quarta-feira, 25 de junho de 2014

Malévola - Porque assistir.


Passado o tempo necessário para que eu conseguisse ir ao cinema com a paz e o foco necessário, consegui ontem assistir à "Malévola". O Filme merece ser visto mais de uma vez para se conseguir extrair toda sutileza de suas cenas. São vários os seus méritos em minha opinião e espero falar um pouco deles nessa matéria, porém inicialmente posso destacar dois: a incrível interpretação de Angelina Jolie e o enfoque dado a já conhecida história de conto de fadas "A Bela Adormecida". A Disney surpreende ao mexer com um de seus ícones dando-lhe uma releitura ousada e diferente em que o foco recai sobre a complexidade do odiado vilão da história, no caso, Malévola!


O filme é, em sua essência, "Angelina Jolie". A atriz (em minha opinião) conseguiu destilar a quintessência do poder do feminino. Todos os aspectos da personalidade do gênero feminino podem ser vistos integralmente em sua interpretação: sedução; inteligência que vai além de sua mera definição e passa para o campo do sexto sentido; amor físico; amor maternal; solidão; resignação; força destrutiva e construtiva... Tudo concentrado em uma interpretação sutil que passa de uma dessas características descritas acima à outra rapidamente. Sem dúvida uma interpretação assim só é possível ser feita por uma atriz que possui, em certa medida, a consciência dessas diversas facetas que compõe o "ser mulher", algo que engloba seus diversos conceitos: a conciliação de uma mãe, a sedução da esposa, o companheirismo de uma irmã...


Entendo que uma obra pode ou não ser vista ou captada da mesma forma dependendo da pessoa, porém no meu caso ficou patente todos os aspectos que descrevi acima. A história possui duas fases distintas divididas por um evento que marca a vida da personagem (Malévola). Um acontecimento tão intenso que a partir dele até mesmo o visual da personagem muda, de maneira que, tal como uma monja em sua clausura, Malévola passa a esconder seus cabelos em sinal de recolhimento interior. É o duro ritual de passagem da inocência para a maturidade que a vilã tem que enfrentar. Tal qual uma religiosa sozinha e isolada, Malévola passa a ver o mundo com uma infeliz descrença no amor e na bondade. Embora seja possível ver adormecido em seu interior lampejos do que ela fora outrora.


Não há como não centrar a análise do filme em Angelina Jolie que, como disse acima, atingiu a sutileza necessária para hipnotizar o espectador. Além é claro de sua beleza polar e distante, digna de uma Greta Garbo moderna. É triste, no entanto observar algumas análises críticas do filme. Pude ler algumas coisas assim a respeito desta obra na imprensa escrita. Temo que às vezes é possível se confundir um pouco e acabar expressando opiniões pessoais e não técnicas sobre o filme. Vindo de pessoas como nós, simples editores de Blogs, não vejo problema nisso. O problema é quando a análise de profissionais (críticos de cinema) torna-se pessoal e não técnica. Isso pode acabar por injustiçar determinada obra, e já tivemos grandes exemplos de filmes, livros, entre várias outras formas de arte, que foram execradas em seu tempo e apenas muito depois é que foram, por fim, entendidas.


Outro ponto que gostaria de destacar é a inovadora, em se tratando da Disney, proposta de mexer com um ícone da empresa, tal qual é a história da "Bela Adormecida". Ao enfocar a vilã valoriza-se aquilo que deveria ser a regra, mas em geral não é, ou seja, o dom de não se julgar alguém pela aparência e atitudes. O ideal seria se déssemos o benefício da dúvida inicial àqueles que cruzam nosso caminho e tentássemos entender aquilo que motivou determinada atitude ou comportamento. Nos assustaríamos com o que encontraríamos, pois perceberíamos que há mais vítimas do que antes imaginávamos.


Efeitos especiais também estão presentes no filme. Não há como não contar uma história onírica como essa e não recorrer a recursos digitais. Isso pode deixar algumas cenas, em certa medida, artificiais, porém isso é inescapável. Embora tal crítica seja algo que advenha de nossa ânsia cada vez maior de sermos surpreendidos com efeitos realísticos, esquecemos algo muito importante: o fato de que, para que obras de ficção funcionem, é necessário que boa parte do que é mostrado seja complementado com nossa imaginação e nossa inclinação em assumir a fantasia como real.


"Malévola" foi para mim uma grande e grata surpresa. Um filme delicado que trata de coisas sutis e interiores. Uma obra triste, dramática, mas que acaba por valorizar as relações humanas e, em se tratando de nossos tempos, é disso que precisamos!


Um grande abraço à todos!

