sábado, 24 de maio de 2014

Capitão América 02 - O Soldado Invernal



Passadas algumas semanas do lançamento de Capitão América 02 - O Soldado Invernal, podemos ter uma ideia (em perspectiva) da sua qualidade, impacto e ambições. Direção firme, personagens coesos e acima de tudo uma trama envolvente fizeram do filme um sucesso de público e crítica. Qualquer leitor antigo de quadrinhos com uma memória mínima deve ver tudo isso como um grande sonho realizado. Alguém que viveu as produções fracas e sem sentido dos anos 80 e 90 não pode deixar de agradecer aos céus o tratamento que é dado hoje aos personagens no cinema. Até mesmo adaptações não tão bem recebidas pelo público atualmente são, sem sombra de dúvida, melhores que aquelas que tínhamos no passado. Exceção (logicamente) seja feita à Superman I e II, de 1978 e 1980, respectivamente.


Já confessei aqui anteriormente meu apreço pelo Capitão América, pois o considero um herói à moda antiga. Um personagem que conseguiu passar ao largo da escuridão, angústia e complexidade da Era Moderna dos Quadrinhos e de certa forma manteve seus ideais e sua visão de mundo intactos. Um mundo onde o mal e o bem são mais facilmente identificados. Há muito eu abandonei a visão de que ele seria um "garoto de recados" do Tio Sam, pois em várias ocasiões ele provou que seus ideais estão acima, inclusive, do seu país. Sendo assim, tive muita dificuldade em aceitar Chris Evans no papel de Steve Rogers. Confesso que essa dificuldade vinha do fato de ser complicado abandonar a visão de "playboy" que eu fazia do ator. Sobretudo em função de sua atuação como o irresponsável, inconsequente e mimado Tocha Humana no "Quarteto Fantástico" da Fox. Com esse último Capitão América percebo, no entanto que Evans se aproxima da índole amável e talvez até melancólica de Steve Rogers, um homem anacrônico, que tenta se adaptar à um mundo que lhe impõe uma visão muito diferente daquela na qual ele cresceu.


Com uma interpretação mais à vontade Evans consegue desenvolver bem o personagem dentro desse escopo acima (um dos principais do personagem em minha opinião). O roteiro traz uma atmosfera de espionagem na qual o Capitão já se mostrou bem à vontade, se lembrarmos da fase de Ed Brubaker nos quadrinhos. Ação, humor, drama e efeitos estão bem balanceados e acredito que finalmente os diretores e estúdios perceberam duas coisas básicas, mas que teimavam em ignorar: 1º - É imprescindível que se mantenham intactas a mitologia e as bases sobre as quais os personagens foram criados; e 2º - Deve-se entender que efeito especial é apenas uma ferramenta para dar apoio à um bom roteiro. Infelizmente muitos estúdios ainda insistem em desobedecer essas verdades pétreas, como é o caso da Fox em relação ao já "mal falado" futuro reboot do "Quarteto Fantástico" nos cinemas.


Um elenco muito bom também contribuiu para o resultado positivo do filme. O Soldado Invernal do título é um vilão/anti-herói complexo e interessante ao esconder a identidade do antigo parceiro de Steve Rogers na 2ª Guerra Mundial. Sebastian Stan consegue interpretar bem o personagem e, em minha opinião, não desapontou. Destaque também eu dou para o maior desenvolvimento da relação entre Steve Rogers e a Viúva Negra, que finalmente pôde mostrar um pouco mais de sua personalidade dentro do universo cinematográfico da Marvel. Sua relação com Rogers é construida com cuidado e oscila entre sedução e uma real preocupação de amiga.


Destaque também deve ser dado pela participação de Anthony Mackie como Falcão. Grande parceiro do Capitão, sobretudo nos quadrinhos nos anos 70/80, o Falcão era um personagem que, caso não fosse bem trabalhado poderia parecer deslocado e fora do "timing". Principalmente porque sua grande participação ao lado de Steve Rogers nos anos 70 era calcada na militância que Sam Wilson tinha junto à movimentos civis de periferia, sobretudo envolvendo a causa do racismo. No entanto, o Falcão aparece bem colocado no filme e sua antiga militância é substituída pela sua atuação à frente de Grupos de Ajuda, como pode ser muito bem visto em uma das sequencias do filme.


