domingo, 15 de maio de 2016

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Um dos grandes responsáveis pelo sucesso da Marvel em revitalizar os quadrinhos durante a 1ª metade dos anos 60, foi o talento inato de Stan Lee e Jack Kirby (entre outros) ao conseguirem sintetizar em um personagem a quintessência de um determinado "tipo". Personagens megalomaníacos, reclusos, monstros, religiosos, eternos, deuses, adolescentes, famílias... Todas as características que compõem um determinado "tipo", e que em geral estão diluídas em meio à sociedade à nossa volta, eram filtradas, decantadas e destiladas em cima de um determinado personagem por Lee e Kirby. Nick Fury é por assim dizer o tipo "Soldado Durão", "Beberrão", "Briguento", "Selvagem", "Mulherengo", "Letal" e com um senso do que é certo e errado. Ao longo de sua carreira nos quadrinhos, Fury ainda evoluiria para um outro "tipo" pelas mãos do aclamado Jim Steranko (desenhista/roteirista). Fury ainda encarnaria com perfeição o típico "Espião" perfeito da Guerra Fria. Senhoras e senhores... aqui vai o espião supremo: Nick Fuy!!

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

A miniatura de Nick Fury traz o famoso espião já em sua indumentária da fase de Steranko (2ª metade dos anos 60). Fase em que Fury encarnaria o papel pelo qual foi mais conhecido, o de espião. Uma malha rodeada de correias brancas para sustentarem diversos coldres e bolsas de guerra. O personagem aparece aqui portando duas pistolas com silenciadores, nada mais oportuno para o visual de agente secreto. O cabelo castanho ficou bem pintado em sua delimitação com as mechas brancas inferiores. Além disso, as características anatômicas estão condizentes com o personagem visto nos quadrinhos.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

As feições de Fury não estão perfeitas, no entanto reconheço que não é a pior peça da coleção neste quesito. Em uma inspeção na estante considero que Nick Fury talvez não seja a figura mais imponente ou que chame mais atenção do observador. Mas isso realmente não é problema, pelo contrário, o visual de Fury é mesmo discreto e nada possui de espalhafatoso ou incomum. Sendo ele um personagem humano e sem poderes especiais (exceto pelo seu envelhecimento retardado) essa é a forma correta de retrata-lo.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Nick Fury foi criado em 1963 por Lee e Kirby e apareceu pela 1ª vez na revista Sgt. Fury & His Howling Commandos Nº 1. De início Fury foi retratado retroativamente como líder de um lendário batalhão da 2ª Guerra Mundial conhecido como Comando Selvagem. Executando missões suicidas com poucas chances de sucesso, Fury alcançaria fama e medalhas por sua coragem e bravura, tendo inclusive lutado ao lado do Capitão América e seu parceiro Bucky Barnes, além de conhecer Logan em sua fase Pré-Wolverine. Nesta fase ele lutou contra grandes nomes da vilania nazista da Marvel, a saber: Barão Wolfgang Von Strucker, Barão Heinrich Zemo e até o próprio Caveira Vermelha.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Com o fim da 2ª Guerra Nick Fury seria recrutado para investigar o assassinato, pelas mãos de agentes da HIDRA, do Diretor (Rick Stoner) de uma agência chamada SHIELD. Fury concluiu habilmente essa tarefa, chegando à conclusão de que o assassino era ninguém menos que Jake Fury (seu irmão). Foi nesse enfrentamento que ele recebe um tiro no olho, passando então a usar seu icônico tapa-olho. A escolha para substituir o Diretor Stoner foi óbvia para o governo: Nick Fury. Arrogante, bruto e com uma dificuldade para respeitar políticos profissionais, Fury tentaria se livrar da indicação, porém sem sucesso. Os roteiristas das histórias de Nick Fury enfrentariam então uma dilema. Como explicar o não envelhecimento do agora Coronel Fury se estávamos nos anos 60? A resposta veio por meio do que ficou conhecido como Fórmula do Infinito.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Durante seus primeiros anos na 2ª Guerra Mundial, Fury teria sido ferido mortalmente e resgatado pela resistência francesa. Seus salvadores o levaram ferido até o médico local (Berthold Sternberg), que trabalhava em uma fórmula para retardar o envelhecimento. O jovem Fury foi então inoculado sem seu consentimento com um soro que, além de ajuda-lo a sobreviver dos ferimentos, passaria a conserva-lo jovem. Porém, com um preço: ele teria que usar anualmente uma nova dose da fórmula para manter seus efeitos. Assim, Sternberg chantageou financeiramente Fury ao longo de décadas para liberar sua dose anual. Toda esta inserção retroativa na história de Fury permitiu então que o personagem vivesse aventuras comandando a SHIELD ao longo dos anos 60 ainda com aparência jovem. Foi nessa fase como espião que o lendário Jim Steranko assumiu o personagem. Steranko introduziu diversos elementos importantes para a história e mitologia de Fury. Mas nada se igualava à sua arte vanguardista.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Steranko já fora músico, tendo inclusive tocado com Bill Halley and His Comets, além disso já tivera problemas com a polícia. Toda essa "vibe" desajustada era reflexo do inconformismo do desenhista. Inspirando-se em artistas de renome, como por exemplo Andy Warhol, Steranko trouxe o psicodelismo e uma profunda sensibilidade à arte e às histórias de Nick Fury. Se você quer conhecer essa fase do personagem não perca o próximo volume (edição VIII do segmento Clássico) da Coleção de Graphic Novel da Salvat (capa preta). Este volume trará parte desta fase de Steranko. Um material clássico imperdível e inédito no Brasil!! Menção honrosa aliás à forma incrível como Steranko retratava as mulheres nas histórias, verdadeiras "Deusas" (!!). Menção mais honrosa ainda devo fazer à personagem Valentina Allegra de Fontaine, a famosa "Val", par romântico de Fury e uma mulher que emana sensualidade em cada página.

