segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sandman - Prelúdio


Quando Neil Gaiman anunciou há alguns anos que escreveria novamente uma história de Sandman o coração de muitas pessoas (inclusive o meu) bateu mais forte e descompassado. Apesar do universo de Lorde Morpheus ter sido expandido por muitos outros autores desde os anos 90, todos sonhavam com o dia em que o próprio Neil Gaiman novamente desse voz ao seu personagem mais emblemático, até porque nenhum outro roteirista, desde então, havia tocado exatamente nele. Mas a que se deve toda esta entropia ao redor de um título como este? Particularmente, posso responder como testemunha ocular da época em que o título Sandman chegou às bancas em novembro de 1989. Naquele momento o mundo dos quadrinhos já vinha sofrendo mudanças com Alan Moore e Frank Miller ao longo da década de 80, e o terreno estava relativamente bem preparado para receber Sandman. O fato é que Gaiman apareceu e jogou toda uma geração de jovens e adolescentes em um turbilhão Shakespeariano jamais visto nos Quadrinhos. Complexo, lindo, terrível, bizarro, sombrio, triste e melancólico, o Universo de Sandman tomou de assalto mentes e corações de jovens que ansiavam por algo que transcendesse a realidade de forma contundente.


Para quem não sabe Sandman é a encarnação de um conceito inerente à existência dos seres vivos: O Sonho. Sandman é o nome de um ser que já teve muitos nomes ao longo das Eras e ao longo das Culturas ao redor do Globo. Ele já foi chamado de Oneiros, Morpheus, O Contador de Histórias, Velho-do-Sono entre outros nomes... Mas a verdade é que Sandman faz parte de um grupo de seres (Os Perpétuos) que, assim como ele, representam um aspecto eterno da realidade: Destino, Morte, Delírio, Desejo... Os Perpétuos são irmãos e foram criados no início da criação para gerirem estes conceitos que sustentam a realidade sobre a qual o Universo está constituído. O Reino de Morpheus (O Sonhar) é o local para onde todos nós vamos quando dormimos. Lá, o solitário Senhor dos Sonhos, administra todas as histórias que já passaram pela mente dos homens, algumas histórias realmente vividas, outras contadas em livros e outras que nem chegaram a serem escritas ou imaginadas.


Sandman foi escrito por Neil Gaiman, mas concebido ao lado de Sam Keith e Mike Dringenberg. No Brasil a Epopeia Onírica do Senhor do Sonhar foi lançada em fascículos de Novembro de 1989 à Outubro de 1998, e demorou todo este tempo para sair em virtude de interrupções que ocorreram ao longo do processo, até a Editora Globo (detentora dos direitos de lançamento em nosso país à época) conseguir finalizar a saga. Todos os 75 fascículos foram compilados desde então em vários relançamentos ao longo das duas últimas décadas, sendo que atualmente todo material está disponível em 04 lindos Tomos lançados pela Editora Panini (abaixo) e que estão sendo novamente relançados. A história por trás da concepção de Sandman passa pela decisão da Editora DC Comics entregar diversos personagens nos anos 80 (Pós Crise nas Infinitas Terras) à talentosos roteiristas britânicos que na época despontavam no mercado. Assim, Neil Gaiman foi convidado a revitalizar o personagem Sandman, da Era de Ouro dos Quadrinhos.


Sandman de Neil Gaiman foi a obra que me tocou mais profundamente até hoje. Conseguindo trazer à minha mente inúmeras reflexões acerca da constituição, finalidade e razão da existência. Dono de uma escrita elegante, diálogos profundos e fortes, Gaiman logo tornou-se um dos autores mais conhecidos, sobretudo para uma legião de Nerds (incluindo eu). Mas qual a importância desta revisitação de Gaiman sobre sua obra em Sandman - Prelúdio? Lá fora, Sandman - Prelúdio foi lançado em 06 fascículos, já aqui no Brasil a Panini optou em lança-lo em 03 encadernados (1ª figura que abre esta matéria). Além do apelo nostálgico sobre uma legião de fãs que Sandman - Prelúdio possui, Neil Gaiman retoma pontos importantes da Mitologia de Lorde Morpheus, dentre eles sua relação com seu pai e sua mãe (nunca antes comentada), a origem de seu Elmo de Batalha e talvez a mais importante de todas: Como ele se deixou apanhar por um simples feitiço como visto no 1º fascículo de novembro de 1989.


