathan Hickman - O Genial ofuscado pela Exaustão do Modelo Narrativo da Marvel


A Saga Infinito de Jonathan Hickman talvez tenha sido a última grande Saga da Marvel antes da crise que veio à público em 2017 como resultado das baixas vendas da Editora em relação à concorrente DC. Na época, lojistas, donos de Comic Shops e Editores da Marvel tiveram a tão falada reunião à portas fechadas para e discutir a exaustão de um modelo de histórias levado à cabo desde 2006 com Guerra Civil I, a saber As Grande Sagas. Guerra Civil I de 2006 embora não seja a 1ª grande saga da Casa das Ideias foi talvez aquela que abriu uma Nova Era (talvez a Era pós-Moderna das HQs) para a 9ª Arte especializada em Super Seres. Isso porque revigorou temas e interações catapultando a dramaticidade das histórias para outro patamar. A Saga Infinito de Hickman teve seu lugar dentro da iniciativa Nova Marvel iniciada em 2013 e é um arco complexo, difícil de acompanhar (em função de suas diversas ramificações) mas muito bom. Eu por exemplo tive que esperar sair em encadernados para poder acompanhar melhor. E, mesmo assim, tive que esperar saírem todos para conseguir ler na ordem correta dentro de diversas idas e vindas entre os volumes.


A epopeia de Hickman envolve basicamente o núcleo "Vingadores" e 04 eventos que se inter-relacionam dentro de duas equipes, os chamados Novos Vingadores (mas na verdade são os Iluminati mesmo) e os Vingadores (Equipe Sênior). Os 04 eventos supracitados são: O Evento Branco (um evento ainda enigmático tendo a evolução de espécies em seu centro); As Incursões (aniquilações de Terras paralelas a partir de um desconhecido acontecimento no tecido vibracional das realidades); A Invasão dos Construtores (Seres que estiveram presentes na aurora do Universo e que agora se movem por alguma razão como uma onda aniquiladora pelo Universo 616); e a Jornada de Thanos para assassinar seu filho Thane, um rebento resultante do encontro de Thanos com uma Inumana. A Saga Infinito tem como eixo central a Invasão Construtora, embora avance dentro das outras narrativas paralelas. O final da Saga fecha bem o arco relacionado aos Construtores e seus motivos, no entanto segue com as demais narrativas em aberto.


Mas se há muita qualidade nesta Saga de Hickman, por que ela não foi tão reconhecida entre o público? Pelo menos não como merecia. Já que eu a considerei merecedora de maiores holofotes. A resposta para esta pergunta eu acredito que está na exaustão de um modelo que a Marvel investiu e insistiu até a sua completa banalização: O Modelo da Grande Saga ou, como muitos chamam "A Grande Saga da Vez". Como o próprio nome diz, "Grandes Sagas" precisam fazer jus à alcunha que recebem, ou seja, precisam estar inseridas dentro de um contexto para que os dramas maiores ali tratados sejam vistos com o ineditismo e o fatalismo que merecem. Após Guerra Civil I de 2006 tivemos muitas sagas interessantes com níveis diferentes de qualidade. Dentro elas, Invasão SecretaA Era Heroica, Pecado Original, A Era de Ultron, A Essência do Medo (a mais fraca aliás) entre outras... que fizeram com que os leitores vislumbrassem uma certa falta de verossimilhança nos acontecimentos ali registrados. Vou dar um exemplo: a Terra e nossa sociedade não conseguiriam passar pelas incontáveis destruições apocalípticas pelas quais passou ao longo destes arcos sem ter o tecido social completamente destruído. Falando mais claramente: seria impossível nos manter nossa estrutura social após tantas destruições. O Mundo se transformaria! No entanto, não é isso que vimos destruição após destruição.


Por mais que leitores mais descompromissados queiram afirmar que tudo se sustenta em bases fictícias, e que por isso não é necessário termos tanto compromisso com a verossimilhança, mesmo assim o leitor médio vai se sentindo traído em função da perseguição mercadológica da editora dentro de um modelo que querem usar até a última gota financeira. O fato é que, quando foi lançada, A Saga Infinito já aportou em um mercado com certa exaustão das grandes sagas, e o público a recebeu com uma injusta frieza. Hickman demonstrou ter controle das diversas linhas narrativas, algo que eu particularmente só tinha visto neste grau em Top Ten de Alan Moore pela editora ABC Comics. A arte da saga é boa também, exceto pelo traço de Mike Deodato. Confesso que não gosto muito de seu traço e da forma como "anaboliza" os personagens.


Mas para onde a Marvel deveria ir? Qual linha deve seguir após esta exaustão? Obviamente a resposta não é simples e o que responderei diz respeito apenas à minha opinião pessoal. Acredito que um bom recomeço seria a retomada das abordagens individuais, ou seja, voltar-se para os pequenos dramas de cada personagem tendo seu "DNA" dramático como elemento primordial, uma vez que nas grandes sagas esses elementos pessoais/individuais tendem a ficar ofuscados pelo todo. Vou dar dois exemplos bem sucedidos recentes: A Saga do Gavião Arqueiro de Matt Fraction dentro da própria Nova Marvel e a do Demolidor pelas mãos de Mark Waid. Grandes Sagas sempre terão seu lugar, mas não podemos esquecer que os maiores momentos da 9ª Arte dentro da Marvel e DC foram focados dentro do microcosmo do personagem. Exemplos: A Piada Mortal e O Monstro do Pântano de Alan Moore; O Cavaleiro das Trevas e A Queda de Murdock, ambos de Frank Miller; Sandman de Neal Gaiman; Thor do Walt Simonson entre vários outros exemplos. Caminho parecido foi seguido mais recentemente pela DC com sua bem sucedida Iniciativa Renascimento, que vem amealhando um saldo bem positivo de público e crítica.


Para você que deseja ler a Saga a partir da ordem cronológica dos acontecimentos (e não dos lançamentos) coloco abaixo um guia de leitura sobre o qual me baseei tendo como fonte o site http://ultimatodobacon.com/








E você? O que achou de Infinito de Jonathan Hickman? Em tempos de Vingadores - Guerra Infinita vale a pena refletir. E o que acha da exaustão de certos modelos narrativos?

Forte abraço!

8 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá Marlowe...

      Obrigado!

      Forte abraço!!

      Marcelo

      Excluir
  2. Ali está dizendo "New Avengers #7", mas mostra a capa da New Avengers #10. Ficou confuso isso...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Gabriel... Tudo bem, amigo?

      rs rs rs ... Aí você já tem que falar com a Panini... rs rs rs

      Não tenho culpa.kkkkkk

      Abcs!

      Marcelo

      Excluir
  3. Pra mim, que sou praticamente leigo e tenho pouquíssimas revistas Marvel e DC, eu me sinto perdido. As edições parece que sempre estão prosseguindo um arco. Fica difícil acompanhar onde começa um e termina outro. E as HQs são complexas demais. Quem lê homem aranha quer o universo do Parker. Não quer ver uma salada mista toda hora de outros universos. Isso foi só pra ilustrar...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente Fabiano...

      Este é o "espírito" da matéria. Exatamente.

      Abcs!

      Marcelo

      Excluir
  4. Mais do que uma mega saga, queremos nos identificar com um personagem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Novamente você acerta de novo.

      Pelo menos no que se refere ao momento atual em ressaca das Mega-Sagas.

      A melhor opção é sempre o equilíbrio.

      Abcs.

      Marcelo

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Posts Relacionados