sábado, 31 de janeiro de 2015

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Linda como a Princesa de pele avermelhada de Marte presente na Saga de John Carter de Edgar Rice Burroughs, Estelar é uma das personagens da DC com maior capacidade de evocar os desejos mais profundos no imaginário coletivo masculino. À semelhança da escrava de pele verde de Órion que realiza sua dança hipnotizante no episódio "The Cage" da série clássica de Star Trek, Estelar exerce esse mesmo fascínio na mente do leitor. Uma mulher linda, exótica, selvagem e com um potencial enorme para o amor. Sua miniatura na Coleção de Miniaturas de Metal da DC surpreendeu positivamente há muitos, inclusive à mim.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Vamos, portanto à análise das qualidade da peça. Sem duvida nenhuma eu começaria pela posição na qual a heroína foi esculpida, uma postura que, além de mostrar claramente seus atributos físicos a coloca em posição de desafio, poder e prontidão bélica. Praticamente todos os detalhes estão bem modelados, até mesmo as feições da personagem que, apesar do rosto desnudo, apresentam-se precisas e conseguem representar a mulher bonita que ela é.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Com botas até a altura das coxas e um traje que se assemelha à um biquíni, a alienígena mostra-se sensual. No entanto, determinados detalhes parecidos com grandes parafusos de uma armadura encontrados na parte superior-anterior das botas e no colar ao redor do pescoço dão um toque bélico à indumentária. Em minha opinião, porém o ponto alto da peça é a modelagem da incrível cabeleira que simula quase um manto por sobre seus ombros. Ao olharmos de perto a leveza com a qual o cabelo foi modelado, obedecendo curvas e uma medida precisa de volume, faz com fiquemos observando e admirando por vários minutos a figura.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Estelar foi o nome dado para a heroína na Terra. Na verdade seu nome verdadeiro é Koriander, uma princesa do Planeta Tamaran, filha do Rei Myander. A bela Koriander era a 2ª filha do Rei e portanto não seria aquela com prerrogativas de ser a sucessora ao trono. No entanto, sua irmã mais velha Komander não podia voar em função de uma doença de infância, impossibilitando-a de assumir o Reino. Assim, Koriander tornou-se a candidata natural. A inveja da irmã mais velha, porém viria a destruir a tudo e a todos. Aliando-se aos inimigos de Tamaran, Komander destroçou seu planeta natal e exilou a irmã mais nova.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Após anos sofrendo humilhações nas mãos dos inimigos de Tamaran, Koriander escapou do violento jugo da irmã que permitia inclusive que ela fosse violentada pelos seus captores. Em sua fuga a sofrida princesa vem para Terra onde, por um golpe do destino, ela conhece um grupo de jovens heróis que durante muito tempo chamaria de família, Os Novos Titãs. A equipe era formada por Robin (Dick Grayson, parceiro de Batman), Kid Flash (Wally West), Mutano (Garfield Mark Logan), Moça-Maravilha (Donna Troy), Ravena (Rachel Roth), Ciborgue (Victor Stone) e Estelar.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Estelar viveu muitas aventuras junto aos Novos Titãs e durante esse período teve um dos relacionamentos que acredito que todo fã da DC quis que desse certo com Dick Grayson (Robin). Infelizmente, permitir o casamento de dois heróis era, ou ainda é, um evento cronológico ímpar na vida dos personagenes, pois penso que o uso de um dos heróis em novas aventuras sempre ficaria atrelado à do outro. Infelizmente foram muito poucos os personagens que conseguiram finais felizes ao lado de seus amores nas HQs. A necessidade de se trazer dramaticidade, dor e sofrimento às histórias sempre impediu acontecimentos desse tipo. Haja vista o término do casamento entre Tempestade e Pantera Negra da Marvel.

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Estelar tornou-se uma personagem madura dentro da cronologia da DC e infelizmente a abordagem que o Reboot da Editora trouxe à Koriander não poderia ter sido a mais infeliz possível, desconstruindo toda uma mitologia interessante e rica. Como um saudoso leitor de quadrinhos, eu ainda espero avidamente que os Novos 52 no final das contas não passe de apenas um delírio criativo da DC, e que em algum lugar a cronologia oficial ainda esteja intacta. 