Com isto em mente, é fácil deduzir que Sandman - Prelúdio se passa antes da Saga inicial apresentada nos anos 80/90 e compilada nas enormes Edições Definitivas apresentadas na figura mais acima. Para quem viveu e sonhou ao lado de Morpheus no final dos anos 80 e ao longo da década de 90, ler novamente palavras proferidas pelo Senhor do Sonhar após 28 anos é uma viagem pelo tempo e espaço, e um reviver de emoções esquecidas e significados adormecidos dentro de nós.


Sandman - Prelúdio mostra personagens já conhecidos dos fãs, e lida com aspectos da mitologia de Sandman que pode parecer um pouco estranhos para um leitor que nunca tenha lido nada do personagem. Se for este seu caso, minha sugestão é que primeiramente você leia a Saga Completa inicial para então adentrar-se no Reino de Sandman - Prelúdio. Isto dimensionará a obra de outra forma e lhe trará muito mais prazer.


A obra é ilustrada por J.H. Williams III, desenhista premiado e experimentado que conseguiu captar a atmosfera fluida e onírica de Neil Gaiman. A narrativa de Gaiman ao lado do traço de Williams proporciona uma experiência extremamente interessante ao leitor, que consegue em seu íntimo interagir com o clima etéreo do Sonhar.


Caso você nunca tenha lido ou ouvido falar de Sandman de Neil Gaiman está na hora de você conhecer esta obra que rivaliza com qualquer obra clássica em conteúdo e profundidade.

"Não há ninguém no mundo que saiba tantas histórias como o Velho-do-Sono. De noite, quando as crianças ainda estão à mesa, muito quietinhas, ou sentadinhas em seus bancos, ele tira os sapatos e sobe a escada, muito devagar, abre a porta sem fazer barulho e sopra areia nos olhos delas"
Hans Christian Andersen (1805-1875)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Maus - A História de Um Sobrevivente


Escrever sobre eventos históricos sob uma perspectiva acadêmica, ou então meramente informativa foi o que aconteceu ao longo do tempo em relação à diversos acontecimentos históricos. Isto se deu também em relação ao Holocausto Judeu pelas mãos dos Alemães na 2ª Guerra Mundial, a tal ponto de muitos terem banalizado o ocorrido e alocado este genocídio ao lado de tantas outras notícias contemporâneas. No entanto, escrever sobre um evento sob a ótica de quem o viveu, de quem o presenciou, de quem foi consumido por ele, moral e emocionalmente, transforma a obra em atemporal, eterna. É fácil ler que milhões foram mortos em câmaras de gás, difícil é saber que alguém que conhecemos e gostamos foi morto em um lugar assim. Ao lermos Maus de Art Spiegelman é isso que acontece. Nos afeiçoamos às pessoas dentro do livro a tal ponto que elas se tornam indivíduos com os quais nos importamos. Mas além do descrito acima, o que transforma esta obra em algo tão especial? Tão eterna? Tão fascinante em sua dimensão aterradoramente visceral?


Maus foi iniciado no início da década de 1980 e só concluído em 1992. Logo fica muito claro para o leitor o qual custoso, angustiante e necessário foi para o autor sua escrita, tal qual um ritual de exorcismo é imprescindível para o possuído. Art Spiegelman desce aos porões de sua alma e de lá puxa esta obra e, tal qual uma jornada espiritual, consegue trazer à luz algo que o machuca muito, mas ao mesmo tempo parece o absolver de muitas coisas. A obra conta a história de Vladek Spiegelman, judeu Polonês e pai de Art. A narrativa acontece a partir de entrevistas que Art fez com seu pai já velho no final dos anos 70. Mas a obra possui muitas camadas, pois alterna entre o presente (as entrevistas junto ao pai) e o período da 2ª Guerra Mundial, em que tudo vai se desenrolando sob o olhar do inventivo e jovem Vladek. O autor não tem medo de expor sua relação conturbada com o pai que emoldura de um jeito incrível a narrativa de Vladek, dando densidade, humanidade e acima de tudo sentimento ao relato.