Miniatura Marvel Nº 51 - Nick Fury

Embora a Marvel (por motivos mercadológicos) considere atualmente outro Nick Fury, negro e filho do Nick Fury clássico, para mim este aqui será o eterno Nick Fury. Foi ele que construiu toda uma mitologia, foi ele quem vivenciou aventuras incríveis ao lado de personagens míticos e, portanto, para mim este será sempre o verdadeiro Nick Fury. É isso aí amigos!!!

sábado, 7 de maio de 2016

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Olá amigos... Duas-Caras é o vilão do Batman que talvez traga em seu conceito a melhor expressão da ambiguidade inerente à todo e qualquer ser humano. Uma ambiguidade que poderia ter sido muito melhor explorada e trabalhada em suas histórias. Homem e demônio, bondade e maldade, luz e escuridão convivendo em um mesmo espaço. Assim como o personagem de Robert Louis Stevenson fez em seu livro The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde de 1886 (O Médico e o Mostro no Brasil), Duas-Caras poderia facilmente galgar histórias que desvendassem a obscuridade e dualidade da alma humana. Histórias nas quais, aliás Batman também se encaixaria muito bem, levando-se em consideração sua própria dualidade. Hoje analisaremos sua peça na Coleção de Miniaturas DC da Eaglemoss, além de sua trágica e violenta história.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Quando vi a peça do Duas-Caras eu a achei simples e contida. Com o passar do tempo, no entanto percebi que essa é uma ótima forma de retratar o vilão. Um homem aparentemente contido e, porque não, elegante em sua solitária figura, porém, capaz de explosões de fúria condizentes com a aparência de sua metade desfigurada do rosto. A modelagem do personagem dentro de um conceito "Noir" me agradou muito no final das contas, e me fez pensar até que ele poderia ser o Humphrey Bogart de Gotham. Chamou-me atenção as ondulações do terno, muito bem definidas, principalmente em seu lado branco, onde aparecem de forma mais evidentes.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Botões bem visíveis, abotoaduras, listras, gravata, lenço no bolso esquerdo do paletó e uma postura revelando gestos refinados colocaram essa peça à um nível de certo destaque em minha coleção. E é justamente o conjunto destas características que combinariam muito bem com histórias ao melhor estilo "Noir". Algo que ainda gostaria de ver nas histórias do Duas-Caras. A delimitação entre os dois lados do personagem está bem feita na peça. Não identifiquei nenhum erro grosseiro na pintura de um lado em relação ao outro, inclusive no que se refere aos pontos de contato de um lado com o outro. Vale também o destaque para a demoníaca face da peça. Realmente ameaçadora.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Harvey Dent é o homem por trás do personagem. Filho de um violento pai que surrava o filho ao bel prazer de uma moeda que atirava para cima, Dent cresceu com esse horrível trauma. Um trauma que se aprofundou mais ainda quando o jovem descobriu que a moeda que o pai usava para decidir se daria ou não uma surra no filho possuía lados iguais. Mais um toque de crueldade que fez com que Dent sempre sofresse nas mãos do pai, não importando a aleatoriedade do ato de atirar a moeda para o alto. Ainda jovem Harvey se enveredou para o Direito em busca de um eixo firme onde pudesse se amparar: A Lei! Brilhante na faculdade, ele logo conseguiu destaque em suas atuações, tornando-se o promotor de Gotham mais jovem até então. Com apenas 26 anos, Harvey já iniciava uma caçada ao crime organizado de Gotham à frente da promotoria.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