Miniatura DC Nº 15 - Estelar

Bom amigos... Um grande abraço à todos!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Um Cântico para Leibowitz


Os últimos anos têm sido incrivelmente fantásticos para a literatura de ficção científica no Brasil. Talvez o principal motivo seja o relançamento de clássicos com acabamento primoroso além, é claro, de um profundo senso de oportunidade da Editora Aleph (responsável por esses lançamentos). Alguns desses foram discutidos aqui no Blog em função da série de matérias que fiz sobre a A Saga da Fundação de Isaac Asimov. No último semestre de 2014 a Aleph voltou a me surpreender ao lançar Um Cântico para Leibowitz, clássico da literatura distópica lançado em 1960 do autor Walter M. Miller Jr.. Publicado em uma época em que o grande "Fantasma" da humanidade era o Holocausto Nuclear, Um Cântico para Leibowitz ainda permanece atual por trazer nas entrelinhas da obra uma discussão sobre os constituintes da alma humana que praticamente não se alteraram ao longo dos séculos de existência da nossa espécie sobre o planeta, sem contar que o Fantasma Atômico continua totalmente plausível ainda em nossos dias. A presente resenha visa garantir uma visão geral do livro bem como minhas impressões sobre ele preservando, no entanto o leitor do Blog de "spoilers, ou seja, você NÃO encontrará "Spoilers".


O livro de W.M. Miller Jr. possui um contexto que já é explicitado na própria contra-capa da edição da Aleph. Após uma hecatombe nuclear a humanidade mergulha novamente em uma Era das Trevas, onde a ciência e seus agentes (governos, universidades, intelectuais) receberam toda a culpa por terem manipulado o Fogo de Satanás. Assim, sucede-se a Era da Simplificação, um tempo em que todos os registros, livros ou material científico é queimado ou destruído. Nesse contexto de trevas do pensamento humano, a Igreja Católica volta a florescer, catalisando os medos e as inseguranças do homem. Assim, um homem de sobrenome Leibowitz se tornaria beato e alvo de adoração pela ordem dos Irmãos Leibowitz, que passaram a adotar o Modus Operandi de seu mártir, ou seja, preservar material científico (ainda que incompressível para eles) da destruição. Após Seis Séculos de obscurantismo a ordem se firma no deserto americano em sua precária abadia. Os EUA já não existiam como o conhecemos, mas tornara-se em um sistema de feudos com seus respectivos Senhores da Guerra. Um cenário dentro do qual a Igreja se equilibrava.

Divisão Territorial à Época de "Um Cântico para Leibowitz"

O livro se inicia nesse ponto, contando a história do Irmão Francis Gerard de Utah, um noviço que tem um inesperado encontro com um estranho peregrino durante suas vigílias da Quaresma no deserto já no início do livro. A partir daí a história se desenrola e W.M. Miller Jr. constrói um painel onde a humanidade saiu dos trilhos e, inicialmente, ainda vive totalmente alheia ao florescimento tecnológico do passado. Já que os incríveis feitos humanos se perderam nas névoas do passado, sendo no máximo lendas. Miller converteu-se ao catolicismo após sua participação na 2ª Guerra Mundial, e publicou sua mais conhecida obra Um Cântico para Leibowitz que chegou a ganhar o prêmio "Hugo" de melhor ficção científica em 1961. Sua convicção católica aparece constantemente no livro, que traz explicações para os antigos rituais católicos romanos presentes entre nós. Isso também é uma atração à parte no livro. Na edição da Aleph encontramos, inclusive, um glossário ao final em que podemos compreender tais ritos.


A despeito da convicção de Miller Jr, sua história se encerra tragicamente em 9 de janeiro de 1996 com seu suicídio após a morte de sua esposa, um ano ano antes da publicação de  um segundo livro sobre seu universo distópico: Saint Leibowitz and the Wild Horse Woman. Em Um Cântico para Leibowitz o leitor terá surpresas com o andamento da história, que cobre uma ampla margem de tempo, permitindo a construção de um panorama geral a respeito da índole humana e seu comportamento ao longo das Eras. Embora a história cubra cerca de 1800 anos (informação também presente na contra-capa do livro) a identidade de um personagem em específico será alvo contínuo de especulação para o leitor. Algo que daria um ótimo debate em um clube de leitores, no qual eu defenderia enfaticamente uma determinada identidade específica.