Embora criticado por alguns, Art Spiegelman escolhe de forma brilhante um jeito de retratar os diversos personagens desta amarga história. Ao dar características zoomórficas às diversas nações envolvidas, o autor consegue um efeito extremamente genial, pois absolve e culpabiliza os diversos povos que se envolveram no conflito (Judeus são retratados como ratos, Poloneses como porcos, Norte-americanos como cães, Alemães como gatos, Suecos como renas, Franceses como Sapos, Ciganos são libélulas, Russos Ursos, Britânicos Peixes...). Este recurso faz com que a leitura se expanda e amplie as relações entre todos, uma vez que o conflito levou à acentuação das diferenças entre nacionalidades, ao ponto que na época você não era mais uma pessoa, mas uma "nação", estereotipada, julgada e condenada por cada um.


Embora o relato de Vladek seja pungente, forte e visceral, ouso dizer que o que transforma realmente a obra em algo tão precioso tenha sido duas coisas, 1) a capacidade de Art Spiegelman transcender o mero relato de mortes e crueldades para algo além, trazendo luz à maneira como o indivíduo e o coletivo lidaram e ainda lidam com tamanho crime, e 2) a personalidade incrível de Vladek e sua relação com o filho Art. Por mais estranho que meu comentário a seguir possa parecer, garanto que você se pegará rindo da simplicidade, da humanidade, dos problemas e personalidade do velho Vladek, além de sua relação com Art e Françoise (esposa do autor). As "aparentemente" simples e pequenas tiras de desenho da obra escondem tesouros gráficos e aconselho (fortemente) à todos a prestarem muita atenção nas ações de fundo que sempre estão acontecendo em cada quadrinho. Perder isto em uma leitura rápida, é simplesmente perder grande parte da sensibilidade que o autor quis expressar.


Confesso que para mim, Maus figura entre as maiores obras literárias que eu já li, pela sua franqueza, genialidade narrativa, relevância histórica, honestidade e coragem. Maus foi ganhador do Prêmio Pulitzer em 1992, um dos prêmios mais almejados por jornalistas do mundo, outorgado para pessoas que realizam trabalhos de excelência nas áreas de jornalismo, literatura e composição musical. O fato da obra ter ganho este prêmio transcende seu valor e é acima de tudo simbólico, uma vez que foi a 1ª vez que o prêmio foi dado para uma obra em quadrinhos, catapultando os Quadrinhos para um novo nível, consolidando esta mídia como forma de expressão verdadeira de qualquer desenvolvimento artístico.


Bem amigos, finalizo com uma imagem em que Art Spiegelman se auto-retrata. A imagem fala muito por si, mas você só concebe sua verdadeira dimensão ao ler a obra. Em um mundo tão estranho como o nosso atualmente, Maus é um farol a nos lembrar sobre quem somos... Para o bem e para o mau.

Um grande abraço à todos!!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Lendas do Universo DC - O que já saiu? Lista de Lançamentos - Atualizado Novembro/2017

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Alan Davis - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Alan Davis - Vol. 02.

Em dezembro de 2014 vimos uma nova iniciativa da Editora Panini, muito bem sucedida aliás, em resgatar clássicos do Universo DC agrupados a partir da perspectiva dos desenhistas. Artistas que deram tons e características peculiares aos personagens da DC. A iniciativa teve como personagem foco inicial o Cruzado Encapuzado de Gotham e encheu os olhos de leitores antigos e, porque não dizer, de toda uma nova geração que apenas ouvia falar dos grandes profissionais do passado. O 1º a estampar as capas desta linha foi Alan Davis. Qualquer leitor com um pouco de experiência já deve ter localizado determinados traços característicos que, assim como um DNA, informa na hora quem é seu dono. Posso citar um exemplo disto que fará você concordar comigo na hora, John Byrne, por exemplo. O inglês Alan Davis é outro exemplo. Folhear as páginas destes dois volumes acima é uma experiência incrível porque é impossível não lembrar de personagens como Capitão Britânia e grupos como Excalibur, ambos da Marvel. Só que a surpresa é ver este mesmo traço dentro do Universo do Homem-Morcego, simplesmente incrível.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 03; Nº 04 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 04; Nº 05 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 05; Nº 06 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 06; Nº 07 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Jim Aparo - Vol. 07.