6 comentários:

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  3. Marcelo, fechaste a postagem com a frase de ouro, pois concordo plenamente quando escreveste que é o que precisamos: valorizar as relações humanas. Hoje em dia muitos dizem que gostam e até mostram-se bastante amigos em momentos bons. Mas basta haver um desentendimento e aí vemos um quadro deplorável de pessoas que se afastam e também tem aquela outras que ficam sondando para assistir ao espetáculo e depois amaldiçoam se, por algum deslize, alguém lança um holofote a ela. Mas apesar disso, o importante é lembrar sempre que relações humanas não se fazem do dia para a noite como um simples tomar de banho, mas podem se desfazer com a mesma facilidade com a qual um vento derruba um castelo de cartas, se a gente não cuidar de pensar direito.

    O que gostei no filme foi a construção desse amor entre Malévola e Aurora. Passou-se por tantos momentos diferentes e intensos, mas o coração de um ser, por mais que esteja encoberto de ódio justo, inevitavelmente irá acabar guiando-o para algo construtivo, ainda que a pessoa não se dê conta do que está fazendo no tempo presente. As relações humanas são muito preciosas, não são fáceis de serem mantidas, exigem dedicação, empenho, trabalho, sacrifício e presença... e muito olhar clínico diante das circunstância e compreensão.

    Eu me sensibilizei bastante porque, para mim, um amigo de Internet é tudo.... não é um objeto, não é algo qualquer que eu possa usar. E vejo que nesses tempos de facebook, infelizmente, a gente tem que priorizar "dar" sem esperar nada de volta, pois no menor deslize o outro te descarta como um copo daqueles de plástico, usado para beber água e depois ser jogado no lixo.

    Fiquei com medo que, após minha postagem, você fosse com expectativas demais e de repente não absorvesse a beleza da produção que, na minha opinião é uma das mais belas e potentes que a Disney já fez na atualidade.

    Espero que um dia você veja também "A culpa é das Estrelas", que não tem o mesmo impacto para impressionar, mas trata-se uma história dramática comovente onde só quem tem a arte de se imaginar no lugar do outro é que vai consegui captar a densidade da situação.

    Um forte abraço, Marcelo. Obrigado por manter esse canal pra compartilhar essas coisas boas. Alguns amigos virtuais que conheço infelizmente estão se desmotivando a manter seus espaços atualizados. Estou pedindo a Deus para que eles se reorganizem e reencontrem forças para voltarem, pois a Internet fica muito fria, para mim, sem esses pontos de encontros para nos transmitir esse tempo de diversão.

    Abraços, Marcelo. Tudo de bom!!

    Fabiano Caldeira.

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    1. Oi Fabiano...

      Pois é... Achei que a grande mensagem do filme foi mesmo essa questão de valorizar a relação entre as pessoas. Muitos que foram assistir ao filme querendo uma Angelina Jolie fazendo "barraco" e sendo uma vilã nos moldes antigos, quebraram a cara! Pois na verdade ela faz o contrário, simplesmente repensa suas atitudes à luz do amor! E o mais terrível para esses "espectadores cabeças vazias", um amor maternal e não o amor que todos estavam esperando, ou seja, um amor cheio de inveja e egoísmo.

      E as relação são como você coloca mesmo. Devem ser construidas. Acho que aqueles que não gostaram do filme pensam nesse amor imediatista e nas relações do tipo "relâmpago", tão comum hoje em dia. Ou seja, relações que se pulverizam à menor brisa. Por isso essas pessoas querem ver mais o "circo pegar fogo" mesmo. Daí quando se deparam com um filme como esse, que vai na direção contrária disso, são incapazes de compreendê-lo.

      E hoje as relações estão construidas em cima dessas bases frágeis que você cita mesmo. Ou seja, é comum se observar pessoas que se utilizam de um amigo tal qual se utiliza de um objeto. É o utilitarismo levado ao extremo.

      A produção de Malévola é realmente fantástica! E sua postagem só aguçou mais minha curiosidade sem, no entanto, interferir no meu julgamento. Achei tudo muito bem feito e as aparições da Angelina eram simplesmente soberbas. Não houve nenhuma cena em que ela não estivesse como uma rainha, com uma nobreza incrível.

      Ouvi falar muito de "A Culpa é das Estrelas". Ainda o verei!

      Esse seu comentário final é realmente super pertinente. Caso deixemos de expressar e compartilhar opiniões tal qual estamos fazendo aqui, a internet simplesmente virará uma coisa oca e sem valor. Um grande espaço para a Mediocridade. Um grande espaço para o culto à própria imagem. Sendo assim, espero mesmo que possamos sempre compartilhar tais coisas.

      Valeu mesmo Fabiano!!

      Grande Abraço!!

      Marcelo.

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    2. "Sendo assim, espero mesmo que possamos sempre compartilhar tais coisas."

      Amém! Que essa troca de ideias nos comentários continue espontânea, sendo de coração, que não seja motivada apenas como uma obrigação de coisas da Internet.

      Abraços. Tudo de bom!

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    3. É isso aí Fabiano...

      Um grande abraço pra você!

      Marcelo.

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