Talvez o grande questionamento de Miller Jr. seja o quão inexorável sejam nossos caminhos, aspirações e fraquezas, corroborando as reflexões de Ernest Becker em seu livro "A Negação da Morte" de 1973, em que nos é atribuído a alcunha de "Deus-Verme". A inescababilidade de nossas fraquezas e virtudes é, portanto (em minha opinião) um dos pontos centrais de Um Cântico para Leibowitz. O relançamento do livro pela Aleph é relevante sobretudo em tempos em que a ficção distópica vem aparecendo cada vez mais em livros e filmes à serviço de romances adolescentes rasos e desprovidos de questionamentos mais importantes, ou seja, diversão simples e descartável.



Por isso, Um Cântico para Leibowitz traz um frescor aos leitores que gostam da ficção distópica como ferramenta para discussões relevantes e contemporâneas sobre o destino da humanidade, nossa índole, virtudes e pecados. E não como veículo para introdução de atores, atrizes e escritores. Convido o leitor a ler o livro desprovido da visão "enlatada" vigente atualmente, permitindo assim formular questões por trás da história de W.M. Miller Jr.


Um grande abraço à todos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Coleção de Graphic Novel Salvat - O que Já Saiu? - Lista de Lançamentos - Atualizada - Novembro/2017!!

Nº 01 - Homem Aranha: De Volta ao Lar; Nº 02 - X-Men: Superdotados; Nº 03 - Vingadores: A Queda; Nº 04 - Thor: O Renascer dos Deuses; Nº 05 - Os Supremos: Super-Humano; Nº 06 -Capitão América: Tempo Esgotado; Nº 07 - Homem-Aranha: A Última Caçada de Kraven; Nº 08 - Marvels.

Olá amigos... Há cerca de seis meses escrevi uma matéria aqui no Blog em que eu informava uma lista com a ordem de lançamentos das edições da Coleção de Graphic Novels da Editora Salvat. Na matéria disponibilizei a lista até o volume de Nº 20 apenas. Além disso, a matéria ficou muito extensa e pouco funcional para consulta, já que fazia uma análise das edições classificando-as conforme o tipo de história. Para deixar a consulta mais rápida e simples resolvi refazer essa matéria indo direto ao ponto, trazendo a lista por ordem de lançamento que será quinzenalmente atualizada conforme forem saindo as edições aqui mesmo nesse post. Assim, você sempre poderá conferir o andamento atualizado da coleção. Por isso, sem mais delongas vamos à lista atualizada!!

Nº 09 - Guerra Secreta; Nº 10 - Demolidor: A Queda de Murdock; Nº 11 - Capitão América: O Soldado Invernal; Nº 12 - Novos X-Men: E de Extinção; Nº 13 - Os Supremos: Segurança Nacional; Nº 14 - Motoqueiro Fantasma: Estrada para Danação; Nº 15 - Capitão América: A Escolha; Nº 16 - Os Novos Vingadores: Motim.

Nº 17 - Demolidor: Diabo da Guarda; Nº 18 - X-Men: Perigoso; Nº 19 - Guerra Civil; Nº 20 - Wolverine: Arma X; Nº 21 - Homem de Ferro: Extremis; Nº 22 - Ultimate Homem-Aranha: Poder e Responsabilidade; Nº 23 - Hulk: Planeta Hulk - Pate 1; Nº 24 - Zumbis Marvel.

Nº 25 - X-Men: A Saga da Fênix Negra; Nº 26 - Homem-Aranha: O Nascimento de Venom; Nº 27 - Hulk: Planeta Hulk - Parte 2; Nº 28 - Homem de Ferro: O Demônio na Garrafa; Nº 29 - Wolverine: O Velho Logan; 30 - Thunderbolts: Fé em Monstros; Nº 31 - Quarteto Fantástico: O Fim; Nº 32 - Capitão América: Morre uma Lenda.