Já em 2015 vimos que a iniciativa estava dando certo, pois chegava às bancas a sequencia desta linha com o artista Jim Aparo. Nascido em Nova York em 1932, Jim Aparo faleceu em 2005 sendo um dos grande desenhistas da Era de Prata das HQs. Para mim Aparo definiu o visual do Batman nos anos 80. Seu traço marcaram uma fase importante do personagem nesta década. Histórias importantes na mitologia do Vigilante de Gotham estiveram sob sua responsabilidade artística, como por exemplo Morte em Família (republicada recentemente dentro da Coleção de Graphic Novels Eaglemoss da DC - Nº 11).

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 03; Nº 04 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 04; Nº 05 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Neal Adams - Vol. 05.

Na mesma época (início de 2015), já começava a correr por fora o lançamento dos volumes ligados à obra de Neal Adams dentro do cânone de Batman. Para mim, os desenhos de Adams sempre foram associados à personagens como Lanterna Verde e grupos como Liga da Justiça, só que não. O destaque deste volume é a passagem de Adams pelas histórias do Homem-Morcego entre a 2ª metade dos anos 60 e 1ª dos anos 70. Outro grande ponto alto, não apenas nestes volumes dedicados à Neil Adams mas também nos dos Jim Aparo, são as histórias ligadas à revista The Brave and The Bold. Uma publicação que possuía como foco a parceria de Batman com outros personagens do Universo DC. Assim, é um grande prazer ver Batman ao lado do Arqueiro Verde, Vingador Fantasma, Desafiador, Canário Negro, Homem-Borracha, Pantera, entre outros.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Marshall Rogers - Vol. 03.

Quase que simultaneamente, vimos também chegar às bancas a participação do desenhista Marshall Rogers dentro desta linha. Confesso que não conhecia o traço de Rogers, ou talvez conhecesse mas não ligava à nenhum desenhista específico. Mas posso dizer que frente aos comentários que vi no Facebook de amigos e colegas, acredito que é um material muito bom e emblemático.

Nº 01 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Gene Colan - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Cavaleiro das Trevas - Gene Colan - Vol. 02.

Gene Colan nasceu nos EUA em 1926, ou seja, muito próximo da aurora dos Quadrinhos. Mas foi na década de 60 que se notabilizou na Marvel como desenhista principal de séries como Demolidor, Homem de Ferro e Capitão América. Mas talvez seu trabalho mais popular tenha sido na revista The Tomb of Dracula nos anos 70. Ele praticamente desenhou todos os números da revista, muito popular no mainstream americano à época. Colan também criou, ao lado de Marv Wolfman um personagem conhecido do grande público atualmente, Blade. Bem, tudo isso credencia Gene Colan a estar presente nesta coleção e a ser apreciado com todo mérito que merece.

Nº 01 - Lendas do Homem de Aço - José Luiz García-López - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Homem de Aço - José Luiz García-López - Vol. 02.

Talvez já seja de domínio público esta informação, mas mesmo assim acho que vale a pena mencionar dado a sua importância: José Luis García-López foi ninguém menos o desenhista que estabeleceu o padrão visual dos personagens da DC nos anos 70. Em um esforço de padronizar a imagem de seus heróis em lancheiras, roupas, lençóis, canecas e tudo mais, a DC convidou García-López para trazer esta identidade visual aos seus heróis e vilões. O desenhista há muito já chamava atenção pelo seu trabalho, e estes dois volumes trazem alguns destes mais memoráveis trabalhos. O leitor destes volumes se espantará ao contemplar os desenhos e perceber que este Superman, Mulher-Maravilha entre outros personagens, são exatamente aqueles que sempre habitaram nosso subconsciente como sendo a imagem ideal dos personagens e isto não é à toda, já que muitos de nós crescemos ao lado de produtos licenciados que traziam o traço de García-López.

Nº 01 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro VerdeDennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 01; Nº 02 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro VerdeDennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 02; Nº 03 - Lendas do Universo DC: Lanterna Verde e Arqueiro VerdeDennis O´Neal e Neil Adams - Vol. 03.

O lançamento destes 3 volumes acima é duplamente especial. Em 1º lugar pela óbvia proposta de trazer o traço de Neil Adams mas, em 2º lugar, o fato de contemplar uma das fases mais aclamadas destes dois personagens dentro do Universo DC. Lançadas no início dos anos 70 esta fase conseguiu sintonizar exatamente a efervescência dos problemas da época. As Editoras, confrontadas com novos problemas derivados da desilusão do "Futuro Ideal" apregoado nos anos 50 e 60 dentro da geração de Baby Boomers, deu liberdade aos roteiristas para aproximarem suas histórias de super-heróis aos problemas do homem comum. A interação entre Lanterna e Arqueiro Verde foi então usada como epicentro deste desafio, fornecendo histórias que questionavam o papel do herói e sua relevância em um Mundo muito mais complexo, em que o agressor nem sempre é o errado. O idealista Oliver Queen (Arqueiro Verde) coloca o "escoteiro" Hall Jordan (Lanterna Verde) para pensar sobre estas questões e tudo virá uma genial sequencia de histórias. Ou seja, oportunidade única de ler este material!!!