Ainda sobre o Falcão, outro ponto a ser comentado é a real amizade que ele desenvolve com Steve ao longo do filme. Algo a ser comemorado em tempos de banalização digital das amizades. Sua dedicação ao amigo é grande e sincera. Os demais atores do filme também estão bem: Samuel L. Jackson dispensa comentários como Nick Fury, e Robert Redford e Toby Jones como Alexander Pierce e Dr. Arnim Zola, respectivamente, também não decepcionam. 



De toda forma, Capitão América 02 - O Soldado Invernal conseguiu a difícil tarefa de agradar uma plateia cada vez mais exigente formada por uma legião de fãs cada vez mais crítica. Acredito que em algum momento o interesse dos grande estúdios pelos Super-Heróis diminuirá. Isso por si só inviabilizará a continuidade de produções milionárias e cheias de efeitos especiais de última geração. Uma ótima saída seria os estúdios focarem no universo mais intimista de cada personagem em filmes mais baratos e em séries para TV. Algo que de certa forma já temos começado a ver com "Marvel - Agentes da Shield" pela Marvel e "Arrow" pela Warner, além das vindouras séries "Agente Carter", "Gotham", "Constantine" e "Flash". Fora isso gostaria muito de ver ótimos personagens de 2º escalão da Marvel estrelando filmes que, embora mais baratos, poderiam focar especificamente no segmento de fãs propriamente dito, tais como: Punho de Ferro; Cavaleiro da Lua; Demolidor; Namor, dentre outros. Acho que esse seria um grande futuro!!


De qualquer forma, antes desse cenário acontecer, acho que ainda teremos ótimos e grandes Blockbusters pela frente! Bom amigos... Como já comentei antes, as opiniões expressas aqui são pessoais e passíveis de serem diferentes das de outros. O importante é comentarmos e dialogarmos sobre esse incrível universo!

Abraço à todos!

9 comentários:

  1. É isso mesmo, Marcelo. O Capitão América é um grande personagem, apesar de ainda termos aquela imagem de propaganda norte americana explícita. A verdade é que essa imagem já foi deixada de lado há um tempo e temos grandes histórias publicadas nos últimos anos, por um grupo de roteiristas e desenhistas fantásticos. Uma das melhores foi realmente a saga do Soldado Invernal. Estou ansioso por ver esse filme, pois acho que a história é bem fundamentada nos quadrinhos. Você também se lembra daquele filme que o Capitão América tinha uma moto toda esquisita, no fim dos anos setenta? Aquilo era horrível mesmo. Um abraço!

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    1. Olá Marcelo...

      No passado confesso que ficava com um pé atrás em relação ao Capitão porque via que o personagem possuía com certeza um viés panfletário. Porém, minha percepção mudou sobretudo após conhecer uma saga dos anos 70 na qual ele descobre que o próprio presidente americano estava por trás de uma organização criminosa. Acho que era o Richard Nixon (sempre ele, rs rs) senão me engano. A partir daquele momento ele deixa o manto de Capitão América e passa a atuar como Nômade, como você deve lembrar. Outro momento em que ele se mostrou como alguém independente da política (muitas vezes suja do governo), foi na saga Guerra Civil, na qual ele não pensa duas vezes ao se voltar contra a Shield e contra o Tony Stark. Ali ele ganhou status para mim de personagem independente e com ideais elevados.

      A Saga do Soldado Invernal eu ainda quero lê-la de "cabo a rabo" pois nunca consegui fazê-lo. Mas sei o quanto ela foi importante e premiada. Haja vista sua versão para o cinema.

      Quando você assistir ao filme avise-me o que achou!

      Quanto ao filme do Capitão no qual ele carregava um escudo de Plástico é algo que não quero nem lembrar, pois isso pode voltar a me aterrorizar em pesadelos! rs rs rs

      Grande Abraço, Amigo!

      Marcelo.

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  2. Boa tarde Marcelão tudo bom?! Olha fiquei muito contente que você postou sobre o filme!

    Assisti logo na estréia e eu estava muito curioso sobre como o filme iria transcorrer e de que forma acrescentaria ao longo roteiro de filmes que a Marvel está criando. Pois diferente do universo de Thor (2) e de Homem de Ferro (3) que são "indestrutíveis"frentes as ameaças cada vez maiores, o Capitão América continua sendo um homem, com força sobrenatural, mas ainda sim fadado a experimentar mais dor que os demais heróis do universo.

    Para minha surpresa o filme conseguiu se encaixar de uma forma muito suave e acrescentando muito mais que os demais filmes (pós vingadores). Os efeitos especiais foram excelentes! Em abundância é claro, mas sem contrastes, foi muito suave a transição do real com o irreal.