Nº 33 - Doutor Estranho: O Juramento; Nº 34 - Hulk: Contra o Mundo; Nº 35 - Eternos; Nº 36 - Pantera Negra: Quem é o Pantera Negra; Nº 37 - Capitão América: O Novo Pacto; Nº 38 - Mulher-Hulk: Mulher Solteira Procura; Nº 39 - Guerras Secretas: Parte 1; Nº 40 - Quarteto Fantástico: Inconcebível.

Nº 41 - Guerras Secretas: Parte II; Nº 42 - Dinastia M; Nº 43 - Homem-Aranha: Revelações & Até que as Estrelas Esfriem; Nº 44 - Vingadores: Eternamente - Parte 1; Nº 45 - Homem-Aranha: Azul; Nº 46 - Vingadores: Eternamente - Parte 2; Nº 47 - Novos X-Men: Imperial; Nº 48 - Wolverine: Origem.


Nº 49 - Quarteto Fantástico: Ações AutoritáriasNº 50 - Dinastia M: O Herdeiro; Nº 51 - 1602; Nº 52 - O Incrível Hulk: Gritos Silenciosos; Nº 53 - O Poderoso Thor: Em Busca dos DeusesNº 54 - Justiceiro: Bem-Vindo de Volta, Frank - Parte I; Nº 55 - Invasão Secreta; Nº 56 - Justiceiro: Bem-Vindo de Volta, Frank - Parte II.

Nº 57 - Capitão Britânia: O Mundo Distorcido; Nº 58 - Thor: O Último Viking; Nº 59 - Eu, Wolverine; Nº 60 - O Cerco; Nº 61 - Vingadores Primordiais; Nº I - Marvel Origens: A Década de 1960; Nº II - Contos de AsgardNº 62 - Vingadores Secretos: Missão Marte.


Nº III - Doutor Estranho: Uma Terra Sem Nome, Um Tempo Sem Fim; Nº IV - Quarteto Fantástico: A Vinda de GalactusNº 63 - Deadpool: A Guerra de Wade Wilson; Nº V - Quarteto Fantástico: O Dia do Juízo Final; Nº VI - Homem-Aranha: Homem-Aranha Nunca Mais!Nº 64 - O Imperativo Thanos; Nº VII - O Invencível Homem de Ferro: Tragédia e TriunfoNº VIII - Nick Fury - Agente da S.H.I.E.L.D. - Parte Um.

Nº 65 - Terra das Sombras; Nº IX - Nick Fury - Agente da S.H.I.E.L.D. - Parte Dois; Nº X - Os Inumanos; Nº 66 - Vingadores: A Cruzada das Crianças; Nº XI - O Incrível Hulk: O Monstro Está Solto; Nº XII - Vingadores: O Nascimento de UltronNº 67 - Hulk: Terra Arrasada; Nº XIII - Thor: Ragnarok.

Nº XIV - Surfista Prateado: Origens; Nº 68 - VenomNº XV - X-Men: Crepúsculo dos Mutantes; Nº XVI - X-Men: À Sombra de Sauron; Nº 69 - Ultimate Homem-Aranha: A Morte do Homem-Aranha; Nº XVII - O Invencível Homem de Ferro: O Início do Fim; Nº XVIII - Marvel Origens: A Década de 1970; Nº 70 - A Essência do Medo - Parte Um.

Nº XIX - O Espetacular Homem-Aranha: A Morte dos Stacys; Nº XX - Vingadores: A Guerra Kree-Skrull; Nº 71 - A Essência do Medo - Parte Dois; Nº XXI - Marvel Horror; Nº XXII - Hulk: No Coração do Átomo; Nº 72 - X-Men: O Cisma; Nº XXIII - Os Defensores: O Dia dos Defensores; Nº XXIV - A Vida e a Morte do Capitão Marvel - Parte Um.

Nº 73 - Demolidor: Som e Fúria; Nº XXV - A Vida e a Morte do Capitão Marvel - Parte Dois; Nº XXVI - Doutor Estranho - Uma Realidade à Parte; Nº 74 - Ultimate Comics - Homem-Aranha: Quem é Miles Morales; Nº XXVII - A Guerra - Vingadores-Defensores; Nº XXVIII - A Fúria do Pantera NegraNº 75 - O Surpreendente Thor; Nº XXIX - Howard, O Pato.