Bem amigos... Tudo que espero é que a Ed. Panini continue com esta proposta. Abaixo temos a continuidade desta linha com lançamentos mais do que imperdíveis, como a fase da Princesa Amazona Mulher-Marilha sob do gênio George Pérez, a série Darkseid: Lendas da lenda John Byrne e, aproveitando o aniversário de 100 ano de nascimento do Rei Jack Kirby a série Super Powers.

Nº 01 - Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha - George Pérez; Nº 02 - Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha - George Pérez; Nº 03 - Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha - George Pérez; Nº 04 - Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha - George Pérez.

Lendas do Universo DC: Darkseid - Volume Único.

Nº 01 - Lendas do Universo DC: Super Powers - Jack Kirby; Nº 02 - Lendas do Universo DC: Super Powers - Jack Kirby.

Lendas do Universo DC: Coringa - Volume Único.

Lendas do Cavaleiro das Trevas - Don Newton - Vol. 01.

Um grande abraço à todos!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Letal e muito perigoso, o Pistoleiro construiu sua carreira no Universo DC rivalizando com personagens importantes, como visto em seus diversos encontros com o Cruzado Encapuzado de Gotham. Embora tenha aparecido pela 1ª vez em Detective Comics Nº 59 de Julho de 1950, foi apenas nos anos 80 que o Pistoleiro foi elevado à outro nível pelas mãos do escritor John Ostrander e artistas como Luke McDonnell e Karl Kesel ao inseri-lo dentro do grupo Esquadrão Suicida. A partir disto os fãs de quadrinhos realmente se conectaram com a dinâmica do personagem. Hoje examinaremos a miniatura do Pistoleiro dentro da Coleção de Miniaturas da DC da Eaglemoss, bem como sua origem e saga pessoal até se transformar em uma máquina humana de matar, rivalizando até mesmo com sua contraparte da Marvel, o Mercenário.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Um dos primeiros destaques da peça para mim foi a pintura que, neste caso, apresenta-se bem feita e, tão importante quanto, bem delimitada. Além disso, as cores são vivas e, no caso da máscara, destaca-se por um brilho metálico à semelhança de uma "malha" de metal. São muitos os adereços de combate presentes no personagem. Todos podem ser muito bem vistos na peça. Além dos braceletes carregados com balas e em forma de pistola, temos também a indumentária branca que recobre abdômen, tórax e calção. Na região do abdômen, vemos placas que simulam um colete, dando firmeza e proteção ao tronco. O cinto traz pequenas bolsas nos dois flancos, provavelmente usadas para carregar pequenos acessórios de combate.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

É interessante notar também a presença de dois dispositivos presos por cintos ao redor das coxas. Ao que parecem são locais para guarda de munição extra. Embora tais dispositivos sejam pequenos, apresentam-se bem delimitados e modelados. As botas trazem o mesmo amarelo das luvas e um tipo de reforço na superfície anterior da perna, chegando bem próximo aos dedos dos pés. A tradicional luneta telescópica (marca registrada do personagem) no olho direito está presente e destaca-se muito bem, além do alvo marcado bem no meio do tórax, evidenciando a tendência suicida do personagem. Um último detalhe a ser destacado é a existência das mesmas placas brancas (vistas ao redor do abdômen), também na região do tórax superior. Isto mostra que o Pistoleiro usa, por baixo da malha vermelha, um colete que recobre todo seu tronco, mas que é visível apenas na região superior do tórax, nas costas, ao redor do abdômen e cintura.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