    Conseguiram explorar cada um dos personagens novos apresentados de forma rápida e coesa, além de aprofundar muito na presença de espírito e caráter do Steven Rogers. O Soldado Invernal ficou fantástico, o braço dele com aquele efeito "turbo"remete a tecnologia passada ainda que fictícia. (O mais importante parece que a Marvel já possui contrato para pelo menos 5 ou 7 filmes com ele - estão fazendo isso para evitar salários imensos pós promoção).

    Eu assisto o Agentes of Shield, a série começou bem, e se arrastou por pelo menos 15 ou 17 capítulos até voltar a se tornar interessante. Coincidentemente quando simultaneâmente a Hidra tentou dar o Golpe e a SHIELD foi destruída. Espero que a temporada mantenha o padrão dos últimos 5 ou 7 capítulos.

    Fiquei tão feliz com o filme que estou dedicando esse comentário imenso aqui, só com coisas boas! Vale salientar que este foi um dos primeiros filmes cujo humor não foi a ferramenta de maior atração da trama.

    Abraços!!

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    1. Olá, Marcelo! Que bom que gostou tanto assim do filme. Quando a gente é fã de um personagem, tudo fica mais gostoso. Acho o uniforme do Capitão América bonito no filme. Pelo menos em OS VINGADORES, era. Pelas fotos desse aí, também acho bonito.

      Vi agora há pouco o filme que me recomendou sobre o Heath Leadger e o Andrew Garfield. Achei interessante. Na verdade, ele me lembrou um pouco o tipo de filme de A História sem Fim, só que não tão infantil, porém, com as mensagens ali, tomando conta da trama em vários momentos, tornando-se algo importante e não um apêndice. Acho que precisarei ver de novo para captar mais coisas, pois na primeira vez que assisto a esses filmes cheios de detalhamentos, só consigo captar o óbvio do momento. Depois, vendo de novo, presto mais atenção em outras coisas porque eu ja sei a trama, então acabo focando mais em gestos, cenários, expressões e detalhes.

      Não sou uma pessoa muito culta na arte do cinema, mas fiquei com a impressão de que arrumaram a desculpa do personagem do Leadger mudar de face (conforme a fantasia pessoal) porque em um momento qualquer a produção ficou sem o ator que morreu, infelizmente. Pois em dado momento a face dele mudou e não voltou mais... ou seja, pegaram um ator com um biotipo corporal parecido e arrumaram a desculpa do rosto mudar pela fantasia emocional para não ficar um filme com cara de remendo. Achei bacana e criativa a saída, se é que foi mesmo esse o caso.

      Quanto ao Andrew Garfield, é realmente o caso que te falei dando a Rooney Mara como exemplo. Ele realmente teve um papel mais feliz nessa produção. Não sei se foi a construção em si do personagem em A REDE SOCIAL, que não me agradou, ou se ele é que não soube dar uma densidade maior ao personagem. Agora que o vi em um papel mais "teatral", pude perceber que ele tem potencial.

      No final do filme só faltou a clássica pergunta no estilo Highlander: "Who wants to live forever?"

      ahahahah....

      Abraços.

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    2. Olá amigos!! Desculpem a demora em responder os comentários! A correria do dia a dia é grande.

      Vou começar respondendo ao comentário do Denis...

      Fico contente que tenha gostado do Capitão América - O Soldado Invernal. Você tem razão ao lembrar sobre a vulnerabilidade do herói. Realmente isso o aproxima mais das pessoas comuns. Mesmo ele tendo força e reflexos sobre-humanos, sua personalidade o aproxima muito das pessoas em geral.

      Eu estava com um pouco de receio em relação a esse filme, porque quando um Universo torna-se tão grandioso nos cinemas, com produções cada vez mais elaboradas e complexas fica difícil manter-se o padrão ou até inovar. De certa forma esse filme do Capitão fez isso, pois se voltou para um Universo mais intimista. É claro que, como você bem observou, os efeitos especiais estão lá, porém conseguimos olhar com uma "lupa" para o interior do personagem, permitindo assim que os efeitos especiais funcionem como sempre deveriam funcionar: como uma apoio para uma boa história.

      Concordo com você em relação ao Soldado Invernal. Excelente inserção do personagem e o ator conseguiu mostrar a atmosfera de angústia na qual o personagem vive, sem saber que é e com memórias embaralhadas. O braço-ciborgue dele é fantástico mesmo. Gostei bastante também.