Nº XXX - Capitão América e Falcão - O Império Secreto; Nº 76 - Sem Medo; Nº XXXI - Deathlok - Origem; Nº XXXII - Warlock - Parte Um; Nº 77 - Sem Medo - Parte Dois; Nº XXXIII - Warlock - Parte Dois; Nº XXXIV - Os Fabulosos X-Men - Segunda Gênese.

Bem amigos, a partir de agora teremos esse post sempre atualizado com os novos lançamentos, facilitando assim a consulta para todos. Um grande abraço!!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Miracleman de Alan Moore no Brasil


Olá amigos... Há muito tempo eu vinha esperando para ter o prazer de comprar uma revista mensal de qualidade e que, para entendê-la, eu não precisasse comprar mais 06 ou 07 outras revistas relacionadas à história, um Modus Operandi que domina o mercado de quadrinhos atualmente. Miracleman foi a grata e já esperada surpresa que atendeu à esse meu sonho. Pouco conhecido para os leitores brasileiros, o personagem dominou o imaginário dos garotos ingleses que gostavam de quadrinhos nos anos 50 e 60. Dentre esses garotos temos grandes representantes como por exemplo Alan Moore e Neil Gaiman. Esse lançamento da Panini é histórico por diversas razões, dentre elas trata-se do resgate que Moore fez do personagem no início dos anos 80 após anos no limbo, além de ser material de grande qualidade (por derivar de uma época de grandes trabalhos de Alan Moore) e inédito no Brasil (exceto por uma tentativa pela Editora Tannos entre 1989 e 1990, que lançou até o Nº 4).


Qualquer admirador da Era de Ouro dos Quadrinhos deve ficar de olho nesse lançamento. A origem de Miracleman tem tudo a ver com outro personagem muito famoso da Era de Ouro, o Capitão Marvel (ou Shazam) como atualmente é conhecido. A história é a seguinte: com o incrível sucesso de vendas do Capitão Marvel nos anos 40 pela Editora Fawcet, a então DC Comics começou a se incomodar com isso. Assim, instigou um processo na justiça contra a Fawcet em função das semelhanças entre seu principal personagem o Superman e o personagem da Fawcet. Em 1948 a justiça deu parecer favorável à Fawcet, porém a DC apelou da decisão em 1951. Como nessa época os títulos já não vendiam tão bem e com os custos do processo se acumulando a Fawcet abriu mão da "briga" fazendo um acordo com a DC, que passou a deter os direitos do Capitão Marvel colocando-o na geladeira. Os últimos quadrinhos do Capitão Marvel saíram em 1953, ano do acordo.

Capitão Marvel e seu alterego Billy Batson. Personagem que inspirou a criação de Miracleman

Mas o que isso tem a ver com Miracleman? A verdade é que na Inglaterra o Capitão Marvel fazia muito sucesso, publicado pela editora inglesa Len Miller. Com a impossibilidade de continuar publicando suas histórias a editora solicitou a criação de um novo personagem que pudesse atender à demanda do mercado. Essa tarefa caiu nas mãos de Mick Anlgo. Assim, Anglo criou Miracleman que parecia-se muito com o Capitão Marvel no que se refere à sua gênese. O Contínuo (algo como um office boy) do jornal Clarim Diário "Mick Moran" tem um encontro com um FÍSICO (não mais com um mago como era o caso de seu antecessor), que lhe disponibiliza o conhecimento e o poder da código do Universo. Esse poder seria concedido à Mick Moran toda vez que ele dissesse a palavra "KIMOTA!". Kimota é na verdade "Atomic" ao contrário, o que mostra a grande influência da Era Atômica e da ciência nos quadrinhos naquela época, responsável pela maioria dos poderes dos Heróis no início da Era de Prata (ex. X-Men, Lanterna Verde, Flash e seu acesso ao campo de aceleração terrestre, o Quarteto Fantástico, Hulk...).