O homem por trás da máscara do Pistoleiro chama-se Floyd Lawton, e sua tendência homicida e suicida tem origem em sua infância, fruto de um lar disfuncional e cheio de problemas. Lawton era filho de um homem muito rico chamado George Lawton, sua mãe, Genevieva passou a odiar o marido em função de suas características abusivas e ditatoriais. O irmão de Floyd, Ed, era apenas um pouco mais velho que ele, porém tinha grande familiaridade com armas, assim como o pequeno Floyd. A desequilibrada Genevieva, no entanto planejou um hediondo plano que envolvia os filhos. Jogando os dois meninos contra o pai, ela pediu à eles que o assassinem, justificando isso pela necessidade de ser protegida do marido. Floyd não concorda com isso, mas Ed sim, que tranca o pequeno Floyd para fora de casa numa tarde para executar o assassinato.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

As coisas, no entanto pioraram mais ainda. Floyd idolatrava o irmão e, na ânsia de impedi-lo de cometer o crime, pega uma arma e sobe em uma árvore para tentar atirar no braço de Ed, impedindo-o assim de se tornar um criminoso. Porém, quando foi atirar o galho que o sustentava quebrou, fazendo com que Floyd disparasse e acertasse a cabeça de Ed. O pai também sofre um tiro da arma de Ed e fica paralítico. Todo incidente foi abafado com a fortuna e influência de George Lawton que continuou legalmente casado com Genevieve, porém praticamente sem contato algum. Com tudo isso Floyd cresceu à sombra deste terrível acontecimento, e não tardaria para que se tornasse um adulto muito inquieto e cheio de uma estranha necessidade homicida e suicida. Após casar-se, Floyd teve um filho, Eddie, e mudou-se para Gotham City. Talvez sugestionado pela obscuridade da cidade, ele começou a atuar como um combatente do crime apenas usando máscara, casaco e chapéu. Isso fez com que logo Floyd entrasse no radar do Homem-Morcego, que o prendeu. Após cumprir pena, Floyd retornou a atuar, só que agora como assassino de aluguel, adotando o nome de Pistoleiro e vestindo o uniforme já tradicional do personagem.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

Nessa época o Pistoleiro entraria em vários conflitos com o Batman e ingressaria para o Esquadrão Suicida, provavelmente motivado por suas tendências letais e de auto-agressão. No Esquadrão, Floyd ficaria conhecido pela sua inconsequência diante do perigo e letalidade observada em várias missões. O passado, no entanto o alcançaria novamente. Sua mãe, Genevieve sequestraria o pequeno filho do Pistoleiro, Eddie, condicionando sua liberdade ao assassinato de George, pai de Floyd pelas suas próprias mãos. Dentre os sequestradores contratados por Genevieve havia um homem muito perigoso chamado Wes, que além de tudo possuía histórico de pedofilia. Floyd revirou Gotham City atrás de seu filho, matando todos os envolvidos, exceto Wes, que conseguiu fugir com Eddie. Quando o Pistoleiro encontrou o esconderijo de Wes, seu filho já estava morto. A vingança de Floyd contra Wes foi horrível, e levou o sequestrador à uma morte lenta e dolorosa. Quanto à sua mãe, Floyd foi ao seu encalço e atira propositadamente em sua espinha, deixando-a paralítica e condenando-a ao mesmo destino do marido.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

O Pistoleiro continuaria sua saga violenta, ora sozinho ora ao lado do Esquadrão Suicida. Histórias memoráveis tendo o personagem como seu centro foram publicadas no Brasil, como foi o caso de Pistoleiro, publicada em DC Especial Nº 04 de Março de 1991, em que a psiquê de Floyd Lawton é dissecada pela psiquiatra Marrie Herrs, que tenta cura-lo de sua depressão e tendências suicidas. Nesta história a psiquiatra tenta atingir seu objetivo revisitando o passado de Floyd e sua tentativa frustrada de resgatar o filho Eddie. Recentemente, o personagem alcançou popularidade mundial dentro do fraco Esquadrão Suicida, filme de 2016, em que é interpretado por Will Smith.

Miniatura DC Nº 24 - Pistoleiro

De todo modo, o Pistoleiro é um personagem enigmático e com grande potencial dramático, haja vista sua história pessoal e seu histórico de combate. Um homem complexo, que oscila entre o lado bom e mal com consequências catastróficas para todos ao seu redor. Um personagem que sintetiza bem nosso tempo, em que heróis não são 100% bons e bandidos também são mais complexos do que pensamos, tendo em vista serem produto de uma organização econômica, social e política cheia de falhas.

É isso aí amigos... Um grande abraço à todos!!
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