      Essa questão de fecharem contrato para vários filmes eu acho uma boa saída para se evitar atores megalomaníacos que em início de carreira são como "ovelhinhas", porém depois tornam-se insanos no que se refere à salário. E no final todos acabam perdendo, uma vez que é muito frustrante quando se troca um ator por outro de um filme para outro. Não adianta, a gente fica com aquela memória associativa em se tratando das interpretações e depois é ruim desconstruir essa memória. Fora que às vezes o substituto fica pior, pois acaba querendo imitar o ator anterior.

      Para não dizer qua não assisti à Agentes da Shield devo ter assistido dois episódios iniciais. Tenho uma amiga que fala muito bem da série. Mas confesso que, pelo menos os que eu assisti, eu achei mediano. Porém, disseram-me que os episódios que saíram próximo à estreia do Capitão América foram muito bons. Acho que são esses que você cita no seu comentário.

      Gostei também do humor usado no filme do Capitão. Bem dosado e com boas inserções. Estão pegando o jeito mesmo.

      Ok Denis... Valeu pela presença e comentário!

      Grande Abraço!

      Marcelo.

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    3. E aí Fabiano!! Blz!?

      Cara... Gostei sim do Capitão, viu! Além de eu ser fã do personagem o filme agradou. Ser fã torna as coisas às vezes mais difíceis, pois acaba-se esperando isso ou aquilo, mas principalmente que o diretor não deturpe a visão pessoal que se tem do ídolo. E nesse aspecto isso às vezes acontece com frequência, ou seja, você vai esperando que um diretor acabe mostrando essa ou aquela faceta do personagem que você gosta, e às vezes isso não acontece. Nesse caso o diretor captou bem a essência do Steve Rogers.

      Realmente eu acho a questão do uniforme do Capitão uma peça-chave. Isso porque é um uniforme muito "bandeiroso" no original e, portanto se não for bem trabalhado, pode converter o herói à uma paródia apenas. Aliás, isso acontecia muito no passado nos filmes de heróis dos anos 80 e 90. Não sei se você se lembra de um filme do Capitão América no qual ele andava com um "colant" azul e com um escudo parecendo de plástico!! rs rs rs

      Bem... Mas voltando na questão do uniforme. Para mim o Capitão é um militar e, portanto deve se vestir e se portar como um. Claro que ele vai muito além do estereotipo de militar, pois não é um cabeça-vazia que vive recebendo e obedecendo ordens sem questionar. Como comentei acima Steve Rogers já provou ser alguém com ideais sólidos e apolíticos. Por isso, o uniforme deve obedecer o estilo militar e nesse sentido o que mais gostei foi o do 1º filme do Capitão (Capitão América - O Primeiro Vingador) e esse último do filme do Soldado Invernal. O que ele usou no filme dos Vingadores não estava ruim, porém achei um pouco espalhafatoso.

      Agora... Comentando sobre "O Mundo Imaginário do Dr. Parnasus" que te recomendei e você assistiu, o filme é cheio de mensagens subliminares mesmo Fabiano. Inclusive ele é discutido até em aulas de Psicologia. Minha cunhada é psicóloga e comentou isso recentemente comigo. Há mesmo a atmosfera do "História Sem Fim", porém a tratativa é sim mais adulta. Isso justifica uma 2ª assistida para se tentar pegar essas mensagens subliminares.

      Você acertou em cheio no que se refere à presença de outros atores substituindo o Heath Leadger. Ele morreu na época das gravações (senão me engano quando as filmagens já estava bastante adiantadas). No entanto, era preciso fechar o filme e achei criativa também a substituição por outros atores. Se você observar essa mudança acontece quando o Heath Leadger entra na mente do Dr. Parnasus, ou seja, quando ele está fora de nossa realidade. Se observarmos bem, atores famosos fizeram essa substituição: Jhonny Deep, Jude Law, Colin Farrell (acho que são esses pelo que me lembro).

      A respeito do Andrew Garfield tive a mesma impressão que você. Nesse papel ele me mostrou que tem potencial.

      Quanto ao final do filme eu não me lembro muito bem... Mas acho que se tinha uma sensação de um ciclo infindável! Vou assistir de novo! rs rs

      Valeu por compartilhar sua opinião Fabiano! Eu muitas vezes assisto filmes e não tinha muito com quem debater. Essa oportunidade aqui tem sido muito legal!!

      Grande Abraço!!!

      Marcelo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Respostas
    1. Com certeza Kleiton...

      Robert Redford é o que podemos chamar de ícone e ele está bem mesmo nesse filme.

      Abcs!

      Marcelo.

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