Embora de visual diferente em relação ao Capitão Marvel, Miracleman possuía praticamente os mesmos poderes do antigo herói da Fawcet e do Superman. Miracleman, que de início chamava-se Marvelman, foi sucesso imediato e preencheu a fantasia de garotos ingleses nas décadas de 1950 e 1960. Na verdade o nome Marvelman mudou para Miracleman apenas nos anos 80 por pressão da Editora Marvel, que possuía a propriedade de uso da palavra "Marvel". Miracleman ou Marvelman também tinha sua família de heróis (tal qual fora com o Capitão Marvel), pois seu amigo Dick Dountless se transformava em Young Marvelman ao dizer a palavra "MARVELMAN", e outro garoto Jhonny Bates transformava-se em Kid Marvelman ao dizer a mesma palavra. Foi então que na primeira metade da década de 80, Alan Moore decide trazer seu antigo ídolo de infância atualizando-o. É essa fase que o leitor brasileiro tem nas mãos agora.


A edição da Panini traz, além da primeira história da fase Moore "...Sonho de Voar..." uma material extra muito interessante com as três histórias (em PB) de estreia do personagem na revista Marvelman Nº 25 datada de 03 de fevereiro de 1954. Além destas três histórias há esboços da arte conceitual de Garry Leach (desenhista da fase Moore) para Miracleman, um histórico do personagem e o mais incrível: Uma entrevista que Mick Anglo (aos 94 anos) deu em 2011 ao editor-chefe da Marvel na época Joe Quesada. Um relato simples e cheio de paixão de um velhinho que aos 94 anos via as coisas do passado com a simplicidade que todos nós deveríamos ver.

Edição de estreia de Miracleman (Marvelman) em fevereiro de 1954.

Alan Moore consegue enxergar não apenas o valor histórico dos heróis da Era de Ouro, mas principalmente seu simbolismo. Não é à toa que a fase de Moore abre com uma história de Miracleman intitulada Família Miracleman, ambientada nos anos 50. Essa pequena história não apenas traz o personagem em sua concepção original, mas traz diversos simbolismos sobre uma Era mais simples e inocente, que já trazia consigo pequenos "flashes" da tempestade de desilusão que os anos 70 e 80 trariam.

História ambientada nos anos 50 que dá início à fase de Alan Moore junto ao personagem.

Bom amigos... Infelizmente os quadrinhos atuais obrigam o leitor a comprar, comprar e comprar... Sem isso é muito difícil acompanhar alguma história sem a necessidade de adquirir diversas revistas. Miracleman é talvez uma ótima oportunidade de sentir novamente aquela velha ansiedade para chegar logo o próximo mês e assim termos a continuidade da história. 

Um grande abraço à todos!!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno

Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno

Noturno é um personagem que sintetiza o quanto as aparências e os julgamentos premeditados podem enganar. Seu visual demoníaco (pele azulada, orelhas pontudas e calda) escondem a personalidade de um verdadeiro devoto cristão, além de um sincero cavalheiro. Noturno, ou Kurt Wagner, tem nacionalidade alemã e fez parte da 2ª formação dos X-Men, constituída nos anos 70 sob o comando do Prof. Xavier. O Prof. X. queria reunir uma nova equipe de mutantes para salvar os X-Men originais, aprisionados pela Ilha viva Krakoa. Noturno sempre foi um personagem que traz a amizade, a lealdade e a bondade como credenciais pessoais e, por isso mesmo, sempre foi alguém muito querido dentro do Universo Mutante. Hoje veremos um pouco de sua história, bem como algumas características desta peça que o representa dentro da Coleção de Miniaturas Marvel.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno

 
A peça mostra Noturno em seu traje de cor clássica, porém sem as grandes ombreiras do traje original que possuíam terminações horizontais pontudas. Os dois dedos nas mãos, os dois únicos dedos em cada um dos pés, bem como as orelhas pontudas compõem um visual élfico que torna Noturno um personagem único dentro da Marvel. É claro que com a explosão de personagens mutantes nos anos 80 e 90, infelizmente a temática Mutante bem como o visual de Noturno foi banalizado ao extremo, trazendo personagens irrelevantes e que pouco contribuíram para a constituição de um Universo Mutante crível.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
 