O 1º a notar o lado obscuro de Dent foi o assassino serial e médico Rudolph Klemper. Já preso, Klemper disse a Dent que ele deveria deixar aquele demônio se libertar e não se preocupar mais. Apesar de profundamente abalado com o comentário, Dent iniciou uma parceria com o Comissário Gordon e Batman, atuando do lado da lei contra os criminosos. Sua personalidade abalada e obsessiva começou a crescer ao pedir que Batman plantasse evidências incriminatórias nos locais de atuação dos criminosos, algo que o Cruzado Encapuzado se negou a fazer. Esse tipo de ideia e ataques de fúria cada vez mais frequentes revelavam a ascensão de alguma coisa de dentro da alma de Dent.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Já casado com Gilda, uma linda jovem, Dent envolveu-se no caso de Carmine "Romano" Falcone, o Senhor do Crime de Gotham. Assassinando na surdina o criminoso rival de Falcone, Luigi Maroni, Dent conseguiu apoio do filho de Maroni, Salvatore, para depor contra Falcone. Salvatore, no entanto trai Dent atirando ácido em seu rosto. A tragédia da vida de Dent iria agora se intensificar. Com metade do rosto desfigurado, a porção maligna da mente de Dent ascenderia como uma erupção, tomando conta da volátil sanidade do promissor promotor. Dominado por esse aspecto letal de sua alma, Harvey Dent começaria a deixar então sua marca, e um rastro de crimes e mortes em Gotham City, agora não mais do lado da lei, mas como um verdadeiro e violento criminoso.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Duas-Caras é um personagem que poderia ser explorado de diversas formas nas histórias. Não apenas como um criminoso ensandecido e maluco, mas pelo contrário, ele poderia muito bem ser usado em histórias nas quais não apenas seu lado ruim fosse abordado, mas também seu lado bom. Um personagem que poderia crescer em contradições e efeito dramático ao revelar para o leitor como um homem pode ser várias coisas ao mesmo tempo. Como o bem pode estar ligado de forma muito íntima à atos aparentemente maus e vice-versa. Sabemos que a personalidade distorcida de Dent é a dominante na maioria das vezes, mas isso poderia abrir espaço mais frequentemente para um outro desfecho. Histórias nas quais seu lado de maior sanidade lutasse e por vezes vencesse sua contra-parte.

Miniatura DC Nº 21 - Duas-Caras

Quando comparei Harvey Dent com Humphrey Bogart não foi apenas uma simples sugestão, mas sim porque eu acho que Dent possui toda angústia, solidão, raiva e dualidade que os personagens dos antigos filmes "Noir" traziam dentro de si. Homens que possuíam um fiapo de luz em seu interior, mas que invariavelmente estavam condenados a servirem à sarjeta e à degradação. Esse seria para mim o Duas-Caras ideal!

Ok amigos! É isso aí! Grande Abraço!!!
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