Talvez a maior e melhor característica da peça seja a grande e curvilínea calda que se apresenta como um grande acessório que compõe o visual exótico do personagem. Mais que um simples adereço anatômico de Noturno, sua calda ganhou grande destaque nas histórias do personagem que passou a utiliza-la com agilidade, destreza e precisão empunhando espadas e lanças. Aliás, Noturno mostraria com o tempo uma grande habilidade na esgrima com suas mãos e calda. Essa habilidade e seu elegante e refinado gosto foram os responsáveis pela sua escolha de aparecer na pele do famoso ator de filmes clássicos Errol Flynn quando queria esconder suas características físicas. Errol Flynn foi um ator que viveu grandes aventuras de capa e espada na telona nos anos 30 e 40. Noturno aparecia semelhante à Flynn em seus primeiros anos de X-Men ao usar um "Disfarce Holográfico" que lhe dava, portanto aparência humana em público.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
 
Outro ponto a ser levado em consideração no que se refere à sua cauda de cerca de um metro de comprimento, é que ela é uma continuação da flexível coluna vertebral de Noturno, sendo forte o suficiente para sustentar o peso do personagem. Por ser um excelente acrobata, sua cauda funciona muitas vezes como uma terceira mão. Além de sua excelente forma física e habilidades acrobáticas, Kurt Wagner consegue se agarrar a superfícies sólidas em função de laços interatômicos entre suas moléculas e a de outros objetos. Ao redor de seu corpo existe o que os físicos atuais chamam de "Buraco de Minhoca" (portais para outras dimensões ou locais do Universo), o que suga a luz ao redor de si. Isso permite que Noturno fique transparente nas trevas. Mas é esse mesmo "Buraco de Minhoca" que dá ao personagem seu principal poder: o Tele Transporte de um local à outro dentro de nossa dimensão.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
 
Um radar natural ajuda Kurt a se tele transportar para lugares dentro de seu campo de visão. Isso não quer dizer necessariamente que ele precise mirar um local para poder se transportar para lá, embora isso facilite muito as coisas para ele. Outra característica interessante desse poder é que Noturno se tele transporta com maior facilidade em um eixo de Norte-Sul, o que sugere uma ligação importante entre seu poder e os polos magnéticos da Terra. O limite para seu tele transporte no eixo Norte-Sul está em torno de 4,8 km, enquanto que no eixo Leste-Oeste esse tele transporte chega à 3,2 km. Verticalmente o tele transporte de Noturno é mais perigoso e exaustivo, sendo que seu limite para o alto é de 3 km. Kurt consegue transportar pessoas e objetos consigo durante esses tele transportes, embora pessoas relatem náuseas e cansaço após a experiência (o que nunca acontece com Noturno). Ao que tudo indica, durante o transporte Noturno passa rapidamente por um outra dimensão.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
  
A miniatura de Noturno o representa de forma simples e enxuta, e por isso mesmo fiel ao personagem. As feições de Kurt apresentam-se adequadas se compararmos com algumas faces de outras peças já comentadas aqui no Blog. O passado de Noturno foi um mistério durante muitas décadas até sua relação com Mística (sua mãe) ser elucidada. Kurt é filho de Mística com o demônio Mutante Azazel, que fora banido para outra dimensão por Mutantes Angelicais. Para retornar à nossa dimensão Azazel engravidava remotamente mulheres como Mística para dar à luz Mutantes teleportadores. Quando Noturno ainda era um bebê Mística descobriu o engodo de Azazel que se utilizava de Eric Wagner (marido de Mística) para implementar seus planos. Envolvida pelo ódio e raiva de Azazel, Mística se converteu inadvertidamente à sua verdadeira forma (semelhante a de Norutno) o que lhe valeu uma perseguição pelos aldeões da Vila próxima ao Castelo de Eric Wagner.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
 
 Mística então atira o bebê Kurt de uma cachoeira, porém o pequeno é salvo por Azazel e deixado para ser criado por uma cigana. Não sabemos bem o motivo, porém o fato é que Kurt se converteria ao catolicismo e se transformaria em um autêntico cristão. Esse ato impensado de Mística até hoje é alvo de debates e especulações que dão conta que a Mutante executou esse ato desumano para salvar Kurt dos aldeões e seus forcados. Porém, Noturno duvidaria para sempre das intenções da mãe. Um início de vida triste e sem esperanças para alguém de coração puro e mente disciplinada para o "bem" como Kurt Wagner.
 
Miniatura Marvel Nº 42 - Noturno
 
Bom amigos... Noturno fez parte da melhor equipe dos X-Men de todos os tempos em minha opinião. Uma reformulação que acertou em tudo, inclusive ao mostrar o multiculturalismo quando Charles Xavier convoca um Mutante de cada região do Paneta: Pássaro Trovejante (um Norte-Americano Apache), Solaris (Japão), Banshee (Irlanda), Colossus (Rússia!!!), Tempestade (Norte Americana, porém filha de uma princesa do Quênia e criada no Egito), Wolverine (Canadá) e Noturno (Alemanha). A relação entre os personagens dessa equipe era outro ponto alto de suas histórias, que traziam desde seu início uma interessante amizade entre Noturno e Wolverine, um misto de admiração, provocação e deboche mútuos.
 
É isso aí!! Deixo meu grande abraço à todos!!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Como Ler a Saga da Fundação de Isaac Asimov?

Os Livros da Saga da Fundação de Isaac Asimov

Bem amigos, ao longo de 2014 fiz matérias específicas a respeito de cada um dos livros que compõem a incrível Epopeia Galáctica de Isaac Asimov conhecida como A Saga da Fundação: Fundação, Fundação e Império, Segunda Fundação, Limites da Fundação, Fundação e Terra, Prelúdio à Fundação e Origens da Fundação. Porém, para muitas pessoas desejosas em iniciar a leitura desta maravilhosa Saga, fica a dúvida quanto à ordem da leitura dos livros. O momento é incrivelmente oportuno para ler essa história aqui no Brasil, já que a Editora Aleph lançou todos os livros referentes à Saga, sendo que o último lançamento (Origens da Fundação) chegou às livrarias brasileiras em agosto de 2014! Abaixo apresento-lhes as possibilidades de leitura da história, bem como minha recomendação.


Ordem de Lançamento dos Livros (a que eu recomendo)


Essa foi a ordem que eu li a saga e a recomendo não necessariamente por isso, mas sim pelo fato do leitor poder acompanhar o desenvolvimento literário de Isaac Asimov que, à medida que as décadas passavam, ia agregando cada vez mais elementos à saga, além do fato de que sua escrita (que já era interessante desde os anos 50) vai nitidamente se tornando cada vez mais elegante. Nessa sequencia o leitor, em minha opinião, consegue uma compreensão maior dos personagens envolvidos, além de encerrar o último livro (Origens da Fundação) com a perspectiva correta da história.


Ordem em que a História se passa Cronologicamente


A ordem em que a história se passa, como se pode ver, é totalmente diferente daquela em que foi lançada. Em 1988 e 1992 Asimov resolveu escrever as bases científicas e históricas sob às quais o desenvolvimento do principal personagem da Saga (o Prof. Hari Seldon) se dá. É por isso que se você quer começar a ler cronologicamente a história deve-se começar por "Prelúdio à Fundação". No entanto, essa sequencia de leitura não seria tão boa em minha opinião em função dos motivos apresentados no parágrafo acima.


Ordem Alternativa de Leitura


A ordem apresentada acima permitiria ao leitor iniciar a leitura da Saga pela Trilogia lançada nos anos 50 que, e em seguida, escolheria em prosseguir na ordem cronológica dos acontecimento (parte de cima da figura), ou então retornar ao início de tudo com "Prelúdio à Fundação".

A importância da Saga da Fundação no universo ficcional de Asimov é imensa. Ao final de sua vida o autor resolveu integrar todos os seus livros ao Universo da Fundação. Isso significa que todo e qualquer livro de Isaac Asimov que você já tenha lido localiza-se de alguma forma na "Linha do Tempo" do Universo da Fundação. Um Universo cheio de suposições científicas elegantes e repletas de verdades. Em algum momento voltaremos a falar desta "Linha do Tempo" integrada do autor.

 Caso você esteja pensando em adentrar à esse universo, não perca tempo!

Um grande abraço à todos!!
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